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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.11 n.4 São Paulo Dec. 1977

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101977000400006 

ARTIGO ORIGINAL

 

Tábua de vida da população feminina de Ribeirão Preto, SP (Brasil), 1973

 

Life table for the female population of the county of Ribeirão Preto (State of S. Paulo, Brazil), 1973

 

 

Clarisse D. G. Carvalheiro

Do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP – 14100 – Ribeirão Preto, SP – Brasil

 

 


RESUMO

Obteve-se a tábua de vida corrente, para a população feminina do Município de Ribeirão Preto, SP, Brasil, no ano de 1973. A curva de sobreviventes em idades sucessivas e a esperança de vida foram comparadas com valores obtidos para 1950, no mesmo Município. A esperança de vida ao nascer, 65,3 anos foi comparada com as obtidas para diferentes regiões do Estado de São Paulo em 1967, população feminina do Rio Grande do Norte (40,0 anos), do Rio Grande do Sul (62,5 anos) e do Brasil (55,6 anos) em 1970.

Unitermos: Mortalidade. Tábuas de vida. Estatística Vital.


ABSTRACT

The life table for the female population of the county of Ribeirão Preto (State of S. Paulo, Brazil), in the mid-year 1973, was constructed. The curve of survivors at successive ages and expectation of life at birth were compared with the values obtained by Duarte & Milanesi (1958) for 1950, for the same county.
Expectation of life at birth, 65,3 years, was compared also with the values obtained for different regions of the State of S. Paulo in 1967, female population of the State of Rio Grande do Norte (40,0 years), of the State of Rio Grande do Sul (62,5 years) and Brazil as a whole (55,6 years) in 1970.

Uniterms: Mortality. Life Tables. Vital Statistics.


 

 

INTRODUÇÃO

Sabemos que o Brasil apresenta grandes diferenças regionais no que se refere à saúde e ao comportamento demográfico de suas populações 11. O contingente feminino, que corresponde a 50,2% do total da população, segundo estimativa para 1/7/19751 acompanha também esta diversidade regional.

Constituindo a população feminina um grupo de grande importância biológica e sócio-econômica, estudos relacionados aos seus níveis de saúde são importantes, principalmente para detectar as diferenças existentes. A esperança de vida ao nascer entre os diversos indicadores de saúde propostos, tem várias vantagens: além de ser um resumo, é um indicador positivo, ao contrário dos outros que medem saúde através de sua ausência.

Assim este trabalho se propôs, construindo a tábua de vida da população feminina residente em Ribeirão Preto na época atual, determinar a esperança de vida desta população confrontando-a com outras regiões do país.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os óbitos ocorridos em cada grupo etário da população feminina residente no Município de Ribeirão Preto, nos anos de 1972 a 1974, foram obtidos dos Mapas Demógrafo-Sanitários da Divisão Regional de Saúde de Ribeirão Preto (DRS-6)1

Utilizou-se o número anual médio de óbitos, para o período 1972-1974. Determinaram-se os coeficientes de mortalidade específicos por idade (nMx) em cada um dos grupos etários, para o sexo feminino.

Os dados referentes à população feminina foram obtidos dos censos de 1/9/19602 e 1/9/19708, excluindo-se em 1/9/1960 a população de Dumont, que na época pertencia ao Município de Ribeirão Preto. Para a data de 1/7/1973 foi feita estimativa baseada na hipótese de crescimento aritmético da população. Transformamos os coeficientes de mortalidade, em probabilidades de morte em cada intervalo de idade da tábua de vida abreviada, de acordo com a fórmula de Greville5 e Benjamin2. Da mesma forma que Duarte e Milanesi 4, consideramos lqo igual a lmo. Utilizamos ainda os mesmos critérios destes últimos autores na determinação de nLx. No restante, procedemos da maneira usual na construção de tábuas de vida. Adotamos como raiz da tábua, 1o = 100.000.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Tabela 1 apresenta a tábua de vida para mulheres do Município de Ribeirão Preto, segundo a mortalidade no período 1972-1974.

