Scielo RSS <![CDATA[Revista Brasileira de Epidemiologia]]> http://www.scielosp.org/rss.php?pid=1415-790X20170002&lang=pt vol. 20 num. lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielosp.org/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielosp.org <![CDATA[Carga da doença e análise da situação de saúde: resultados da rede de trabalho do <em>Global Burden of Disease</em> (GBD) Brasil]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Estudo de carga global de doença 2015: resumo dos métodos utilizados]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Estimativas do grau de cobertura e da mortalidade adulta (45q15) para as unidades da federação no Brasil entre 1980 e 2010]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200021&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Objetivo: Avaliar a qualidade do registro de óbitos do Datasus, por sexo e estados brasileiros, e estimar as probabilidades de morte adulta, 45q15, por sexo e estados, entre 1980 e 2010. Métodos: O estudo foi baseado em dados de mortalidade obtidos no Sistema de Informação de Mortalidade do Datasus, de 1980 a 2010, e em dados de população dos censos demográficos de 1980, 1991, 2000 e 2010. A avaliação da qualidade dos dados de registro foi feita utilizando-se métodos demográficos tradicionais e métodos de distribuição de mortes, e as probabilidades de morte foram calculadas a partir dos conceitos de tabelas de vida. Resultados: Os resultados indicam uma melhoria considerável do grau de cobertura de óbitos no Brasil desde 1980. Nas regiões Sudeste e Sul, observamos uma completa cobertura do registro de mortalidade adulta, o que não ocorria no decênio anterior. Por outro lado, no Nordeste e no Norte ainda existem localidades com baixo grau de cobertura entre 2000 e 2010. Em todos os estados do Brasil, observa-se um declínio da probabilidade de morte dos adultos. Observamos que as probabilidades de morte dos homens são muito mais elevadas do que as das mulheres. Conclusão: As melhorias observadas parecem estar relacionadas aos investimentos no sistema público de saúde e aos procedimentos administrativos para melhorar o registro dos eventos vitais.<hr/>ABSTRACT: Objective: Assess the completeness of the DataSUS SIM death-count registry, by sex and Brazilian state, and estimate the probability of adult mortality (45q15), by sex and state, from 1980 to 2010. Methods: The study was based on mortality data obtained in the DataSUS Mortality Information System, from 1980 to 2010, and on population data from the 1980, 1991, 2000, and 2010 demographic censuses. The quality assessment of the registry data was conducted using traditional demographic and death distribution methods, and death probabilities were calculated using life-table concepts. Results: The results show a considerable improvement in the completeness of the death-count coverage in Brazil since 1980. In the southeast and south, we observed the complete coverage of the adult mortality registry, which did not occur in the previous decade. In the northeast and north, there were still places with a low coverage from 2000 to 2010, although there was a clear improvement in the quality of data. For all Brazilian states, there was a decline in the probability of adult mortality; we observed, however, that the death probability for males is much higher than that for females throughout the whole analysis period. Conclusion: The observed improvements seem to be related to investments in the public health care system and administrative procedures to improve the recording of vital events. <![CDATA[Qualidade da informação das estatísticas de mortalidade: códigos <em>garbage</em> declarados como causas de morte em Belo Horizonte, 2011-2013]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200034&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Objetivo: Avaliar a qualidade da informação sobre causas de óbito, identificando a frequência de códigos garbage (CG) em Belo Horizonte, Minas Gerais. Métodos: Foram selecionados óbitos de residentes, ocorridos de 2011 a 2013. As causas de óbito foram classificadas como CG, segundo a lista do estudo Global Burden of Disease (GBD) 2015. Esses códigos foram agrupados em: CG do capítulo XVIII da CID-10 e CG de outros capítulos da CID-10. Foram calculadas as proporções de CG por sexo, faixa etária e local de ocorrência. Resultados: Em Belo Horizonte ocorreram 44.123 óbitos no período analisado, dos quais 30,5% tiveram sua causa classificada como CG. Maiores proporções desses códigos foram observadas em crianças de 1 a 4 anos e em maiores de 60 anos. Os principais CG foram: outras causas mal definidas e as não especificadas de mortalidade (R99), pneumonia não especificada (J18.9), acidente vascular cerebral não especificado como hemorrágico ou isquêmico (I64) e septicemias (A41.9). Em 28,7% dos óbitos ocorridos em hospitais, a causa básica do óbito foi por CG, sendo essa proporção maior para óbitos domiciliares (36,9%). Maior diferença foi observada para os CG do capítulo XVIII da CID-10: 1,7% em hospitais e 16,9% para óbitos no domicílio. Conclusão: A magnitude dos CG nas estatísticas de mortalidade enfatiza sua importância na avaliação da qualidade da informação sobre causas de óbito.<hr/>Abstract: Objective: To assess the quality of mortality information by analyzing the frequency of garbage codes (GC) registered as underlying cause-of-death in Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil. Methods: Data of deaths of residents from 2011 to 2013 were selected. GC causes were classified as proposed by the Global Burden of Disease Study (GBD) 2015. They were grouped into GCs from ICD-10 Chapter XVIII and GCs excluding codes of Chapter XVIII. Proportions of GC were calculated by sex, age, and place of occurrence. Results: In Belo Horizonte, 30.5% of the total of 44,123 deaths were GC. Higher proportion of these codes was observed in children (1 to 4 years) and in people aged over 60 years. The following leading GCs observed were: other ill-defined and unspecified causes of death (code R99), unspecified pneumonia (J18.9), unspecified stroke (hemorrhagic or ischemic) (I64), and unspecified septicemia (A41.9). The proportions of GC were 28.7% and 36.9% in deaths that occurred in hospitals and at home, respectively. An important difference occurred in the GC group from Chapter XVIII of ICD-10: 1.7% occurred in hospitals and 16.9% at home. Conclusion: The high proportions of GC in mortality statistics in Belo Horizonte demonstrated its importance for assessing the quality of information on causes of death. <![CDATA[Principais causas da mortalidade na infância no Brasil, em 1990 e 2015: estimativas do estudo de Carga Global de