Fatores associados ao estado nutricional em crianças de creches públicas do município de Recife, PE, Brasil

Juliana Souza Oliveira Pedro Israel Cabral de Lira Antonio Geraldo Cidrão de Carvalho Maria de Fátima Alcântara Barros Marília de Carvalho Lima Sobre os autores

Resumos

Objetivo:

Avaliar o perfil nutricional de crianças frequentadoras de creches do município de Recife e identificar potenciais fatores determinantes.

Métodos:

Trata-se de um estudo transversal conduzido com 321 crianças de 6 a 30 meses no período de agosto a outubro de 2004. A classificação do estado nutricional foi realizada a partir dos índices comprimento/idade, peso/idade, peso/comprimento e de massa corpórea/idade, utilizando o padrão de referência da Organização Mundial da Saúde. A análise de regressão linear multivariada avaliou o efeito das condições socioeconômicas e demográficas maternas e relacionadas às crianças sobre o índice comprimento/idade.

Resultados:

O percentual de desnutrição (< -2 escores Z) foi de 13,4%, 2,8%, 0,6% e 0,6% para os índices comprimento/idade, peso/idade, peso/comprimento e de massa corpórea/idade, respectivamente. O modelo final da análise de regressão linear multivariada mostrou que as condições socioeconômicas (tipo de teto e abastecimento de água) e biológicas da criança (peso ao nascer, idade e concentração de hemoglobina) foram as variáveis que significantemente influenciaram a variação do índice comprimento/idade, explicando 3,8% e 12,8%, respectivamente.

Conclusão:

Entre as variáveis estudadas, os fatores biológicos da criança tiveram uma influência maior na variação do índice comprimento/idade do que as socioeconômicas.

Criança; Estado nutricional; Antropometria; Índice comprimento/idade; Creches; Estudos transversais; Fatores epidemiológicos


Introdução

O estado nutricional de uma população, sobretudo das crianças, é um excelente indicador da qualidade de vida, espelhando o modelo de desenvolvimento de uma determinada sociedade 11. Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de dois anos . Secretaria de Políticas de Saúde, Organização Pan Americana da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002a; 152 p. . Acompanhar a situação nutricional das crianças constitui instrumento essencial para aferição das condições de saúde da população infantil tornando-se uma oportunidade ímpar para se obter medidas objetivas da evolução das condições de saúde de uma população 22. Monteiro CA, Benício MHD'A, Iunes RF, Gouveia NC, Cardoso MAA. Evolução da desnutrição infantil. In: Monteiro CA (ed.). Velhos e novos males da saúde no Brasil: a evolução do país e de suas doenças . São Paulo: HUCITEC/NUPENS/USP; 1995. pp. 93-114. .

Um número crescente de crianças de nível socioeconômico desprivilegiado dos centros urbanos em nosso país vem sendo atendido em creches públicas. A demanda por estes serviços é grande e tende a aumentar pelo fato de a mãe trabalhar para contribuir para o aumento da renda familiar 33. Zöllner CC, Fisberg RM. Estado nutricional e sua relação com fatores biológicos, sociais e demográficos de crianças assistidas em creches da Prefeitura do Município de São Paulo. Rev. Bras. Saúde Matern Infant 2006; 6(3): 319-28. , 44. Barros AJD, Gonçalves EV, Borba RSB, Lorenzatto CS, Motta DB, Silva VRL et al. Perfil das creches de uma cidade de porte médio do sul do Brasil: operação, cuidados, estrutura física e segurança. Cad Saúde Pública 1999; 15(3): 597-604. . Programas que tenham por base os cuidados infantis disponibilizados de forma integral e de boa qualidade, destinados às crianças, desde os primeiros meses de vida, podem exercer papel preventivo no sentido de protegê-las de distúrbios nutricionais, especialmente a desnutrição crônica 33. Zöllner CC, Fisberg RM. Estado nutricional e sua relação com fatores biológicos, sociais e demográficos de crianças assistidas em creches da Prefeitura do Município de São Paulo. Rev. Bras. Saúde Matern Infant 2006; 6(3): 319-28. , 55. Silva MV, Ometto AMH, Furtuoso COM, Pipitone MAP, Sturion GL. Acesso a creches e estado nutricional das crianças brasileiras: diferenças regionais, por faixa etária e classes de renda. Rev Nutr 2000; 13(3): 193-9. .

Apesar de as creches constituirem um possível fator de proteção do estado nutricional, através da oferta de alimentação adequada, estando estas instituições responsáveis por dois terços da ingestão nutricional total da criança, a sua exposição às precárias condições habitacionais e de saneamento básico predispõem à aquisição de processos infecciosos recidivantes com consequente prejuízo para o estado nutricional, principalmente entre crianças menores de 24 meses 66. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de políticas de saúde. Saúde da criança – Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Série Cadernos de Atenção Básica; n.11. Série A, Normas e Manuais Técnicos. Brasília, DF; 2002b; no. 173.

7. Biscegli TS, Polis LB, Santos LM, Vicentin M. Avaliação do estado nutricional e do desenvolvimento neuropsicomotor em crianças frequentadoras de creche. Rev Paul Pediatr 2007; 25(4): 337-42.

8. Bueno MB, Marchioni DML, Fisberg RM. Evolução nutricional de crianças atendidas em creches públicas no Município de São Paulo, Brasil. Rev Panam Salud Pública 2003; 14(3): 165-70.
- 99. Camillo CC, Amancio OMS, Vitalle MSS, Braga JAP, Juliano Y. Anemia ferropriva e estado nutricional de crianças de Creches de Guaxupé. Rev Assoc Med Bras 2008; 54(2): 154-9. . E, como demonstrado por Monteiro 1010. Monteiro CA. Critérios antropométricos no diagnóstico da desnutrição em programas de assistência a crianças. Rev Saúde Pública 1984; 18(3): 209-17. , o déficit estatural de crianças aos sete anos já estaria estabelecido aos 24 meses de vida. Como a estatura é uma medida corporal de evolução lenta e progressiva, sua dimensão reflete a história da situação socioeconômica e nutricional de uma população 1111. Waterlow JC. Observations on the natural history of the stunting. In: Waterlow, JC. Linear growth retardation in less developed countries. New York, Nestlé Nutrition Workshop series: Raven Press; 1988; 14: 1-16. . Assim, o presente artigo teve como objetivo avaliar o estado nutricional de crianças de 6 a 30 meses de idade que frequentam creches do município do Recife e verificar os potenciais fatores associados ao índice comprimento/idade.

Método

O estudo foi realizado em treze creches públicas municipais localizadas em cinco dos seis Distritos Sanitários da cidade do Recife. As mesmas foram selecionadas através de amostragem aleatória simples, de um total de 20 creches que atenderam aos critérios de inclusão (idade e sem suplementação oral de ferro). As crianças que frequentam essas creches apresentam condições socioeconômicas semelhantes e recebem o mesmo padrão de assistência da Secretaria de Educação do município em relação ao currículo pedagógico, dieta e assistência à saúde 1212. Carvalho AGC, Lira PIC, Barros MFA, Aléssio MLM, Lima MC, Carbonneau MA et al. Diagnosis of iron deficiency anemia in children of Northeast Brazil. Rev Saúde Pública 2010; 44(3): 513-9. .

O desenho do estudo foi do tipo transversal, realizado com todas as crianças entre 6 e 30 meses de vida matriculadas nestas creches, perfazendo um total de 321 crianças. A coleta de dados foi realizada no período de agosto a outubro de 2004.

Os fatores socioeconômicos e demográficos foram avaliados em relação à renda familiar per capita , escolaridade e idade materna, condições de habitação e saneamento e posse de bens de consumo. As variáveis relacionadas à criança consistiram do sexo, peso ao nascer, idade, perfil do aleitamento materno e concentração de hemoglobina. Estas informações foram coletadas na creche através de entrevista com a mãe ou responsável pela criança, por dois assistentes de pesquisa utilizando formulário pré-codificado.

Foram colhidas amostras de sangue venoso para as dosagens da hemoglobina, que foram determinadas eletronicamente pelo ABX Pentra, modelo ABX 120 VEP 0027. Para classificar a anemia foram utilizados os valores < 9,5 g/dL para anemia moderada a grave, 9,5 – 10,9 g/dL para anemia leve e ≥ 11,0 g/dL para normalidade 1313. World Health Organization. Preventing and controlling iron deficiency anemia through primary health care: a guide for health administrators and programme managers . Geneva: WHO; 1989. .

