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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.7 n.4 São Paulo Oct./Dec. 1973

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101973000400011 

ARTIGO ORIGINAL

 

Isolamento de bactérias do gênero Bordetella e provas sorológicas, a partir de crianças com sintomas de coqueluche, atendidas no Hospital de Isolamento Emílio Ribas de São Paulo*

 

Isolation of bacteria of genus Bordetella and serological studies in Brazilian children with symptoms of whoping-cough

 

 

Sebastião Timo Iaria

Do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. – Av. Dr. Arnaldo, 715 – São Paulo, SP. – Brasil

 

 


RESUMO

A partir de 255 crianças com sintomas de coqueluche atendidas no Hospital de Isolamento Emílio Ribas de São Paulo, procedeu-se a pesquisa de bactérias do gênero Bordetella. Em 46 delas, determinou-se, também, a elevação dos níveis de anticorpos circulantes aglutinantes e fixadores de complemento contra a B. pertussis, aglutinantes contra a B. parapertussis e fixadores de complemento contra adenovirus. Por outro lado, relacionaram-se os resultados do exame bacteriológico com o período da doença, em semanas, e com alguns sintomas principais apresentados. Foram também relacionados os resultados das provas bacteriológica e sorológica com a confirmação clínica do diagnóstico. Foram discutidos, por outro lado, o valor e as limitações das provas bacteriológica e sorológica no diagnóstico laboratorial da coqueluche.

Unitermos: Coqueluche*; Laboratório (Diagnóstico)*; Bordetella (Isolamento)*; Sorologia (Fixação de complemento e aglutinação).


SUMMARY

Cultures from cough plates and swabs were performed in 255 children with whooping-cough symptoms, hospitalized at "Hospital de Isolamento Emilio Ribas" in S. Paulo. Complement fixation and agglutination tests for Bordetella pertussis, agglutination tests for B. parapertussis and complement fixation test for adenovirus were performed in 46 children, using two blood samples taken one month apart; the isolation results for bacteria of genus Bordetella were correlated to the, period of illness, some of the major symptoms and the clinical diagnosis. A discussion of the efficiency and limitations of both bacteriological and serological tests in the laboratory diagnosis is presented.

Uniterms: Whooping-cough*; Laboratory, diagnosis*; Bordetella, isolation*; Serology (complement fixation and agglutination tests).


 

 

1. INTRODUÇÃO

No Município de São Paulo, segundo dados fornecidos, a pedido, pelo Serviço de Epidemiologia e Estatística do Departamento Regional de Saúde da Grande São Paulo, da Coordenadoria de Saúde da Comunidade da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, no período de 1964 a 1970, foram registrados 3 564 casos de coqueluche com 308 óbitos, dos quais cerca de 90% e 95%, respectivamente, ocorreram em crianças com idades abaixo de 5 anos e, principalmente, inferiores a 2 anos.

Isto vem mostrar que apesar das várias armas disponíveis para o seu combate, entre elas, principalmente, as vacinas e antibióticos, a coqueluche representa ainda um problema médico e de Saúde Pública, especialmente em crianças com idades inferiores a 5 anos.

O problema da coqueluche, no passado, apresentou gravidade bem maior em todo o mundo, polarizando a atenção de inúmeros pesquisadores.

Há cerca de um século iniciaram-se os estudos relativamente ao seu agente etiológico, quando CARLBURGER em 1883, CZAPLEWSKI & HENKEL em 1887, HENRY KOPLIK em 1898 e KRAUZE & LOCHMANN em 1901 (citados por NELSON 48, 1970) verificaram a presença de numerosos bacilos na secreção de nasofaringe de crianças com coqueluche.

Porém, a Bordetella pertussis foi isolada pela primeira vez por BORDET & GENGou3 (1906) e posteriormente por CHIEVITZ & MEYER 15 (1916).

Anos mais tarde, BROWN 11 (1926) isolou de uma criança, com sintomas de coqueluche, uma estirpe de Bordetella bronchiseptica e observação semelhante foi feita por CHANG 13 (1950).

Em 1938, ELDERING & KENDRICK 23 responsabilizaram também a Bordetella parapertussis como causa de doença com características semelhantes às da coqueluche.

Assim sendo, as bactérias do gênero Bordetella (BREED et al.10 1957), ou sejam, B. pertussis, B. parapertussis e B. bronchiseptica, podem provocar em pessoas infectadas, sintomas muito semelhantes. Por outro lado, parece que o mesmo pode ocorrer em casos de infecção por H. influenzae e Diplococcus pneumoniae (LAUTROP 40, 1960).

As dúvidas existentes, desde há muitos anos, relativamente a etiologia em casos com sintomatologia de coqueluche, incluindo uma possível participação viral, provocaram a realização de inúmeras pesquisas. Assim, através da inoculação de B. pertussis, SAUER & HAMBRECHT57 (1929) e RICH et al. 54 (1932), reproduziram o quadro de coqueluche em macacos enquanto que MAC DONALD & MAC DONALD 43 (1933) o fizeram através da infecção experimental em crianças. Por outro lado, McCoRDocK42 (1932) relatou o encontro de inclusões intranucleares nas células pulmonares de crianças com sintomas de coqueluche, sugerindo uma possível participação viral nesta doença. FRAWLEY29 (1940), no entanto, não logrou a reprodução da sintomatologia típica de coqueluche pela instilação de filtrados de lavados nasais, de doentes com esta doença, em crianças.

Mais recentemente, novas pesquisas foram realizadas com o objetivo de verificar a participação de virus em quadros clínicos de coqueluche. Destas, serão referidas apenas as de OLSON et al.49 (1964) que isolaram adenovirus do tipo 12 e de CONNOR 17 (1970) e PEREIRA & CANDEIAS50 (1971) que isolaram adenovirus dos tipos 1, 2, 3 e 5, a partir de crianças apresentando sintomatologia de coqueluche.

No diagnóstico bacteriológico de coqueluche, deve-se proceder ao isolamento de B. pertussis, a partir de material colhido da nasofaringe ou através da placa de tosse, mas deve ser pesquisada, também a presença de B. parapertussis e de B. bronchiseptica (BROWN 11, 1926; ELDERING & KENDRICK23, 1938; LAUTROP 40, 1960 e KENDRICK et al.33, 1963). Por outro lado, deve-se levar em conta que o isolamento de B. pertussis atinge percentuais mais elevados, nas primeiras semanas de doença, principalmente na primeira ou período catarral (BORDET & GENGOU 3, 1906; CHIEVITZ & MEYER 15, 1916; KRISTENSEN 38, 1933; STRAKER & WASTEWATER59, 1937; SAITO et al.56, 1942 e MILLER JR. et al.47, 1943).