Doença]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200046&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Objetivo: Analisar as taxas de mortalidade e as principais causas de morte na infância no Brasil e estados, entre 1990 e 2015, utilizando estimativas do estudo Carga Global de Doença (Global Burden of Disease - GBD) 2015. Métodos: As fontes de dados foram óbitos e nascimentos estimados com base nos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), censos e pesquisas. Foram calculadas proporções e taxas por mil nascidos vivos (NV) para o total de óbitos e as principais causas de morte na infância. Resultados: O número estimado de óbitos para menores de 5 anos, no Brasil, foi de 191.505, em 1990, e 51.226, em 2015, sendo cerca de 90% mortes infantis. A taxa de mortalidade na infância no Brasil sofreu redução de 67,6%, entre 1990 e 2015, cumprindo a meta estabelecida nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). A redução total das taxas foi, em geral, acima de 60% nos estados, sendo maior na região Nordeste. A disparidade entre as regiões foi reduzida, sendo que a razão entre o estado com a maior e a menor taxa diminuiu de 4,9, em 1990, para 2,3, em 2015. A prematuridade, apesar de queda de 72% nas taxas, figurou como a principal causa de óbito em ambos os anos, seguida da doença diarreica, em 1990, e das anomalias congênitas, da asfixia no parto e da sepse neonatal, em 2015. Conclusão: A queda nas taxas de mortalidade na infância representa um importante ganho no período, com redução de disparidades geográficas. As causas relacionadas ao cuidado em saúde na gestação, no parto e no nascimento figuram como as principais em 2015, em conjunto com as anomalias congênitas. Políticas públicas intersetoriais e de saúde específicas devem ser aprimoradas.<hr/>ABSTRACT: Objective: To analyze under-5 mortality rates and leading causes in Brazil and states in 1990 and 2015, using the Global Burden of Disease Study (GBD) 2015 estimates. Methods: The main sources of data for all-causes under-5 mortality and live births estimates were the mortality information system, surveys, and censuses. Proportions and rates per 1,000 live births (LB) were calculated for total deaths and leading causes. Results: Estimates of under-5 deaths in Brazil were 191,505 in 1990, and 51,226 in 2015, 90% of which were infant deaths. The rates per 1,000 LB showed a reduction of 67.6% from 1990 to 2015, achieving the proposed target established by the Millennium Development Goals (MDGs). The reduction generally was more than 60% in states, with a faster reduction in the poorest Northeast region. The ratio of the highest and lowest rates in the states decreased from 4.9 in 1990 to 2.3 in 2015, indicating a reduction in socioeconomic regional disparities. Although prematurity showed a 72% reduction, it still remains as the leading cause of death (COD), followed by diarrheal diseases in 1990, and congenital anomalies, birth asphyxia and septicemia neonatal in 2015. Conclusion: Under-5 mortality has decreased over the past 25 years, with reduction of regional disparities. However, pregnancy and childbirth-related causes remain as major causes of death, together with congenital anomalies. Intersectoral and specific public health policies must be continued to improve living conditions and health care in order to achieve further reduction of under-5 mortality rates in Brazil. <![CDATA[Mortalidade por cirrose, câncer hepático e transtornos devidos ao uso de álcool: Carga Global de Doenças no Brasil, 1990 e 2015]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200061&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Introdução: O uso de álcool é um dos principais fatores de risco preveníveis para mortalidade ou incapacidade prematuras. Objetivo: Descrever as estimativas de mortalidade e anos de vida perdidos por morte prematura (YLL) por cirrose, câncer hepático e transtornos devidos ao uso de álcool no Brasil e suas unidades da federação (UFs), em 1990 e 2015. Métodos: Estudo descritivo com dados do estudo de Carga Global de Doenças (2015) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Modelos estatísticos foram empregados para obter estimativas corrigidas de mortalidade pelas causas selecionadas. As taxas de mortalidade foram padronizadas por idade (TMPI). Resultados: Em 1990, foram estimados 16.226 óbitos para as 3 condições (17,0/100 mil habitantes), enquanto em 2015 foram 28.337 (15,7/100 mil habitantes). Houve redução da mortalidade (por 100 mil habitantes) por cirrose (de 11,4 para 9,5) e estabilidade por câncer hepático (1,5 e 1,9) e transtornos devidos ao uso de álcool (4,1 e 4,3). As TMPI foram 5,1 vezes maiores entre os homens, e as 5 UFs com maiores TMPI e YLL foram da Região Nordeste: Sergipe, Ceará, Pernambuco, Paraíba e Alagoas. As taxas de mortalidade e de YLL pelas três condições estudadas ascenderam no ranking das causas de óbito, em ambos os sexos, exceto a cirrose no feminino. Conclusão: As três condições estudadas são responsáveis por importante carga de mortalidade prematura no Brasil, principalmente entre homens e residentes na região nordeste. Esses resultados reforçam a necessidade de políticas públicas para o enfrentamento ao consumo nocivo do álcool no Brasil.<hr/>ABSTRACT: Introduction: Alcohol use is one of the main preventable risk factors affecting mortality and premature disability. Objective: To describe the estimates of mortality and years of life lost as a result of premature death (YLL) due to cirrhosis, liver cancer, and disorders attributed to alcohol use in Brazil and its federated units in 1990 and 2015. Methods: Descriptive study using data from the Global Burden of Disease Study (2015) and the Mortality Information System (SIM). Statistical models were used to obtain corrected mortality estimates for selected causes. Rates were standardized by age. Results: In 1990, 16,226 deaths were estimated for the three conditions (17.0/100 thousand inhabitants), while in 2015 there were 28,337 deaths (15.7/100 thousand inhabitants). There was a reduction in mortality (per 100 thousand) due to cirrhosis (from 11.4 to 9.5), stability in mortality rates related to liver cancer (1.5 and 1.9), and stability in mortality rates caused by alcohol use disorders (4.1 and 4.3). Mortality rates were 5.1 times higher among men, and the five states with the highest mortality rates and YLL were from the Northeast Region: Sergipe, Ceará, Pernambuco, Paraíba, and Alagoas. Mortality and YLL rates for the three conditions studied increased in the ranking of causes of death in both sexes, with the exception of cirrhosis in the female population. Conclusion: The three conditions studied are responsible for a significant burden of premature mortality in Brazil, especially among men and residents of the