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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.7 n.4 São Paulo Oct./Dec. 1973

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101973000400010 

ARTIGO ORIGINAL

 

Concentração de proteínas na urina de indivíduos normais*

 

Urine protein concentration in normal population

 

 

C. A. Mãrcílio de SousaI; Ines S. LessaII; Odulia LeboreiroIII

IDo Departamento de Nefrologia e Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. – Salvador, Bahia – Brasil
IIDo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. – Salvador, Bahia – Brasil
IIIDo Hospital Prof. Edgard Santos, Universidade Federal da Bahia. – Salvador, Bahia – Brasil

 

 


RESUMO

A fim de determinar os valores normais de concentração proteica na urina, em amostra de população sadia, foi usada uma reação de biureto, em 62 amostras de urina coletadas ao acaso. A concentração proteica média em todo o grupo foi de 6,0mg% (± 3,2) com a amplitude de 2,0 – 14,5mg%. Tais resultados concordam com aqueles previamente relatados na literatura.

Unitermos: Proteínas*; Urina normal*.


SUMMARY

In order to determinate the normal values for urine protein concentration in one sample of healthy population it was used a biuret reaction in 62 urine samples collected at random. The mean protein concentration in the whole group was 6.0mg% (SD ±3.2) with a range of 2.0 – 14.5mg%. Those results agreed with the previously reported, in the literature.

Uniterms: Protein*; Urine (normal)*.


 

 

INTRODUÇÃO

Indivíduos normais excretam menos de 100 a 150mg de proteínas por dia. Considerando que o volume urinário diário em condições normais varia em média de 1000 a 1500ml e, desprezando-se as oscilações normais de fluxo urinário, variações de postura e de intensidade de esforço físico, a concentração de proteínas em amostras de urina tomadas ao acaso, deverá variar teoricamente entre 10 a 15mg%, como limite máximo normal. A determinação dos valores normais para a concentração de proteínas em amostras de urina tomadas ao acaso é um dado extremamente útil: permite a comparação e portanto a discriminação entre a proteinúria normal e discretas elevações na concentração de proteínas na urina, em decorrência de lesões renais incipientes, não detectadas pelos métodos habituais de exames de laboratório (aquecimento mais ácido acético, ácido sulfo salicílico, fitas impregnadas por azul de tetra-bromofenol, etc.) por não serem suficientemente precisos nem específicos, sofrendo a interferência de substâncias não proteicas 1, 3, 8, 6. Assim, o emprego de métodos mais apurados, capazes de distinguir proteinúria normal da discretamente elevada, tem sido recomendada para a determinação da nefrotoxicidade de medicamentos9, estudos epidemiológicos e de medicina industrial5 e doenças em início, envolvendo principalmente os glomerulos renais2,4. Recentemente, PISCATOR 5 e depois SAVORY et al 7 introduziram modificações na técnica de determinação da concentração de proteínas pelo método do biurêto, de modo a aumentar sua sensibilidade e de diminuir a interferência de substâncias não proteicas. Neste trabalho, procuramos obter dados quanto aos valores normais da concentração de proteínas, em amostras de urina tomadas ao acaso, em nosso meio, com o objetivo de servir de dado de comparação na detecção de pequenas elevações na concentração de proteína urinária, porém de significado clínico e epidemiológico.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Em 62 indivíduos sadios (escolares, universitários e pessoal de laboratório) de ambos os sexos (32 homens e 30 mulheres) e que apresentavam exame sumário de urina normal, foi determinada a concentração de proteínas na urina. Com os indivíduos em suas condições habituais de dieta, ingestão líquida e de atividades físicas, era tomada uma amostra de urina ao acaso, em frasco limpo e esterelizado. Os espécimens de urina eram guardados a 4°C sem nenhum preservatório químico, até o momento da determinação da concentração de proteínas. A mesma foi medida pela reação do biurêto tal como descrito por SAVORY et al 7. Em nosso laboratório este método tem se mostrado capaz de detectar concentrações de proteínas da ordem de 0,65mg% com grau satisfatório de reprodutibilidade. Foi utilizado como padrão soluções de albumina humana (A5628 – GRADE III, SIGMA) em solução salina a 0,85%. Provas de recuperação feitas em 5 espécimens, após a adição de 5mg de albumina humana, mostrou uma recuperação de 98% (SD ± 3,2) enquanto em 7 amostras de urina após adição de 15mg de proteína. SAVORY 7 encontrou uma recuperação de 103% (SD ± 3).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os indivíduos do sexo masculino (n = 32), em amostras de urina tomadas ao acaso, apresentaram uma concentração média de proteínas de 6,2 ± 3,2mg% com uma variação de 2,0 a 13,7mg%. Os de sexo feminino (n = 30) apresentaram uma concentração média de 6,0 ± 3,2 com uma variação de 2,0 a 14,5mg%. Não se observou uma diferença significante entre os dois grupos quando aplicado o teste "t" (P 0.1). O conjunto dos 62 indivíduos apresentou uma concentração média de proteínas na urina igual a 6,1 + 3,2mg% com uma variação entre 2,0 e 14,5mg% (Tabela). A Figura mostra a freqüência de distribuição por mg% de proteínas. Na ordenada está representada a freqüência sendo a abcissa do histograma superior aritmética e da inferior logarítmica. Tal como é mostrado na parte inferior do gráfico a distribuição logaritmica aproxima-se mais da conformação Gaussiana do que no gráfico aritmético.