A Fig. 1 mostra os coeficientes de mortalidade específicos por idade (coluna nMx). Verifica-se que o coeficiente de mortalidade no grupo etário de menores de 1 ano, é da ordem de 45,54 por mil, decrescendo a seguir abrutamente a valores muito baixos, atingindo seu menor valor no grupo etário entre 5 e 10 anos. Mantém-se com valores muito baixos até os 25 anos, e daí em diante sofre uma ascenção discreta até os 55 anos. A partir desta idade, a ascenção é quase vertical.

Elizaga6 em 1972, comentando os coeficientes de mortalidade por sexo e idade dos Estados Unidos e México, em 1940, afirma que nos 2 países, apesar da diferença de nível, verifica-se a distribuição da mortalidade por idades, característica de todas as populações humanas. Nos primeiros anos de vida, principalmente no primeiro, o coeficiente é muito elevado. Aseguir decresce rapidamente até alcançar o valor mínimo ao redor dos 10 anos e daí em diante cresce lentamente até uma idade próxima dos 50 anos. Posteriormente há um grande aumento. Idêntico fato havia sido comentado por Dublin e col.5 em 1949.

As probabilidades de morte (nqx) estão indicadas na Fig. 2. Vemos que a forma desta curva é semelhante à da Fig. 1.

Na Fig. 3 verifica-se a curva de sobreviventes em idades sucessivas, de 100.000 mulheres nascidas vivas, extraída da tábua de vida para o ano central de 1973 (Tabela 1) e também da tábua de vida obtida por Duarte e Milanesi4 para o Município de Ribeirão Preto, no ano central de 1950. Esta tábua de vida de 1950 é apresentada para efeito de comparação. Lembramos, entretanto, que as populações que se referem às duas tábuas não são exatamente as mesmas, já que em 1950 ainda se achava incluído o atual Município de Dumont como um Distrito do Município de Ribeirão Preto. Por outro lado, esta curva de 1950 inclui a população feminina e masculina. Dado o fato de que a mortalidade feminina é constantemente menor que a masculina, se a curva de 1950 fosse somente para o sexo feminino, na certa ela se aproximaria mais da de 1973.

A curva correspondente a 1973, depois de uma queda rápida no primeiro ano de vida, cai muito lentamente, até cerca dos 50 anos, e em seguida passa a declinar mais rapidamente. Usamos o artifício de considerar que aos 100 anos a população estava extinta.

A Fig. 4 mostra os óbitos expressos na tábua de vida para o ano central 1973 e sua distribuição nos diferentes grupos etários. Verificamos que seu aspecto é semelhante ao da Fig. 1, que mostra os coeficientes específicos por idade. Convém ressaltar que interrompemos a distribuição aos 70 anos. Se tivéssemos continuado, provavelmente haveria, como de hábito, um declínio dos óbitos a partir desta idade.

A esperança de vida, calculada em cada limite inferior de intervalo da tábua de vida (coluna ex) acha-se expressa na Fig. 5. Nele também comparamos a esperança de vida obtida para o ano central de 1973, com a obtida por Duarte e Milanesi4 para 1950. Verifica-se que as duas curvas se aproximam progressivamente com a idade, cruzando-se ao redor dos 55 anos.

Fixando-nos exclusivamente na esperança de vida ao nascer, na Tabela 2, comparamos os nossos resultados com o dos dois autores já citados, bem como com os de anos mais recentes.

Assim:

– Guedes 7, para a população total das diferentes regiões administrativas do Estado de São Paulo, em 1967.

– Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo9, para a população total do município de São Paulo e do interior do Estado em 1950, 1960 e 1970.

– Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo10 para a população total de brasileiros nascidos no Estado de São Paulo e residentes no município de São Paulo, em 1970.

– Centros de Estudos de Dinâmica Populacional (CEDIP)3, para a população feminina dos Estados do Brasil em 1970.