A avaliação antropométrica foi realizada através da medição do peso e comprimento, adotando-se as recomendações da Organização Mundial de Saúde 1414. World Health Organization. Physical Status: The use and interpretation of anthropometry . Technical Report Series 854: Geneva; 1995. . O peso foi obtido utilizando balança digital de marca Marte com capacidade de 160Kg (modelo MS 160, Goiânia, Brasil) com precisão de 50g. Para aferição do comprimento foi utilizado antropômetro ( Raven Equipment, Made in England ) com amplitude de 100 cm e subdivisões de 0,1cm. Para garantir a precisão e exatidão da mensuração do comprimento, as crianças foram medidas duas vezes e a diferença entre as avaliações não deveria exceder 0,5 cm; no caso de ultrapassar esse limite, repetia-se a mensuração, registrando-se as duas mais próximas, sendo utilizada a média entre essas medidas.

Na avaliação do estado nutricional foi utilizado o software Anthro – 2007 1515. World Health Organization. Anthro for personal computers, version 2, 2007: Software for assessing growth and development of the world's children. Geneva; 2007. [2007 Jan 23]. Disponível em: http://www.who.int/childgrowth/software/en/ (Acessado em 7 de dezembro de 2010).
http://www.who.int/childgrowth/software/...
, sendo as crianças classificadas através dos índices peso/idade, comprimento/idade, peso/comprimento e de massa corpórea/idade expressos em escore Z. O padrão de crescimento infantil utilizado como referência para classificação das medidas de peso e comprimento foi o da Organização Mundial da Saúde 1616. World Health Organization. Multicentre Growth Reference Study Group. WHO child growth Standards based on length/height, weight and age. Acta Paediatr 2006; (S450): 76-85. . Para avaliação do estado nutricional, utilizou-se os, para o índice compimento/idade, pontos de corte, < -2 escores Z = desnutrição, -2 a < -1 escore Z = risco de desnutrição e -1 = eutrófico, e para o peso/idade, peso/comprimento e índice de massa corpórea/idade < -2 escores Z = desnutrição, -2 a < -1 escore Z = risco de desnutrição, -1 a < 2 escores Z = eutrófico e ³2 escores Z = excesso de peso. Definiu-se em aleitamento materno, a criança que recebeu ou estava recebendo leite materno diretamente do seio ou dele extraído, independentemente de estar recebendo qualquer alimento ou líquido, incluindo leite não humano 1717. World Health Organization. Indicators for assessing breastfeeding practices . Geneva; 1992. .

O pacote estatístico Epi Info, versão 6,04 ( CDC, Atlanta ) foi utilizado para realizar a dupla entrada de dados, que teve a finalidade de checar a consistência e a validação da digitação.

O índice comprimento/idade, selecionado como variável dependente para a investigação dos fatores associados foi analisado como variável contínua. As associações foram feitas com relação a este índice por apresentar maior prevalência de déficit nutricional e se constituir atualmente a forma mais frequente e representativa de desvio antropométrico. O teste t de Student e a análise de variância (ANOVA) foram utilizados para comparar as diferenças entre as médias nas análises bivariadas, considerando-se significância estatística valor de P ≤ 0,05. A matriz de correlação não identificou multicolinearidade entre as variáveis, visto que os coeficientes de correlação de Pearson ficaram abaixo de 0,52.

A análise de regressão linear multivariada foi realizada com o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 12.0.1, na avaliação do impacto das variáveis independentes sobre o índice comprimento/idade. Entre as variáveis independentes, o peso ao nascer, a idade e a concentração de hemoglobina foram tratados como variáveis contínuas. Todas as variáveis com valor de P < 0,20 nas análises bivariadas foram selecionadas para inclusão nos modelos de regressão, tendo sido utilizado o método stepwise . Para a análise dos fatores associados utilizou-se o modelo adotado por Lima et al. 1818. Lima ACVMS, Lira PIC, Romani SAM, Eickmann SH, Piscoya MD, Lima MC. Fatores determinantes dos níveis de hemoglobina em crianças aos 12 meses de vida na Zona da Mata Meriodional de Pernambuco. Rev Bra. Saúde Mater Infant 2004 ; 4: 35-43. . Inicialmente foi realizada a regressão de 11 variáveis socioeconômicas e maternas (tipo de habitação, regime de ocupação, tipo de parede, piso, teto, abastecimento de água, esgotamento sanitário e posse de TV, geladeira e telefone fixo no domicilio, e escolaridade materna). Em seguida foram introduzidas no modelo as variáveis relacionadas às crianças (peso ao nascer, idade e concentração de hemoglobina). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco, com protocolo de número 299/2003. As mães das crianças foram informadas sobre os objetivos e procedimentos da pesquisa e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido antes da inclusão no estudo.

Resultados

De acordo com a Tabela 1 , verifica-se que o percentual de desnutrição (< - 2 escores Z) foi de 2,8% e 13,4% para os índices peso/idade e comprimento/idade, respectivamente, e de 0,6% para os índices peso/comprimento e de massa corpóreo. O excesso de peso foi de 7,5% e 10,6% para os índices peso/comprimento e de massa corpórea, respectivamente.

Tabela 1
Estado nutricional de crianças de 6 a 30 meses matriculadas em creches públicas do município de Recife, Pernambuco, 2004.

Com relação às variáveis socioeconômicas ( Tabela 2 ), verifica-se que 53,3% das famílias percebiam uma renda familiar per capita mensal inferior a ¼ do salário mínimo, a maioria das famílias (71,3%) morava em casa ou apartamento, com paredes de alvenaria/tijolo (82,9%), com abastecimento de água com canalização interna (81%) e sanitário com descarga (42,7%). Quanto à disponibilidade de bens de consumo, verificou-se que 2/3 ou mais das famílias possuíam TV e geladeira.

Tabela 2
Média e desvio padrão do índice comprimento/idade (escore z) segundo as características socioeconômicas de crianças de 6 a 30 meses matriculadas em creches públicas do município de Recife, Pernambuco, 2004.

No que se refere às variáveis maternas ( Tabela 3 ), observa-se que 9,1% das mães eram adolescentes, e a maioria (69,4%) com idade entre 20 a 29 anos. Quanto à escolaridade, 44,4% tinha frequentado de 5 a 8 anos de estudo. O baixo peso ao nascer (< 2.500g) apresentou uma frequência de 6,8% e o peso insuficiente (2.500 – 2.999g) de 21,5%. Verificou-se que 41,4% das crianças estavam com anemia moderada a grave e 50,2% com anemia leve. Em relação ao aleitamento materno, verificou-se que 93,8% das crianças haviam recebido leite materno ou ainda mamavam no momento da entrevista, enquanto 6,2% nunca haviam mamado.

Tabela 3
Média e desvio padrão do índice comprimento/idade (escore z) segundo as características maternas e relacionadas às crianças de 6 a 30 meses matriculadas em creches públicas do município de Recife, Pernambuco, 2004.

As Tabelas 2 e 3 apresentam a associação entre as variáveis explanatórias e o índice comprimento/idade, sendo selecionadas para a análise de regressão linear multivariada aquelas com valor de P < 0,20.

Na análise de regressão linear multivariada observou-se que a condição socioeconômica, representada pelo tipo de teto e abastecimento de água, influenciou significantemente, contribuindo com 3,8% da variação do índice comprimento/idade. As variáveis relacionadas à criança representadas pelo peso ao nascer, idade e concentração de hemoglobina foram as que tiveram um impacto maior na variação do índice comprimento/idade, contribuindo juntas com 12,8%. Consideradas no seu conjunto, as variáveis explicaram 16,6% deste índice ( Tabela 4 ).

Tabela 4
Regressão linear multivariada dos fatores associados ao índice comprimento/idade (escore Z) de crianças de 6 a 30 meses matriculadas em creches públicas do município de Recife, Pernambuco, 2004.

Discussão

Os resultados do presente estudo ratificam a afirmação de que o déficit estatural constitui a forma mais frequente e representativa de desvio antropométrico do quadro epidemiológico da desnutrição; assim, a creche pode ser uma importante opção de cuidado, na medida em que oferece às crianças o acesso a uma alimentação qualitativamente adequada, com potencial para diminuir riscos nutricionais, dentre estes a desnutrição crônica 1919. Laurentino GEC, Arruda IKG. Nanismo nutricional em escolares no Brasil. Rev Bras Saúde Matern Infant 2003; 3(4): 377-8. , 2020. Konstantyner T, Taddei JAAC, Palma D. Fatores de risco de anemia em lactentes matriculados em creches públicas ou filantrópicas de São Paulo. Rev Nutr 2007; 20(4): 349-59. .

