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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.16  suppl.0 São Paulo Jan. 1982

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101982000700001 

SUPLEMENTO / SUPPLEMENT

 

Comportamento do Triatoma sordida em condições de laboratório

 

The behavior of Triatoma sordida under laboratory conditions

 

 

Edmundo Juarez; Eunice Pinho de Castro Silva

 

 


RESUMO

Foi observado o comportamento do Triatoma sordida, mantido em condições de laboratório em estufas com umidade relativa do ar de 60-70% e temperatura de 25°C e 30°C. A temperatura mais alta determinou um encurtamento da duração das fases de evolução. Os machos tiveram a duração do 5.° estádio maior do que a das fêmeas. A duração das fêmeas adultas foi maior do que a dos machos. Em relação ao sangue ingerido observaram-se médias maiores à temperatura de 25°C, exceto no 5.° estádio, bem como, nos 4.° e 5.° estádios, as fêmeas tiveram médias maiores. O número de respostas à temperatura de 25.°C foi maior nos 1.°, 2.° e 3.° estádios; no 4.° ocorreu interação temperatura-sexo; no 5.° não houve diferença significante; o número de repastos nos machos foi maior do que o das fêmeas, apenas no 5.° estádio. O peso inicial dos insetos foi maior, à temperatura de 25°C, em todos os estádios, exceto no 1.°; as fêmeas, à temperatura de 25.°C, tiveram peso maior do que o dos machos nos 4.° e 5.° estádios e, à temperatura de 30°C, apenas no 5.° estádio. Foi observado o efeito da temperatura e do sexo sobre a resistência ao jejum do T. sordida que, após a muda para os estádios consecutivos, não foram mais manipulados e nem receberam qualquer quantidade de alimento. Observou-se que a resistência média ao jejum, medida em dias, foi maior em todos os estádios do ciclo evolutivo, porém na fase adulta ocorreu interação temperatura-sexo. A correlação entre a resistência ao jejum e o último peso do estádio imediatamente anterior foi a única que se mostrou sistematicamente positiva, sendo significante em apenas oito das doze possíveis, considerados todos os estádios.

Unitermos: Triatoma sordida. Triatomíneos, comportamento em laboratório.


ABSTRACT

The behavior of Triatoma sordida maintained in stoves with relative atmospheric humidity of 60-70% and temperatures, respectively, of 25°C and 30°C was observed. The higher temperature caused a shortening of the growth phases. The growth of the fifth instar took longer in males than in females. The longevity of adult females was greater than that of males. With regard to ingested blood higher averages were observed at 25°C, except in the 5th instar, and the females had the highest averages in the 4th and 5th instars. With regard to the number of repasts, at 25°C the average was higher in the 1st, 2nd and 3rd instars; there was interaction of temperature and sex in the 4th instar and there was no significant difference in the 5th instar; the number of repasts of males was larger than that of females only in the 5th instar. The initial weight of triatomid bugs was greatest at 25°C in all the instars except the 1st; females at 25°C had greater weight than males in the 4th and 5th instars and at 30°C in the 5th instar only. Effects of temperature and sex in the starvation resistance of T. sordida were observed. The triatomid bugs were not manipulated or fed after the move to instar study. The average of starvation resistance measured in days was longer in all the instars of the growth cycle, but, in the adult phase, there was interaction of temperature and sex. The correlation between starvation resistance and the last weight of the immediately previous instar was the only one that was consistently positive, being significant in eight only of the twelve possible correlations.

Uniterms: Triatoma sordida. Triatominae, laboratory conditions.


 

 

INTRODUÇÃO

Forattini e col.11,12,13,14,15,16,17 (1971, 1973, 1974, 1975, 1977, 1979) estudando os aspectos ecológicos da tripanossomíase americana no Estado de São Paulo, mostraram alguns fatos importantes relacionados ao comportamento do Triatoma sordida no seu ambiente natural, procurando com isto estimar o potencial que este triatomíneo tem como vetor do Tripanosoma cruzi e as possibilidades de ocupar um lugar de destaque na transmissão da doença de Chagas. Segundo esses autores, o T. sordida tem valência ecológica apreciável, habitando ecótopos artificiais como conseqüência da dispersão ativa de que é capaz. É atraído e se adapta facilmente aos ecótopos artificiais sendo prevista a invasão de domicílios. A sua densidade aumenta quando desaparecem os inimigos naturais, sendo, inclusive, capaz de sobreviver às queimadas. Os adultos são encontrados com maior freqüência no primeiro semestre do ano, diminuindo em seguida, pela tendência à dispersão e ocupação de novos ecótopos. Esses e outros aspectos ecológicos estudados por esses autores permitem supor que o T. sordida, no Estado de São Paulo, poderá vir a desempenhar papel importante na transmissão do T. cruzi.