A utilização de provas sorológicas de aglutinação e de fixação de complemento (DONALD22, 1938, EVANS & MAINTLAND26, 1939 e KENDRICK et al.33, 1963) podem ser de grande valor, especialmente nos casos de coqueluche atípica ou quando a doença se apresenta em fases mais avançadas. Pode ser empregada também a pesquisa de opsoninas (KENDRICK et al.37, 1950, KENDRICK et al.33, 1963), porém é menos usada.

A imunidade conferida pela coqueluche é geralmente sólida e persiste por muitos anos, ao contrário do que ocorre com a imunização pela vacina (BARROS F.o.1, 1968). Quer pela doença, quer pela vacinação, desenvolvem-se no organismo aglutininas, anticorpos fixadores de complemento e opsoninas (KENDRICK et al.33 1963).

Entre nós, não raramente, os pediatras referem a ocorrência de casos de coqueluche em crianças previamente vacinadas. Atribuem à doença a falhas de vacinas ou a possíveis infecções por B. parapertussis, a que chamam de paracoqueluche.

A freqüência de infecções por B. parapertussis no nosso meio é, no entanto, desconhecida, dado o escasso número de investigações sobre o assunto. Apenas a Cidade do Rio de Janeiro conta com alguma informação a respeito (BARROS F.°1, 1968 e UBATUBA60, 1969).

Para o nosso Estado e em particular o Município de São Paulo, não há dados informativos sobre o isolamento de B. parapertussis, a partir de crianças com coqueluche, e existe unicamente um trabalho sobre o isolamento de B. pertussis (LIMA 41, 1932).

Por outro lado, não se pode excluir a possibilidade de falhas no diagnóstico clínico desta doença. Como é sabido, o mesmo é feito, praticamente na totalidade dos casos, apenas clinicamente, com base na sintomatologia e, quando possível, também nos dados epidemiológicos respectivos (BASTOS 2, 1969). A respeito disto, é sabido também que os sintomas apresentados pelos doentes, principalmente nos períodos iniciais da doença, podem ser confundidos com os observados em outras infecções do aparelho respiratório, entre elas, adenoviroses (OLSON et al. 49, 1964 e CONNOR 17, 1970), gripe, laringites, laringo-traqueites, rinofaringites (BARROS F.o 1, 1968 e BASTOS 2, 1969) e resfriado comum (RICH54 et al., 1932).

Pelas razões apontadas anteriormente, dado o número limitadíssimo de estudos sobre coqueluche em nosso país e em particular em nosso município, uma série de dúvidas têm surgido, relativas à eficiência das vacinas empregadas e, até mesmo, quanto à etiologia dos casos clínicos desta doença, principalmente em crianças vacinadas. Sabendo-se que a B. parapertussis e a B. bronchiseptica podem, também, determinar o aparecimento de quadros clínicos semelhantes ao da coqueluche, muitos atribuem a etiologia nos casos em que a criança foi vacinada, possivelmente à B. parapertussis, dado que, em muitos casos a doença se apresenta com um caráter menos severo. Por outro lado, muito raramente são utilizados os exames bacteriológico e sorológico, na confirmação laboratorial do dignóstico clínico. Tendo em vista estes fatos, resolvemos elaborar um plano de pesquisa a respeito. O estudo que será relatado a seguir, refere-se apenas à parte do plano total de pesquisa por nós estabelecido e tem por finalidade, atingir os seguintes objetivos:

a – verificar em um grupo de crianças com sintomas de coqueluche, atendidas no Hospital de Isolamento Emílio Ribas da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, a freqüência de isolamento de bactérias do gênero Bordetella;

b – verificar no soro sanguíneo dessas mesmas crianças, a elevação ou não dos níveis de anticorpos aglutinantes e fixadores de complemento;

c – relacionar os resultados dos exames bacteriológico e sorológico ao diagnóstico clínico.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

Casos clínicos – Elegemos como campo das nossas observações, crianças com sintomas de coqueluche e que recorreram aos serviços médicos do Hospital de Isolamento Emílio Ribas, no período compreendido entre julho de 1969 e dezembro de 1970. Este grupo, de 255 crianças, compôs-se de 121 indivíduos do sexo masculino e 134 do sexo feminino, com idades variando de 0 a 12 anos. Com relação a imunizações, de 162 indivíduos teve-se a informação de não terem sido vacinados contra a coqueluche e 56 não souberam informar. Por outro lado, 37 referiram vacinação anterior, dos quais, 8 receberam uma dose de vacina; 8, duas doses; 16, três doses; 2, quatro doses e 3 não souberam informar o número de doses.

O diagnóstico clínico ou de suspeita de coqueluche foi feito por médicos daquele hospital. Em uma ficha especialmente elaborada, foram registradas as informações dadas pelos acompanhantes dos doentes. Posteriormente, foram obtidas, através do exame dos prontuários, as informações relativas à confirmação clínica do diagnóstico de coqueluche.

Coleta do material – Das 255 crianças examinadas, apresentando suspeita de coqueluche, de 127, procedeu-se a coleta do material no próprio ambulatório, utilizando-se inicialmente o processo da placa de tosse (CHIEVITZ & MEYER15, 1916 e LAUTROP 40, 1960) e, logo a seguir, da nasofaringe através de uma zaragatoa (swab) por introdução per oral (BRADFORD & SLAVIN8, 1940 e LAUTROP 40, 1960). Das 128 crianças restantes, logo após a sua internação, procedeu-se a coleta de material pelo método da placa de tosse e a seguir da nasofaringe pela técnica da zaragatoa por introdução per nasal (CRUICKSHANK 19, 1944 e LAUTROP 40, 1960).

De 46 crianças, das 255 estudadas, foram colhidas, também, duas amostras de 8 ml de sangue, para provas sorológicas, sendo a primeira logo após a internação e a segunda um mês após. As amostras de soro, assim obtidas, foram mantidas em congelador a –10°C até a realização das provas sorológicas.

Após a coleta do material, as zaragatoas foram mantidas imersas em 0,5 ml de solução de casamino ácidos (técnico) a 1%, até o início do exame (KENDRICK et al. 32, 1947; KENDRICK et al.36, 1961 e UBATUBA60, 1969). O tempo decorrido entre a a coleta dos materiais e o início dos exames, nunca ultrapassou de duas horas (UBATUBA 60, 1969).