northeast region. These results reinforce the urgent need for public policies that address harmful alcohol consumption in Brazil. <![CDATA[Mortalidade e incapacidade por doenças relacionadas à exposição ao tabaco no Brasil, 1990 a 2015]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200075&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Introdução: A epidemia global do tabaco já assumiu proporções de pandemia, com cerca de 1,3 bilhão de usuários e 6 milhões de mortes anuais. Objetivo: Este trabalho teve como objetivo analisar as tendências de mortalidade por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e câncer de pulmão, lábios, cavidade oral, faringe e esôfago, no Brasil, entre 1990 e 2015. Métodos: O estudo foi viabilizado mediante parceria entre o Instituto Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), da Universidade de Washington, Ministério da Saúde e o grupo técnico GBD Brasil, utilizando análise de estimativas do estudo Carga Global de Doenças 2015. Resultados: As taxas de mortalidade por DPOC caíram, já que, em 1990, foi de 64,5/100.000 habitantes e, em 2015, 44,5, queda de 31%. Para os vários tipos de câncer relacionados ao tabaco, a queda foi em menor proporção do que a verificada para DPOC. A mortalidade por câncer de pulmão permaneceu estável, com taxa de 18,7/100.000 habitantes, em 1990, e 18,3/100.000 habitantes, em 2015. Entre as mulheres, observa-se curva ascendente, com aumento de 20,7%. Discussão: O estudo aponta o tabaco como fator de risco para mortalidade prematura e incapacidades por DPOC e câncer. A importante redução da prevalência do tabaco nas últimas décadas poderia explicar reduções nas tendências de doenças relacionadas com o tabaco. A maior mortalidade por câncer de pulmão em mulheres pode expressar o aumento tardio do tabagismo nesse sexo. Conclusão: Ações nacionais nas últimas décadas têm tido grande efeito na diminuição da mortalidade de doenças relacionadas ao tabaco, mas ainda há grandes desafios, principalmente quando se trata de mulheres e jovens.<hr/>ABSTRACT: Introduction: The global tobacco epidemic has taken pandemic proportions, with about 1.3 billion users and 6 million annual deaths. This study aimed to analyze the trends in mortality from chronic obstructive pulmonary disease (COPD) and lung, lips, oral cavity, pharynx, and esophagus cancer in Brazil between 1990 and 2015. Methods: The study was made possible through a partnership between the Metrics and Health Assessment Institute (IHME), University of Washington, Ministry of Health and the GBD Brazil technical group, using estimates from the Global Disease Charge 2015 study. Results: The mortality rates due to COPD fell; in 1990, it was 64.5/100,000 inhabitants and in 2015, 44.5, a decrease of 31%. For the various types of cancer related to smoking, the decrease was in a lower proportion than for COPD. For lung cancer, rates were 18.7/100,000 inhabitants in 1990 to 18.3 in 2015. For women, there is an upward curve for lung cancer from 1990 to 2015, with an increase of 20.7%. Discussion: The study points to smoking as a risk factor for premature mortality and disability due to COPD and cancer. The significant reduction in tobacco prevalence in recent decades could explain reductions in tobacco-related disease trends. The higher mortality from lung cancer in women may express the delayed increase in smoking in this gender. Conclusion: Nationwide actions taken in the last decades have had a great effect on reducing mortality from tobacco-related diseases, but there are still major challenges, especially when it comes to women and young people. <![CDATA[A carga de doença devido ao diabetes e à hiperglicemia no Brasil e seus estados: achados do Global Burden of Disease Study 2015]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200090&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt ABSTRACT: Introduction and objective: The global burden of disease (GBD) 2015 project, extends GBD analyses to include Brazilian federative units separately. We take advantage of GBD methodological advances to describe the current burden of diabetes and hyperglycemia in Brazil. Methods: Using standard GBD 2015 methods, we analyzed the burden of diabetes, chronic kidney disease due to diabetes and high fasting plasma glucose in Brazil and its states. Results: The age-standardized rate of disability-adjusted life years (DALYs) which was lost to high fasting plasma glucose, a category which encompasses burdens of diabetes and of lesser hyperglycemia, were 2448.85 (95% UI 2165.96-2778.69) /100000 for males, and 1863.90 (95% UI 1648.18-2123.47) /100000 for females in 2015. This rate was more than twice as great in states with highest burden, these being overwhelmingly in the northeast and north, compared with those with lowest rates. The rate of crude DALYs for high fasting plasma glucose, increased by 35% since 1990, while DALYs due to all non-communicable diseases increased only by 12.7%, and DALYs from all causes declined by 20.5%. Discussion: The worldwide pandemic of diabetes and hyperglycemia now causes a major and growing disease burden in Brazil, especially in states with greater poverty and a lesser educational level. Conclusion: Diabetes and chronic kidney disease due to diabetes, as well as high fasting plasma glucose in general, currently constitute a major and growing public health problem in Brazil. Actions to date for their prevention and control have been slow considering the magnitude of this burden.<hr/>RESUMO: Introdução e objetivo: O projeto Global Burden of Disease (GBD) 2015 estendeu suas análises para incluir unidades federativas brasileiras de maneira separada. Aproveitamos os avanços metodológicos do GBD para descrever a carga atual de diabetes e hiperglicemia no Brasil. Métodos: Utilizando os métodos padrão GBD 2015, analisamos a carga de diabetes, de doença renal crônica por diabetes e de glicemia de jejum elevada no Brasil e seus estados. Resultados: A taxa padronizada por idade de anos de vida ajustados por morte ou incapacidade (DALYs) perdidos devido à glicemia de jejum elevadafoi de 2448,85 (95% IU 2165,96-2778,69)/100000 para homens e 1863,90 (95% IU 1648,18-2123,47)/100.000 para as mulheres em 2015. Esta taxa foi mais do que o dobro em estados com maior carga, quase sempre no Nordeste e Norte, em comparação com aqueles com as taxas mais baixas. A taxa bruta de DALYs devido à glicose de jejum elevada aumentou 35% desde 1990, enquanto que a dos DALYs devido a todas as doenças não transmissíveis aumentou apenas 12,7% e a taxa dos DALYs devido a todas as causas diminuiu 20,5%. Discussão: A pandemia mundial de diabetes e hiperglicemia atualmente causa uma grande e crescente carga de doenças no Brasil, especialmente em estados com