A capacidade de resistir ao jejum de diferentes espécies de triatomíneos tem despertado a curiosidade de pesquisadores, que procuraram determinar o tempo de sobrevida desses insetos, quando submetidos a condições de ausência de alimentação. Estas condições, no entanto, foram bastante diferentes, segundo o autor e a espécie estudada.

Tobar 32 (1952), Pellegrino26 (1952), Hack 20 (1955), estudando o T. infestans, Rickmann 30 (1962) estudando o Triatoma protracta, Dias9 (1965) estudando o T. infestans, o Rhodnius prolixas e o Panstrongylus megistus e Pippin29 (1970) estudando o Triatoma sanguisuga e o Triatoma gerstaeckeri utilizaram diferentes técnicas para submeter os triatomíneos ao jejum, as quais permitiram, inclusive, que ocorressem mudas, além de permitir sobrevivências prolongadas. Isto porque o jejum a que os submeteram não era absoluto, isto é, o estado alimentar dos insetos após a muda para o estádio a ser observado, ou não era bem conhecido ou foram oferecidas pequenas quantidades de sangue, insuficientes para o pleno desenvolvimento do inseto.

Perlowagora-Szumlevics 28 (l969), Zeledon35 (1970), Costa5 (1972) e Castanho4 (1972), trabalhando respectivamente com T. infestans, Triatoma dimidiata, Triatoma brasiliensis e P. megistus, estudaram o comportamento dos insetos frente ao jejum absoluto após a muda, porém utilizaram diferentes condições de temperatura.

Os trabalhos de Forattini e col.11-17 (1971, 1973, 1974, 1975, 1977, 1979) com referência ao T. sordida no seu ambiente natural, mostram que a valência ecológica deste triatomíneo é apreciável, bem como é grande a sua capacidade de sobrevivência em ambientes adversos tais como as queimadas. Estes fatos, ao lado do grande ecletismo alimentar dos triatomíneos, permitem especular sobre o comportamento do T. sordida no seu ambiente natural e mesmo artificial no que diz respeito à sua capacidade de resistir às dificuldades de encontrar alimentos.

O conhecimento do comportamento desse inseto em condições de laboratório, ainda que totalmente artificiais, poderá trazer subsídios de alguma importância para se tentar explicar o que ocorre no ambiente natural.

Com o objetivo de contribuir para o conhecimento do comportamento do T. sordida em condições de laboratório, a duas temperatura, e, na expectativa de permitir a formulação da hipótese sobre o seu comportamento no ambiente natural, nesta publicação são apresentados os resultados obtidos na observação da: 1- duração da fase embrionária, do ciclo evolutivo e da fase adulta; 2 - necessidade alimentar, número de repastos necessários para obtenção do alimento e o seu crescimento ponderai; 3 - resistência ao jejum.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os insetos estudados foram obtidos de uma colônia de T. sordida ao Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública - USP, iniciada em dezembro de 1968, a partir de insetos capturados no ambiente domiciliar, procedente de Campo Grande, Estado de Mato Grosso.

Durante seis dias consecutivos, foram recolhidos todos os ovos dessa colônia e separados, diariamente, em dois lotes do mesmo tamanho, destinados a tratamento diferente quanto à temperatura, o que foi feito por sorteio.

Para ambos os lotes, observou-se o mesmo procedimento, até o final do estudo, diferindo apenas a condição de temperatura. Um foi submetido à temperatura de 25°C e o outro à de 30°C.

Diriamente, após a coleta dos ovos e distribuição em dois lotes, os ovos foram colocados individualmente em frascos de Borrel, numerados seqüencialmente, com o fundo revestido por papel de filtro. Após a eclosão, os frascos foram munidos com suporte de cartolina e fechados com tela de nylon de malha fina, presa com elástico.

