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Revista Panamericana de Salud Pública

Print version ISSN 1020-4989

Abstract

BARRETO, Ivana C. H. C.; PONTES, Lígia Kerr  and  CORREA, Luciano. Vigilância de óbitos infantis em sistemas locais de saúde: avaliação da autópsia verbal e das informações de agentes de saúde. Rev Panam Salud Publica [online]. 2000, vol.7, n.5, pp. 303-312. ISSN 1020-4989.  http://dx.doi.org/10.1590/S1020-49892000000500003.

Conhecer os eventos vitais de uma população é de fundamental importância para combater a morbimortalidade e melhorar as condições de vida. Contudo, no Brasil, os sistemas de informação de saúde têm-se mostrado ineficientes. No presente estudo, realizado em três municípios do Estado do Ceará (Quixadá, Icapuí e Jucás), com boa cobertura de serviços de atenção primária à saúde, foram investigados, através de um instrumento epidemiológico denominado autópsia verbal, 215 óbitos de crianças menores de 1 ano de idade, representando 90% do total dos óbitos em 1993 e 1994. Foram averiguadas as características socioeconômicas, cuidados e higiene, estado nutricional, o processo de doença, assistência e morte, a causa básica do óbito e o funcionamento do sistema de informação sobre mortalidade e do sistema de informação de agentes de saúde. Segundo a autópsia verbal, 39% dos óbitos tiveram como causa básica a diarréia, seguida da prematuridade (17%) e infecção respiratória aguda (10%); 49% das crianças morreram no domicílio, embora 79% das famílias tenham procurado os serviços de saúde no decorrer da doença fatal, sugerindo uma baixa efetividade na identificação e no tratamento de lactentes com doenças graves. Em 84% dos casos, a família procurou a rezadeira. Os agentes de saúde foram procurados em 29% dos casos, embora tenham notificado 78% dos óbitos investigados. A concordância estatística entre diagnóstico dos agentes de saúde para a causa básica do óbito e autópsia verbal foi boa para a diarréia, regular para outras causas, e fraca para a infecção respiratória aguda. A incorporação da autópsia verbal à rotina dos serviços de atenção primária à saúde do Estado propiciaria informações valiosas para as equipes locais de saúde e geraria uma consciência crítica que favorece a redução da mortalidade infantil.

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