Scielo RSS <![CDATA[Cadernos de Saúde Pública]]> http://www.scielosp.org/rss.php?pid=0102-311X20080015&lang=en vol. 24 num. lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielosp.org/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielosp.org <![CDATA[<B>From the uterus to 12 months of age</B>: <B>changes in the maternal-child health profile in three birth cohorts in Pelotas, Rio Grande do Sul State, Brazil, 1982-2004</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<B>Methods used in the 1982, 1993, and 2004 birth cohort studies from Pelotas, Rio Grande do Sul State, Brazil, and a description of the socioeconomic conditions of participants' families</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500002&lng=en&nrm=iso&tlng=en Three birth cohorts are currently being followed in Pelotas, Southern Brazil, in order to assess changes in birth conditions, growth, development, morbidity, and infant mortality, as well as the influence of pre- and perinatal factors on the subsequent morbidity of participants in their adult lives. We provide a description of the methodology used for the cohort studies that began in 1982, 1993, and 2004 in Pelotas, and a description of the economic conditions of the families involved. For the three cohorts, similar strategies were used to recruit babies born to mothers living in the municipality's urban area. These included daily visits to maternity hospitals where births were identified, mothers interviewed, and newborns examined. Over this time frame, there has been a significant reduction in the number of births due to declining fertility rates amongst the target population. Salaries (measured as a multiple of the minimum wage) were stable across cohorts, but quality of life indicators - such as the availability of piped water, flushing toilets and refrigerators - showed clear improvements. Mothers' levels of education improved markedly. Important changes in the demographic profile of risk factors and health outcomes are being recorded by the Pelotas cohorts.<hr/>Três coortes de nascimento estão sendo acompanhadas em Pelotas, Rio Grande do Sul, para avaliar mudanças nas condições de parto, crescimento, desenvolvimento e morbi-mortalidade infantil, assim como a influência de fatores pré e perinatais sobre a morbidade dos participantes na idade adulta. O artigo descreve a metodologia utilizada para os estudos de coorte que se iniciaram em 1982, 1993 e 2004 em Pelotas, além das condições econômicas das famílias dos participantes. Nas três coortes, foram utilizadas estratégias semelhantes para recrutar crianças cujas mães residiam na área urbana do município, inclusive visitas diárias às maternidades para identificação dos nascimentos, entrevistas com as mães e exames neonatais. Ao longo desse período houve uma redução significativa no número de nascimentos, em função da queda na taxa de fecundidade na população. A renda familiar (medida como múltiplos do salário mínimo mensal) mostrou-se estável nas coortes, mas houve uma melhoria clara nos indicadores de qualidade de vida - tais como a disponibilidade e água encanada, vaso sanitário com descarga e geladeira. A escolaridade materna melhorou de maneira significativa. Estão sendo registradas mudanças importantes no perfil demográfico dos fatores de risco e dos desfechos de saúde nas coortes de nascimentos de Pelotas. <![CDATA[<B>Mothers and their pregnancies</B>: <B>a comparison of three population-based cohorts in Southern Brazil</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Mothers from the 1982, 1993 and 2004 Pelotas birth cohorts were compared across biological, socioeconomic, demographic and reproductive characteristics. Women in the 2004 cohort had higher levels of education, gained more weight during pregnancy, and were heavier at the beginning and end of their pregnancy than mothers who gave birth in 1993 and 1982. There was an important increase in obesity rates (body mass index > 30kg/m²) over the 22 years of the study. Mean parity decreased from 1.3 in 1982 to 1.1 in 2004, with a growing proportion of primiparas and a decline in the proportion of women with > 4 children. The mean birth interval increased from 33.5 months in 1982 to 65.7 in 2004. Smoking during pregnancy decreased from 35.6% in 1982 to 25.1% in 2004. As with other characteristics, the change in smoking status differed according to income, with higher reductions among the wealthiest (from 24.9% to 8.7%) than among the poorest mothers (from 43.7% to 33.6%). In general terms, between 1993 and 2004 there was a decrease in the prevalence of maternal risk factors for unfavorable perinatal outcomes.