Scielo RSS <![CDATA[Cadernos de Saúde Pública]]> http://www.scielosp.org/rss.php?pid=0102-311X19930004&lang=en vol. 9 num. 4 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielosp.org/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielosp.org <![CDATA[<B>Editorial</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<B>Characterization of uterine cervical carcinoma cases in the Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brazil, from 1984 to 1988</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400002&lng=en&nrm=iso&tlng=en Foi realizado um estudo retrospectivo de 180 casos de carcinoma de colo uterino internados no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, no período de 1984 a 1988, segundo variáveis pessoais e de tempo. Encontrou-se um aumento gradativo com o tempo e uma maior freqüência entre 35 e 60 anos de idade. Aproximadamente 51% das pacientes eram provenientes de outras cidades e estados. Verificou-se uma maior freqüência em multíparas e em mulheres que iniciaram sua vida sexual antes dos 20 anos. Grande parte das mulheres (45%) ainda não tinha tido a menopausa. As manifestações clínicas mais freqüentes foram sangramento genital irregular e dor em baixo ventre. A citopatologia evidenciou Papanicolaou de graus III em 60,5% dos casos. A proporção de carcinoma in situ (20,6%) foi pequena em relação aos estágios mais avançados IIb (31,6%), Ib (14,5%), e IIIa, IIIb e IV (18,9%), os quais, havendo uma orientação mais sistematizada de prevenção, podem ser encontrados com menor freqüência. A relação carcinoma invasor/carcinoma in situ foi de 2,52 no período de 1984 a 1986, aumentando para 4,75 entre 1987 e 1988, o que indica não terem sido atingidos níveis satisfatórios de prevenção da doença na cidade e na região no período estudado.<hr/>This is a retrospective survey of 180 cases of uterine cervical carcinoma in women admitted to the Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, from 1984 to 1988, with regard to personal and temporal factors. There was a gradual increase in frequency over time and a greater frequency among women from 35 to 60 years of age. Half of the women came from other cities and states. The conditions was more frequent in multiparous women and in women who initiated sexual intercourse before the age of 20. A major proportion of women (45.0 %) had not reached menopause. Genital bleeding and abdominal pain were the most frequent clinical manifestations. Cytopathological study revealed a percentage of 60.5 % of stages III and IV. There was a low frequency of in situ cancer (20.6 %), when compared to the frequency of more advanced stages (71.6 %). The proportion of advanced stages as compared to in situ cancer increased over time, which may indicate that an optimal level of prevention was far reality in this region during the study period. <![CDATA[<B>Blood pressure, capillary glucose, and anthropometric measurements in a Yanomámi population</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Com o objetivo de avaliar o comportamento da glicemia capilar e das pressões arteriais sistólica (PAS) e diastólica (PAD) em função de medidas antropométricas, foram examinados 72 Yanomámi adultos na Área de Relações Intercomunitárias de Surucucus, Estado de Roraima. A pressão arterial foi mais elevada nos homens do que nas mulheres (PAS = 109,8 mm Hg e 100,2 mm Hg; PAD = 71,2 mm Hg e 63,5 mm Hg, respectivamente). Não houve valores compatíveis com a hipertensão arterial. A PAS correlacionou-se negativamente com a idade e positivamente com altura, peso, índice de massa corporal (IMC) e circunferências abdominal e do quadril. O controle pelo IMC não alterou a correlação inversa entre PAS e idade. A correlação da PAS com a altura inverteu-se quando controlada pelo peso, enquanto o controle pela altura não alterou a correlação positiva entre peso e PAS. A PAD correlacionou-se positivamente com o peso e a altura. A glicemia foi significativamente mais elevada nas mulheres do que nos homens (114,1 mg/dl e 98,4 mg/dl, respectivamente). Controlando-se pelo peso, a circunferência abdominal correlacionou-se positivamente com a glicemia. Ao se controlar pela circunferência abdominal, o peso e o IMC correlacionaram-se inversamente com a glicemia. Os achados sugerem que, enquanto a PAS correlaciona-se principalmente com a massa corporal, a glicemia capilar está mais correlacionada com a concentração abdominal de gordura.