As zaragatoas para a coleta de material da nasofaringe por introdução per oral e per nasal, foram preparadas segundo as técnicas mencionadas por LAUTROP40 (1960). A solução de casamino ácidos (Difco-técnico) foi preparada a 1% em água destilada, contendo 0,6% de cloreto de sódio e apresentando um pH final de 7,2 (KENDRICK et al.32, 1947 e KENDRICK et al.36, 1961).

Meios de cultura empregados

Meio de Bordet-Gengou – Este meio foi preparado segundo a fórmula usada no "Statens Seruminstitut" de Copenhague (LAUTROP 40, 1960) ou seja: 1000 g de batatas, limpas, descascadas e picadas, foram colocadas num saco de gase e a seguir, submersas em 2000 ml de água de torneira contendo 80 ml de glicerol. A mistura foi fervida até as batatas se tornarem amolecidas. O suco concentrado de batatas foi extraído, espremendo-as no saco de gase. A seguir, a um volume de suco concentrado foram adicionados 3 volumes de solução de cloreto de sódio a 0,6%. O pH foi ajustado a 7,2 – 7,4 e o suco diluído, distribuído em garrafas de Roux. A seguir, após adição de 4% de agar (Difco), a mistura foi aquecida em banho-maria fervente para a dissolução do agar, e em seguida esterilizada a 120°C por 20 minutos em autoclave. No momento de ser usado, o meio base era fundido em autoclave com vapor fluente e, após ser esfriado a 45-50°C, era adicionado de sangue desfibrinado, estéril, de carneiro na proporção de 50%.

Meio com uréia (método de Fergusson & Hook modificado – LAUTROP40, 1960) – Este meio foi preparado da seguinte maneira: fosfato monopotássico – KH2PO4 anidro (0,1g), fosfato dipotássico – KH2PO4 anidro (0,1g), cloreto de sódio (0,5g), vermelho de fenol (1mg) e água destilada q.s.p.100ml. A solução foi esterilizada a 120°C por 20 min. e em seguida, adicionada de 1% de uréia, partindo-se de uma solução a 20% esterilizada por filtração (Seitz). Posteriormente o meio foi distribuído em volume de 1 ml em tubos 12 x 120 mm. Este meio foi utilizado na prova do desdobramento da uréia. O meio utilizado como controle da prova, foi preparado da mesma maneira, porém, sem a adição da uréia.

Caldo nitratado (LAUTROP 40, 1960) – Este meio foi assim preparado: peptonaDifco (0,5g), nitrato de potássio (0,1g) e água destilada q.s.p. 100 ml. Após ajustar o pH a 7,2-7,4, foram distribuídos volumes de 5 ml em tubos medindo 16 x 160 mm; a seguir, procedeu-se à esterilização da solução em autoclave a 120°C por 20 min. Este meio foi utilizado na prova da redução de nitratos a nitritos.

Citrato – Na prova do aproveitamento do citrato foi utilizado o agar citrato de Simmons (Difco) (KENDRICK et al. 33, 1963).

Agar tirosina (ESMINGER 25, 1953) – Foi preparado agar simples com 0,1% de tirosina. A seguir o pH foi ajustado a 7,5 adicionando-se solução de NaOH N/1. Finalmente o meio foi distribuído em placas de Petri ou em tubos 16 x 160 mm, estes últimos mantidos em posição inclinada.

Técnica de isolamento e de identificação de Bordetelas – Nas placas de tosse, procedeu-se, simplesmente o espalhamento, na superfície, de 0,1 ml de solução de penicilina G potássica contendo 350 unidades por ml. Por outro lado, partindo-se das zaragatoas, realizou-se à semeadura de placas com meio de Bordet-Gengou, rolando-se o chumaço na superfície do meio. Em seguida, procedeu-se ao espalhamento da solução de penicilina G potássica, da maneira já descrita, usando-se uma espátula de Drigalski estéril (UBATUBA60, 1969). A concentração da solução de penicilina, usada, foi estabelecida previamente empregando-se amostras isoladas de B. pertussis, B. parapertussis e B. bronchiseptica. A concentração selecionada, 0,1 ml de solução de penicilina G potássica com 350 unidades por ml, não impedia a multiplicação das bactérias das três espécies citadas, mas impedia de forma satisfatória o crescimento de colônias de outras bactérias presentes em materiais de nasofaringe coletados de alguns indivíduos através de zaragatoa per nasal.

Segundo MACLEAN 44 (1937), CRUICKSHANK 19 (1944), BRADFORD et al6 (1946) e LAUTROP40 (1960) a adição de penicilina aumenta a positividade do isolamento de bordetelas.

As placas semeadas foram incubadas a 35°C em estufa saturada de umidade (BRADFORD & BROOKS 5, 1941 e LACEY39, 1954). As placas foram examinadas diariamente do 2.° ao 10.° dia de incubação (LAUTROP40, 1960 e UBATUBA60, 1969). O reconhecimento de colônias de bordetelas foi realizado segundo os critérios apresentados e discutidos por LAUTROP40), (1960). Das placas eram selecionadas 6 a 8 colônias suspeitas de serem de bordetelas e, as mesmas eram semeadas em novas placas com meio de Bordet-Gengou. Estas placas eram incubadas a 35°C, em estufa saturada de umidade e a sua verificação era feita após 24, 48 e 72 h, até o 10.° dia. A partir destas culturas, prepararam-se, em lâminas, esfregaços corados pelo método de Gram, para a verificação da morfologia e a seguir procederam-se às inoculações dos meios para as seguintes provas de identificação bioquímica:

Prova do desdobramento da uréia – Feita através da inoculação maciça (até a turvação) das bactérias a serem identificadas, em meio contendo uréia. A prova positiva era revelada pelo aparecimento de cor vermelha, dado pela viragem do vermelho de fenol, após algumas horas (2 a 4 h) de incubação a 35°C. Realizou.se em todos os casos, paralelamente, uma prova controle inoculando-se maciçamente a cultura em meio preparado da mesma forma que o anterior, porém sem a adição de uréia.

Prova da redução de nitratos a nitritos – Consistiu na inoculação maciça das bactérias a serem identificadas (até a turvação), em caldo nitratado. Após a incubação a 35°C por 24 horas, a 1 ml desta cultura, adicionaram-se algumas gotas dos reativos (solução de ácido sulfanílico a 0,8% em sol. de ácido acético 5N e solução de alfa naftilamina a 0,5% em sol. de ácido acético 5N). A prova positiva caracterizava-se pelo aparecimento de cor avermelhada.

Prova do aproveitamento do citrato – Foi feita por meio da semeadura das bactérias, em identificação, na superfície de agar citrato de Simmons, inclinado (Difco). Após incubação de até 4 dias a 35°C, a prova positiva manifestava-se pelo aparecimento de coloração azul no meio semeado.

Prova da multiplicação em agar tirosina a 1% – Consistiu na inoculação das bactérias a serem identificadas, na superfície de agar tirosina em placas ou em tubos. Nesta prova, o resultado positivo caracteriza-se pela ocorrência de multiplicação bacteriana, com escurecimento do meio de cultura (cor bronzeada). Este escurecimento é dado pelo ataque da tirosinase sobre a tirosina, produzindo-se uma pigmentação escura, do tipo melanina (LAUTROP40, 1960).

Na Tabela 1 estão resumidos os resultados esperados, relativos às provas de identificação utilizadas no estudo presente, segundo as características bioquímicas pesquisadas das espécies de Bordetella (LAUTROP40, 1960 e KENDRICK et al. 33, 1963).

A seguir, procedeu-se à identificação sorológica através de prova rápida de soro aglutinação em lâmina**.

A identificação sorológica das nossas culturas em lâmina, foi realizada através da mistura de uma gota de suspensão espessa das bactérias que estavam sendo identificadas, com uma gota de soro aglutinante. As leituras foram realizadas até 5 minutos após o início da prova, com o auxílio de uma lupa. Paralelamente, realizava-se uma prova controle usando-se uma mistura de uma gota de suspensão bacteriana espessa com uma gota de solução de cloreto de sódio a 0,85%.

Provas realizadas com os soros dos doentes – Nas duas amostras de soro, colhidas com intervalo de um mês, de 46 crianças, das 255 estudadas, foram determinados os níveis circulantes de anticorpos contra B. pertussis, pelas provas de aglutinação e de fixação do complemento (FC'); determinaram-se também os títulos aglutinantes para B. parapertussis. Para isso, os soros que estavam mantidos a –10°C foram descongelados rapidamente, colocando-se os tubos em banho de água corrente por alguns minutos.

Prova de aglutinação – Os antígenos foram preparados empregando-se a estirpe de B. pertussis A.T.C.C. 10536, utilizada em inúmeros laboratórios no preparo de vacina contra a coqueluche e, a estirpe de B. parapertussis 139, isolada pela Dra. Arlette Ubatuba, no Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro. Preliminarmente, na estirpe A.T.C.C. 10536, foi realizada a dosagem dos antígenos termolábeis "major" de envoltório 1, 2 e 3, empregando-se para tal, soros monoespecíficos, tendo-se verificado a presença dos três antígenos.

As provas de aglutinação foram realizadas, segundo a técnica de PRESTON & TE PUNGA 52 (1959), utilizando-se o microtitulador Takatsi. Em placas "perspex", foram misturados 0,025 ml de soro a ser dosado, diluído de 1/2 a 1/4096 (diluições com fator 2) em solução salina fosfatada com pH 7,4 e 0>025 ml de antígeno. Os antígenos consistiram de suspensões contendo 30 bilhões de B. pertussis ou B. parapertussis por ml, em solução salina fosfatada com pH 7,4 (solução de fosfato monopotássico (KH2PO4) M/15, 10 ml, solução de fosfato dissódico (Na2HPO4) M/15, 40 ml, cloreto de sódio 8,5g, água destilada q.s.p. 1000 ml). A concentração de B. pertussis ou B. parapertussis, nas suspensões, foi determinada colorimetricamente, empregando-se o colorímetro "EEL" portátil com filtro verde amarelado e o padrão de opacidade do "National Institute of Health" (NIH), EUA. As misturas foram a seguir agitadas durante 15 min. em agitador de Kahn (200 ciclos por min.), com amplitude de 3 cm. Após a agitação, as placas contendo as misturas foram mantidas na geladeira a 4°C por 20 min. e, a seguir foram efetuados as leituras, com o auxílio de uma lupa entomológica, com foco de iluminação por cima. Foi considerado como título aglutinante do soro, a recíproca da maior diluição onde ainda se observava reação de aglutinação positiva.

Prova de fixação do complemento – Foi realizada somente contra a B. pertussis e empregou-se a técnica de BRADSTREET & TAYLOR 9 (1962) com modificações (CANDEIAS12, 1968). Nesta prova, misturou-se 0,1 ml de soro a ser titulado, em várias diluições (1/2 a 1/1024), 0,1 ml da dose ótima de antígeno, 0,1 ml de complemento diluído de forma a conter duas unidades C'H100 e 0,2 ml de suspensão a 2% de hemácias sensibilizadas de carneiro. Como diluente, foi usada solução de cloreto de sódio a 0,85%.

O antígeno de B. pertussis empregado nesta prova foi preparado segundo a técnica de PRICE 53(1932) modificada, descrita para o preparo do antígeno gonocócico, utilizado na prova de fixação de complemento (CRUICKSHANK et al.20, 1970). O antígeno foi constituído de uma suspensão com 10 bilhões de B. pertussis por ml, em solução de cloreto de sódio a 0,85%. Esta padronização foi feita também fotocolorimetricamente, usando-se o padrão de opacidade do "NIH" já referido. A cada 5 ml desta suspensão foram adicionados 0,2 ml de solução de hidróxido de sódio N/1 e, a seguir, a mistura foi mantida em banho-maria a 37°C por 2 horas. Após esta incubação, o pH foi ajustado a 7,4 pela adição de solução de ácido clorídrico N/1. Este antígeno foi aquecido a 56°C, em banho-maria por 30 min. para reduzir a sua anticomplementaridade e, posteriormente, adicionado de 0,08% de azida de sódio.

Complemento – O complemento usado na reação, obtido de cobaias, foi preservado pela técnica de RICHARDSON 55 (1941) e, nestas condições, pode ser conservado por cerca de um ano (BRADSTREET & TAYLOR9, 1962). O complemento assim conservado é hipertónico e, por essa razão foi diluído com salina tamponada, de pH 7,2, e água destilada, respeitando-se as seguintes proporções: 0,1 ml de complemento, 0,7 ml de água destilada e um volume V de salina tamponada, a fim de se obter a diluição desejada. O volume V de salina tamponada pode ser calculado através da fórmula:

 

 

sendo dc' a recíproca da diluição desejada do complemento.

Hemácias sensibilizadas de carneiro – suspensão de hemácias de carneiro a 2% foi sensibilizada com a dose de hemolisina em partes iguais, em banho-maria a 37°C por 10 min.

 

3. RESULTADOS

Dos 255 casos estudados, obteve-se o isolamento de B. pertussis de 55 (21,6%). De nenhum caso se isolou B. parapertussis ou B. bronchiseptica.

Relativamente a semanas de doença, 81 crianças foram referidas como estando na 1.a semana, 69 na 2.a, 39 na 3.a, 35 na 4.a e 30 na 5.a ou mais semanas. O isolamento de B. pertussis foi obtido (Tabela 2), respectivamente, de 26 (32,1%), 16 (23,2%), 7 (17,9%), 4 (11,4%) e de 2 (6,5%).

 

 

Das 255 crianças estudadas, 155 foram internadas e submetidas a seguimento clínico e o diagnóstico de coqueluche foi confirmado clinicamente, por médicos do hospital, em 129 (83,2%) e não confirmado em 26 (16,8%). As 100 restantes não foram internadas e serão referidas como "casos não seguidos". A Tabela 3 mostra a positividade do isolamento de B. pertussis nos 129 casos com diagnóstico de coqueluche confirmado, nos 26 não confirmados e nos 100 não seguidos. As taxas de positividade foram, respectivamente, de 20,2%, 7,7% e 27,0%.

 

 

A Tabela 4 mostra as taxas de isolamento da B. pertussis, segundo a confirmação clínica do diagnóstico e o período de doença em semanas. Dos 129 casos confirmados clinicamente, 40 referiram estar na 1.a semana de doença, 28 na 2.a, 21 na 3.a, 22 na 4.a e 18 na 5.a ou mais semanas. Foi isolada a B. pertussis, respectivamente, de 40,0%, 17,9%, 14,3%, 4,5% e 5,6%. Dos 26 casos não confirmados clinicamente, a B. pertussis foi isolada de apenas 2 casos (22,2%) dos 9 referidos de 1.a semana de doença. Dos 100 casos não seguidos, 32 referiram estar na 1.a semana, 34 na 2.a, 12 na 3.a, 12 na 4.a e 10 na 5.a ou mais semanas. A positividade do isolamento de B. pertussis foi, respectivamente, de 25,0%, 32,4%, 33,3%, 25,0% e 10,0%.

A Tabela 5 mostra, nos 255 casos estudados, a positividade para B. pertussis segundo alguns sintomas mais freqüentes e segundo a confirmação clínica do diagnóstico de coqueluche. Do total de casos, 52 apresentaram apenas tosse comum, sem características específicas, 103 apenas tosse espasmódica e 100 tosse espasmódica com vômito, guincho ou ambos. A B. pertussis foi isolada, respectivamente, de 5 casos (9,6%), de 26 (25,2%) e 24 (24,0%).

Na Tabela 6 estão distribuídos os resultados das provas de aglutinação e de FC' frente a antígenos de B. pertussis e B. parapertussis, realizadas com os soros de 46 crianças internadas e submetidas a acompanhamento clínico. As provas de aglutinação e de FC' são referidas como positivas quando os exames das duas amostras colhidas com intervalo de um mês, revelaram uma elevação do nível de anticorpos circulantes, de pelo menos 4 vezes. A prova de aglutinação para a B. pertussis foi positiva nos soros de 14 (30,4%) e a de FC', para esta mesma bactéria, nos de 19 (413%). A prova de aglutinação para B. parapertussis foi positiva apenas em um caso (2,2%). Nesta Tabela pode ser observada também a positividade das provas sorológicas segundo o isolamento de B. pertussis.

Na Tabela 7, encontra-se a distribuição dos resultados de isolamento de B. pertussis e das provas sorológicas segundo a confirmação clínica do diagnóstico, relativos aos 46 casos referidos. Destes, 36 foram confirmados clinicamente como sendo de coqueluche e 10 não foram confirmados. A positividade laboratorial, levando em conta o isolamento de B. pertussis e/ou provas sorológicas, foi respectivamente de 22 casos (611%) e 6 casos (60,0%). Por outro lado, 14 (38,9%) dos confirmados clinicamente e 4 (40,0%) dos não confirmados, revelaram-se negativos nos exames bacteriológico e sorológico.

 

4. DISCUSSÃO

Das 255 crianças estudadas, foram isoladas 55 estirpes, de B. pertussis, identificadas bioquímica e sorologicamente. Em nenhum caso obteve-se o isolamento de B. parapertussis ou de B. bronchiseptica.

Dos estudos existentes, sabe-se que a ocorrência de infecções pela B. bronchiséptica em casos clínicos de coqueluche é rara (LAUTROP40, 1960). Na Inglaterra, em pesquisa realizada pelo MEDICAL RESEARCH COUNCIL 46 (1951), de 836 casos de coqueluche, foi isolada a B. bronchiseptica de apenas 1 (cerca de 0,1%).

Por outro lado, a B. parapertussis ocorre com freqüência maior que a anterior, embora de forma variável. Em estudos realizados, BRADFORD & SLAVIN7 (1937), em Nova York, isolaram B. parapertussis de 5% de 160 casos de coqueluche confirmados bacteriológicamente; em Michigan, ELDERING & KENDRICK24 (1952), de 2% de casos clínicos positivos bacteriologicamente, isolaram essa bactéria. Na Dinamarca, as infecções por B. parapertussis são mais freqüentes (ELDERING & KENDRICKS24 1952) e na Tchecoslováquia pela sua freqüência, apresenta-se com certa importância, o que motivou a sua inclusão na vacina contra a coqueluche (VYSOKA-BURIANOVA, 1962 apud UBATUBA60, 1969, VYSOKABURIANOVA 61, 1970). No Brasil, no único estudo existente feito na cidade do Rio de Janeiro, dos casos clínicos de coqueluche confirmados bacteriológicamente, cerca de 1% foi devido à B. parapertussis (BARROS F.° i, 1968; UBATUBA 60 ,1969). Em São Paulo, CORREA et al. 18 (1970), tentaram determinar a freqüência de infecções por B. parapertussis, realizando um inquérito sorológico em 163 crianças, através da prova de aglutinação. Segundo estes pesquisadores "dez exames mostraram reações só relacionadas com a B. parapertussis e proporcionaram baixos teores de positividade que, talvez, não indiquem com segurança acometimentos, no passado por esse germe".

Ressaltamos que no nosso estudo, de 255 crianças estudadas, isolamos apenas a B. pertussis dos 55 casos positivos. Se houvesse sido estudado um número maior de casos, é possível que viesse a ser isolada alguma estirpe de B. parapertussis.

Como é sabido, na coqueluche, o isolamento de B. pertussis é mais freqüente nas primeiras semanas da doença, principalmente na primeira ou fase catarral. Nesta fase, pode-se atingir uma taxa de isolamento do agente de cerca de 80% (KENDRICK & ELDERING 34, 35 1934 e 1935; STRAKER 8 WESTEWATER 59, 1937; SAITO et al. 56, 1942), de 98% (SILVERTHORNE & FRASER58, 1935) ou até de 100% (DONALD22, 1938). No Brasil, CUNHA 21 (1943) em casos de coqueluche obteve na primeira semana de doença uma positividade de 46,6%. Na fase de tosse espasmódica a positividade para a B. pertussis vai decrescendo, atingindo níveis muito baixos na 6.a e 7.a semanas. A Tabela 8 mostra os resultados obtidos por vários pesquisadores em estudos relacionados com o isolamento de B. pertussis e o período de doença.

Na presente pesquisa, distribuindo-se a freqüência do isolamento de B. pertussis segundo o período de doença (Tabela 2), verificamos que a taxa de positividade foi também maior, entre os doentes que, pelas informações, estavam na 1.a semana de doença (32,1%). Observamos, ainda, que a positividade depois decresceu atingindo 23,2% nos doentes de 2.a semana, 17,9% de 3.a, 11,4% de 4.a e 6,5% nos de 5.a ou mais semanas.

Comparando os nossos resultados com os obtidos por vários pesquisadores (Tabelas 2 e 8), verificamos que os nossos percentuais de positividade foram relativamente baixos. No entanto, deve ser salientado que aquelas pesquisas foram realizadas em épocas e locais diferentes e por investigadores distintos, dando a essa comparação um valor relativo.

Na época em que tais pesquisas foram realizadas, não havia a interferência dos antibióticos nos resultados dos exames bacteriológicos. Por outro lado, devemos também considerar as falhas no diagnóstico clínico da doença e as falhas de ordem técnica, cuja freqüência desconhecemos, relacionadas à colheita do material, à possível variação da eficiência dos vários lotes de meios de cultura, ao número de exames feitos para o mesmo doente, etc. Há que se considerar também o período de doença referido pelos acompanhantes dos doentes. É sabido que grande parte dos doentes recorre ao hospital em busca de assistência médica numa fase não inicial da doença, mas sim quando a mesma se encontra já na fase espasmódica (DONALD 22, 1938; BARROS F.o 1, 1968). Assim sendo, deve haver casos que são referidos como sendo de 1.a, 2.a ou 3.a semana de doença, mas que na realidade estariam já na 4.a, 5.a ou mais semanas.

Analisando a Tabela 4, pode-se verificar que entre os casos referidos como sendo de 1.a semana de doença, obtivemos o isolamento de B. pertussis em 40% dos que tiveram o diagnóstico confirmado clinicamente. A porcentagem de positividade decresceu, como era de se esperar, atingindo 17,9% nos doentes de 2.a semana, 14,3% nos de 3.a, 4,5% nos de 4.a e 5,6% nos de 5.a ou mais semanas. Nos casos em que o diagnóstico clínico não foi confirmado clinicamente, a positividade foi de 22,2% dos que referiram estar na 1.a semana de doença. Os valores por nós obtidos podem mostrar, mais uma vez, a possibilidade da ocorrência de falhas no diagnóstico clínico desta doença, fato já constatato ou referido por vários autores, entre eles. CHANY14 (1958), FARBER & VAWTER28 (1961), OLSON et al. 49 (1964), BASTOS 2 (1969) e CONNOR 17 (1970).

Nos nossos casos, a positividade do isolamento de B. pertussis foi de 21,6% (55 casos), a qual consideramos relativamente baixa, quando comparada com as obtidas por outros pesquisadores. KENDRICK & ELDERING34 (1934), SILVERTHORNE & FRASER58 (1935), STRAKER & WESTWATER59 (1937), SAITO et al. 56 (1942), obtiveram positividades que variaram de 60 a 80% e CHIEVITZ & MEYER 15 (1916), KENDRICK & ELDERING 35 (1935) e MILLER JR. et al.47 (1943), positividades de 40 a 60%. Outros investigadores, porém, obtiveram também positividades mais baixas, como DONALD 22 (1938), 24,9% e CRUICKSHANK et al.20 (1970), 28%.

No Brasil, LIMA41 (1932), estudando casos de coqueluche, isolou a B. pertussis de 60% dos pacientes. Mais recentemente, BARROS F.°1 (1968) obteve uma positividade de 48,9% e UBATUBA60 (1969) relata o isolamento de B. pertussis de 64,1% de 156 doentes estudados.

Na presente investigação já referimos alguns dos muitos fatores que poderiam interferir, provocando baixa positividade do isolamento de B. pertussis. Por outro lado, temos a salientar que, de acordo com a sintomatologia apresentada pelos doentes, cerca de 80% já se mostrava na fase espasmódica; isto resulta como já é sabido, em maior número de exames negativos.

Acreditamos, assim, ser de grande valor o acompanhamento dos contatos, pois caso venham alguns deles a contrair a doença, a mesma poderá, nesses casos secundários, ser diagnosticada bacteriologicamente com relativa facilidade na sua fase inicial, o que poderia, inclusive, esclarecer o diagnóstico de coqueluche de casos primários, se negativos ao exame de laboratório. Sabemos, entretanto, que, embora esta conduta seja a ideal, nem sempre ela pode ser realizada, pelas inúmeras dificuldades existentes.

Além do exame bacteriológico, podemos, como é sabido, utilizar provas sorológicas no diagnóstico laboratorial da coqueluche e as mais usadas são as de aglutinação e de FC'. Estas provas foram utilizadas pela primeira vez por BORDET & GENGOU3, 4 (1906, 1907). Em estudos posteriores verificou-se que a prova de FC' torna-se positiva na 2.a ou 3.a semana de doença e atinge um máximo de positividade na 7.a ou 8.a semana (WINHOLT62, 1915; CHIEVITZ & MEYER 15, 1916; GUNDEL & SCHLÜTER31, 1933/1934 e DONALD 22, 1938).

No entanto, da 7.a semana de doença em diante a positividade das provas sorológicas decresce (CHIEVITZ & MEYER 15, 1916) a ponto de se ter reações de PC' negativas no soro de indivíduos que tiveram coqueluche há 2, 3 e 5 anos (WINHOLT62, 1915). A fim de mostrar melhor a positividade da reação de FC', segundo o período de doença, foram resumidos na Figura, os resultados obtidos por CHIEVITZ & MEYER 15 (1916) e DONALD 22 (1938).

Uma reação de FC' positiva pode indicar, com muita probabilidade, que uma criança tem ou teve a doença; por outro lado, a reação negativa não evidencia com tanta segurança que o mesmo não tenha a doença no momento ou que não tenha apresentado anteriormente (CHIEVITZ & MEYER 15 1916). É óbvio que o surgimento das vacinas contra a coqueluche, provocou modificação na afirmação feita por estes pesquisadores. Havendo sintomas de coqueluche, deve-se verificar a elevação dos níveis de anticorpos de pelo menos 4 vezes, empregando-se duas amostras de soro do doente, colhidas com intervalo apropriado.

Relativamente à prova de soro-aglutinação, EVANS & MAITLAND 26, 27 (1939) verificaram que esta prova torna-se positiva também na 3.a semana de doença; por outro lado, concluiram que a prova de aglutinação se mostrou mais sensível do que a de FC'.

WINTER 63 (1953) de 50 casos de coqueluche positivos ao exame bacteriológico, observou elevação do título de aglutininas em 31 (62%).

Mais recentemente na Escócia, CRUICK-SHANK et al. 20, (1970) compararam os resultados das provas de aglutinação e de FC e concluiram, da sua pesquisa, que há uma boa correlação nos resultados obtidos por ambas as provas. Observaram, no entanto, que nos casos em que se isolou a B. pertussis, a prova de FC' parece ter se revelado mais sensível que a de aglutinação.

Em nosso estudo, dos 155 casos que foram internados, foi possível obter duas amostras de sangue de 46 doentes, a fim de serem realizadas as provas sorológicas. Dos demais casos, colheu-se, de cada doente, somente a primeira amostra de sangue e não se pôde coletar a segunda, pois os pacientes não compareceram ao hospital na data marcada para o retorno, ou seja, um mês após a obtenção da primeira amostra.

Foi baseado nos estudos de CHIEVITZ & MEYER 15 (1916) e de DONALD 22 (1938) que elegemos o intervalo de um mês para a coleta das duas amostras de sangue.

CRUICKSHANK et al.20 (1970) o fizeram com intervalo de 14 dias. PRESTON 51 (1970) recomenda a coleta da primeira amostra de sangue em época a mais próxima do início da doença e, a segunda amostra, cerca de seis semanas após.

Nas amostras de soro dos 46 pacientes por nós estudados, realizamos as provas de FC' e de aglutinação para B. pertussis e de aglutinação para B. parapertussis.

Pelas provas sorológicas, apenas um caso apresentou elevação do título de anticorpos contra B. parapertussis, mas revelou, também, níveis de igual teor de anticorpos para B. pertussis. Esta infecção poderia, assim, ter sido devida à B. pertussis, a mais comum, tendo ocorrido, provavelmente, uma positividade sorológica cruzada (Tabela 6).

Na mesma Tabela, podemos verificar, ainda, que a reação de FC' apresentou sensibilidade maior que a de aglutinação, principalmente nos casos em que se isolou a B. pertussis, levando-se em conta a elevação do nível de anticorpos. Embora CRUICKSHANK et al.20 (1970) tenham feito observação semelhante, no nosso estudo não nos foi possível tirar conclusões a respeito, dado ser pequeno o número de casos examinados.

É importante salientar que de 13 casos referidos como de 1.a semana de doença, 10 possuiam anticorpos em níveis dosáveis, já na primeira amostra de soro. Destes, um foi positivo na prova de aglutinação e 5 na de FC' e 4 em ambas as provas. A presença de anticorpos circulantes contra a B. pertussis nestes pacientes, pode ser devida a vacinação anterior, parcial ou completa, a infecções prévias por essa bactéria, na forma clínica ou sub-clínica, com sintomatologia típica ou atípica. Por outro lado, poderiam estar não na primeira semana de doença, mas sim num estágio mais avançado.

Analisando a Tabela 7, verificamos que dos 46 casos estudados bacteriológica e sorologicamente, 36 (78,3%) tiveram o diagnóstico de coqueluche confirmado clinicamente e 10 (21/7%) não confirmado. No laboratório, através dos exames bacteriológico e sorológico, dos 46 casos, 28 (60,9%) foram diagnosticados como sendo de coqueluche e 18 (39,1%) apresentaram resultados negativos.

Dos 36 casos confirmados clinicamente, foram diagnosticados laboratorialmente, através do isolamento de B. pertussis e/ou provas sorológicas de aglutinação e/ou de FC', 26 (61,1%). Dos 10, cujo diagnóstico não foi confirmado clinicamente, 6 (60%) revelaram-se positivos pelas provas sorológicas. Aplicado o teste estatístico de MACNEMAR45 (1960), observou-se que a diferença entre a positividade do diagnóstico clínico e a dos exames bacteriológico e/ou sorológico, levando-se em conta as discordâncias (Tabela 7), não foi significante ao nível de 5%. Entretanto, salientamos que dos 36 casos confirmados clinicamente como sendo de coqueluche, 14 (38,9%) mostraram-se negativos nos exames bacteriológico e sorológico; dos 10 doentes que tiveram também o diagnóstico inicial de coqueluche, o qual não foi confirmado clinicamente, 6 (60,0%) foram positivos pelos exames sorológicos. Estas observações revelam a importância das provas bacteriológica e sorológica no diagnóstico de coqueluche, pois, houve casos em que a confirmação diagnóstica foi obtida apenas através das provas de laboratório, no caso, as sorológicas.

Devemos salientar, no entanto, que essas provas laboratoriais, apresentam algumas limitações. Com relação ao isolamento da B. pertussis, é sabido que os resultados podem ser obtidos já após dois a três dias, ou após um período de tempo maior. Segundo LAUTROP 40 (1960), devem ser realizados exames de pelo menos três amostras consecutivas de material, para se considerar o resultado como sendo negativo. Uma outra limitação é a fase da doença, relativamente ao isolamento da B. pertussis. Em nosso estudo já referimos que cerca de 80% dos casos examinados apresentavam-se na fase espasmódica, na qual a positividade ao isolamento de B. pertussis é mais baixa. Nestes casos, em que a doença se apresenta já em fases mais avançadas, as provas sorológicas podem ter grande valor diagnóstico, medindo-se a elevação do título de anticorpos circulantes específicos. No entanto, às vezes pode haver dificuldade quanto a interpretação dos resultados. LAUTROP 40 (1960) comenta a esse respeito que, na maioria das vezes, os anticorpos aparecem na 3.a e 4.a semanas de doença, atingem o nível máximo na 7.a e 8.a semanas, o qual depois diminui. Nesta fase de declínio, pode haver nova elevação do título de anticorpos circulantes contra a B. pertussis, devida a estímulos inespecíficos decorrentes, por exemplo, de infecções por outros agentes.