<hr/>As mães das coortes de nascimentos de Pelotas de 1982, 1993 e 2004 foram comparadas em relação a características biológicas, sócio-econômicas, demográficas e reprodutivas. As mães da coorte de 2004 tinham escolaridade mais alta, ganharam mais peso durante a gestação e pesavam mais no início e final da gestação, comparadas com as mães de 1993 e 1982. Houve um aumento importante nas taxas de obesidade (índice de massa corporal >30kg/m²) ao longo dos 22 anos do estudo. A paridade média diminuiu de 1,3 em 1982 para 1,1 in 2004, com um aumento na proporção de mulheres primíparas e um declínio na proporção de mulheres com > 4 crianças. O intervalo médio entre nascimentos aumentou de 33,5 meses em 1982 para 65,7 em 2004. O hábito de fumar durante a gravidez diminuiu de 35,6% em 1982 para 25,1% m 2004. Assim como outras características, a mudança no tabagismo mostrou diferenças de acordo com renda familiar, com uma redução menor nas mães de maior renda (de 24,9% para 8,7%), comparadas com as mais pobres (de 43,7% para 33,6%). Em termos gerais, entre 1993 e 2004 houve uma diminuição na prevalência de fatores de risco maternos para desfechos perinatais desfavoráveis. <![CDATA[<B>Preterm births, low birth weight, and intrauterine growth restriction in three birth cohorts in Southern Brazil</B>: <B>1982, 1993 and 2004</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Three birth cohort studies from 1982, 1993 and 2004, in Pelotas, Southern Brazil provided the data for this study of trends in preterm births, low birth weight, and intrauterine growth restriction. We found a slight increase in the period in the low birth weight prevalence from 9% to 10%. Intrauterine growth restriction decreased from 14.8% in 1982 to 9.4% in 1993, and subsequently increased to 12% in 2004, whereas preterm births increased markedly, from 6.3% in 1982 to 14.7% in 2004. This striking increment could not be explained by changes in maternal characteristics, as mothers in 2004 were heavier, smoked less during pregnancy and attended antenatal clinics more often and earlier than those of previous cohorts. However, pregnancy interruptions due either to caesarean sections or to inductions significantly increased. Caesareans increased from 28% in 1982 to 45% in 2004, and inductions were 2.5% in 1982 but 11.1% in 2004. The increase in preterms could be partially explained by the growing number of pregnancy interruptions, but there must be other causes since this increase was also observed among babies born by non-induced vaginal deliveries.<hr/>Três coortes de nascimentos, de 1982, 1993 e 2004, em Pelotas, Rio Grande do Sul, permitiram o estudo de tendências em nascimentos prematuros, de baixo peso ao nascer e de restrição do crescimento intrauterino. O estudo mostrou, durante o período, um pequeno aumento na prevalência de baixo peso ao nascer, de 9% para 10%. A restrição do crescimento intrauterino diminuiu, de 14,8% em 1982 para 9,4% em 1993, e aumentou novamente para 12% em 2004, enquanto a proporção de nascimentos prematuros aumentou de maneira marcante, de 6,3% em 1982 para 14,7% em 2004. Não foi possível explicar esse aumento através de mudanças nas características maternais, já que as mães em 2004 apresentavam peso corporal mais alto, fumavam menos durante a gestação e mostravam mais consultas pré-natais e iniciam o atendimento pré-natal mais precocemente, quando comparadas às mães das coortes anteriores. Entretanto, houve um aumento significativo nas interrupções da gravidez, seja por cesariana ou indução. A taxa de cesarianas aumentou de 28% em 1982 para 45% em 2004, e de parto induzido de 2,5% em 1982 para 11,1% em 2004. O aumento nos nascimentos prematuros pode ser explicado parcialmente pelo número crescente de interrupções, mas devem existir outras causas, já que esse aumento foi observado também entre crianças que nasceram de partos vaginais não-induzidos. <![CDATA[<B>Perinatal mortality in three population-based cohorts from Southern Brazil</B>: <B>trends and differences </B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Trends in perinatal mortality were studied in the city of Pelotas, Southern Brazil, using three population-based cohort studies carried out in 1982, 1993 and 2004. The objective of the present study was to analyze trends and differences in perinatal mortality during the 1982-2004 period. All hospital deliveries and perinatal deaths were monitored through daily visits to maternity wards. Cause of death was determined using information from hospital records and by interviewing physicians. Perinatal mortality fell by 43% in the two decades, with a greater reduction between 1982 and 1993. Intrapartum fetal deaths decreased by 72% and deaths from asphyxia fell from 4.5 per thousand in 1982 to 1.4 per thousand in 2004. In conclusion, reductions in perinatal mortality were also seen across all birth weight categories between 1982 and 1993, but the same was not true for the 1993 to 2004 period, when mortality increased in several categories above 2,000g.