maior pobreza e menor escolaridade. Conclusão: O diabetes e a doença renal crônica por diabetes, bem como a glicemia de jejum elevada constituem atualmente um grande e crescente problema de saúde pública no Brasil. As ações até o momento para sua prevenção e controle tem sido tímidas considerando a magnitude dessa carga. <![CDATA[Magnitude e variação da carga da mortalidade por câncer no Brasil e Unidades da Federação, 1990 e 2015]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200102&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Objetivo: Analisar as taxas de mortalidade por neoplasia maligna no Brasil e nas Unidades da Federação (UF) nos anos de 1990 e 2015, segundo o sexo e principais tipos de câncer. Métodos: Com as estimativas de carga global de doença para o Brasil, foram calculadas taxas de mortalidade por câncer, ajustadas por idade e respectivos intervalos de incerteza de 95%, para o Brasil e UF, em 1990 e 2015, bem como a variação percentual dessas no período. Foram analisadas as principais causas de mortalidade por câncer segundo sexo, considerando as cinco taxas mais elevadas no país e para cada estado. Resultados: A taxa de mortalidade por câncer para homens e mulheres manteve-se estável entre os dois anos no país. O mesmo padrão de comportamento foi observado em praticamente todas as UF, sendo que a maioria dos estados da região Nordeste e metade da região Norte exibiram aumento não significativo das taxas de mortalidade. Em relação aos tipos, houve queda nas taxas de mortalidade para os cânceres de estômago em ambos os sexos (mulheres: -38,9%; homens: -37,3%), colo do útero em mulheres (-33,9%), e pulmão e esôfago em homens (-12,0% e -14,1%, respectivamente); em contrapartida, houve aumento para os cânceres de pulmão em mulheres (+20,7%) e de cólon e reto em homens (+29,5%). Conclusão: As diferenças de comportamento dos principais tipos de câncer, com queda principalmente nas regiões mais desenvolvidas e aumento nas regiões menos desenvolvidas do país, parecem refletir as desigualdades tanto socioeconômicas quanto de acesso aos serviços de saúde pela população brasileira.<hr/>ABSTRACT: Objective: To analyze the mortality rates from malignant neoplasia in Brazil and Federal Units (FU) in the years 1990 and 2015, according to sex and main types of cancer. Methods: Using estimates of global disease burden for Brazil made by the GBD 2015 study, age-adjusted cancer mortality rates and respective 95% uncertainty intervals were calculated for Brazil and FU in 1990 and 2015, as well as their percentage variation in the period. The main causes of cancer mortality by sex were analyzed, considering the five highest rates in the country and for each state. Results: The cancer mortality rate for male and female population remained stable between the two years in the country. The same behavior pattern was observed in almost all the FU, and the majority of states in the northeast region and half of the north region showed a non-significant increase in mortality rates. Regarding the types of cancer, there was a drop in mortality rates for stomach cancers in both sexes (women: -38.9%, men: -37.3%), cervical cancer in women (-33.9%), and lung and esophagus cancer in men (-12.0% and -14.1%, respectively); in contrast, there was an increase in lung cancers in women (+20.7%) and colon and rectum cancers in men (+29.5%). Conclusion: Differences in the behavior of major cancers, with a decrease mainly in the more developed regions and an increase in the less developed regions of the country, seem to reflect the socioeconomic inequalities as well as difficulties in access to health services by the Brazilian population. <![CDATA[Variações e diferenciais da mortalidade por doença cardiovascular no Brasil e em seus estados, em 1990 e 2015: estimativas do Estudo Carga Global de Doença]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200116&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Objetivo: Analisar as variações e os diferenciais da mortalidade por doenças cardiovasculares (DCV) no Brasil e em seus estados, em 1990 e 2015. Métodos: Foram utilizados os dados de mortalidade compilados pelo Global Burden of Disease (GBD) 2015, obtidos da base de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. Foram realizadas a correção do sub-registro de óbitos e a reclassificação dos códigos garbage por meio de algoritmos específicos. As causas cardiovasculares foram subdivididas em 10 causas específicas. As taxas de mortalidade - dos anos 1990 e 2015 - foram padronizadas pela idade, de acordo com o sexo e o estado brasileiro. Resultados: A taxa de mortalidade por DCV padronizada por idade caiu de 429,5 (1990) para 256,0 (2015) a cada 100 mil habitantes (40,4%). A redução proporcional foi semelhante em ambos os sexos, mas as taxas em homens são substancialmente mais altas do que nas mulheres. A redução da taxa padronizada por idade foi mais acentuada para a doença cardíaca reumática (44,5%), cardiopatia isquêmica (43,9%) e doença cerebrovascular (46,0%). A queda na mortalidade diferiu marcadamente entre os estados, sendo mais acentuada nos estados das regiões Sudeste e Sul do país e no Distrito Federal, e atenuada nos estados do Norte e Nordeste. Conclusão: A mortalidade por DCV padronizada por idade reduziu no Brasil nas últimas décadas, porém de forma heterogênea entre os estados e para diferentes causas específicas. Considerando a magnitude da carga de doença e o envelhecimento da população brasileira, as políticas de enfrentamento das DCV devem ser priorizadas.<hr/>ABSTRACT: Objective: To analyze variations and particularities in mortality due to cardiovascular disease (CVD) in Brazil and in Brazilian states, in 1990 and 2015. Methods: We used data compiled from the Global Burden of Disease (GBD) 2015, obtained from the database of the Mortality Information System (SIM) of the Brazilian Ministry of Health. Correction of the sub-registry of deaths and reclassification of the garbage codes were performed using specific algorithms. The cardiovascular causes were subdivided into 10 specific causes. Age-standardized CVD mortality rates - in 1990 and 2015 - were analyzed according to sex and Brazilian state. Results: Age-standardized CVD mortality rate decreased from 429.5 (1990) to 256.0 (2015) per 100,000 inhabitants (40.4%). The proportional decrease was similar in both sexes, but death rates in males were substantially higher. The reduction of age-standardized mortality rate was more significant for rheumatic heart disease (44.5%), ischemic cardiopathy (43.9%), and cerebrovascular disease (46.0%). The decline in mortality was markedly different across states, being more pronounced in those of the southeastern and southern regions and the Federal District, and