Ao final do sexto dia, cada lote estava constituído por 346 ovos, resultante da contribuição diária de 68, 62, 58, 62, 47 e 49 ovos.

Em ambas as estufas, manteve-se a umidade relativa do ar entre 60 e 70%, utilizando-se para tanto tiras de papel de filtro com uma das extremidades mergulhada em água contida em cristalizadores.

A alimentação dos insetos foi realizada em camundongos albinos, imobilizados em tela de arame e apoiados sobre o frasco de Borrel, de tal forma que ficassem em íntimo contacto com a tela de vedação, permitindo que o inseto pudesse efetuar o repasto.

Diariamente os insetos foram observados, individualmente, anotando-se as ocorrências de interesse para o estudo, atividade realizada em intervalos regulares de 24 horas. Em seguida era oferecido o repasto, apenas nos dias predeterminados, isto é, os insetos da estufa mantida a 25°C foram alimentados em um dia determinado da semana enquanto que os da estufa a 30°C o foram no dia seguinte.

O tempo de oferecimento da fonte ao inseto foi de 40 min, e se constitui no dobro do tempo observado por Dias 8 (1956), que verificou a média de 20 min para o tempo de sucção do T. sordida. Por analogia com o trabalho de Juarez22 (1970), tomou--se o dobro do valor dessa média para permitir que todos os insetos tivessem oportunidade de sugar o sangue necessário.

Imediatamente antes e após o repasto, os insetos foram pesados em balança analítica com precisão de ± 0,1 mg, sendo a quantidade de sangue ingerida determinada pela diferença entre o peso inicial e o peso final nesta pesagem.

As anotações dos dados de interesse foram feitas em protocolos de laboratório, para cada inseto individualmente. Foram anotadas as seguintes informações: data da postura, data da exclosão, data da muda, data da morte, pesos inicial e final em cada pesagem e quantidade de sangue ingerido.

Aplicou-se o processo de amostragem casual simples, sempre que se selecionaram amostras destinadas ao estudo do jejum. Entre os ovos foram sorteados 30, e após a eclosão as correspondentes ninfas do primeiro estádio permaneceram em jejum absoluto até a morte. As demais ninfas do primeiro estádio foram alimentadas e, entre estas, foram sorteadas 30 que deveriam ser submetidas a jejum absoluto no segundo estádio após a muda. O mesmo procedimento foi observado com relação aos demais estádios, sejam ninfas, sejam de forma adulta.

Era de se desejar que, para a seleção de uma amostra de ninfas de um determinado estádio destinada a jejum no estádio seguinte, fosse aplicada amostragem estratificada em que os critérios de estratificação seriam os correspondentes às variáveis observadas até aquele estádio. Desta forma, para seleção de uma amostra de ninfas de primeiro estádio a serem destinadas ao jejum no segundo, deveríamos estratificar as ninfas alimentadas do primeiro estádio, segundo os critérios: tempo de incubação, duração, sangue ingerido, número de repastos e peso inicial do primeiro estádio. Dada, entretanto, a natureza e o número de variáveis cada vez maior às quais correspondiam os critérios de estratificação, tornou-se inviável a aplicação de tal processo na seleção das amostras destinadas ao jejum.

O número de insetos destinado ao estudo de resistência ao jejum foi diferente de 30 em alguns estádios, em decorrência das perdas verificadas e pela desigualdade na proporção de machos e fêmeas que evoluíram até a forma adulta.

Os insetos destinados ao estudo de resistência ao jejum, após a muda para o estádio correspondente não mais foram manipulados a fim de ser evitado que qualquer traumatismo pudesse abreviar a sua sobrevida.

À exceção do procedimento relativo ao jejum, a metodologia acima descrita foi utilizada por Juarez22 (1970) estudando a evolução do ciclo evolutivo do T. infestans submetido a diferentes condições de temperatura, 25°C e 30°C, alimentação em camundongos albinos e galinha e infecção pelo T. cruzi, em estufas mantidas com umidade relativa do ar entre 60 e 70%.