<hr/>Foram estudadas as tendências de mortalidade perinatal no município de Pelotas, Rio Grande do Sul, utilizando três coortes de base populacional, de 1982, 1993 e 2004. O estudo teve como objetivo analisar as tendências e diferenças na mortalidade perinatal no período de 1982 a 2004. Todos os partos hospitalares e óbitos perinatais foram monitorados através de visitas diárias às maternidades. A causa de óbito era determinada através dos prontuários hospitalares e entrevistas com médicos. A mortalidade perinatal diminuiu em 43% ao longo das duas décadas, com a maior redução entre 1982 e 1993. Óbitos fetais intra-parto diminuíram em 72%, e óbitos por asfixia caíram de 4,5 por mil em 1982 para 1,4 por mil em 2004. Em conclusão, houve reduções na mortalidade perinatal em todas as categorias de peso ao nascer entre 1982 e 1993, mas o mesmo não foi observado durante o período de 1993 a 2004, quando a mortalidade aumentou em várias categorias acima de 2000g. <![CDATA[<B>Breastfeeding and feeding patterns in three birth cohorts in Southern Brazil</B>: <B>trends and differentials</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500006&lng=en&nrm=iso&tlng=en Breastfeeding is fundamental for child health. Changes in the duration of breastfeeding are compared for three population-based cohorts of children born in 1982, 1993 and 2004 in the city of Pelotas, Southern Brazil. Samples of the 1982 and 1993 children and all of the children from the 2004 cohort study were sought at home when they were aged around 12 months. Both the duration of breastfeeding and the stage at which different kind of foods were regularly introduced were investigated. The median duration of breastfeeding increased from 3.1 to 6.8 months in this period. Exclusive breastfeeding at three months was practically non-existent in 1982 and had reached one third of infants by 2004. The increase was faster after 1993, suggesting an important impact made by promotion activities. Up to about 6-9 months, breastfeeding was more prevalent in high-income families, but after this age it became more common among the poor. Low birth weight babies were breastfeed for shorter durations. The duration of breastfeeding is still far short of international recommendations, justifying further campaigns. Special attention should be given to low birth weight babies and those from low-income families.<hr/>A amamentação é fundamental para a saúde infantil. O artigo compara mudanças na duração da amamentação em três coortes de nascimentos, de 1982, 1993 e 2004, na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Amostras das coortes de 1982 e 1993 e todas as crianças da coorte de 2004 foram visitadas em casa em torno de 12 meses de idade. Foram investigados a duração da amamentação e o momento em que diferentes tipos de alimentos foram introduzidos na dieta regular. A duração mediana da amamentação aumentou de 3,1 para 6,8 meses ao longo do período. O aleitamento exclusivo aos três meses era praticamente inexistente em 1982, mas alcançou um terço dos lactentes em 2004. O aumento foi mais expressivo a partir de 1993, sugerindo um impacto importante das atividades de promoção. Até aproximadamente 6-9 meses, a amamentação era mais prevalente em famílias de renda mais alta, mas depois dessa idade passava a ser mais comum entre famílias mais pobres. Crianças com baixo peso ao nascer apresentavam menor duração de amamentação. A duração da amamentação está aquém das recomendações internacionais, o que justifica a realização de mais campanhas nesse sentido. Deve-se concentrar mais atenção nos recém-nascidos de baixo peso e naqueles de famílias de baixa renda. <![CDATA[<B>Infant malnutrition and obesity in three population-based birth cohort studies in Southern Brazil</B>: <B>trends and differences</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500007&lng=en&nrm=iso&tlng=en The aim of this study was to compare the evolution of nutritional deficits and overweight in one-year-old children from three birth cohorts started in 1982, 1993 and 2004 in Pelotas, Southern Brazil. Samples from the 1982 and 1993 cohorts and all children from 2004 were weighed and measured, and their mothers interviewed. Anthropometric deficits and overweight were assessed using both NCHS and WHO growth standards. A comparison of the existence of nutritional deficits showed that, after a decline between 1982 and 1993, its prevalence stabilized between 1993 and 2004. Across the whole period, a decrease in all deficits was observed. Obesity, on the other hand, increased. A deficit in the ratio of body length to age was found to be strongly associated with family income. The group with income below one minimum wage was the only to present a significant reduction of stunting during the study period. The most significant improvements in the reduction of nutritional deficits occurred in the first half of the study period, while social differentials remained. Fighting malnutrition is still necessary among the 40% of the population considered poor, and must be accompanied by efforts to combat overweight which is being observed in all social strata.