more modest in most states in the north and northeast regions. Conclusion: Age-standardized CVD mortality has declined in Brazil in recent decades, but in a heterogeneous way across states and for different specific causes. Considering the burden magnitude and the Brazilian population aging, policies to prevent and manage CVD should continue to be prioritized. <![CDATA[Doença cerebrovascular no Brasil de 1990 a 2015: <em>Global Burden of Disease 2015</em>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200129&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Objetivo: Verificar as tendências temporais das taxas de mortalidade, dos anos de vida perdidos (years of life lost - YLL) e dos anos de vida perdidos devido à incapacidade (years lost due to disability - YLD) motivadas pela doença cerebrovascular no Brasil entre 1990 e 2015. Métodos: Utilizou-se as informações do Global Burden of Diseases 2015 (GBD 2015) para analisar a magnitude e as tendências das taxas de mortalidade e dos anos de vida ajustados por incapacidade (DALY - disability-adjusted life years) nas 27 unidades da Federação, entre 1990 e 2015, pela doença cerebrovascular (CID-10: I-60-69). Os estados brasileiros foram analisados pelo índice de desenvolvimento social (IDS), composto por renda per capita, proporção de escolaridade formal aos 15 anos e taxa de fecundidade. Resultados: Apesar do aumento do número absoluto de mortes pela doença cerebrovascular, a proporção de mortes abaixo dos 70 anos de idade reduziu pela metade entre 1990 e 2015. A aceleração da queda foi maior entre as mulheres, e mais acentuada no período de 1990 e 2005 do que de 2005 a 2015. O risco de morte reduziu-se à metade em todo o país; porém, os estados no tercil inferior tiveram reduções menos expressivas para homens e mulheres (respectivamente, -1,23 e -1,84% ao ano), comparados aos no tercil médio (-1,94 e -2,22%) e no tercil superior (-2,85 e -2,82%). Os anos perdidos por incapacidade também apresentam redução entre os estados, mas de forma menos expressiva. Conclusão: Apesar da redução das taxas ajustadas por idade em todo o país, a doença cerebrovascular ainda apresenta alta carga de doença, principalmente nos estados com menor desenvolvimento socioeconômico.<hr/>ABSTRACT: Objective: To verify the time trends of mortality rates, years of lost life (YLL), and years lived with disability (YLD) caused by cerebrovascular disease in Brazil between 1990 and 2015. Methods: The estimates from the Global Burden of Diseases 2015 were used to analyze the magnitude and trends of mortality rates and disability-adjusted life years (DALY) for cerebrovascular disease (ICD-10: I-60-69) in the 27 units of the Federation between 1990 and 2015. The states were analyzed by the social development index (SDI), based on average income per person, educational attainment at 15 years- old and total fertility rate. Results: Despite the increase in the absolute number of deaths due to cerebrovascular disease, the proportion of deaths below 70 years of age has been halved between 1990 and 2015. The acceleration of the reduction was higher among women; and increased from 1990 to 2005, when compared to the period from 2005 to 2015. The risk of death has been halved across the country, but states in the lower SDI tertile had less significant reductions (-1.23 and -1.84% a year) compared to the middle tertile (-1.94 and - 2.22%) and the upper tertile (-2.85 and -2.82%) for men and women, respectively. The years lived with disability also presented a reduction among states, but less expressively. Conclusion: Despite the reduction of age-adjusted mortality rates throughout the country, cerebrovascular disease still presents a high disease burden, especially in states with lower socioeconomic development. <![CDATA[Mortalidade e anos de vida perdidos por violências interpessoais e autoprovocadas no Brasil e Estados: análise das estimativas do Estudo Carga Global de Doença, 1990 e 2015]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200142&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Objetivo: Analisar a mortalidade e os anos de vida perdidos por morte ou incapacidade (Disability-Adjusted Life Years - DALYs) por violências interpessoais e autoprovocadas, comparando 1990 e 2015, no Brasil e nas Unidades Federadas, utilizando estimativas produzidas pelo estudo Carga Global de Doença 2015 (GBD 2015). Métodos: Análise de dados secundários das estimativas do GBD 2015, com produção de taxas padronizadas de mortes e DALYs. A principal fonte de dados de óbitos foi o Sistema de Informações sobre Mortalidade, submetido à correção do sub-registro de óbitos e redistribuição de códigos garbage. Resultados: De 1990 a 2015, observou-se estabilidade das taxas de mortalidade por homicídios, com variação percentual de -0,9%, passando de 28,3/100 mil habitantes (II 95% 26,9-32,1), em 1990, para 27,8/100 mil (II 95% 24,3-29,8), em 2015. As taxas de homicídio foram mais altas em Alagoas e Pernambuco, e ocorreu redução em São Paulo (-40,9%). As taxas de suicídio variaram em -19%, saindo de 8,1/100 mil (II 95% 7,5-8,6), em 1990, para 6,6/100 mil (II 95% 6,1-7,9), em 2015. Taxas mais elevadas ocorreram no Rio Grande do Sul. No ranking de causas externas por Disability-Adjusted Life Years (DALYs), predominaram as agressões por arma de fogo, seguidas de acidentes de transporte e em sexto lugar lesões autoprovocadas. Conclusões: O estudo aponta a importância das causas externas entre jovens e homens na morte prematura e em incapacidades, constituindo um problema prioritário no país. O estudo Carga Global de Doença poderá apoiar políticas públicas de prevenção de violência.<hr/>ABSTRACT: Objective: To analyze mortality and years of life lost due to death or disability (disability-adjusted life years - DALYs) for interpersonal violence and self-harm, comparing 1990 and 2015, in Brazil and Federated Units, using estimates produced by the Global Burden of Disease 2015 (GBD 2015). Methods: Secondary data analysis of estimates from the GBD 2015, producing standardized death rates and years of life lost due to death or disability. The main source of death data was the Mortality Information System, submitted to correction of underreporting of deaths and redistribution of garbage codes. Results: From 1990 to 2015, homicide mortality rates were stable, with a percentage variation of -0.9%, from 28.3/100 thousand inhabitants (95% UI 26.9-32.1) in 1990 to 27.8/100,000 (95% UI 24.3-29.8) in 2015. Homicide rates were higher in Alagoas and Pernambuco, and there was a reduction in São Paulo (-40.9%). Suicide rates decreased by 19%, from 8.1/100,000 (95% UI 7.5-8.6) in 1990 to 6.6/100,000 (95% UI 6.1-7,9) in 2015. Higher rates were found in Rio Grande do Sul. In the ranking of external causes for years of life lost due to death or disability (DALYs), firearm aggression predominated, followed by transportation accidents; self-inflicted injuries were in sixth place. Conclusions: The study shows the importance of external causes among young people and men as a cause of premature death and disabilities, which is a priority problem in the country. The Global Burden of Disease study may support public policies for violence prevention. <![CDATA[Acidentes de transporte terrestre: estudo Carga Global de Doenças, Brasil e unidades federadas, 1990 e 2015]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200157&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Objetivo: Descrever a carga global dos acidentes de transporte terrestres no Brasil e Unidades Federadas, em 1990 e 2015. Métodos: Análise dos dados secundários das estimativas do estudo Carga Global de Doenças 2015. Utilizam-se as estimativas de taxas padronizadas de mortalidade e anos de vida perdidos por morte ou incapacidade, anos potenciais de vida perdidos por morte prematura, e anos de vida não saudáveis. O Sistema de Informações sobre Mortalidade foi a principal fonte de dados de óbitos. Houve a correção do sub-registro e ajustes por códigos garbage. Resultados: No ano de 2015 foram estimados 52.326 óbitos por acidentes de transportes terrestres no Brasil. De 1990 a 2015, as taxas de mortalidade diminuíram de 36,9 para 24,8/100 mil habitantes, redução de 32,8%. Tocantins e Piauí têm os maiores riscos de mortalidade entre as unidades federadas (UF), com 41,7 e 33,1/100 mil, respectivamente. Ambos também têm as maiores taxas de anos potenciais de vida perdidos por morte prematura. Conclusão: Os acidentes de transportes terrestres constituem um problema de saúde pública. Utilizar anos de vida perdidos ajustados por morte ou incapacidade nos estudos dessas causas é importante, pois não existem fontes para conhecer a magnitude da incapacidade nem o peso das mortes precoces. O estudo Carga Global de Doenças, ao atualizar os dados anualmente, poderá fornecer evidências para a formulação de políticas de segurança no trânsito e de atenção à saúde, orientadas para as necessidades das UF e de diferentes grupos de usuários do trânsito.<hr/>ABSTRACT: Objective: To describe the global burden of disease due to road traffic accidents in Brazil and federated units in 1990 and 2015. Methods: This is an analysis of secondary data from the 2015 Global Burden of Disease study estimates. The following estimates were used: standardized mortality rates and years of life lost by death or disability, potential years of life lost due to premature death, and years of unhealthy living conditions. The Mortality Information System was the main source of death data. Underreporting and redistribution of ill-defined causes and nonspecific codes were corrected. Results: Around 52,326 deaths due to road traffic accidents were estimated in Brazil in 2015. From 1990 to 2015, mortality rates decreased from 36.9 to 24.8/100 thousand people, a reduction of 32.8%. Tocantins and Piauí have the highest mortality risks among the federated units (FU), with 41.7/100 and 33.1/100 thousand people, respectively. They both present the highest rates of potential years of life lost due to premature deaths. Conclusion: Road traffic accidents are a public health problem. Using death- or disability-adjusted life years in studies of these causes is important because there are still no sources to know the magnitude of sequelae, as well as the weight of early deaths. Since its data are updated every year, the Global Burden of Disease study may provide evidence to formulate traffic security and health attention policies, which are guided to the needs of the federated units and of different groups of traffic users. <![CDATA[Carga de doença por infecções do trato respiratório inferior no Brasil, 1990 a 2015: estimativas do estudo <em>Global Burden of Disease 2015</em>]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200171&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Introdução: Infecções do trato respiratório inferior (ITRi) apresentam incidência e mortalidade significativas no mundo. Este artigo apresenta o impacto das ITRi na carga de doença, segundo as métricas utilizadas no estudo Global Burden of Disease 2015 (GBD 2015) para o Brasil, em 1990 e 2015. Métodos: Análise de estimativas do GBD 2015: anos de vida perdidos por morte prematura (YLLs), anos vividos com incapacidade (YLDs) e anos de vida perdidos por morte ou incapacidade (DALYs = YLLs + YLDs). Resultados: As ITRi foram a terceira causa de mortalidade no Brasil em 1990 e 2015, com 63,5 e 47,0 mortes/100 mil habitantes, respectivamente. Embora o número absoluto de óbitos tenha aumentado 26,8%, houve redução de 25,5% nas taxas de mortalidade padronizadas por idade, sendo a redução mais marcante em menores de 5 anos. Também houve redução progressiva da carga da doença, expressa em DALYs. Discussão: Apesar da redução da carga da doença no período, as ITRi foram importante causa de incapacidade e a terceira causa de mortes no Brasil em 2015. O aumento do número de óbitos ocorreu devido ao aumento e envelhecimento populacional. A redução das taxas de mortalidade acompanhou a melhora das condições socioeconômicas, do acesso mais amplo aos cuidados de saúde, da disponibilidade nacional de antibióticos e das políticas de vacinação adotadas no país. Conclusão: Apesar das dificuldades socioeconômicas vigentes, constatou-se uma redução progressiva da carga das ITRi, principalmente na mortalidade e na incapacidade, e entre os menores de cinco anos de idade.<hr/>ABSTRACT: Introduction: Lower respiratory tract infections (LRTIs) present significant incidence and mortality in the world. This article presents the impact of LRTIs in the burden of disease, according to the metrics used in the Global Burden of Disease study (GBD 2015) for Brazil in 1990 and 2015. Methods: Analysis of estimates from the GBD 2015: years of life lost due to premature death (YLLs), years lived with disability (YLDs), years of life lost due to death or disability (DALYs = YLLs + YLDs). Results: LRTIs were the third cause of mortality in Brazil in 1990 and 2015, with 63.5 and 47.0 deaths/100,000 people, respectively. Although the number of deaths increased 26.8%, there was a reduction of 25.5% in mortality rates standardized by age, with emphasis on children under 5 years of age. The disability indicators, as measured by the DALYs, demonstrate a progressive reduction of the disease burden by LRTIs. Discussion: Despite the reduction in mortality rates in the period, LRTIs were an important cause of disability and still the third cause of death in Brazil in 2015. The increase in the number of deaths occurred due to the increase in population and its aging. The reduction in mortality rates accompanied the improvement of socioeconomic conditions, broader access to health care, national availability of antibiotics, and vaccination policies adopted in the country. Conclusion: Despite the current socioeconomic difficulties, there has been a progressive reduction of the LRTIs load effect in Brazil, mostly in mortality and disability, and among children under 5 years of age. <![CDATA[Mortalidade por HIV/Aids no Brasil, 2000-2015: motivos para preocupação?]