Neste estudo, o número de crianças com déficit no índice comprimento/idade (13,4%) foi superior ao esperado para os valores de referência de 2,3% 1414. World Health Organization. Physical Status: The use and interpretation of anthropometry . Technical Report Series 854: Geneva; 1995. , e semelhante ao encontrado no Brasil pela Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) 2121. Brasil. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da criança e da mulher: PNDS 2006: Dimensões do processo reprodutivo e da saúde da criança . Brasília, DF; 2009. para as crianças entre 12 e 23 meses (12,3%) e ao observado por Oliveira et al. 2222. Oliveira VA, Assis AMO, Pinheiro SMC, Barreto ML. Determinantes dos déficits ponderal e de crescimento linear de crianças menores de dois anos. Rev Saúde Pública 2006; 40(5): 874-82. no estudo realizado com crianças no Estado da Bahia (12,4%). Em creches dos municípios de São Paulo e Belo Horizonte foi observado por Zöllner e Fisberg 33. Zöllner CC, Fisberg RM. Estado nutricional e sua relação com fatores biológicos, sociais e demográficos de crianças assistidas em creches da Prefeitura do Município de São Paulo. Rev. Bras. Saúde Matern Infant 2006; 6(3): 319-28. e por Rocha et al. 2323. Rocha DS, Lamounier JA, Capanema FD, Franceschini SCC, Norton RC, Costa ABP et al. Estado nutricional e prevalência de anemia em crianças que frequentam creches em Belo Horizonte, Minas Gerais. Rev Paul Pediatr 2008; 26(1): 6-13. menores prevalências de déficit estatural, da ordem de 5,2% e 4,2%, respectivamente, sugerindo melhores condições socioeconômicas, refletindo as desigualdades regionais e possivelmente as melhores condições de infraestrutura e de assistência das creches.

Na literatura a relação entre o crescimento estatural e os condicionantes ambientais aos quais as crianças estão expostas está bem documentada 2222. Oliveira VA, Assis AMO, Pinheiro SMC, Barreto ML. Determinantes dos déficits ponderal e de crescimento linear de crianças menores de dois anos. Rev Saúde Pública 2006; 40(5): 874-82. , 2424. Kac G. Tendência secular em estatura: uma revisão da literatura. Cad Saúde Pública 1999; 15(3): 451-61. . O mesmo pode ser visto com referência à condição socioeconômica, como por exemplo, a renda familiar, onde é frequentemente evidenciada a associação significativa com o estado nutricional22. Monteiro CA, Benício MHD'A, Iunes RF, Gouveia NC, Cardoso MAA. Evolução da desnutrição infantil. In: Monteiro CA (ed.). Velhos e novos males da saúde no Brasil: a evolução do país e de suas doenças . São Paulo: HUCITEC/NUPENS/USP; 1995. pp. 93-114. , 2222. Oliveira VA, Assis AMO, Pinheiro SMC, Barreto ML. Determinantes dos déficits ponderal e de crescimento linear de crianças menores de dois anos. Rev Saúde Pública 2006; 40(5): 874-82. ,, 2525. Guimarães LV, Latorre MRDO, Barros MBA. Fatores de risco para a ocorrência de déficit estatural em pré-escolares. Cad Saúde Pública 1999; 15(3): 605-15. . A declaração da renda familiar envolve diferentes aspectos que dificultam a fidedignidade dos dados, ficando as variáveis tipo de teto e abastecimento de água, neste estudo, como mais representativa da condição socioeconômica da família e que se mantiveram significantes na análise regressão multivariada.