Verifica-se que a esperança de vida ao nascer, em Ribeirão Preto, para 1973, é de praticamente 10 anos mais que 1950. Entretanto, para este ano, o dado, como já dissemos, refere-se à população total e não somente à feminina, o que daria um valor um pouco mais alto. Ainda para o mesmo ano (1950) e população total, verifica-se para o interior de São Paulo, 53,4 anos e para o município de São Paulo um valor mais alto, 57,5 que chega a 62,4 anos em 1960. Em 1967, para a população total da Região de Ribeirão Preto, encontramos um valor muito próximo (64,2 anos) do existente em 1973, que difere entretanto dos valores encontrados em outras áreas do Estado de São Paulo, como o Vale do Paraiba (59,9 anos). Está ainda um pouco abaixo da esperança de vida da Grande São Paulo (67,1 anos).

Para o ano de 1970, todos os valores encontrados para o Estado de São Paulo estão acima dos 60 anos, bem como para a população feminina do Rio Grande do Sul.

Em relação ao restante do país, existem, entretanto, grandes diferenças regionais: no estado do Rio Grande do Norte, a população feminina apresenta uma esperança de vida ao nascer de 40 anos apenas.

 

CONCLUSÕES

Constituindo a esperança de vida ao nascer um dos indicadores de saúde usualmente empregados, concluimos que a população feminina de Ribeirão Preto, em 1973, ostenta padrões mais elevados que o país como um todo e várias de suas regiões.

O valor encontrado, 65,3 anos, está quase 10 anos acima da vida média para o país e mesmo acima da população gaúcha feminina, que tem padrões geralmente mais elevados que o restante da população do país.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO BRASIL (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Rio de Janeiro, 1975. v. 36.         [ Links ]

2. BENJAMIN, B. Health and vital statistics. London, George Allen & Unwin, 1968.         [ Links ]

3. CENTRO DE ESTUDOS DE DINÂMICA POPULACIONAL DA USP. Análise de variáveis demográficas através dos dados do censo de 1970; principais resultados. São Paulo, 1975. [Mimeografado].         [ Links ]

4. DUARTE, G. G. & MILANESI, M. L. Tábuas de mortalidade e sobrevivência para o Município de Ribeirão Preto (1949-1951). Arq. Fac.Hig.S.Paulo, 12:135-9, 1958.         [ Links ]

5. DUBLIN, L. I. et al. Lenght of life: a study of the life table. New York, Ronald Press, 1949.         [ Links ]

6. ELIZAGA, J. C. Métodos demográficos para el estudio de la mortalidad. Santiago de Chile, Centro Latinoamericano de Demografia, 1972. (CELA-DE – Série E, nº 4).         [ Links ]

7. GUEDES, J. da S. Contribuição para o estudo da evolução do nível de saúde do Estado de São Paulo: análise das Regiões Administrativas (1950-1970). São Paulo, 1972. [Tese de doutoramento – Faculdade de Saúde Pública da USP].         [ Links ]

8. FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico; São Paulo. Rio de Janeiro, 1970, (VIII Recenseamento Geral – Série Regional – v. 1, tomo XVIII, 2a. parte).         [ Links ]

9. SÃO PAULO (estado). Departamento de Estatística – 1. Tábuas de sobrevivência conforme a mortalidade 69/71. São Paulo, 1974. (Estudos Demográficos D.E.).         [ Links ]

10. SÃO PAULO (estado). Departamento de Estatística – 2. Tábuas de sobrevivência conformea mortalidade 69/71. São Paulo, 1975. (Estudos Demográficos, D.E.).         [ Links ]

11. YUNES, J. The population of Brazil. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 6:393-404, 1972.         [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 24/02/1977
Aprovado para publicação em 28/03/1977
Apresentado na XXVIII Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Brasília, 1976

 

 

1 Comunicação pessoal
2 Comunicação pessoal do IBGE (Ribeirão Preto) – 1962.