Na presente investigação, pareceu-nos conduta mais acertada, considerar a positividade sorológica, apenas quando houve elevação de título de anticorpos de pelo menos 4 vezes. Isto porque, não está estabelecido um nível mínimo de anticorpos circulantes, de valor diagnóstico, o qual poderia ser determinado em uma única amostra de soro do doente, colhida em época adequada. Em qualquer região, porém, onde seja extensiva a prática da vacinação contra a coqueluche, a presença de anticorpos no soro do doente, observada através de uma única determinação, poderia representar tanto infecção presente, como infecção ou imunização anteriores.

Em nossa pesquisa, apesar de ser sabido que o nível de anticorpos decresce após a 7.a semana de doença, indivíduos que se apresentavam na 8.a semana ou mais, mostraram ainda elevação dos títulos de anticorpos contra a coqueluche. Houve casos, mesmo, em que a segunda coleta do sangue ocorreu na 13.a e 14.a semanas de doença e ainda assim observamos aumento dos títulos de anticorpos contra a B. pertussis.

Apesar das limitações apresentadas, relativas aos exames bacteriológico e sorológico, na coqueluche, estes devem ser realizados, pois os seus resultados são importantes, não só para os clínicos, mas também à Saúde Pública.

Como já foi referido, segundo observações mais recentes, pode haver casos apresentando sintomatologia de coqueluche, devidos a infecções por adenovírus (CHANY et al.14, 1958; FABER & VAWTER28, 1961; OLSON et al.40, 1964; COLLIER et al.16, 1966 e CONNOR40, 1970). Em vista disto, embora não fosse um dos nossos objetivos, no presente estudo, resolvemos determinar nas amostras de soro dos 46 casos referidos, o título de anticorpos fixadores de complemento contra adenovírus. Nestas dosagens, empregou-se a técnica de BRADSTREET & TAYLOR9 (1962) modificada, usada por CANDEIAS 12 (1968). Verificou-se que dos 46 casos, 7 (15,2%) apresentaram elevação do nível de anticorpos FC' somente contra adenovírus, 9 (19.6%) contra adenovírus e B. pertussis, nesta última pelas provas de aglutinação e/ou FC' e 16 (34,8%), unicamente contra a B. pertussis; 14 casos (30,4%) não revelaram aumento do título de anticorpos contra ambos os agentes.

Dos 16 casos em que se observou a elevação do nível de anticorpos FC' contra adenovírus, isolou-se de dois a B. pertussis e nestes casos o diagnóstico clínico de coqueluche foi também confirmado. Dos 4 restantes, não se isolou a B. pertussis e destes, 7 revelaram elevação do título circulante de anticorpos, unicamente contra B. pertussis e 7 somente contra adenovírus. Nestes dois grupos verificou-se nos prontuários que a confirmação clínica do diagnóstico de coqueluche foi, respectivamente, de 85,7%, ou seja, em 6 casos cada.

Entretanto, dado o fato de não ter sido examinado um grupo controle, não nos é possível tirar conclusões sobre a participação de adenovírus no desencadeamento da sintomatologia de coqueluche, apresentada pelos doentes estudados.

 

5. CONCLUSÕES

Segundo os resultados obtidos na presente investigação e de acordo com a discussão por nós desenvolvida, acreditamos ter contribuído com algumas informações a respeito da coqueluche em nosso meio, sintetizadas nas conclusões que passaremos a enumerar:

1. De 255 crianças apresentando sintomas de coqueluche, isolou-se a B. pertussis de 55 (21,6%). Não foram isoladas estirpes das outras espécies de bactérias do gênero Bordetella, ou sejam, B. parapertussis e B. bronchiseptica.

2. De 129 doentes cujo diagnóstico de coqueluche foi confirmado clinicamente, a positividade do isolamento de B. pertussis foi de 20,2% (26 casos). Dentre os pacientes referidos como se encontrando na primeira semana de doença, a positividade foi de 40%, depois decresceu, atingindo 5,6% nos casos já na quinta ou mais semanas. De 26 casos não confirmados clinicamente, como sendo de coqueluche, isolou-se a B. pertussis de dois (7,7%), dos que foram referidos como estando na primeira semana de doença.

3. Dos 46 casos estudados bacteriológica e sorologicamente, 36 (78,3%) tiveram o diagnóstico confirmado clinicamente. Destes, 22 (611%) revelaram resultados positivos nos exames bacteriológico e/ou sorológico. Nos 10 casos (21,7%) restantes, o diagnóstico inicial de coqueluche não foi confirmado clinicamente, porém, 6 (60,0%) deles revelaram elevação do nível de anticorpos contra a B. pertussis, através das provas sorológicas. Portanto, dos 46 doentes, através do exame bacteriológico e/ou das provas sorológicas, de fixação de complemento e de aglutinação, foram diagnosticados como sendo de coqueluche, 28 casos (60,9%).

4. Dos 46 doentes, cujos soros foram submetidos a provas sorológicas, 14 casos (30,4%) revelaram elevação do nível de anticorpos na prova de aglutinação e 19 (41,3%), na de fixação de complemento. Oito casos (17,4%) foram positivos em ambas as provas; 6 (13,0%), somente na de aglutinação e 11 (23,9%), unicamente na de fixação de complemento. Estas observações sugerem que a reação de fixação de complemento foi mais sensível que a de aglutinação.

5. Os exames bacteriológico e sorológico mostraram-se elementos muito importantes no diagnóstico da coqueluche, pois, através deles, confirmaram-se, como sendo desta doença, casos suspeitos que não haviam sido confirmados clinicamente. Quanto às provas sorológicas, acreditamos ser conveniente o emprego concomitante da prova de aglutinação e de fixação de complemento. Note-se que pelas nossas observações, se tivéssemos realizado apenas a prova de fixação de complemento, teríamos obtido 19 casos positivos, ao passo que o emprego de ambas proporcionou a evidenciação de 25 casos.

 

6. AGRADECIMENTOS

A todos que colaboraram, direta ou indiretamente na realização desta pesquisa.

 

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Recebido para publicação em 17-9-1973
Aprovado para publicação em 9-10-1973

 

 

* Resumo de Tese de Doutoramento, apresentada à Faculdade de Saúde Pública da USP, em 1971
** O soro anti-Bordetella pertussis usado, foi preparado no Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro e gentilmente cedido pela Dra. Arlette Ubatuba. O soro anti-Bordetella parapertussis (Difco) foi adquirido no comércio e utilizado após diluição a 1/10 em solução de cloreto de sódio a 0,85%, segundo a bula que acompanhava o produto.