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Revista Panamericana de Salud Pública

versión impresa ISSN 1020-4989

Resumen

CATAPRETA, Cícero Antônio Antunes  y  HELLER, Léo. Associação entre coleta de resíduos sólidos domiciliares e saúde, Belo Horizonte (MG), Brasil. Rev Panam Salud Publica [online]. 1999, vol.5, n.2, pp. 88-96. ISSN 1020-4989.  http://dx.doi.org/10.1590/S1020-49891999000200003.

Existem poucos estudos publicados sobre o efeito da coleta inadequada de resíduos sólidos sobre a saúde da população exposta a estes resíduos. O objetivo do presente trabalho foi descrever esta associação em uma amostra de crianças menores de 5 anos, moradoras de sete vilas e favelas em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Foram consideradas expostas as crianças cujas famílias não eram beneficiadas pela coleta; não expostas eram as crianças cujas famílias moravam em zonas de coleta. Foi empregado o delineamento epidemiológico seccional, sendo definidos como "casos" os registros ambulatoriais secundários que indicavam doenças diarréicas, parasitárias e dermatológicas. Paralelamente, as demais notificações observadas para a mesma faixa etária constituíram o grupo controle. O estudo foi realizado com base em dados de 1994, sendo que os dados sobre incidência das doenças que caracterizaram os casos, assim como os registros empregados para a composição da amostra de controles, foram obtidos junto ao sistema informatizado da Secretaria Municipal da Saúde. O estudo epidemiológico desenvolvido revelou associação entre ausência de coleta de resíduos sólidos domiciliares e saúde pública. Os resultados sugerem que a população infantil exposta à ausência de serviços de coleta dos resíduos sólidos domiciliares possui 40% (razão de possibilidades de ocorrência ou odds ratio da ordem de 1,40) mais oportunidade de apresentar doenças diarréicas, parasitárias e dermatológicas do que a população não exposta. Além disso, o cálculo do risco atribuível populacional revelou que a universalização da coleta de lixo poderia evitar, considerando o quadro existente em 1995, 512 casos entre crianças nas vilas e favelas estudadas e, para a situação existente em 1994, 2316 casos entre a população infantil em toda a cidade de Belo Horizonte.

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