De acordo com a metodologia apresentada, para cada temperatura estudada, foram sorteados 9 grupos com diferentes objetivos:

Grupo 1- estudo do jejum da ninfa do 1° estádio

Grupo 2 - estudo do jejum da ninfa do 2.° estádio

Grupo 3 - estudo do jejum da ninfa do 3.° estádio

Grupo 4 - estudo do jejum da ninfa do 4.° estádio

Grupo 5 - estudo do jejum da ninfa do 5.° estádio

Grupo 6 - estudo do jejum do adulto macho

Grupo 7 - estudo do jejum do adulto fêmea

Grupo 8 - estudo da sobrevida do adulto macho alimentado

Grupo 9 - estudo da sobrevida do adulto fêmea alimentado.

Análise estatística

As características populacionais, média, desvio padrão, mediana, valor máximo, valor mínimo, referentes às diversas variáveis estudadas do T. sordida, foram estimadas pelos valores amostrais correspondentes observados nas amostras de ovos, ninfas dos diferentes estádios e adultos.

A comparação das médias referentes às variáveis de estudo e correspondentes às duas temperaturas foi feita empregando-se análise de variância a dois critérios, modelo fixo, hierárquico ou com classificação cruzada e também com o teste de duas médias.

Na comparação das médias do sexo masculino com as do sexo feminino, bem como das quatro médias definidas por sexo e temperatura, empregou-se análise de variância modelo fixo a dois critérios cruzados, teste de Duncan, teste de Scheffé ou teste de duas médias.

Na Tabela 1 encontra-se a distribuição dos insetos segundo as variáveis de estudo, onde é utilizada a seguinte notação: D (duração), S (sangue ingerido), R (número de repastos), P (peso inicial do inseto em um determinado estádio), TI (duração da fase embrionária), RJ (resistência ao jejum), UP (último peso do inseto em um determinado estádio), M (macho), F (fêmea).

 

 

RESULTADOS E COMENTÁRIOS

A fim de verificar o efeito das temperaturas e da constituição dos grupos de insetos para o estudo das variáveis, foi realizada análise de variância modelo fixo hierárquico.

O resultado revelou que a temperatura tem um efeito marcante, pelas diferenças significantes ao nível de 5%, para todas as variáveis, exceto para sangue ingerido no 5.° estádio, número de repastos no 5.° estádio e peso inicial no 1.° estádio.

A comparabilidade destes grupos de insetos foi constatada em todas as variáveis, exceto para os grupos de estudo referentes a sangue ingerido no 4.° estádio e número de repastos no 1.° estádio, em que as diferenças foram significantes ao nível de 5% (F = 3,21 e F = 1,91 respectivamente).

Pelas características do trabalho desenvolvido não seria possível a tomada de todas as possíveis amostras que levassem em conta todos os estratos e, assim, optou-se pela amostra casual simples. Este fato, associado a possíveis dificuldades operacionais, poderia ser a causa da não obtenção de grupos comparáveis para essas variáveis.

Mortalidade e perdas observadas

A Tabela 2 mostra que dos 692 ovos observados, eclodiram 592 (85,5%) e não eclodiram 100 (14,5%). Destes, 20 (2,9%) eram embrionados e 80 (11,6%) eram não embrionados.

 

 

À temperatura de 25°C os ovos embrionados não eclodiram numa proporção maior da de 30°C. Se, porém, forem excluídos os ovos não embrionados, o total passa a ser 612 ovos e a taxa de não eclosão se eleva para 3,3% sendo 2,6% a 25°C e 4,0% a 30°C.

Assim, a taxa de eclosão, excluídos os ovos não embrionados, assume os valores de 97,4% e 96,0%, respectivamente à temperatura de 25°C e 30°C.

Como não existem referências na bibliografia sobre a influência da temperatura, foi aplicado o teste de duas proporções para populações independentes, aceitando-se hipótese de nulidade (n = 0,99876 P > 5%), isto é, a diferença observada entre as taxas de eclosão de ovos a 25°C e 30°C não são significantes.

Juarez22 (1970), em idênticas condições de trabalho verificou taxa de eclosão de 94,2% para o T. infestans, incluindo os ovos não embrionados. Comparada à taxa observada para o T. sordida, 85,5%, parece possível supor que nesta espécie a produção de ovos não embrionados é maior.

Hack20 (1955), para o T. infestans, observou taxas de eclosão de 82,60%, 43,75% e 69,69%, respectivamente às temperaturas de 25°C, 33°C e média de temperatura ambiente de 20,76°C. Para esta mesma espécie, Perlowagora-Szumlevics27 (1953) encontrou taxa de eclosão entre 80 e 90%.

