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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.3 n.2 São Paulo Dec. 1969

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101969000200015 

RESUMOS/ABSTRACTS

 

 

Oswaldo P. Forattini

 

 

CARCAVALLO, R. U. & MARTINEZ, A. – Comunicaciones cientificas: entomo-epidemiologia de la República Argentina. |Buenos Aires| Junta de Investigaciones Cientificas de las Fuerzas Armadas Argentinas, 1968. 2 v. ilus. (Publicación 13).

Êste livro pretende reunir dados sôbre doenças veiculadas ou provocadas por artrópodes, e fundamentalmente relacionadas com a epidemiologia dessas afecções. Sintetiza pois, as observações obtidas durante vários anos, e especialmente os compreendidos no período 1964-1967, na República Argentina.

Inicia-se com Introdução, onde são apresentados os conceitos fundamentais sobre doenças transmissíveis, e veiculadas por antrópodes. Segue-se capítulo sôbre material e métodos, e outros dedicados especificamente à doença de Chagas, febre amarela, malária, vários grupos de dípteros, ácaros e febre hemorrágica argentina, outros grupos de insetos, aracnídeos peçonhentos e de interêsse sanitário. Finaliza com capítulo focalizando o aspecto regional da entomo-epidemiologia argentina.

Sob seu aspecto geral, esta obra apresenta a utilidade de fornecer dados para consulta, no caso particular de problemas concernentes a essa região. Sob êsse ponto de vista, funciona como catálogo, embora as referências bibliográficas sejam incompletas.

Todavia, como livro apresenta-se bastante falho. O texto é simplificado ao máximo e suas informações são imprecisas. As ilustrações, sôbre serem deficientes, são em sua maior parte, desnecessárias e pouco informativas. Em resumo, trata-se de publicação que, poderia ser lançada mediante o gasto de bem menos quantidade de papel, e que se destina mais a ser utilizada por principiantes e amadores, do que por profissionais.

 


 

 

Oswaldo P. Forattini

 

 

MUIRHEAD-THOMSON, R. C. – Ecology of Insect vector populations. London, Academic Press, 1968. 174 p.

Os problemas dos artrópodes vetores de doenças constituem capítulo da saúde pública cuja solução ainda não foi satisfatoriamente atingida. A intensificação das campanhas de contrôle, baseadas principalmente no uso cada vez maior de inseticidas, tem evidenciado a necessidade de melhores conhecimentos ecológicos sôbre êsses animais. Em vista disso, êste livro propõe-se a revisar e atualizar os conhecimentos básicos sôbre êsse assunto.

Em linhas gerais, o autor dá particular ênfase à amostragem de populações de indivíduos adultos. São tratados principalmente problemas concernentes aos dípteros hematófagos, embora sejam dedicados dois capítulos à mosca doméstica, outros ciclorrafos e sifonápteros. Merecem especial atenção as técnicas de estudo baseadas na marcação e recaptura indivdual, como meio para estimativa populacional absoluta.

O livro termina com sumário e discussão, em bem cuidada lista bibliográfica.

Esta obra reflete, em boa parte, a experiência do autor, que tem trazido apreciáveis contribuições a êstes estudos. Todavia, de maneira específica, o assunto é dedicado praticamente à fauna do velho mundo, em especial modo, os Continentes africano e asiático. Dessa maneira, o título do livro não traduz fielmente as possibilidades de seu conteúdo. E isso porque, se muita experiência adquirida com esses vetores poderia ser aplicada, em linhas gerais, a outras regiões, o mesmo não se pode dizer com importantes grupos de vetores que deixaram de figurar. É o caso, por exemplo, dos triatomíneos transmissores da doença de Chagas, que ocorrem particularmente na região neotropical.

A linguagem é boa e simples. Os vários assuntos não são tratados com grande profundidade, mas o suficiente para transmitir ao leitor idéia geral. A impressão é bem cuidada, assim como a apresentação.

 


 

 

André Francisco Pilón

 

 

MARCONDES, R. S. – O preparo da professôra primária em educação sanitária. São Paulo, 1968. 186 p. (Tese para livre-docência – Faculdade de Higiene e Saúde Pública da USP).

Em 1964, 15.000 candidatos submeteram-se a provas objetivas, cujo conteúdo envolvia também a área de saúde, para o concurso de ingresso ao magistério primário no Estado de São Paulo. Apenas pouco mais de 1/3 das questões referentes à saúde foram respondidas corretamente pelos titulares de certificados de conclusão de curso de formação de professores primários.

O que estaria acontecendo?

Em entrevistas realizadas com os professôres de Biologia Educacional, junto aos cursos normais mantidos pelo govêrno do Estado, na área da Capital, a autora verificou "divergências de ponto-de-vista, as mais amplas possíveis, sôbre a maneira como a saúde deve ser ensinada". Efetivamente, enquanto tópicos como genética (geral e humana), citologia e outros ocupavam a maior parte dos programas de ensino, os aspectos referentes à saúde não mereciam a mesma atenção. Nutrição, doenças mais comuns na zona rural poucas vezes foram mencionados nos programas de ensino elaborados por aquêles professôres.

Uma coisa era certa. Os professôres vinham de outros campos, principalmente da educação física, enfermagem, ciências biológicas. Eventualmente professôres de higiene e biologia educacional eram também recrutados entre médicos. Mas o ensino de saúde exige ainda muito mais do que formação em medicina, educação física ou enfermagem. "Alguma coisa mais é necessária antes que alguém possa competentemente planejar e executar um programa em educação sanitária escolar", afirma a autora.