Verificou-se, também, o impacto significante que as variáveis relacionadas à criança, como peso ao nascer, idade e a concentração de hemoglobina, tiveram na variação do índice comprimento/idade. O peso ao nascer tem sido constantemente avaliado em relação à condição nutricional das crianças 22. Monteiro CA, Benício MHD'A, Iunes RF, Gouveia NC, Cardoso MAA. Evolução da desnutrição infantil. In: Monteiro CA (ed.). Velhos e novos males da saúde no Brasil: a evolução do país e de suas doenças . São Paulo: HUCITEC/NUPENS/USP; 1995. pp. 93-114. e a interferência que esse exerce sobre o crescimento e desenvolvimento infantil vem sendo continuamente evidenciada na literatura2222. Oliveira VA, Assis AMO, Pinheiro SMC, Barreto ML. Determinantes dos déficits ponderal e de crescimento linear de crianças menores de dois anos. Rev Saúde Pública 2006; 40(5): 874-82. , 2525. Guimarães LV, Latorre MRDO, Barros MBA. Fatores de risco para a ocorrência de déficit estatural em pré-escolares. Cad Saúde Pública 1999; 15(3): 605-15.

26. Eickmann SH, Lima MC, Motta MEFA, Romani SAM; Lira PIC. Crescimento de nascidos a termo com peso baixo e adequado nos dois primeiros anos de vida. Rev Saúde Pública 2006; 40(6): 1073-81.

27. Brunken GS, Guimarães LV, Fisberg M. Anemia em crianças menores de 3 anos que freqüentam creches públicas em período integral. J Pediatr 2002; 78: 50-6.
- 2828. Barroso GS, Sichieri R, Salles-Costa R. Fatores associados ao déficit nutricional em crianças residentes em uma área de prevalência elevada de insegurança alimentar. Rev Bras Epidemiol 2008; 11(3): 484-94. .

O impacto que o baixo peso e o peso insuficiente exercem sobre o déficit estatural ficou evidente, com contribuição de 8,7% da variação do índice comprimento/idade. Salienta-se que aproximadamente 1/3 da população encontrava-se nessa condição, o que pode demonstrar uma precária assistência pré-natal, e assim se verifica que o peso ao nascer entre os nascidos vivos tem relação direta com a qualidade de vida, o crescimento e o desenvolvimento, e a mortalidade infantil. 2929. Soares NT, Guimarães ARP, Sampaio HAC, Almeida PC, Coelho RR. Estado nutricional de lactentes em áreas periféricas de Fortaleza. Rev. Nutr. 2000; 136(2): 99-106. Evidencia-se, assim, a importância do peso ao nascer como um indicador de interesse primordial para a vigilância nutricional. A importância deste indicador seria ainda mais relevante, em termos estatísticos se os estudos de prevalência da desnutrição não fossem expressivamente afetados pelo viés de sobrevivência derivado do fato de que deixam de ser contabilizadas as mortes associadas ao baixo peso ao nascer 3030. Oliveira O, Taddei JAAC. Efeito dos vieses de sobrevivência nas prevalências da desnutrição em crianças no sexto ano de vida. Brasil – PNSN, 1989. Cad Saúde Pública 1998; 14(3): 493-9. .

Para ocorrência do baixo peso ao nascer estão implicados diversos fatores, entre os quais a manifestação de uma condição inadequada de saúde e nutrição do binômio mãe/feto, refletindo as condições da gestação e, em última instância, as condições socioeconômicas nas quais a mãe está inserida. Com isso, o peso de nascimento pode, por um lado, espelhar o que aconteceu no passado; por outro, pode atuar como um fator preditivo de possíveis complicações pós-natais a curto e longo prazo, principalmente se as condições ambientais e socioeconômicas que interferiram no peso de nascimento persistirem66. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de políticas de saúde. Saúde da criança – Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Série Cadernos de Atenção Básica; n.11. Série A, Normas e Manuais Técnicos. Brasília, DF; 2002b; no. 173. ,, 2222. Oliveira VA, Assis AMO, Pinheiro SMC, Barreto ML. Determinantes dos déficits ponderal e de crescimento linear de crianças menores de dois anos. Rev Saúde Pública 2006; 40(5): 874-82. , 2626. Eickmann SH, Lima MC, Motta MEFA, Romani SAM; Lira PIC. Crescimento de nascidos a termo com peso baixo e adequado nos dois primeiros anos de vida. Rev Saúde Pública 2006; 40(6): 1073-81. .

No que diz respeito ao nível de hemoglobina ou à deficiência de ferro caracterizada pela anemia, observa-se que quando há uma deficiência de ferro durante os primeiros dois anos de vida há evidências de atraso no desenvolvimento psicomotor e alterações comportamental, cognitiva e de linguagem, havendo assim importantes repercussões sobre seu desenvolvimento físico e mental 3131. Stefanini MLR, Colli C, Lerner BR, Lei DLM, Chaves SP, Di Pietro MS et al. Anemia e desnutrição em escolares da rede pública do Município de Osasco, São Paulo, Brasil . Cad Saúde Pública 1995; 11(3): 439-47. .