<hr/>Seventy-two Yanomámi Indians from Surucucus, Roraima, Brazil, were examined to evaluate the correlation between capillary glucose level (CGL), systolic and diastolic blood pressure (SBP and DBP), and anthropometrical features. Blood pressure was higher among men than women: SBP=109.8 and 100.2 mm Hg; DBP=71.2 and 63.5 mmHg, respectively. Levels compatible with hypertension were not found. SBP was correlated negatively with age and positively with height, weight, body mass index (BMI), and waist and hip circumferences. Controlling for BMI did not change the negative correlation between SBP and age. When weight was controlled, correlation between SBP and height changed to a negative value, but when height was controlled, positive correlation between weight and PAS was mantained. DBP was positively correlated with weight and height. Capillary glucose level was significantly higher among women than men: 114.1 and 98.4 mg/dl, respectively. When weight was controlled, waist circumference correlated positively with CGL. When waist circumference was controlled, weight and BMI correlated negatively with CGL. The results suggest that while blood pressure is correlated especially with body mass, capillary glucose level is more correlated with abdominal fat distribution. <![CDATA[<B>Risk assessment for chemical substances</B>: <B>the link between toxicology and public health</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Virtualmente todas as substâncias químicas podem causar efeitos adversos, dependendo da dose e das condições em que os indivíduos são a elas expostos. A toxicologia, isto é, o estudo dos efeitos danosos de substâncias químicas em organismos vivos, fornece a base de dados científicos na qual se apoia a avaliação de risco de efeitos adversos para a saúde. Avaliação de Risco (AR) é o processo de se estimar a probabilidade que um composto químico tem de vir a produzir efeitos adversos numa dada população, em determinadas condições de exposição. A avaliação de risco consiste de quatro estágios: identificação da periculosidade (IP); avaliação da exposição (AE); avaliação da relação dose-efeito (ADE); e caracterização do risco (CR). O processo de avaliação de risco como um todo possibilita a realização da análise custo (risco)/benefício e, portanto, do gerenciamento do risco, em bases racionais. A capacidade de se realizar a avaliação de risco é, assim, condição sine qua non para a tomada de decisões que estejam voltadas para se alcançar um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e uma adequada proteção da saúde pública e do meio ambiente.<hr/>Virtually all chemical substances may cause adverse health effects, depending on the dose and conditions under which individuals are exposed to them. Toxicology - the study of harmful effects of chemicals on living organisms - provides the scientific data base on which risk assessment of adverse health effects stands. Risk assessment (RA) is the process of estimating the probability that a chemical compound will produce adverse effects on a given population, under particular conditions of exposure. Risk assessment process consists of four stages: Hazard Identification (HI), Exposure Assessment (EA), Dose-Response Assessment (DRA), and Risk Characterization (RC). The risk assessment process as a whole makes it possible to carry out cost(risk)/benefit analysis, and thus risk management, on a rational basis. A capacity to undertake risk assessment is thus sine qua non for making decisions that are concerned with achieving a balance between economic development and adequate protection of public health and the environment. <![CDATA[<b>Migration, colonization and environment</b>: <b>the potential of Amazonian ecosystems</b>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Os ecossistemas amazônicos têm a capacidade de sustentar uma população humana esparsa e suprir serviços ambientais insubstituíveis. Contudo, a sua capacidade de gerar lucros financeiros através da venda de mercadorias é limitada. Os sistemas atualmente utilizados para o aproveitamento dos ecossistemas são insustentáveis e não atendem às necessidades básicas da população da região, geralmente oferecendo poucos empregos e retorno financeiro escasso. Os pressupostos fundamentais dos programas de fomento ao manejo florestal e outros sistemas são falhos, necessitando de mudanças básicas para que possam produzir de forma sustentável em escala comercial. A Amazônia tem um papel chave no suprimento de serviços ambientais, tanto no Brasil como no mundo. São necessários mecanismos institucionais para se avaliar estes serviços e traduzir este valor em um meio de sustento para aqueles que mantêm a floresta.<hr/>Amazonian ecosystems have the capacity to support a sparse human population and to supply irreplaceable environmental services. The region's capacity to produce financial returns through sale of commodities is limited. The production systems presently being used to exploit these ecosystems are unsustainable and do not attend to the basic needs of the region's population, in general offering little employment and little financial return that remains in the region. Fundamental assumptions of the programs for promoting forestry management and other systems are flawed, and basic changes are necessary in order for these systems to produce in a sustainable way on a commercial scale. Amazonia plays a key role in the supply of environmental services, both in Brazil and in the world as a whole. Institutional mechanisms are needed to assess the value of these services and to translate this value into a means of supporting the people who maintain the forest. <![CDATA[<B>Bancroftian filariasis in Belém, Pará State</B>: <B>possibilities for eradication by introducing modern methods of control for <I>Culex quinquefasciatus</B></I>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400006&lng=en&nrm=iso&tlng=en For the past four decades, Belém has been considered to be the largest focus of Bancroftian filariasis in the Amazon region and one of the most important ones in Brazil. In 1952, practically one-fifth of the population was infected and it was estimated that there were 2,500 cases of Bancroftian elephantiasis. The major factor considered to be responsible for this situation was the high density of the main vector species: it was calculated that in April 1943 there was a mean of 67 infected mosquitoes per house. A control campaign was initiated in 1952, involving treatment of patients with diethylcarbamazine, as well as control of the vector. In 1956, vector control was discontinued because of a lack of efficient insecticides and financial limitations. Even so, the campaign was very successful and the incidence was reduced from 19.9% to 0.03%. Total eradication could be achieved if new methods of vector control were introduced, such as the use of Reiter's expanded polystyrene balls in cesspits and pit latrines, biological control using pathogenic bacteria, and improvement of basic sanitation.<hr/>Há mais de quatro décadas Belém é considerada o maior foco de bancroftose da região amazônica e um dos mais importantes do Brasil. Em 1952, praticamente um quinto de sua população apresentava microfilárias no sangue, estimando-se em 2.500 os casos de elefantíase. O fator considerado o maior condicionante de tão extraordinária freqüência era a alta densidade local do principal vetor, Culex quinquefasciatus. Em abril de 1943 calculava-se uma média de 67 fêmeas da espécie infectadas por domicílio. Uma campanha de controle foi deflagrada em 1952, incluindo busca ativa e tratamento dos casos com dietilcarbamazina, além medidas de combate ao vetor. Estas foram abandonadas em 1956, por força da ineficácia ou do alto custo dos inseticidas. Ainda assim, a campanha foi muito bem sucedida, reduzindo a incidência de 19,9 para 0,03%. Hoje, a erradicação poderia ser de pronto lograda, se novos métodos de combate ao vetor fossem adotados, tais como o emprego das bolinhas expandidas de poliestireno nas fossas sépticas e privadas estanques não-inundáveis e o controle biológico com microrganismos entomopatogênicos nos criadouros naturais, sobretudo se acompanhados de um incremento de obras de saneamento. <![CDATA[<B>Chagas' disease</B>: <B>the rural environment and vector control in the state of São Paulo, Brazil</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400007&lng=en&nrm=iso&tlng=en In the first half of this century - a period of expanding coffee cultivation - there was a close relationship between the growth of cleared spaces, the domestication of triatomines, and the establishment of Chagas' disease in the state of São Paulo. However, the initiation of control mesuares in 1950 coincided with a period characterized by a progressive reversal of the conditions that had facilitated the establishment of Chagas' disease in the first place. Alterations were taking place in the agricultural environment, rural areas were becoming depopulated, and low-grade housing was being destroyed. Natural transmission of the endemic was interrupted in the mid-1970's, following the elimination of Triatoma infestans from homes. Subsequently, however, a challenge emerged from two extradomiciliary species, Triatoma sordida and Panstrongylus megistus. The invasive character of these species made it necessary to investigate their possible repercussions on human populations and to set up permanent programs of epidemiological surveillance involving direct participation by local populations.<hr/>O presente estudo analisa as relações entre a expansão dos espaços abertos, a domiciliação triatomínea e a instalação da doença de Chagas no Estado de São Paulo durante a expansão da cultura cafeeira, na primeira metade do século. No período pós-50, o início das ações de controle coincide com a desestruturação das relações facilitadoras para a instalação da doença de Chagas, através da alteração do espaço agrário, êxodo rural e destruição de domicílios de pior qualidade. A partir da interrupção da transmissão natural da endemia, em meados da década de 70, conseqüência da eliminação de Triatoma infestans dos domicílios, enfrenta-se o desafio das populações triatomíneas extradomiciliares - Triatoma sordida e Panstrongylus megistus -, cujo caráter invasivo tem requerido a investigação das possíveis repercussões humanas da sua presença, através da vigilância epidemiológica permanente com participação da população. <![CDATA[<B>Social representations, political action and citizenship</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Existem mediações numerosas e diversificadas, de natureza política e cultural, entre as demandas e representações sociais, de um lado, e a formulação da política pública, de outro. Torna-se importante conhecer os projetos (e contraprojetos) políticos dos movimentos sociais, particularmente aqueles relacionados à sua noção de cidadania, bem como as influências estimuladoras e inibidoras da ação estatal sobre suas demandas. É necessário apreender algumas das dimensões dos movimentos sociais, como, por exemplo, sua identidade cultural e seu padrão de interação com o aparelho estatal. Desta forma, seria possível aclarar as percepções dos atores sociais a respeito de "necessidades" e sua noção de "cidadania", bem como seus projetos de ação política. O conceito e a prática de uma cidadania "regulada" podem, na verdade, ser incorporados tanto pelo Estado como pela sociedade. Alcançar um estágio de cidadania "plena" resulta de um processo histórico de conquista social, no qual se reveste de especial importância a maneira como a sociedade organiza e representa suas noções acerca do tema. O conhecimento aprofundado das contradições entre as demandas da sociedade e a formulação política pelas instituições pode resolver o paradoxo apresentado pelo polimorfismo das políticas públicas, a um só tempo compensadoras e reprodutoras de desigualdades, controladoras e estimuladoras da ação política da sociedade. Em conclusão, torna-se necessário conhecer as representações sociais de cidadania em sua dinâmica e variabilidade, o que pode significar um caminho para a definição de novos direitos e novas áreas de ação política para o pólo dominado da sociedade.<hr/>There are many forms of political and cultural mediation between social representations and social demands, on the one hand, and public policy-making on the other. It is important to be familiar with political projects and counter-projects formulated by social movements, particularly concerning their notion of citizenship and the changes caused on their demands by the enhancing or inhibiting action of the state. It is essential to grasp the various dimensions of social movements, namely their cultural identity and pattern of interaction with the state. It is thus possible to clarify social actors' perceptions of "needs" and their notions of "citizenship", as well as their respective projects for political action. The concept and practice of "regulated" citizenship may be incorporated both by the state and social movements. The achievement of "full" citizenship is a historical process of social conquest, with particular significance in the way society organizes and represents its perceptions and notions about the issue. A deeper understanding of contradictions between social demands and institutional policy-making can solve the paradox displayed by the polymorphous character of these policies, which both compensate for and reproduce inequalities, in addition to enhancing and controlling political action by society. In conclusion, it is necessary to discover the whole variety and dynamics of social representations of citizenship, as a way to achieve new rights and new areas of political action for the disempowered members of society. <![CDATA[<B>Urbanization, slums, and endemics</B>: <B>the production of filariasis in Recife, Brazil</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo discutimos a ocorrência da filariose como um problema de saúde pública na cidade do Recife, capital do Estado de Pernambuco, que apresenta ainda hoje, em algumas áreas, níveis de prevalência preocupantes. Procura-se mostrar o papel da evolução urbana da cidade, caracterizada por um crescimento desordenado e pela formação de um número crescente de favelas, na criação de condições propícias para a transmissão desta parasitose. Identificamos categorias de análise, ligadas à organização social do espaço urbano, que devem ser incluídas como "mediadoras" em um modelo compreensivo da transmissão da filariose. Os aglomerados de habitações inadequadas, construídas em favelas superpovoadas, sem saneamento básico e sem sistema de drenagem de águas, propiciam as condições adequadas à proliferação dos mosquitos vetores da infecção e à manutenção da endemia.<hr/>In this article the filariasis endemic is discussed as a public health problem in the city of Recife, capital of the state of Pernambuco, Brazil. Prevalence figures for this parasitic disease in some urban settings are cause for concern. The urban development process, characterized by disordered growth of cities and an increase in the number of slums, is pointed out as an important factor for the maintenance of conditions favouring disease transmission. Some analytical categories linked to urban social organization are identified and included in a comprehensive filariasis transmission model. Clusters of inadequate houses built in overcrowded slums without basic sanitation or a proper drainage system produce adequate conditions for proliferation of infection vectors and maintenance of the endemic. <![CDATA[<b>Social inequalities, labor, and health</b>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400010&lng=en&nrm=iso&tlng=en This article presents a brief analysis of the social inequalities expressed in the relationship between health and labor. It focuses on the Brazilian context. It begins by approaching the conceptions present in the lines of investigation and intervention in this field of health. It considers an entire range of thinking, from the eminently biological and individual level to an understanding of the relationship between labor and health as a reflection of essentially social processes. The confrontation between conceptual advances, proposals for intervention, and the reality of health for Brazilian workers is the parameter for analyzing the activity of state institutions, companies, and workers' organizations. Based on the current situation outlined in this study, perspectives are identified for urgent and indispensable changes.<hr/>O texto apresenta uma breve análise das desigualdades sociais expressas na saúde em sua relação com o trabalho, tendo por foco o contexto brasileiro. Aborda, inicialmente, as concepções presentes nas linhas de investigação e intervenção neste campo da saúde. Trata de captar todo um percurso, desde uma visão eminentemente biológica e individual até um entendimento da relação trabalho-saúde como reflexo de processos essencialmente sociais. O confronto entre os avanços conceituais, as propostas de intervenção e a realidade de saúde do trabalhador brasileiro consitui-se em parâmetro de análise da atuação das instituições do Estado, das empresas e das organizações dos trabalhadores. Com base na situação atual delineada através deste estudo, apontam-se perspectivas para as urgentes e indispensáveis transformações. <![CDATA[<b>Reduction in dropout rate of patients in a leprosy control program</b>: <b>the experience of a health service in Rio de Janeiro, Brazil</b>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400011&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente trabalho descreve as estratégias empregadas para a redução dos índices de abandono no Programa de Controle da Hanseníase em um centro municipal de saúde do Rio de Janeiro. Esta redução, observada no decorrer do ano de 1992, resultou, em parte, do trabalho de equipe multidisciplinar e da aplicação de estratégias de prevenção do abandono, voltadas para a educação em saúde, e de busca ativa de pacientes irregulares e sem controle. Entre as últimas, destacou-se a visitação domiciliar, realizada por um profissional treinado para a atividade, seguida do envio de aerogramas domiciliares.<hr/>During the year 1992, an important decrease in the dropout rate of patients in a leprosy control program was observed in a public health center in Rio de Janeiro (Brazil). This paper discusses the factors associated with this reduction, especially the strategies employed by the health service. These strategies include the prevention of non-compliance by special interviewing of patients and the recuperation of defaulter patients by means of home visits and mail. <![CDATA[<B>Observations on medically important arthropods in Brazil</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400012&lng=en&nrm=iso&tlng=en A brief review of some medically important arthropods in Brazil is presented. It is sufficient to show that we must expand our training of biologists in this field if endemic diseases are to be controlled in the next decade.<hr/>O autor faz uma breve revisão de alguns artrópodes de interesse clínico no Brasil. É suficiente demonstrar que é necessário expandir os programas de capacitação de biólogos nesse campo para poder controlar as doenças endêmicas durante a próxima década. <![CDATA[<B>The false dilemma about antivectorial strategies and possibilities for controlling Chagas' disease in Brazil</B>: <B>BHC or BNH?</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400013&lng=en&nrm=iso&tlng=en As bases técnicas para o controle da doença de Chagas no Brasil foram estabelecidas com a criação do posto avançado de pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz em Bambuí, no oeste de Minas Gerais, no começo da década de 40, sob a liderança de Emmanuel Dias. Entretanto, somente com a criação do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), em março de 1956, sob a direção de Mario Pinotti, no governo de Juscelino Kubitschek, as medidas de controle foram implementadas. Das "campanhas" de controle das 12 endemias rurais estabelecidas pelo DNERu, a malária, pelo seu caráter de doença aguda e explosiva, sempre teve a maior parte orçamentária. A doença de Chagas e as outras endemias foram sempre relegadas a um plano secundário de prioridade. Por outro lado, a partir da década de 60, os "novos ecologistas" passaram a criticar o uso de inseticidas, com o slogan de que para