Efetivamente, o enfoque é outro, o conteúdo é outro e a metodologia de ensino outra ainda. Educação sanitária é, antes de mais nada, uma área de vivência. Na escola ela se define sob o tríplice aspecto do ambiente escolar (físico e psicossocial), dos serviços médicos e para-médicos e do ensino pròpriamente dito, coordenados de tal forma a constituir um sistema de experiências educativas para o aluno, tendo em vista formar sua consciência sanitária, que implica em conhecimentos, atitudes e práticas integrados dentro de um contexto de realidade (local, regional, nacional e mundial).

Na área de conhecimentos, o que seria importante para a aluna normalista saber?

Com êsse intuito, a autora aplicou questionário às alunas das 18 escolas normais da Capital, abrangendo 1.234 estudantes. Os conhecimentos pesquisados compreenderam higiene pessoal, higiene dental, crescimento e desenvolvimento da criança (incluindo higiene mental), primeiros socorros, saneamento, doenças transmissíveis e imunizações, anatomia e fisiologia humanas, acidentes, higiene da escola, nutrição e outros, distribuídos em 95 questões.

A percentagem geral média de acertos, cerca de 50%, bem como o percentual de acertos em cada aspecto relacionado acima (que variou segundo ilustra o quadro abaixo), dão uma idéia dos resultados conseguidos pela autora.

Note-se que a pesquisa refere-se apenas à área de conhecimentos, colocando-se ainda a indagação a respeito das atitudes e práticas de saúde como um importante aspecto a investigar, tendo em vista os objetivos da educação sanitária escolar. Como afirma a autora, "educação sanitária nas escolas significa muito mais do que primeiros socorros ensinados na sala de aula, mais do que informações sôbre doenças que a professôra com freqüência repete ano após ano". Além do ensino formal que recebe na área da saúde, importa ainda as experiências que a futura professora tem enquanto na escola normal.

Essas experiências implicam numa coordenação adequada das professôres com pais, médicos e enfermeiras, a partir dos problemas de saúde observados na população escolar, especialmente nas unidades de nível elementar onde a normalista faz prática de ensino. "Em todo o mundo os educadores estão seriamente empenhados em procurar meios, não apenas para melhorar o curso acadêmico, mas também para desenvolver indivíduos que possam assumir responsabilidades na sociedade e viver o melhor possível", esclarece a autora.

Em relação aos serviços de saúde escolar, o ambiente da escola e o ensino da saúde, a autora define as responsabilidades da professôra, destacando o papel que lhe cabe num programa coordenado de educação sanitária escolar, que deve ser essencialmente ativo, dinâmico, criador.

Para alcançar plenamente seus fins, o programa de formação da professora primária em educação sanitária deverá compreender os seguintes objetivos, propostos pela autora:

"1. Ajudar a aluna-professôra a compreender a importância da sua atuação junto ao escolar, sua família e a comunidade, tendo em vista a consecução ou a melhoria da saúde.

 

 

2. Ajudá-la a aceitar suas responsabilidades educativas relacionadas com a saúde do escolar.

3. Prepará-la para compreender as necessidades e problemas de saúde da criança, a fim de realizar os ajustamentos que se fizerem necessários para o maior rendimento escolar.

4. Capacitá-la para aceitar a filosofia da educação sanitária e aplicar eficientemente sua metodologia."

Para alcançar êsses objetivos, inclui os seguintes tópicos no programa proposto: fatores determinantes do crescimento; anatomia e fisiologia humanas; estudo da criança; a escola, o lar e a comunidade; necessidades específicas da criança escolar; problemas especiais de saúde do escolar; contrôle da saúde do escolar; metodologia da educação sanitária aplicada à escola primária; problemas de saúde da professora e do pessoal da escola; problemas de saúde da comunidade (recursos) e problemas de saúde do mundo.

Em suas conclusões finais, reconhece a autora que "o clima atual reinante no Estado de São Paulo para a reforma e melhoria do sistema educacional sugere que agora é o momento para se melhorar o ensino nas Escolas Normais na área da educação sanitária, em quantidade e qualidade."

Efetivamente, o própria programa da escola primária do Estado de S. Paulo, publicado êste ano, propõe para a área de saúde um enfoque bem mais amplo e atualizado, visando a educação do escolar para uma vida sadia, integrando-o no ambiente (lar, escola, comunidade) que está influindo em seu desenvolvimento. A proteção à saúde, a educação alimentar, a orientação do pré-adolescente e adolescente, a educação para o lar, os socorros de emergência são os principais tópicos do programa oficial.

Em que medida, no entanto, os programas do curso normal prepararão o normalista para suas novas responsabilidades é outro problema a resolver. Sabemos que não basta modificar tópicos no papel, mas preparar adequadamente o professor para deles tomar consciência (não apenas ciência) é "conditio sine qua non".

Face à renovação do ensino, e sendo saúde "não apenas a mera ausência de enfermidade, mas o completo bem-estar físico, mental e social", no conceito da Organização Mundial da Saúde, até quando seu ensino, na escola normal, continuará sendo prerrogativa dêste ou daquele professor? Por que a equipe docente, reunida, não se poderia coordenar para êsse fim?

Sabemos que educação sanitária já não pertence apenas ao campo médico, mas integra conhecimentos multidicisplinares no campo da psicologia, da sociologia, da biologia, da pedagogia, da metodologia didática. Razão nenhuma há para que apenas seja ensinada dentro de determinada matéria no curso de formação de professores primários sob pena de quebra de uma unidade filosófica e metodológica, além de uma alienação básica da realidade multifacética dos dias que correm, que exige um enfoque global, holístico, integrador.