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200182&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Introdução e objetivo: Estudos de mortalidade são fundamentais no monitoramento da epidemia de HIV/Aids. Qualidade e completude dos dados do sistema de informação de mortalidade (SIM) requerem abordagens complementares. Métodos: Foram utilizadas duas fontes de dados para avaliação das tendências de mortalidade por HIV/Aids no Brasil entre 2000 e 2014/15: a) dados do SIM publicados pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais; e b) estudos de carga de doença 2015 (GBD 2015). Foi conduzida a análise descritiva e realizada uma comparação das tendências de redução relativa dos coeficientes de mortalidade por 100 mil, padronizados por idade. Resultados: A magnitude dos coeficientes de mortalidade estimados pelo GBD para o Brasil e estados foi maior do que a daqueles obtidos pelo SIM. A redução relativa foi maior para os dados gerados pelo SIM e houve mudança de ranking de acordo com os estados. Entre 2000 e 2014/15, houve aumento nos coeficientes de mortalidade para a maioria dos estados (78 e 88%, segundo o SIM e o GBD, respetivamente). Conclusões: São preocupantes os dados sobre mortalidade por HIV/Aids no Brasil, independentemente do método utilizado. As diferenças de magnitude, redução relativa e ranking podem ser atribuídas a diferenças metodológicas, sendo o GBD mais abrangente e com maior capacidade de captar dados classificados incorretamente, não registrados ou não codificados como causa de óbito devido ao HIV/Aids. O estudo de fontes complementares e metodologias alternativas podem fornecer importantes subsídios para as políticas públicas de HIV/Aids no Brasil.<hr/>ABSTRACT: Introduction and objective: Mortality studies are essential for the monitoring of the HIV/AIDS epidemic. Quality and completeness of data from the mortality information system (SIM) require complementary approaches. Methods: Two sources of data were used to assess mortality trends due to HIV/AIDS in Brazil from 2000 and 2014/15: a) data from the SIM published by the Department of STDs, AIDS, and viral hepatitis, and b) Global Burden of Disease 2015 (GBD 2015) studies. Descriptive analyses were carried out and trends in relative reduction of age-adjusted mortality rates per 100,000 inhabitants were compared according to the two methods. Results: Overall, the magnitude of the mortality rates estimated by the GBD method, for Brazil and its Federative Units (FU), was greater than those obtained from the SIM. The relative reduction was higher for SIM data and there were shifts in the ranking according to the FUs. Between 2000 and 2014/15 there was an increase in the mortality rates for most of the FUs (78 and 88% according to the SIM and GBD, respectively). Conclusion: Data regarding mortality due to HIV/AIDS in Brazil should be of concern, regardless of the method used. Differences in magnitude, relative reductions, and ranking can be attributed to methodological differences, but the GBD is broader, with a higher capacity to capture incorrectly classified data and causes of death not registered or not coded as being due to HIV/AIDS. Alternative and complementary data sources can provide important information for HIV/AIDS public policies in Brazil. <![CDATA[A carga dos transtornos mentais e decorrentes do uso de substâncias psicoativas no Brasil: Estudo de Carga Global de Doença, 1990 e 2015]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200191&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Introdução: Os transtornos mentais e decorrentes do uso de substâncias psicoativas (TM) são altamente prevalentes, gerando elevado custo social e econômico. Objetivo: Descrever a carga dos TM no Brasil e Unidades Federativas (UFs), em 1990 e 2015. Métodos: Estudo descritivo da carga de doença dos TM, por meio de estimativas padronizadas por idade do Global Burden of Disease Study 2015: anos de vida perdidos por morte prematura (YLL); anos vividos com incapacidade (YLD); e anos de vida perdidos por morte ou incapacidade (DALY=YLL+YLD). Resultados: No Brasil, apesar da baixa taxa de mortalidade, observa-se alta carga para os TM desde 1990, com elevados YLD. Em 2015, esses transtornos foram responsáveis por 9,5% do total de DALY, ocupando a 3ª e a 1ª posições na classificação de DALY e YLD, respectivamente, com destaque para os transtornos depressivos e de ansiedade. Os transtornos decorrentes do uso de drogas apresentaram a maior elevação das taxas de DALY entre 1990 e 2015 (37,1%). A maior proporção de DALY ocorreu na idade adulta e no sexo feminino. Não houve diferenças substanciais na carga dos TM entre as UFs. Conclusão: Apesar da baixa mortalidade, os TM são altamente incapacitantes, indicando necessidade de ações preventivas e protetivas, principalmente na atenção primária em saúde. A homogeneidade das estimativas em todas as UFs, obtidas a partir de estudos realizados majoritariamente nas regiões Sul e Sudeste, provavelmente não reflete a realidade do Brasil, e indica necessidade de estudos em todas as regiões do país.<hr/>ABSTRACT: Introduction: Mental and substance use disorders (MD) are highly prevalent and have a high social and economic cost. Objective: To describe the burden of disease attributable to mental and substance use disorders in Brazil and Federated Units in 1990 and 2015. Methods: Descriptive study of the burden of mental and substance use disorders, using age-standardized estimates from the Global Burden of Disease Study 2015: years of life lost due to premature mortality (YLL); years lived with disability (YLD); and disability-adjusted life year (DALY=YLL+YLD). Results: In Brazil, despite low mortality rates, there has been a high burden for mental and substance use disorders since 1990, with high YLD. In 2015, these disorders accounted for 9.5% of all DALY, ranking in the third and first position in DALY and YLD, respectively, with an emphasis on depressive and anxiety disorders. Drug use disorders had their highest increase in DALY rates between 1990 and 2015 (37.1%). The highest proportion of DALY occurred in adulthood and in females. There were no substantial differences in burden of