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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.3 n.2 São Paulo Dec. 1969

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101969000200011 

ARTIGO ORIGINAL

 

Recursos existentes de pessoal médico e para-médico na região do Grande São Paulo (Brasil) em 1966

 

Medical and paramedical resources in the area of the "Greater São Paulo" (Brazil) in 1966

 

 

João Yunes

Do Centro de Estudos de Dinâmica Populacional, anexo à Cadeira de Estatística Aplicada à Saúde Pública da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da USP, São Paulo – Brasil e da Clínica Pediátrica da Faculdade de Medicina da USP, São Paulo – Brasil

 

 


RESUMO

Foram relatados os recursos médicos e para-médicos existentes na região do Grande São Paulo, em 1966, último ano em que os dados foram disponíveis. Em relação ao pessoal médico, o número de habitantes encontrados por médico variou de 1008 a 17 732 pessoas, respectivamente para os municípios de São Paulo e Itaquaquecetuba. Para a região do Grande São Paulo, como um todo, constatou-se a existência de 5 290 médicos, contrastados com 5 074 encontrados no município de São Paulo, o que permitiu a relação de 1286 habitantes por médico para esta Região. Adotando-se como satisfatória a proporção de um médico por cada 1000 habitantes, com exceção do município de São Paulo, "todos os outros municípios que compõe a área do Grande São Paulo, apresentaram-se abaixo do número ideal de médicos. Dos 38 municípios componentes da área de estudo, 12 não possuem nenhum médico, o que faz com que 102322 habitantes, teoricamente, estejam descobertos por este tipo de profissional. Quanto ao pessoal para-médico, constatou-se a sua grande concentração nas áreas mais urbanizadas e desenvolvidas economicamente, que é o município de São Paulo, chamando a atenção o reduzido número de enfermeiras diplomadas, nutricionistas, técnicos de laboratório e outros profissionais afins em tôda a área do Grande São Paulo. Cêrca de 50% ou mais dos municípios da área de estudo não apresentaram nas unidades hospitalares e para-hospitalares nenhum dêstes tipos de profissionais.


SUMMARY

This paper refers to the medical and paramedical resources existing in the area of the "Greater São Paulo", Brazil, in 1966, the last year on which there were available data. Considering the medical personnel, the number of inhabitants per each doctor was found to be 1008 to 17732, in the counties of São Paulo and Itaquaquecetuba, respectively. With respect to the area of the "Greater São Paulo", as a whole, there existed 5290 doctors, while for the county of São Paulo the number was 5074, which gives 1286 inhabitants per each doctor in this region. It the proposion of one doctor per 1000 inhabitants can be considered satisfactory, all the other components of the "Greater São Paulo" area except for the county of São Paulo, present an unsatisfactory level. Of those 38 components of the studied area, 12 have no doctor at all, which causes a total of 102322 inhabitants to be without medical assistance. As to the auxiliar health personnel, it was found to exist in greater concentration in the more urbanized and economically developed area, i.e., the county of São Paulo. It should be taken into account the reduced number of graduate nurses, nutricionists, laboratory technicians, and other related professionals in the area of the "Greater São Paulo". Approximately 50% of the counties in this area have not any kind of these professionals in their hospitals and parahospital units.


 

 

Analisamos os recursos de pessoal médico e para-médico para a área do Grande São Paulo, que inclui 38 municípios, de acôrdo com as suas várias regiões componentes. Caracterizamos como pessoal para-médico os outros profissionais não médicos, que fazem parte da equipe de saúde, tais como: enfermeiras, nutricionistas, auxiliares de enfermagem e outros.

 

1. SITUAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO PESSOAL MÉDICO

Na Tabela 1 pode-se notar que há diferença na distribuição dos médicos residentes nos municípios que compõem a Região do Grande São Paulo, em exercício da atividade profissional, apresentando uma variação máxima de l 008 a 17.732 habitantes por médico, respectivamente, para os municípios de São Paulo e Itaquaquecetuba. O município que apresenta maior número de médicos é o de São Paulo, contando com 5.074 profissionais e os que apresentam o menor, contando somente com um médico, são os municípios de Itapecerica da Serra, Itaquaquecetuba, Pirapora do Bom Jesus e Salesópolis. Todos os outros municípios apresentam um número de médicos que oscila entre 2 e 57, ou não apresentam nenhum médico, como será analisado mais adiante. Por esta tabela, podemos concluir que os médicos se concentram nas populações de maior concentração urbana e de melhor situação sócio-econômica.