<hr/>O estudo teve como objetivo comparar a evolução dos déficits nutricionais e sobrepeso em crianças de um ano, com base em três coortes de nascimentos iniciadas em 1982, 1993 e 2004 em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Amostras das coortes de 1982 e 1993 e todos as crianças da coorte de 2004 foram pesadas e medidas, e suas mães foram entrevistadas. Déficits antropométricos e sobrepeso foram analisados utilizando os padrões de crescimento definidos pelo NCHS e OMS. A comparação dos déficits nutricionais mostrou que, depois de declinar entre 1982 e 1993, a prevalência se estabilizou entre 1993 e 2004. Durante o período inteiro, foi observada uma diminuição em todos os déficits. Inversamente, houve um aumento na obesidade. Baixa estatura para a idade esteve fortemente associada com renda familiar. O grupo de renda familiar abaixo de um salário mínimo foi o único que mostrou uma redução significativa em baixa estatura para idade durante o período estudado. Houve melhorias importantes na redução dos déficits nutricionais na primeira metade do período de estudo, embora ainda persistam desigualdades sociais. Combater a desnutrição ainda é necessário nos 40% mais pobres da população, em paralelo com a luta contra o sobrepeso, que vem sendo observado em todas as classes sociais. <![CDATA[<B>The use of maternal and child health services in three population-based cohorts in Southern Brazil, 1982-2004</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500008&lng=en&nrm=iso&tlng=en This study aimed to describe indicators of health care assistance during antenatal care, delivery and in the first year of life in Pelotas, Rio Grande do Sul State, Brazil. In 1982, 1993, and 2004, all hospital newborns from the urban area of Pelotas were enrolled in a cohort study. In this period, the number of pregnant women that did not attend antenatal care fell from 4.9% to 1.9%; the mean number of appointments increased from 6.7 to 8.1; and the number of women who began antenatal care in the third trimester of pregnancy decreased from 14.8% to 7%; caesarean sections increased from 27.7% to 45.2% and the proportion of deliveries assisted by physicians increased from 61.2% to 89.2%. Improvements in immunization rates during the first year of life mainly occurred between 1982 and 1993, while the number of preventive medical appointments improved among those born in 2004. This increase in coverage was greater for low-income mothers and children, which may reflect the implementation of universal coverage in Brazil; however, coverage levels in 1982 were already high for wealthy mothers and children, reducing the scope for further gains.<hr/>Este estudo teve como objetivo descrever os indicadores de atenção à saúde durante o pré-natal, parto e primeiro ano de vida em Pelotas, Rio Grande do Sul. Em 1982, 1993, e 2004, todas as crianças que nasceram em hospitais na área urbana de Pelotas foram incluídas num estudo de coorte. Durante o período, o número de mulheres que não receberam atendimento pré-natal diminuiu de 4,9% para 1,9%; o número médio de consultas de pré-natal aumentou de 6,7 para 8,1; a proporção de gestantes que iniciaram o pré-natal no terceiro trimestre da gravidez diminuiu de 14,8% para 7%; a taxa de cesarianas aumentou de 27,7% para 45,2% e a proporção de partos assistidos por médicos aumentou de 61,2% para 89,2%. No primeiro ano de vida, as taxas de imunização melhoraram principalmente entre 1982 e 1993, enquanto o número de consultas médicas preventivas melhorou na coorte de 2004. Esse aumento de cobertura foi maior entre mães e crianças de baixa renda, o que pode refletir a implementação de cobertura universal no Brasil; entretanto, em 1982 a cobertura já era alta para mães e crianças de renda mais alta, reduzindo assim os espaço para ganhos adicionais nessa faixa de renda. <![CDATA[<B>Hospitalizations during infancy in three population-based studies in Southern Brazil</B>: <B>trends and differentials</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Three cohort studies of children born in the urban area of Pelotas, Southern Brazil, were carried out in 1982, 1993, and 2004. The aim of these studies was to measure the occurrence of hospitalization in the first year of life and to examine the association between hospitalization and the cause of admission and sex, birth weight, and family income. Cause of admission was categorized as "diarrhea" and "all other causes". The frequency of children hospitalized at least once during their first year of life was 19.6% in 1982, 18.1% in 1993, and 19.2% in 2004. There was a marked reduction in hospitalizations due to diarrhea, but the frequency of hospitalization for all causes remained constant. In all three cohorts, infants from poorer families and those born weighing under 2,000g showed the highest frequencies of hospitalization due to diarrhea and all other causes, and the latter also showed a marked increase in hospitalizations due to all causes. These findings could be explained by an epidemic of preterm births in the study population.<hr/>Foram organizadas três coortes de crianças nascidas na área urbana de Pelotas, Rio Grande do Sul, em 1982, 1993 e 2004. O presente estudo teve como objetivos medir a ocorrência de hospitalização no primeiro ano de vida e estudar a associação entre hospitalização e causa de internação e sexo, peso ao nascer e renda familiar. As causas de internação eram categorizadas como "diarréia" e "todas as outras causas". As proporções de crianças hospitalizadas pelo menos uma vez durante o primeiro de ano de vida foram 19,6% em 1982, 18,1% em 1993 e 19,2% em 2004. Houve uma redução marcante nas internações por diarréia, enquanto permanecia constante a freqüência de internações por todas as causas. Nas três coortes, as crianças de famílias mais pobres e aquelas que nasceram com peso abaixo de 2000g mostraram as freqüências mais elevadas de internações por diarréia e por todas as outras causas, e a coorte de 2004 também mostrou um aumento marcante nas internações por todas as causas. Os achados podem ser explicados por uma epidemia de nascimentos prematuros na população estudada. <![CDATA[<B>Developmental status at age 12 months according to birth weight and family income</B>: <B>a comparison of two Brazilian birth cohorts</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500010&lng=en&nrm=iso&tlng=en Two cohorts of children born in the city of Pelotas, Southern Brazil, in 1993 and 2004, were compared in terms of neuro-psychomotor development at the age of 12 months. Children were evaluated using the Denver II screening test. Analyses were performed using the Poisson regression technique. The prevalence of suspected developmental delay fell from 37,1% in 1993 to 21.4% in 2004 and was inversely proportional to family income and birth weight. Among children born weighing under 2,000 g, there was a fourfold reduction in the prevalence of developmental delay between 1993 and 2004. With regard to family income, the poorest group showed the greatest reduction between the two cohorts - a 30% reduction in risk. Our results confirm the influence of income and birth weight on child development. The decrease in the prevalence of developmental delay in the last decade reflects, among other factors, improvements in neonatal care, increased coverage of developmental monitoring in the first year of life, and longer breastfeeding duration. Despite this reduction, the prevalence of developmental delay is still high, reinforcing the need for early diagnosis and intervention.<hr/>Foram comparadas duas coortes de crianças nascidas no município de Pelotas, Rio Grande do Sul, em 1993 e 2004, em relação ao desenvolvimento neuropsicomotor aos 12 meses de idade. As crianças foram avaliadas pelo teste de triagem de Denver II. As análises foram realizadas usando a técnica de regressão de Poisson. A prevalência de suspeita de atraso no desenvolvimento diminuiu de 37,1% em 1993 para 21,4% em 2004, e era inversamente proporcional à renda familiar e ao peso ao nascer. Entre crianças com peso ao nascer abaixo de 2000g, houve uma redução de quatro vezes no atraso no desenvolvimento, entre 1993 e 2004. Com relação à renda familiar, o grupo mais pobre mostrou a maior redução entre as duas coortes - uma redução de 30% no risco. Nossos resultados confirmam a influência de renda e peso ao nascer sobre o desenvolvimento infantil. A queda na prevalência de atraso no desenvolvimento na última década reflete, entre outros fatores, melhorias na assistência pré-natal, aumento de cobertura no monitoramento do desenvolvimento no primeiro ano de vida e maior duração do aleitamento materno. Apesar dessa redução, a prevalência de atraso no desenvolvimento permanece alta, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce e intervenção. <![CDATA[<B>Infant mortality in three population-based cohorts in Southern Brazil</B>: <B>trends and differentials </B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500011&lng=en&nrm=iso&tlng=en We studied time trends in infant mortality and associated factors between three cohort studies carried out in Pelotas, Rio Grande do Sul State, Brazil, in 1982, 1993, and 2004. All hospital births and deaths were determined by means of regular visits to hospitals, registrar's offices, and cemeteries. This data was used to calculate neonatal, post-neonatal, and infant mortality rates per thousand live births. Rates were also calculated according to cause of death, sex, birth weight, gestational age, and family income. The infant mortality rate fell from 36.4 per 1,000 live births in 1982 to 21.1 in 1993 and 19.4 in 2004. Major causes of infant mortality in 2004 were perinatal causes and respiratory infections. Mortality among low birth weight children from poor families fell 16% between 1993 and 2004; however, this rate increased by more than 100% among high-income families due to the increase in the number of preterm deliveries in this group. The stabilization of infant mortality in the last decade is likely to be due to excess medical interventions relating to pregnancies and delivery care.<hr/>Os autores estudaram tendências temporais nas taxas de mortalidade infantil e fatores associados em três coortes em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, de 1982, 1993 e 2004. Todos os nascimentos hospitalares e óbitos foram identificados através de visitas regulares aos hospitais, cartórios e cemitérios. Esses dados foram utilizados para calcular as taxas de mortalidade neonatal, pós-neonatal e infantil por mil nascidos vivos. Também foram calculadas as taxas específicas de acordo com causa de óbito, sexo, peso ao nascer, idade gestacional e renda familiar. O coeficiente de mortalidade infantil diminuiu de 36,4 por mil nascidos vivos em 1982 para 21,1 em 1993 e 19,4 em 2004. As principais causas de mortalidade infantil em 2004 foram causas perinatais e infecções respiratórias. Entre 1993 e 2004, houve uma redução de 16% na mortalidade entre crianças de baixo peso ao nascer de famílias pobres; entretanto, esse mesmo coeficiente aumentou mais de 100% entre famílias de renda alta, devido ao aumento no número de partos prematuros nesse grupo. É provável que a estabilização da mortalidade infantil na última década seja devida à excessiva medicalização da gravidez e da atenção ao parto. <![CDATA[<B>Maternal-child health in Pelotas, Rio Grande do Sul State, Brazil</B>: <B>major conclusions from comparisons of the 1982, 1993, and 2004 birth cohorts</B>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001500012&lng=en&nrm=iso&tlng=en Important changes were observed in maternal characteristics, health care indicators, and child health during the 22 years covered by the three population-based birth cohort studies conducted in the city of Pelotas, Southern Brazil. Maternal education levels improved, cigarette smoking during pregnancy was reduced, and birth intervals became longer. Also, there were more single mothers, and maternal obesity increased. Coverage of antenatal and delivery care by professionals improved, but inductions and caesarean sections increased markedly, the latter accounting for 45% of deliveries in 2004. With regard to child health, the reductions in neonatal and infant mortality rates were modest, and the significant increase in preterm births - 14.7% of all births in 2004 - appears to have colluded with this stagnation. Other infant health indicators, such as immunization coverage and breastfeeding duration, showed improvements over the period. Regarding infant nutrition, malnourishment at age 12 months decreased, but the prevalence of overweight was higher in 2004. The existence of three population-based birth cohorts using comparable methodology allowed for the study of important secular trends in maternal and child health.<hr/>Foram observadas mudanças importantes nas características maternas, de assistência à saúde e de saúde infantil ao longo dos 22 anos cobertos pelas três coortes de base populacional na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Melhorou o nível de escolaridade materna, houve uma redução no tabagismo durante a gravidez e aumentou o espaçamento entre filhos. Além disso, havia mais mães solteiras e aumentou a obesidade materna. Melhoraram a cobertura pré-natal e assistência ao parto por profissionais, mas houve um aumento marcante nos partos induzidos e nas cesarianas, que representaram 45% do total de partos em 2004. Com relação à saúde infantil, houve uma redução apenas modesta nas taxas de mortalidade neonatal e infantil, e o aumento significativo nos partos prematuros (14,7% de todos os nascimentos em 2004) parece haver contribuído para essa estagnação. Outros indicadores de saúde infantil, como cobertura de imunização e duração do aleitamento materno, melhoraram durante o período. Em relação à nutrição infantil, a desnutrição aos 12 meses de idade diminuiu, mas a prevalência de sobrepeso foi maior em 2004. A existência de três coortes de nascimento de base populacional utilizando metodologias comparáveis permitiu o estudo de importantes tendências seculares na saúde materno-infantil.