Em 3 (5%) dos 62 pacientes observou-se presença de "vestigios" de proteínas, e em 2 observou-se proteinúria de 1 + pelo método semiquantitativo de aquecimento mais ácido acético. Um dos indivíduos não incluido no grupo de 62 pacientes, apresentou proteinúria de 68mg% e que posteriormente se provou ser de natureza ortostática.

Os dados encontrados nesta amostra de população sadia está em acordo com os encontrados em outros laboratórios 5, 7.

Do mesmo modo que SAVORY et al. 7 também encontramos uma curva de distribuição de freqüência não superponível à normal, embora se aproximasse da conformação Gaussiana quando a concentração de proteínas foi colocada em um gráfico logarítmico. Como tentativa de se obter explicação para a curva de distribuição encontrada, estamos presentemente correlacionando idade, peso corporal, osmolalidade e níveis de proteínas.

 

AGRADECIMENTOS

À Srta. Direnia Bispo da Costa, auxiliar de laboratório e ao Prof. José Albuquerque Lopes, na análise estatística, bem como aos Drs. Cícero Adolpho da Silva e Emerson Spinola Ferreira por criarem condições para a realização do presente trabalho.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. FREE, A. H. et al. – Studies with a new colorimetric test for proteinuria. Clin. Chem., 3:716-27, 1957.        [ Links ]

2. HARLAN, W. R. J. et al. – Proteinuria and nephrotic syndrome associated with chronic rejection of kidney transplants. New Engl. J. Med., 227:769-76, 1967.        [ Links ]

3. HENRY, R. J. – Clinical chemistry: principles and technics. New York, Harper and Row, 1964.        [ Links ]

4. JORGENSEN, M. B. – A gel filtration method for the determination of protein in normal urine. Acta med. Scand., 181:153-62, 1967.        [ Links ]

5. PISCATOR, M. – Proteinuria in chronic cadmium poisoning. II. Aplicability of quantitative and qualitative methods of protein determination. Arch. Environ. Hlth., 5:325-32, 1962.        [ Links ]

6. RENNIE, I.D.B. & KEEN, H. – Evaluation of clinical methods for detecting proteinuria. Lancet, 2:489-92, 1967.        [ Links ]

7. SAVORY, J. et al. – A biuret method for determination of protein in normal urine. Clin. Chem., 14:1160-71, 1968.        [ Links ]

8. THYSELL, H. – A comparison between albustix, hema-combistix, labstix, the sulpbosalicilic-acid test Heller's nitric-acid test and a biuret method. Diagnosis of proteinuria. Acta Med. Scand., 185:401-7, 1969.        [ Links ]

9. U. S. DEPARTAMENT OF HEALTH, EDUCATION AND WELFARE – Food and drug administration: Clinical testing, synopsis of the new drug regulations. Int. J. clin. Pharm., 1:35, 1967.        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 17-7-1973
Aprovado para publicação em 9-10-1973

 

 

* Trabalho realizado no Laboratório 1124, Hospital Prof. Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia.