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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.3 n.2 São Paulo Dec. 1969

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101969000200013 

COMUNICAÇÃO

 

Variação nas proteínas da hemolinfa de Triatoma infestam

 

Variation on hemolymph proteins of Triatoma infestans

 

 

Silvio Almeida Toledo F.ºI; João S. MorganteI; Edmundo JuarezII

IDo Departamento de Biologia Geral da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP – São Paulo, Brasil
IIDa Cadeira de Epidemiología da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da USP – São Paulo, Brasil

 

 


RESUMO

Foram analisados os padrões de proteínas da hemolinfa de T. infestam adultos por meio da técnica de eletroforese em gel de agar. Os resultados sugeriram a existência de 8 padrões diferentes contendo entre 10 e 14 frações proteicas. Estas variações apresentam grande interêsse biológico e epidemiológico.


SUMMARY

The hemolymph proteins of Triatoma infestans, that is a bloodsucking insect of medical importance, by means of electrophoresis in agar gel, was studied. The results show an intraspecific variation. Eight different electrophoretic patterns were detected in adults. It seems that the variations described were not reported before in the literature. This field of research has great significance for genetic and epidemiologic studies, as T. infestans is an important Chagas disease vector.


 

 

Coletamos cêrca de 5 ml de hemolinfa de cada animal por secção de uma das patas ou por incisão no tórax com um alfinête entomológico. Com o auxílio de um capilar a hemolinfa foi aplicada diretamente em uma fenda feita no gel de agar. A eletroforese foi realizada em lâminas de microscópio (2,5 X 7,5 cm), sôbre as quais aplicamos uma camada de 1 mm de gel de agar tamponado (1% de agar purificado da Difco em tampão barbital pH = 8,4, f .i. = 0,05) (WIEME ²). Aplicamos uma corrente estabilizada de 10 mA por lâmina, durante 40 min a uma temperatura de 4ºC aproximadamente. Após a fixação e secagem, o material foi corado com amidoblack 10 B.

Até o momento foram estudados os padrões de proteínas de 85 animais adultos, de ambos os sexos, com 7 dias de idade, e sempre livres de T. cruzi. Verificamos a existência de variação no padrão proteico, e pudemos distinguir 8 padrões diferentes (Figura).

Êstes padrões eletroforéticos apresentaram entre 14 e 10 frações proteicas (Figura). Os vários padrões têm freqüenciais diferentes na amostra analisada, encontrando-se aproximadamente 70% do padrão C e 20% do padrão G. Estas Freqüências variaram entre populações geogràficamente diferentes. O padrão G, por exemplo, parece ser mais freqüente em amostras de populações coletadas no Paraguai. Salientamos que não encontramos diferenças entre os sexos e entre adultos com diferentes idades. O mesmo padrão manteve-se também após a postura e a alimentação; neste último caso verificamos diferenças quantitativas em algumas frações após a alimentação do animal. Isto entretanto não altera o padrão específico.

Tanto quando pudemos apurar na literatura, as variações nas proteínas da hemolinfa de T. infestans adultos aqui descritas, não haviam sido relatadas anteriormente. VAN SANDE & KARCHER ¹ que analisaram 7 espécies de Triatominae, não encontraram variação no padrão proteico de adultos de T. infestans; descreveram um único padrão que acreditamos ser o C, que é o mais freqüente em nossa amostra.

Estas variações apresentam grande interesse do ponto de vista biológico e epidemiológico. A finalidade última dêste trabalho, ora em andamento, é a de tentar analisar não só o tipo de herança e distribuição geográfica dêstes padrões, como testar a susceptibilidade ao T. cruzi de animais com diferentes padrões proteicos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. VAN SANDE, M. & KARCHER, D. – Species differentiation of insects by hemolymph electrophoresis. Science, 131:1103-1104, April 1960.        [ Links ]

2. WIEME, R. J. – Agar gel electrophoresis. Amsterdam, Elsevier Publ., 1965.        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 12-12-1969
Apresentado na sessão de 4-12-69 do Departamento de Higiene e Medicina Tropical da Associação Paulista de Medicina. Realizado com o auxílio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo