SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.42 número5Fatores associados ao acesso anterior à gestação a serviços de saúde por adolescentes gestantesUtilização do Programa de Saúde da Família em regiões metropolitanas: abordagem metodológica índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Page  

Revista de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0034-8910

Resumo

OLIVEIRA, Maria Inês Couto de; DIAS, Marcos Augusto Bastos; CUNHA, Cynthia B  e  LEAL, Maria do Carmo. Qualidade da assistência ao trabalho de parto pelo Sistema Único de Saúde, Rio de Janeiro (RJ), 1999-2001. Rev. Saúde Pública [online]. 2008, vol.42, n.5, pp. 895-902. ISSN 0034-8910.  http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102008000500015.

OBJETIVO: A qualidade da assistência ao trabalho de parto tem sido reconhecida na prevenção de complicações obstétricas que podem levar à morbi-mortalidade materna, perinatal e neonatal. O objetivo do estudo foi analisar a qualidade da assistência ao trabalho de parto segundo o risco gestacional e tipo de prestador. MÉTODOS: Estudo transversal de observação da assistência ao trabalho de parto de 574 mulheres, selecionadas por amostra estratificada em 20 maternidades do Sistema Único de Saúde do Rio de Janeiro (RJ), entre 1999 e 2001. A qualidade da assistência foi analisada segundo o risco gestacional e o tipo de prestador. Utilizaram-se procedimentos estatísticos de análise de variância e de diferença de proporções. RESULTADOS: Do total da amostra, 29,6% das gestantes foram classificadas como de risco. Apesar da hipertensão ser a causa mais importante de morte materna no Brasil, a pressão arterial não foi aferida em 71,6% das gestantes durante a observação no pré-parto. Em média foram feitas cinco aferições por parturiente, sendo o menor número nos hospitais conveniados privados (média de 2,9). Quanto à humanização da assistência, observou-se que apenas 21,4% das parturientes tiveram a presença de acompanhante no pré-parto, 75,7% foram submetidas à hidratação venosa e 24,3% à amniotomia. O único tipo de cuidado que variou segundo o risco obstétrico foi a freqüência da aferição da pressão arterial, em que as gestantes de risco foram monitoradas o dobro de vezes em relação às demais (média de 0,36 x 0,18 aferições/h respectivamente, p=0,006). CONCLUSÕES: De modo geral, as gestantes de baixo risco são submetidas a intervenções desnecessárias e as de alto risco não recebem cuidado adequado. Como conseqüência, os resultados perinatais são desfavoráveis e as taxas de cesariana e de mortalidade materna são incompatíveis com os investimentos e a tecnologia disponível.

Palavras-chave : Trabalho de Parto; Assistência Perinatal; Serviços de Saúde Materno-Infantil; Qualidade da Assistência à Saúde; Estudos Transversais.

        · resumo em Inglês | Espanhol     · texto em Português     · pdf em Português