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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.10 n.2 São Paulo Jun. 1976

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101976000200003 

ARTIGO ORIGINAL

 

Tétano e vacinação antitetânica: estudo na população urbana de Londrian (PR), Brasil

 

Tetanus and antitetanic vaccination: a study in the urban population of Londrina (Paraná, Brazil)

 

 

José Luís da Silveira BaldyI; Adelino LandgrafII; Antonio Carlos de QueirozII; Antonio VerenhitachII; Hugo VerenhitachII; Agenor Mário CattoniIII; Eli Villela de MagalhãesIV

IDo Departamento de Medicina Geral e Saúde Comunitária da Universidade Estadual de Londrina – Rua Pernambuco, esq. Pio XII – Londrina, PR – Brasil
IIAcadêmicos do sexto ano do curso de Medicina do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina, PR – Brasil
IIIDo Departamento de Filosofia e Estudos Sociais do Centro de Ciências Humanas da Universidade Estadual de Londrina, PR – Brasil
IVDo Departamento de Matemática e Estatística do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade Estadual de Londrina, PR – Brasil

 

 


RESUMO

Inquérito realizado em três grupos da população urbana de Londrina (PR), representados por 602 donas-de-casa, 464 colegiais e 778 universitários, com o objetivo de: determinar o número de vacinados contra o tétano; avaliar índices de conhecimento sobre o tétano, a vacina e o soro antitetânicos; correlacionar esses índices com algumas características de cada grupo da população estudada. Concluiu-se que conceitos incorretos e carência de informação quanto ao tétano e à vacina antitetânica prevalecem na população da zona urbana de Londrina (PR). Foi discutido o significado e a decorrência desses fatos afirmando-se que a morbidade do tétano, persistentemente elavada no Brasil, deve representar séria advertência para as autoridades de saúde pública em nosso país, com vista à reformulação dos programas de vacinação antitetânica e à revisão dos métodos de educação sanitária adotados na divulgação dessa doença e dos recursos científicos disponíveis para sua profilaxia.

Unitermos: Tétano. Vacinação antitetânica. Soro antitetânico. População urbana, Londrina, PR (Brasil).


SUMMARY

Employing a standardized questionary, an inquiry was made among three groups in the urban population of the city of Londrina (Paraná, Brazil), including 602 housewives, 464 high-school and 778 university students. The aims were: to determine the number of subjects vaccinated, against tetanus; to evaluate the degree of knowledge regarding tetanus, antitetanic vaccine and antitetanic serum; to establish a relationship between these indices and some characteristics of each group of the population studied. The conclusions pointed to incorrect concepts and lack of information about tetanus and antitetanic vaccine being prevalent among the population of the urban zone of Londrina. The signification and the consequences of these facts are discussed, and it is assured that the high morbidity of tetanus, in Brazil, should mean a serious warning to Public Health authorities. These and similar results should be regarded when changes in programmes of antitetanic vaccination are considered; these results are applicable to reviews on methods of health education regarding this subject, as well as scientificae resources available for its prophilaxis.

Uniterms: Tetanus, Antitetanic vaccine. Antitetanic serum. Urban population, Londrina (Brazil).


 

 

INTRODUÇÃO

O tétano, uma das doenças infecciosas de maior letalidade. ainda tem elevada prevalência em nosso país2,4,10,12. Vários trabalhos5, 6, 9, 12, 13, 14 dão ênfase às dimensões do problema de saúde pública representado pelo tétano, entre nós.

Em vista de sua elevada morbidade, essa doença causa grandes despesas ao nosso governo, sendo os gastos com o tratamento incomparavelmente maiores do que os invertidos na sua prevenção. Segundo Veronesi14, a importância despendida anualmente no tratamento de tetânicos, em nosso país, seria suficiente para evitar-se, com vacinação adequada, a ocorrência de 26.000 casos da doença, com aproximadamente 13.000 mortes. A importância gasta no Hospital das Clínicas de São Paulo, segundo esse mesmo autor, correspondia em 1971 a uma vez e meia do custo da vacinação antitetânica de todas as crianças nascidas num ano, no Estado de São Paulo. O custo do tratamento dos casos graves de tétano – com vantagens óbvias para o prognóstico7 – tem aumentado significativamente, na medida em que nos modernos hospitais esses doentes são transferidos para unidades de terapia intensiva7 ou de respiração assistida8.

Não encontramos na literatura nenhuma referência à incidência, à mortalidade e ao gasto anual com o tétano no Estado do Paraná; somente obtivemos informação quanto à sua morbidade em Curitiba (PR), no período entre 1960 (3,3/100.000 habitantes) e 1966 (2,6/ 100.000 habitantes), ano em que a mortalidade do tétano foi de 2,6/100.000 habitantes5.

Apesar da falta de dados, parece-nos lícito admitir que a ocorrência dessa doença seja mais comum no Estado do Paraná que no Estado de São Paulo, onde está em vigência lei de vacinação compulsória de todos os escolares11,14, além do mais alto nível das condições sócio-econômicas da população.

No período entre 1.° de janeiro de 1972 e 30 de junho de 1975, foram internados no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (PR) 14.125 doentes, dos quais 101 (0,71%) apresentavam tétano, sendo 29,7% (30 casos) de tétano umbilical. Cerca de três quartos dos enfermos eram moradores da zona rural. A letalidade registrada globalmente foi de 31,68% (32 casos), alcançando 9,85% (7 casos) entre crianças (excluídos os recém-nascidos) e adultos, e 88,33% em relação aos pacientes com tétano neonatal.

Considerando-se, pois, que o tétano ainda constitui relevante problema de saúde pública em nosso país, tivemos como objetivos neste trabalho:

1. determinar o percentual de indivíduos vacinados, na população estudada;

2. avaliar, na população estudada, alguns índices de conhecimento sobre o tétano, a vacina e o soro antitetânicos;

3. correlacionar esses índices com algumas características dos grupos estudados.

 

POPULAÇÃO E METODOLOGIA

O município de Londrina, situado no Norte do Estado do Paraná, apresentava em 1973, por estimativa, população de 306.232 habitantes, residindo 219.587 (71,7%) na zona urbana e 86.645 (28,3%) na zona rural.

Estudou-se a população da zona urbana desse município através de uma amostra composta por três grupos:

Grupo A – 602 donas-de-casa;

Grupo B – 464 colegiais;

Grupo C – 778 universitários.

O levantamento foi realizado através de questionário padrão, elaborado especialmente para as entrevistas.

Foram avaliados os seguintes aspectos:

a) noção prévia da existência e da ocorrência da doença, forma de transmissão, existência de vacina, esquema de vacinação, eficácia, disponibilidade e custo da vacina antitetânica;

b) índice de vacinados adequadamente (três doses iniciais e reforços sucessivos a intervalos regulares), considerando-se os motivos que determinaram a vacinação e a não vacinação;

c) importância atribuída ao emprego de algumas medidas (aplicação de fumo, urina, esterco e teias de aranha em ferimentos), quanto à etiologia da doença.

Grupo A: donas-de-casa

Para a escolha das entrevistadas utilizou-se uma planta da zona urbana do município de Londrina, na qual foram listados os 1.508 quarteirões, sorteando-se então, através de uma tabela de números ao acaso3, 10% desse total, ou seja, 150 quarteirões.

Estabeleceu-se previamente que a dona-de-casa a ser entrevistada seria sempre a moradora da terceira casa de cada face da rua, segundo contagem feita em sentido anti-horário. A adoção desse critério baseou-se no estudo de amostragem piloto de 20 quarteirões, tendo-se determinado em dez o número médio de casas em cada face da rua. Quando a dona-de-casa estava ausente ou, então, negava-se a responder ao questionário, passava-se à casa imediatamente seguinte, sempre respeitando o sentido anti-horário. Quarteirões que não possuíam casas em algumas de suas faces e aqueles que possuíam somente três faces também foram incluídos no trabalho. No final, foram sorteados quarteirões suplementares para atingir-se o número pré-estabelecido de donas-de-casa a serem entrevistadas.

Grupo B: colegiais

Dos 13 estabelecimentos de ensino de nível colegial existentes na zona urbana de Londrina foram sorteados 50% do total, ou seja, 6 estabelecimentos. Nesses estabelecimentos de ensino colegial foram sorteados 20% das salas de aula, nos diversos períodos de atividade escolar. Entrevistaram-se todos os alunos das salas sorteadas, obtendo-se 464 questionários respondidos. Os questionários foram respondidos simultaneamente por todos os alunos, em cada período de atividade, sob a orientação e a supervisão de um dos autores deste trabalho.

Grupo C: universitários

No ano em que foi efetuado o inquérito (1974) existiam no município de Londrina três entidades de ensino de nível superior: Universidade Estadual de Londrina (UEL), Faculdade de Educação Física do Norte do Paraná (FEFI) e Centro de Estudos Superiores de Londrina (CESULON).

Devido à grande dispersão dos alunos da UEL por diversos Centros instalados em vários locais da cidade – já que alguns Centros da UEL ainda não tinham sido transferidos para o Campus Universitário – e pelo fato de a FEFI promover um só tipo de curso, a número reduzido de alunos, optou-se pela realização da pesquisa no CESULON.

O CESULON mantém cursos de Ciências Sociais, Matemática, Pedagogia e Psicologia. Na época tinham sido matriculados 1.119 alunos, dos quais 778 (69,53%) foram entrevistados.

O questionário foi respondido em todas as salas de aula, nos períodos de funcionamento da escola, sempre na presença de pelo menos um dos autores do trabalho.

 

RESULTADOS

Os resultados obtidos da análise dos 1.844 questionários, respondidos pelos três grupos de população estudados, encontram-se nas Tabelas de 1 a 17. Nessas Tabelas as estimativas de cada parâmetro estão apresentadas em números absolutos (n) e nas respectivas percentagens (%).

 

COMENTÁRIOS

Algumas características da população inquirida e suas concepções a respeito do tétano, do soro e da vacinação antitetânica foram colocadas em evidência pelos dados obtidos em nosso estudo. Chamaram particularmente a atenção as observações a que damos ênfase nos comentários que se seguem.

Verificamos (Tabela 1) ser muito grande, na zona urbana do município de Londrina, a percentagem de donas-de-casa analfabetas (20,76%) ou com instrução primária incompleta (37,36%), tendo apenas 1,51% dos participantes desse grupo realizado curso superior completo. A importância dessa característica do grupo em apreço refletiu-se na menor freqüência com que as donas-de-casa, em relação aos outros grupos, demonstraram ser dotadas de conhecimentos e concepções corretas quanto ao tétano e à vacina antitetânica, como se evidencia na seqüência destes comentários.

 

 

Como decorrência dos tipos de cursos oferecidos pelo CESULON, a maior parte dos componentes do Grupo C (87,28%) foi representada por pessoas do sexo feminino (Tabela 2), fato que admitimos não ter influído significativamente nos resultados obtidos.

Os grupos estudados não eram semelhantes do ponto de vista econômico (Tabela 3), verificando-se que possuíam renda familiar mensal inferior a 600 cruzeiros, 21,10% do Grupo A, 20,91% do B e 10,29% do C, enquanto no outro extremo (renda familiar mensal maior que 1.800 cruzeiros), as percentages corresponderam a 25,41% no Grupo A, 31,25% no B e 50,90% no C. Sobressai desses dados a expressiva parcela da população estudada, nos três grupos, com renda familiar mensal inferior a 600 cruzeiros, sendo também marcante o contraste dessa percentagem – que diminui de modo acentuado quando se comparam os Grupos A e B (21,10% e 20,91% respectivamente) e o Grupo C (10,29%). Chama também a atenção a alta percentagem de universitários cuja renda familiar mensal ultrapassava 1.800 cruzeiros, quando cotejada com a dos Grupos A e B.

Observa-se que o tétano é uma infecção cuja existência é muito divulgada em nosso meio: quase a totalidade dos entrevistados, nos três grupos, tinham conhecimento prévio da doença (Tabela 4), o mesmo ocorrendo quanto à sua forma de transmissão (Tabela 5).

Mais de 69% da população entrevistada admitiu que o tétano é doença curável (Tabela 6), enquanto apenas um quarto das donas-de-casa e quase 50% dos colegiais e universitários admitiram que determina morte com pequena freqüência (Tabela 7).

Dos dados acima referidos pode-se depreender que – apesar de ser doença muito conhecida – o tétano não é considerado, de modo geral, moléstia de prognóstico grave, concepção que se contrapõe frontalmente ao fato ainda hoje registrado na prática médica: à semelhança do que se verifica em vários centros do nosso país 4, 5, 10, 12, 14, a letalidade do tétano no Hospital Universitário de Londrina – conforme já referimos – é de 31,68%.

É de causar perplexidade o elevado índice (26.75%) de donas-de-casa da zona urbana de Londrina que ignoravam a existência de vacina antitetânica (Tabela 8). Por sua vez, alta percentagem de indivíduos dos três grupos admitiu erroneamente ser dotada a vacina antitetânica de propriedade curativa quando empregada no tratamento do tétano (Tabela 9).

Desconheciam a finalidade com que é utilizada a vacina antitetânica, 30,23% das donas-de-casa, 12,07% dos colegiais e 3,47% dos universitários (Tabela 10), percentagens a nosso ver muito elevadas, particularmente para o primeiro e o terceiro grupo; parece-nos preocupante que quase um terço de mães de família residentes na zona urbana de uma cidade com as características de Londrina desconheçam para que serve a vacina antitetânica. Também nos parece inadmissível que sequer um estudante de nível universitário possa ignorar esse fato.

Considerando-se a simplicidade e a inocuidade da vacinação e a fácil disponibilidade e o baixo custo da vacina antitetânica em nosso meio, foi muito baixo o índice de indivíduos que se consideravam vacinados contra o tétano: apenas 18,11% no Grupo A, 43,97% no B e 33,16% no C (Tabela 11). Essas cifras, acrescendo-se ao fato de serem baixas de per si, devem ainda ser consideradas com reservas, uma vez que – como se pode deduzir das informações abaixo relacionadas – muitos desses indivíduos não faziam distinção entre soro e vacina antitetânicos e, se foram vacinados, muitos deles não devem ter recebido o número mínimo de doses imunizantes e reforços com intervalos adequados.

Entre os indivíduos que se consideravam vacinados, a ocorrência de ferimentos constituiu-se em fator que, com muita freqüência, condicionou a vacinação, tal como a entendiam os entrevistados (Tabela 12). alcançando 55,96% no Grupo A, 15,38% no B e 18,99% no C.

Aliás, grande parcela dos entrevistados consideravam erroneamente que a vacina deveria ser aplicada apenas na oportunidade em que ocorresse um ferimento, correspondendo esse ponto de vista à elevadíssima percentagem de 73,79% entre os universitários (Tabela 13). Grande parte, pois, da população estudada não considerava a vacinação antitetânica recurso profilático, mas terapêutico, a ser utilizado nas emergências.

Verificou-se também a ocorrência de freqüente confusão (desconhecimento ou inexistência de diferença) entre vacina e soro antitetânicos (Tabela 15), em todos os grupos.

Esses fatos devem constituir advertência incisiva quanto à conduta médica a ser estabelecida em casos de ferimentos graves, em relação aos quais a não aplicação do soro antitetânico ou da imunoglobulina humana antitetânica 1, 12 está eventualmente condicionada às informações fornecidas pelo doente ou pelo acompanhante; os dados relativos à imunização prévia, com observância dos esquemas padronizados 1, devem ser avaliados, nessas oportunidades, com muita cautela e submetidos a cuidadosa crítica do perquiridor.

Quanto ao conhecimento dos locais onde a vacina antitetânica pode ser encontrada, 32,55% das donas-de-casa, 10,99% dos colegiais e 8,10% dos universitários desconheciam onde obter esse agente imunizante (Tabela 16). É de causar preocupação que quase um terço das mães de família – as responsáveis habituais pela providência de vacinar as crianças – da área urbana de Londrina desconheçam esse fato, sobretudo quando nesse município o toxóide tetânico se acha disponível gratuitamente no Posto de Saúde do 17.° Distrito Sanitário do Estado do Paraná e, a preço relativamente baixo, em qualquer farmácia.

Para confirmar, à saciedade, a predominância de concepções errôneas a respeito da prevenção do tétano, 31,23% das donas-de-casa, 10,56% dos colegiais e 5,14% dos universitários entrevistados (Tabela 17) admitiram a absurda possibilidade de que o uso de fumo, urina, esterco e teias de aranha evitam a instalação da doença.

 

CONCLUSÕES

Conclui-se, pois, que conceitos e noções incorretos e carência de informação quanto ao tétano, à vacina antitetânica e a outras medidas para sua prevenção prevalecem na população da zona urbana de Londrina, representada por donas-de-casa, colegiais e universitários.

Esse fato torna-se mais grave na medida em que as donas-de-casa constituem em nossa organização social o responsável pela providência de medidas profiláticas quanto às doenças prevalentes na infância, entre as quais o tétano se agrupa. Por outro lado, a falta de informação dos universitários, em relação à doença e à vacina antitetânica, em proporção significativamente alta, constitui evidência do que se verifica a esse respeito em grupos da população considerados "de nível cultural elevado", em nossa sociedade.

Pode-se, portanto, deduzir que o problema deva agravar-se, em nosso meio, nas populações da zona rural, de que é muito baixo o índice de informação sanitária e pequena a possibilidade de acesso aos recursos profiláticos, apenas disponíveis na área urbana dos municípios.

A alta prevalência do tétano no Norte do Paraná, ilustrada pelo número relativamente grande de casos internados no Hospital Universitário de Londrina, no período de 1972 a 1975, está em concordância com os dados obtidos em nosso estudo, confirmando o desconhecimento predominante na população desse município quanto a uma doença grave, de tratamento dispendioso, com ainda elevado índice de letalidade, para cujo controle se dispõe, gratuitamente ou a baixo custo, de agente imunizante inócuo e soberbamente eficaz.

A vacinação antitetânica obrigatória de grupos profissionais mais expostos, das gestantes e dos escolares11 permitiria por certo reduzir acentuadamente a incidência do tétano, doença que, ao lado de outras facilmente preveníveis – tais como poliomielite, sarampo e difteria –. constitui ainda sério problema de saúde pública no Brasil.

Em nosso país, nas escolas de primeiro grau, segundo grau e superiores, as matrículas não são permitidas sem apresentar-se comprovante de vacinação antivariólica. Parece-nos contrasenso que, para uma virose sob controle, desde 1971, no Brasil 5 essa exigência seja tão rigorosa, enquanto em relação à vacina anti-tetânica – capaz de prevenir com absoluta segurança uma doença que mata 13.000 brasileiros por ano2 – seja tão frouxa e incidental a preocupação dos legisladores da Medicina Preventiva em torná-la obrigatória, pelo menos para alguns grupos selecionados da população.

Os resultados obtidos em inquéritos semelhantes ao que realizamos exigem reflexão e rigorosa auto-crítica das autoridades responsáveis pelos programas de educação sanitária em nosso país. Os recursos públicos destinados à saúde não devem ser despendidos em propagandas onerosas, cuja linguagem nada tem a ver com o nível cultural e a capacidade de compreensão do nosso povo.

 

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Recebido para publicação em 05/11/1975
Aprovado para publicação em 05/01/1976
Trabalho realizado pelos Departamentos de Medicina Geral e Saúde Comunitária do Centro de Ciências da Saúde, de Filosofia e Estudos Sociais do Centro de Ciências Humanas e de Matemática e Estatística do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade Estadual de Londrina