mental and substance use disorders among Federated Units. Conclusion: Despite a low mortality rate, mental and substance use disorders are highly disabling, which indicates the need for preventive and protective actions, especially in primary health care. The generalization of estimates in all the Federated Units obtained from studies conducted mostly in the south and southeast regions probably does not reflect the reality of Brazil, indicating the need for studies in all regions of the country. <![CDATA[Aumento da carga de dengue no Brasil e unidades federadas, 2000 e 2015: análise do <em>Global Burden of Disease Study</em> 2015]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200205&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Objetivo: Descrever as principais métricas sobre dengue geradas pelo Global Burden of Disease (GBD) Study 2015, para o Brasil e suas 27 unidades federadas, nos anos de 2000 e 2015. Métodos: As métricas descritas foram: taxas de incidência e de mortalidade por dengue, padronizadas por idade, years of life lost (YLL), years lived with disability (YLD) e disability adjusted life years (DALY) (frequência absoluta e taxas padronizadas por idade). As métricas estimadas foram apresentadas com intervalos de incerteza (II 95%) para 2000 e 2015, acompanhadas da variação relativa percentual. Resultados: Verificou-se aumento de 232,7% no número de casos e de 639,0% no número de mortes entre os anos de 2000 e 2015 no país. A taxa de incidência variou 184,3% e a taxa de mortalidade mostrou-se baixa, mas com aumento de 500,0% no período avaliado. As taxas de YLL, YLD e DALY aumentaram 420,0, 187,2 e 266,1%, respectivamente. Em 2015, DALY foi semelhante entre mulheres e homens (21,9/100.000). O DALY aumentou mais que o dobro em todas as unidades da federação. Conclusão: O aumento acentuado de dengue ao longo dos anos associa-se à introdução e/ou circulação de um ou mais sorotipos do vírus e crescente proporção de pacientes acometidos pela forma grave da doença. Apesar da baixa taxa de mortalidade, a dengue contribui para considerável perda de anos saudáveis de vida no Brasil por acometer elevado número de pessoas, de todas as faixas etárias, ocasionando algum grau de incapacidade durante a infecção sintomática, e em razão dos óbitos, principalmente, em crianças.<hr/>ABSTRACT: Objective: To describe the main metrics on dengue generated by Global Burden of Disease (GBD) Study 2015, for Brazil and its 27 federated units, in the years 2000 and 2015. Methods: The metrics described were: incidence and mortality rates by dengue, standardized by age, years of life lost (YLL), years lived with disability (YLD), and disability-adjusted life years (DALY) (in absolute frequency and age-standardized rates). The estimated metrics were presented with uncertainty intervals (UI 95%) for the years 2000 and 2015, accompanied by the relative percentages of changes. Results: The number of cases increased 232.7% and the number of deaths increased 639.0% between 2000 and 2015 in the country. The incidence rate varied 184.3% and the mortality rate was low, but with an increase of 500.0% in the period evaluated. The YLL, YLD, and DALY rates increased 420.0, 187.2, and 266.1%, respectively. In 2015, DALY was similar among women and men (21.9/100,000). The DALY increased more than double in all the Brazilian federated units. Conclusion: The marked increase in dengue over the years is associated with the introduction and/or circulation of one or more serotypes of the transmitter virus and an increasing proportion of patients affected by the severe form of the disease. Despite the low mortality rate of the disease in comparison between the years of study, the disease contributes to the loss of healthy years of life in Brazil as it affects a large number of people, from all age groups, causing some degree of disability during the infection and deaths, especially, in children. <![CDATA[Fatores de risco relacionados à carga global de doença do Brasil e Unidades Federadas, 2015]]> http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2017000200217&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO: Objetivo: Analisar a carga global de doença, quanto aos anos de vida ajustados por incapacidade (disability adjusted life years - DALYs) atribuídos a fatores de risco (FRs) selecionados, para Brasil e 27 Unidades Federadas (UFs). Métodos: Foram utilizadas bases de dados do estudo Carga Global de Doença (Global Burden of Disease - GBD) para Brasil e UFs estimando a síntese de exposição de risco (summary exposure value - SEV) para FRs selecionados, incluindo os ambientais, comportamentais, metabólicos e suas combinações. Os DALYs foram usados como métrica principal do estudo. Construiu-se o ranking dos principais FRs entre 1990 e 2015, com comparações por sexo e UF. Resultados: Os FRs analisados explicariam 38,8% da perda de DALYs no país. A dieta inadequada foi a principal causa de DALYs em 2015. Em homens, a dieta inadequada contribuiu com 12,2% dos DALYs, e, em mulheres, com 11,1% deles. Outros FRs importantes foram: pressão arterial sistólica elevada, índice de massa corporal (IMC) elevado, tabagismo, glicose sérica elevada; entre homens, destaca-se o uso de álcool e drogas. Os principais FRs foram metabólicos e comportamentais. Na maioria das UFs, predominou a dieta inadequada, seguida da pressão arterial elevada. Conclusão: A dieta inadequada lidera o ranking de FRs para Brasil e UF. Os homens estão mais expostos aos FRs comportamentais, e as mulheres, aos metabólicos.<hr/>ABSTRACT: Objective: To analyze the global burden of disease related to disability adjusted life years (DALYs) attributed to selected risk factors in Brazil and its 27 Federated Units. Methods: Databases from the Global Burden of Disease study in Brazil and its Federated Units were used, estimating the summary exposure value (SEV) for selected environmental, behavioral, and metabolic risk factors (RFs), and their combinations. The DALYs were used as the main metric. The ranking of major RFs between 1990 and 2015 was compiled, comparing data by sex and states. Results: The analyzed RFs account for 38.8% of the loss of DALYs in the country. Dietary risks was the main cause of DALYs in 2015. In men, dietary risks contributed to 12.2% of DALYs and in women, to 11.1%. Other RFs were high systolic blood pressure, high body mass index, smoking, high fasting plasma glucose and, among men, alcohol and drug use. The main RFs were metabolic and behavioral. In most states, dietary risks was the main RF, followed by high blood pressure. Conclusion: Dietary risks leads the RF ranking for Brazil and its Federated Units. Men are more exposed to behavioral risk factors, and women are more exposed to metabolic ones.