controlar a doença de Chagas era necessário o BNH (construção de casas), e não o BHC (uso de inseticidas). Esta opinião, embora equivocada para o controle a curto prazo, teve uma enorme influência negativa sobre o controle dos vetores domiciliados. Apesar disso, algum progresso foi feito neste sentido. Na década de 70, a epidemia de meningite meningocócica e a priorização do Programa Especial de Controle da Esquistossomose (PECE), pelo Ministro Almeida Machado, com deslocamento de verbas e de pessoal da Superintendência de Campanhas (Sucam) para esses programas, atrasaram ainda mais o controle da doença de Chagas. Somente na década de 80, com a decisão política do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de alocar 10 bilhões de cruzeiros do Finsocial, o programa de controle da doença de Chagas teve um importante desenvolvimento em 2.000 municípios de 19 Estados brasileiros. Mais uma vez o programa sofre um atraso nesta década, com o deslocamento do pessoal da Sucam para a campanha contra a epidemia da dangue. Finalmente, concluímos que, a curto prazo, o uso de inseticidas é a medida mais efetiva para o controle da transmissão natural da doença de Chagas. Discutimos também, nesta revisão, as outras medidas de controle e a urbanização da doença.<hr/>The technical basis for the control of Chagas' disease in Brazil was established with the creation of the Oswaldo Cruz Institute's research center in Bambuí, in western Minas Gerais, at the beginning of the 1940's, under the leadership of Emmanuel Dias. However, only with the creation of the National Department for Rural Endemic Diseases, in March 1956, did control of rural endemic diseases become systematic in Brazil. From the 1960's onwards, the Chagas' disease control program in Brazil started to suffer from postponements and lack of systematic action: first because the priority ascribed to the malaria control program, since this was an acute, "explosive" disease that was hampering land settlement and development in the interior; second the "new ecologists" began calling for "BNH" (referring to the initials for the national low-cost housing program) and not "BHC" (insecticides program) for Chagas' disease control, ignoring a number of issues and difficulties; and third, other priorites given to the Special Program for Schistosomiasis Control and the meningococcal meningitis epidemic in the 1970's and the dengue epidemic in the 1980's. In 1983, however, a new phase in Chagas' disease control began, with the allocation of ten billion cruzeiros from FINSOCIAL for this program which covered two thousand municipalities, in 19 Brazilian States, to the benefit of 47 million people potentially at risk. Finally it was concluded that in the short term, insecticide spraying is the most effective and manageable control measure against natural transmission of Chagas' infection. Other methods of control and urbanization of Chagas' disease are also discussed. <![CDATA[<b>The control of schistosomiasis</b>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400014&lng=en&nrm=iso&tlng=en As bases técnicas para o controle da doença de Chagas no Brasil foram estabelecidas com a criação do posto avançado de pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz em Bambuí, no oeste de Minas Gerais, no começo da década de 40, sob a liderança de Emmanuel Dias. Entretanto, somente com a criação do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), em março de 1956, sob a direção de Mario Pinotti, no governo de Juscelino Kubitschek, as medidas de controle foram implementadas. Das "campanhas" de controle das 12 endemias rurais estabelecidas pelo DNERu, a malária, pelo seu caráter de doença aguda e explosiva, sempre teve a maior parte orçamentária. A doença de Chagas e as outras endemias foram sempre relegadas a um plano secundário de prioridade. Por outro lado, a partir da década de 60, os "novos ecologistas" passaram a criticar o uso de inseticidas, com o slogan de que para controlar a doença de Chagas era necessário o BNH (construção de casas), e não o BHC (uso de inseticidas). Esta opinião, embora equivocada para o controle a curto prazo, teve uma enorme influência negativa sobre o controle dos vetores domiciliados. Apesar disso, algum progresso foi feito neste sentido. Na década de 70, a epidemia de meningite meningocócica e a priorização do Programa Especial de Controle da Esquistossomose (PECE), pelo Ministro Almeida Machado, com deslocamento de verbas e de pessoal da Superintendência de Campanhas (Sucam) para esses programas, atrasaram ainda mais o controle da doença de Chagas. Somente na década de 80, com a decisão política do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de alocar 10 bilhões de cruzeiros do Finsocial, o programa de controle da doença de Chagas teve um importante desenvolvimento em 2.000 municípios de 19 Estados brasileiros. Mais uma vez o programa sofre um atraso nesta década, com o deslocamento do pessoal da Sucam para a campanha contra a epidemia da dangue. Finalmente, concluímos que, a curto prazo, o uso de inseticidas é a medida mais efetiva para o controle da transmissão natural da doença de Chagas. Discutimos também, nesta revisão, as outras medidas de controle e a urbanização da doença.<hr/>The technical basis for the control of Chagas' disease in Brazil was established with the creation of the Oswaldo Cruz Institute's research center in Bambuí, in western Minas Gerais, at the beginning of the 1940's, under the leadership of Emmanuel Dias. However, only with the creation of the National Department for Rural Endemic Diseases, in March 1956, did control of rural endemic diseases become systematic in Brazil. From the 1960's onwards, the Chagas' disease control program in Brazil started to suffer from postponements and lack of systematic action: first because the priority ascribed to the malaria control program, since this was an acute, "explosive" disease that was hampering land settlement and development in the interior; second the "new ecologists" began calling for "BNH" (referring to the initials for the national low-cost housing program) and not "BHC" (insecticides program) for Chagas' disease control, ignoring a number of issues and difficulties; and third, other priorites given to the Special Program for Schistosomiasis Control and the meningococcal meningitis epidemic in the 1970's and the dengue epidemic in the 1980's. In 1983, however, a new phase in Chagas' disease control began, with the allocation of ten billion cruzeiros from FINSOCIAL for this program which covered two thousand municipalities, in 19 Brazilian States, to the benefit of 47 million people potentially at risk. Finally it was concluded that in the short term, insecticide spraying is the most effective and manageable control measure against natural transmission of Chagas' infection. Other methods of control and urbanization of Chagas' disease are also discussed. <![CDATA[<b>Saúde, ciência e sociedade</b>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400015&lng=en&nrm=iso&tlng=en As bases técnicas para o controle da doença de Chagas no Brasil foram estabelecidas com a criação do posto avançado de pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz em Bambuí, no oeste de Minas Gerais, no começo da década de 40, sob a liderança de Emmanuel Dias. Entretanto, somente com a criação do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), em março de 1956, sob a direção de Mario Pinotti, no governo de Juscelino Kubitschek, as medidas de controle foram implementadas. Das "campanhas" de controle das 12 endemias rurais estabelecidas pelo DNERu, a malária, pelo seu caráter de doença aguda e explosiva, sempre teve a maior parte orçamentária. A doença de Chagas e as outras endemias foram sempre relegadas a um plano secundário de prioridade. Por outro lado, a partir da década de 60, os "novos ecologistas" passaram a criticar o uso de inseticidas, com o slogan de que para controlar a doença de Chagas era necessário o BNH (construção de casas), e não o BHC (uso de inseticidas). Esta opinião, embora equivocada para o controle a curto prazo, teve uma enorme influência negativa sobre o controle dos vetores domiciliados. Apesar disso, algum progresso foi feito neste sentido. Na década de 70, a epidemia de meningite meningocócica e a priorização do Programa Especial de Controle da Esquistossomose (PECE), pelo Ministro Almeida Machado, com deslocamento de verbas e de pessoal da Superintendência de Campanhas (Sucam) para esses programas, atrasaram ainda mais o controle da doença de Chagas. Somente na década de 80, com a decisão política do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de alocar 10 bilhões de cruzeiros do Finsocial, o programa de controle da doença de Chagas teve um importante desenvolvimento em 2.000 municípios de 19 Estados brasileiros. Mais uma vez o programa sofre um atraso nesta década, com o deslocamento do pessoal da Sucam para a campanha contra a epidemia da dangue. Finalmente, concluímos que, a curto prazo, o uso de inseticidas é a medida mais efetiva para o controle da transmissão natural da doença de Chagas. Discutimos também, nesta revisão, as outras medidas de controle e a urbanização da doença.<hr/>The technical basis for the control of Chagas' disease in Brazil was established with the creation of the Oswaldo Cruz Institute's research center in Bambuí, in western Minas Gerais, at the beginning of the 1940's, under the leadership of Emmanuel Dias. However, only with the creation of the National Department for Rural Endemic Diseases, in March 1956, did control of rural endemic diseases become systematic in Brazil. From the 1960's onwards, the Chagas' disease control program in Brazil started to suffer from postponements and lack of systematic action: first because the priority ascribed to the malaria control program, since this was an acute, "explosive" disease that was hampering land settlement and development in the interior; second