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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.3 n.2 São Paulo Dec. 1969

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101969000200004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Contribuição ao levantamento da carta planorbídica do Estado de São Paulo. Pesquisa de focos com formas evolutivas do Schistosoma mansoni. II. Município de Peruibe (Litoral Sul do Estado de São Paulo)

 

Contribution to the survey of the planorbid chart of the State of São Paulo (Brazil). Investigation of foci with evolutive forms of Schistosoma mansoni. II. Peruibe county (Southern coast of the State of São Paulo)

 

 

Mário Demar PerezI; Paulo de Toledo ArtigasII

IDa Cadeira de Parasitologia da Faculdade de Farmácia e Bioquímica da USP e do Instituto Butantan. São Paulo, Brasil
IIDa Cadeira de Parasitologia da Faculdade de Farmácia e Bioquímica da USP. São Paulo, Brasil

 

 


RESUMO

Em levantamento realizado em Peruibe, em janeiro de 1966, foram identificados focos de Biomphalaria tenagophila infestados com formas evolutivas do Schistosoma mansoni.


SUMMARY

In this work the occurence of Biomphalaria tenagophila naturally parasited by evolutive forms of Schistosoma mansoni is registered in the city of Peruibe, situated in the Southern Littoral of the State of São Paulo (Brazil). Besides B. tenagophila, in the region it occurs also Drepanotrema cimex, a species not proved to be a host of Schistosoma mansoni and whose occurence had not yet been recorded in Peruibe.


 

 

INTRODUÇÃO

Paralelamente ao Censo coprológico e à pesquisa de casos autóctones de esquistossomose mansônica, realizados no município de Peruibe, litoral sul do Estado de São Paulo (ARTIGAS & PEREZ¹, 1966 e ARTIGAS, PEREZ & BAGGIO 2, 1966), foram procurados, em quase todos os biótopos (valas, alagadiços, lagoas e córregos) existentes na zona urbana, focos de planorbídeos, não só para a identificação específica dos mesmos, como também para a localização de exemplares infestados por Schistosoma mansoni.

 

MÉTODOS DE TRABALHO

A coleta de planorbídeos foi realizada, em geral, em períodos compreendidos entre 10 e 17 horas (horário de verão).

Na tentativa de se surpreenderem cercárias livres, foram recolhidas e examinadas, no próprio local, amostras de água.

Os exemplares, no laboratório, eram distribuídos em frascos de Borrei contendo água até cêrca de um terço de sua capacidade. A pesquisa das formas evolutivas do trematóide foi feita por:

1) Eliminação natural das cercárias; diàriamente, durante cinco dias, os moluscos eram examinados com lupa manual;

2) Os que se mostravam negativos, no fim dêsse período, eram dilacerados, com o auxílio de pinças e observados em lupa estereoscópica.

A fim de que não pairassem dúvidas quanto a especificidade das cercárias, infestamos, em São Paulo, um camundongo de nosso biotério, mantendo a metade caudal do corpo em contacto com água contendo as referidas formas infestantes.

 

RESULTADOS

Na zona urbana foram identificadas duas espécies, Biomphalaria tenagophila (D'Orbigny, 1835) e Drepanotrema cimex (Moricand, 1937). Um exemplar que, dado seu estado, não foi possível identificar satisfatòriamente, parece ser de D. depressissimus (Moricand, 1837).

Os focos de B. tenagophila positivos para Schistosoma mansoni apresentaram os índices de infestação: 0,13% (em 75 exemplares coletados e examinados), 2,00% (em 50), 0,34% (em 34), 2,12% (em 94) e 1,93% (em 155) (Ver Tabela).

Na zona rural foram realizadas pesquisas apenas nas Fazendas São João e Santa Izabel, com resultados negativos quanto a planorbídeos. Oportunamente êsse trabalho será extendido ao restante da área.

Os exames das amostras de água mostraram-se negativos.

Com cercárias eliminadas expontâneamente de um exemplar 10 dias após sua coleta, foi infestado um camundongo. Infestação 001/66M; êste material pertencia ao último lote coletado durante a Jornada, isto é, no dia do retôrno a São Paulo. A perfusão do sistema porta-hepático do referido animal, realizada quatro meses após a infestação, foi positiva, com 19 fêmeas do Schistosoma mansoni.

 

DISCUSSÃO

O encontro de B. tenagophila no município em estudo já tinha sido relatado em trabalho publicado em 1962, por CORRÊA et al. 3, que não encontraram, entretanto, exemplares infestados com Schistosoma mansoni.

 

Figura

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ARTIGAS, P. T. & PEREZ, M. D. – Casos autóctones de esquistossomose mansônica no município de Peruibe (litoral sul de São Paulo). Nota prévia. Rev. paul. Med., 69:55-56, jul. 1966.        [ Links ]

2. ARTIGAS, P. T.; PEREZ, M. D. & BAGGIO, D. – Censo coprológico no município de Peruibe (litoral sul do Estado de São Paulo). Nota prévia. Rev. paul. Med., 69:55, jul. 1966.        [ Links ]

3. CORRÊA, R. R. et al. – Planorbídeos do Estado de São Paulo, sua relação com a esquistossomose mansoni. Arq. Hig., S. Paulo, 27:139-159, 1962.        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 16-4-1969