A anemia ferropriva é altamente prevalente em crianças brasileiras menores de dois anos, iniciando-se muito precocemente na infância11. Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de dois anos . Secretaria de Políticas de Saúde, Organização Pan Americana da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002a; 152 p. , 1818. Lima ACVMS, Lira PIC, Romani SAM, Eickmann SH, Piscoya MD, Lima MC. Fatores determinantes dos níveis de hemoglobina em crianças aos 12 meses de vida na Zona da Mata Meriodional de Pernambuco. Rev Bra. Saúde Mater Infant 2004 ; 4: 35-43. , 3232. Miranda AS, Franceschini SCC, Priore SE, Euclydes MP, Araújo RMA, Ribeiro SMR et al. Anemia ferropriva e estado nutricional de crianças de 12 a 60 meses do município de Viçosa, MG. Rev Nutr 2003; 16(2): 163-9. . No presente trabalho a prevalência de anemia foi de 91,6%, sendo 41,4% considerada moderada/grave, tendo sido documentada em artigo publicado anteriormente 1212. Carvalho AGC, Lira PIC, Barros MFA, Aléssio MLM, Lima MC, Carbonneau MA et al. Diagnosis of iron deficiency anemia in children of Northeast Brazil. Rev Saúde Pública 2010; 44(3): 513-9. e contribuindo significantemente para a variação do índice comprimento/idade das crianças .

Lima et al. 1818. Lima ACVMS, Lira PIC, Romani SAM, Eickmann SH, Piscoya MD, Lima MC. Fatores determinantes dos níveis de hemoglobina em crianças aos 12 meses de vida na Zona da Mata Meriodional de Pernambuco. Rev Bra. Saúde Mater Infant 2004 ; 4: 35-43. , estudando os fatores determinantes do nível de hemoglobina em crianças aos 12 meses de idade, na Zona da Mata de Pernambuco, verificaram uma associação significante com o índice comprimento/idade, onde a prevalência de anemia foi de 73,2%. O mesmo aconteceu com os estudos de Brunken et al. 2727. Brunken GS, Guimarães LV, Fisberg M. Anemia em crianças menores de 3 anos que freqüentam creches públicas em período integral. J Pediatr 2002; 78: 50-6. sobre anemia em crianças (63,1%) que frequentavam creches públicas em período integral, e de Rocha et al. 2323. Rocha DS, Lamounier JA, Capanema FD, Franceschini SCC, Norton RC, Costa ABP et al. Estado nutricional e prevalência de anemia em crianças que frequentam creches em Belo Horizonte, Minas Gerais. Rev Paul Pediatr 2008; 26(1): 6-13. ao analisarem o estado nutricional e prevalência de anemia em crianças de Belo Horizonte (70,4% nas crianças com idade inferior a 24 meses). Entretanto, estes dados não corroboram com os achados de Miranda et al. 3232. Miranda AS, Franceschini SCC, Priore SE, Euclydes MP, Araújo RMA, Ribeiro SMR et al. Anemia ferropriva e estado nutricional de crianças de 12 a 60 meses do município de Viçosa, MG. Rev Nutr 2003; 16(2): 163-9. quando examinaram a associação de anemia ferropriva (63,2%) com o estado nutricional de crianças com idade de 12 a 60 meses no município de Viçosa, e com os de Stefanini et al. 3131. Stefanini MLR, Colli C, Lerner BR, Lei DLM, Chaves SP, Di Pietro MS et al. Anemia e desnutrição em escolares da rede pública do Município de Osasco, São Paulo, Brasil . Cad Saúde Pública 1995; 11(3): 439-47. ao analisarem a associação entre anemia (51%) e desnutrição em escolares no município de Osasco.