No município de São Paulo existem 5.074 médicos, correspondendo a 1.008 habitantes por médico ou cêrca de um médico por 1.000 Habitantes. Considerando-se agora o Grande São Paulo, como um todo, teremos 5.290 médicos para os seus 38 municípios, oferecendo-nos uma proporção de 1.286 habitantes por médico.

Se compararmos os padrões acima com os propostos, em geral, por outros países que mencionam como satisfatória a proporção de um médico por cada 1.000 habitantes, podemos concluir que com exceção do município de São Paulo, as outras regiões da área do Grande São Paulo apresentam-se abaixo do número ideal de médicos. Se esta comparação fôr feita com o padrão proposto pela Organização Panamericana de Saúde de um médico para cada 770 habitantes, nenhum município que compõe a área do Grande São Paulo estaria dentro dêste ideal, nem mesmo o município de São Paulo.

Além do número de médicos por 1.000 habitantes ser baixo para a região do Grande São Paulo, muitos dos seus municípios não apresentam nenhum médico, o que pode ser constatado pela Tabela 2.

Analisando-se, portanto, o Grande São Paulo como um todo, são 12 os municípios sem nenhum médico, estando uma população de 102.322 habitantes, teòricamente descoberta pelo profissional médico.

Esta situação caracteriza muito bem a distribuição irregular dêstes profissionais, e entre os principais fatôres contribuintes para esta situação pode-se citar a baixa densidade demográfica em muitos dêstes municípios, inexistência de retaguarda hospitalar, precariedade dos equipamentos sociais existentes, assim como a carência de planejamento pelos serviços oficiais de saúde pública.

 

2. SITUAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO PESSOAL PARA-MÉDICO

O estudo e análise dêstes profissionais encontram-se bastante prejudicados pela falta de dados que permitam conhecer a sua situação real. Para se ter pelo menos idéia, analisaremos os dados coletados pelo Departamento Estadual de Estatística (DEE) do número de distribuição dos profissionais que trabalham em unidades hospitalares e para-hospitalares. Estes dados foram conseguidos através da aplicação de um questionário que, segundo informação do DEE, foram respondidos em sua grande maioria. Apresentam, porém, uma limitação em sua análise e interpretação, pois um profissional pode entrar como membro de uma unidade hospitalar e para-hospitalar mais de uma vez, desde que êste elemento trabalhe em mais de uma unidade. Apesar disto, os dados a serem estudados permitem um diagnóstico global de nossa realidade.

A Tabela 3 apresenta o total de profissionais por tipo que lotam as unidades hospitalares e para-hospitalares do município de São Paulo. Mais uma vez constata-se que há concentração do pessoal profissional de saúde na área mais urbanizada e desenvolvida econômicamente, o município de São Paulo, o que pode ser constatado também pela Tabela 4, onde apresentamos o número dêstes profissionais por 10.000 habitantes.

A precariedade da existência dêstes profissionais, aumenta à medida que se caminha do município de São Paulo para as regiões mais periféricas do Grande São Paulo. A situação desta última área é ainda pior excluindo-se o município de São Paulo, se levarmos em conta que a maioria do pessoal para médico existente está concentrado nos hospitais psiquiátricos do município de Franco da Rocha. É patente também, a situação calamitosa em que se encontram certas profissões, onde a existência de pessoal disponível para a saúde é bastante precária, chamando-nos a atenção o reduzido número de enfermeiras diplomadas, nutricionistas, técnicos de laboratório e outros profissionais afins, indispensáveis para a melhoria do padrão quantitativo e qualitativo de atendimento médico. Como constatamos em análises anteriores, a Tabela 5 confirma bem esta idéia onde apresentamos o número de municípios que não apresentam nenhum tipo de profissional para-médico em suas unidades hospitalares e para-hospitalares. Cêrca de 50% ou mais, dos municípios do Grande São Paulo não apresentam nestas unidades nenhum dos seguintes tipos de profissionais: farmacêutico, enfermeiras diplomadas, técnico de laboratório, técnico auxiliar de Raio X, prático de enfermagem e parteira.

 

 

Sendo o setor saúde eminentemente produtor de serviços, uma das formas mais eficientes de melhorar sua produtividade será aumentar e capacitar cada vez mais os profissionais médicos e para-médicos encarregados de suas variadas e, muitas vezes, complexas tarefas.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

La ENSEÑANZA de la medicina: hoy y mañana. Bol. Ofic. sanit. panamer., 64:363-364, abr. 1968.        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 1-9-1969