the "new ecologists" began calling for "BNH" (referring to the initials for the national low-cost housing program) and not "BHC" (insecticides program) for Chagas' disease control, ignoring a number of issues and difficulties; and third, other priorites given to the Special Program for Schistosomiasis Control and the meningococcal meningitis epidemic in the 1970's and the dengue epidemic in the 1980's. In 1983, however, a new phase in Chagas' disease control began, with the allocation of ten billion cruzeiros from FINSOCIAL for this program which covered two thousand municipalities, in 19 Brazilian States, to the benefit of 47 million people potentially at risk. Finally it was concluded that in the short term, insecticide spraying is the most effective and manageable control measure against natural transmission of Chagas' infection. Other methods of control and urbanization of Chagas' disease are also discussed. <![CDATA[<b>O sábio e a floresta</b>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400016&lng=en&nrm=iso&tlng=en As bases técnicas para o controle da doença de Chagas no Brasil foram estabelecidas com a criação do posto avançado de pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz em Bambuí, no oeste de Minas Gerais, no começo da década de 40, sob a liderança de Emmanuel Dias. Entretanto, somente com a criação do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), em março de 1956, sob a direção de Mario Pinotti, no governo de Juscelino Kubitschek, as medidas de controle foram implementadas. Das "campanhas" de controle das 12 endemias rurais estabelecidas pelo DNERu, a malária, pelo seu caráter de doença aguda e explosiva, sempre teve a maior parte orçamentária. A doença de Chagas e as outras endemias foram sempre relegadas a um plano secundário de prioridade. Por outro lado, a partir da década de 60, os "novos ecologistas" passaram a criticar o uso de inseticidas, com o slogan de que para controlar a doença de Chagas era necessário o BNH (construção de casas), e não o BHC (uso de inseticidas). Esta opinião, embora equivocada para o controle a curto prazo, teve uma enorme influência negativa sobre o controle dos vetores domiciliados. Apesar disso, algum progresso foi feito neste sentido. Na década de 70, a epidemia de meningite meningocócica e a priorização do Programa Especial de Controle da Esquistossomose (PECE), pelo Ministro Almeida Machado, com deslocamento de verbas e de pessoal da Superintendência de Campanhas (Sucam) para esses programas, atrasaram ainda mais o controle da doença de Chagas. Somente na década de 80, com a decisão política do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de alocar 10 bilhões de cruzeiros do Finsocial, o programa de controle da doença de Chagas teve um importante desenvolvimento em 2.000 municípios de 19 Estados brasileiros. Mais uma vez o programa sofre um atraso nesta década, com o deslocamento do pessoal da Sucam para a campanha contra a epidemia da dangue. Finalmente, concluímos que, a curto prazo, o uso de inseticidas é a medida mais efetiva para o controle da transmissão natural da doença de Chagas. Discutimos também, nesta revisão, as outras medidas de controle e a urbanização da doença.<hr/>The technical basis for the control of Chagas' disease in Brazil was established with the creation of the Oswaldo Cruz Institute's research center in Bambuí, in western Minas Gerais, at the beginning of the 1940's, under the leadership of Emmanuel Dias. However, only with the creation of the National Department for Rural Endemic Diseases, in March 1956, did control of rural endemic diseases become systematic in Brazil. From the 1960's onwards, the Chagas' disease control program in Brazil started to suffer from postponements and lack of systematic action: first because the priority ascribed to the malaria control program, since this was an acute, "explosive" disease that was hampering land settlement and development in the interior; second the "new ecologists" began calling for "BNH" (referring to the initials for the national low-cost housing program) and not "BHC" (insecticides program) for Chagas' disease control, ignoring a number of issues and difficulties; and third, other priorites given to the Special Program for Schistosomiasis Control and the meningococcal meningitis epidemic in the 1970's and the dengue epidemic in the 1980's. In 1983, however, a new phase in Chagas' disease control began, with the allocation of ten billion cruzeiros from FINSOCIAL for this program which covered two thousand municipalities, in 19 Brazilian States, to the benefit of 47 million people potentially at risk. Finally it was concluded that in the short term, insecticide spraying is the most effective and manageable control measure against natural transmission of Chagas' infection. Other methods of control and urbanization of Chagas' disease are also discussed. http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1993000400017&lng=en&nrm=iso&tlng=en