Quanto à faixa etária foi observada uma associação inversa e significante entre a idade da criança e o índice comprimento/idade. Possivelmente esses achados decorrem do padrão alimentar dos menores de 24 meses e da baixa cobertura e da qualidade das ações públicas de saúde prestadas à população, o que justifica a adoção de medidas no campo da alimentação e nutrição que visem o combate desse agravo entre as crianças nessa faixa de idade. Estes achados estão em concordância com os encontrados por Oliveira et al. 3333. Oliveira JS, Lira PIC, Maia SR, Sequeira LAS, Amorim RCA, Batista Filho M. Insegurança alimentar e estado nutricional de crianças de Gameleira, zona da mata do Nordeste brasileiro. Rev Bras Saúde Matern Infant 2010; 10(2): 237-45. ao estudarem a insegurança alimentar e o estado nutricional de crianças de uma área de alta vulnerabilidade socioeconômica; no entanto, divergem dos resultados encontrados por Zöllner e Fisberg 33. Zöllner CC, Fisberg RM. Estado nutricional e sua relação com fatores biológicos, sociais e demográficos de crianças assistidas em creches da Prefeitura do Município de São Paulo. Rev. Bras. Saúde Matern Infant 2006; 6(3): 319-28. ao descreverem o estado nutricional de crianças assistidas em creches da Prefeitura do Município de São Paulo, e daqueles obtidos por Oliveira et al. 2222. Oliveira VA, Assis AMO, Pinheiro SMC, Barreto ML. Determinantes dos déficits ponderal e de crescimento linear de crianças menores de dois anos. Rev Saúde Pública 2006; 40(5): 874-82. ao analisarem os determinantes dos déficits ponderal e de crescimento linear de crianças no Estado da Bahia.

Apesar de neste estudo não se ter encontrado associação estatística entre amamentação e o índice comprimento/idade, sabe-se da importância do aleitamento materno, principalmente na faixa de idade estudada, por conter, o leite materno, fatores de proteção contra infecções e ser também uma importante fonte de nutrientes. A literatura tem demonstrado que a associação entre uma alimentação pós-desmame quantitativa e qualitativamente inadequada favorece o desencadeamento de déficits nutricionais com repercussões no crescimento estatural 11. Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de dois anos . Secretaria de Políticas de Saúde, Organização Pan Americana da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002a; 152 p. , 66. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de políticas de saúde. Saúde da criança – Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Série Cadernos de Atenção Básica; n.11. Série A, Normas e Manuais Técnicos. Brasília, DF; 2002b; no. 173. . Embora não tenha sido objeto do presente estudo, o excesso de peso de 10,6% ultrapassou os 2,3% do esperado para uma população de referência. No grupo etário em questão deve-se ter cautela ao se analisar excesso de peso com dados transversais, considerando a peculiaridade do padrão alimentar e das características do processo de crescimento.

Neste contexto, o estudo da prática alimentar infantil ganha maior importância como estratégia de combate à má nutrição, sendo indispensável o seu conhecimento nas comunidades estudadas. Como o défict de estatura se instala durante os vinte quatros primeiros meses de vida, assim, os esforços poderiam ser orientados para oferecer às crianças, sobretudo, os lactentes e pré-escolares, acesso à assistência à saúde, boas condições de moradia e, na medida do possível orientação às mães, na tentativa de aumentar o tempo de aleitamento materno, assim como orientação e capacitação nos cuidados dessas crianças 55. Silva MV, Ometto AMH, Furtuoso COM, Pipitone MAP, Sturion GL. Acesso a creches e estado nutricional das crianças brasileiras: diferenças regionais, por faixa etária e classes de renda. Rev Nutr 2000; 13(3): 193-9. . Faz-se ainda necessário estabelecer cuidados especiais de atenção e assistência às crianças nascidas com baixo peso, em função da sua repercussão em longo prazo, como também utilizar critérios de risco (peso ao nascer, faixa etária, concentrações de hemoglobina e condições de habitação) como parte dos princípios normativos para a vigilância nutricional.

Agradecimentos:

Às funcionárias das creches, aos assistentes de pesquisa e às mães e crianças por sua cooperação, ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico) pelo financiamento da pesquisa e pelas bolsas de pesquisa de Pedro Lira e Marília Lima e bolsa de doutorado de Juliana Oliveira, e à CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pelas bolsas de doutorado de Antonio Carvalho e Fátima Barros.

Referências

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jun 2013

Histórico

  • Recebido
    7 Dez 2010
  • Revisado
    19 Nov 2011
  • Aceito
    23 Maio 2012
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