Com a taxa de eclosão observada para o T. sordida, o número de insetos disponíveis ficou reduzido a 592, dos quais 304 a 25°C e 288 a 30° C.

No decorrer do trabalho ocorreram perdas de insetos, nos diferentes estádios, determinadas por morte sem causa aparente e por falhas técnicas, conforme se observa na Tabela 3. As perdas foram de 73 insetos no total (12,3%), sendo 40 (13,2%) a 25°C e 33 (11,5%) a 30°C. Excluídas as perdas por falha técnica, onde se colocam os traumatismos, extravio e erros de registro, a mortalidade passa a ter os valores seguintes: a 25°C, 7,4% (21 mortes em 285 insetos) e 8,9% a 30°C (25 mortes em 280 insetos) e no total 8,1% (46 mortes em 565 insetos). O teste de duas proporções para populações independentes revelou que as diferenças entre as taxas de mortalidade nas duas temperaturas não são significantes (n = 0,678 P > 5%).

 

 

Foi possível, dessa forma, estudar 519 insetos, dos quais 264 a 25°C e 255 a 30°C

Duração da fase embrionária

As estimativas dos tempos médios da duração da fase embrionária para o T. sordida submetido às temperaturas de 25°C e 30°C foram respectivamente de 27,1 e 14,2 dias. A primeira foi significantemente maior do que a segunda, não tendo ocorrido diferenças significantes em decorrência da constituição dos grupos.

Também não foram detectadas diferenças determinadas pelo sexo, nem pela interação temperatura-sexo (Tabela 4).

 

 

O efeito da temperatura, observado para o total de ovos, também foi evidente na observação dos ovos correspondentes a cada sexo. As médias observadas para a duração da fase embrionária em cada sexo à temperatura de 25°C foram maiores do que as correspondentes a 30°C (Tabela 5). Para fêmeas e machos a 25°C foram respectivamente de 27,1 e 27,3 dias e a 30°C as médias correspondentes foram de 14,2 e 14,1 dias (Tabelas 4 e 5).

 

 

O efeito da temperatura de 30°C, acelerando a fase embrionária do T. sordida, foi muito semelhante ao observado por Juarez22 (1970) estudando o T. infestans em idênticas condições de temperatura e umidade relativa do ar. Essa semelhança foi tão marcante a ponto de os valores máximos e mínimos terem sido exatamente iguais. Apenas as estimativas das médias diferiram muito pouco, com valores de 27.3 e 14,4, respectivamente a 25°C e 30°C no T. infestans.

Dias7 (1955) observou cinco exemplares de ovos de T. sordida, permitindo estimar em 17,0 dias o tempo médio de duração da fase embrionária, em condições de laboratório sem controle de temperatura.

O efeito favorável de temperaturas mais altas na aceleração da fase embrionária foi verificado por Neiva25 (1913) observando o T. infestans e afirmando que "todas as funções são ativadas pelo calor". Esse autor encontrou um mínimo de 16 dias e um máximo de 33 dias para a duração da fase embrionária, mas que "geralmente desalagam depois de 20-25 dias".

Desde então, diversos autores, estudando diferentes espécies de triatomíneos, têm demonstrado o mesmo efeito, indicando o valor observado para a duração da fase embrionária em temperaturas pré-fixadas ou ambientais.

Para o T. infeslans, Abalos e Wygodzinsky1 (1951) afirmaram que a evolução depende da temperatura, encontrando valores entre 10 e 30 dias para a duração da fase embrionária. Para essa mesma espécie, Perlowagora-Szumlevics27 (1953) mostrou que a 24-28°C os ovos começam a eclodir no 11.° dia, mas que em geral o fazem do 17.° ao 20.° dias. Hack20 (1955) obteve, à temperatura de 18,5-28,7°C, a eclosão dos ovos em 27-46 dias, lembrando, porém, a possibilidade de haver comportamento diferente para essa espécie, quando submetidos às temperaturas de seus ambientes naturais.

Lucena23 (1960) para o T. brasiliensis observou a eclosão dos ovos com 17-19 dias, à temperatura de 25,4-28,9°C.

Zeledon e col.35 (1970) observaram que os ovos de T. dimidiata evoluíram mais rapidamente para a eclosão quando submetidos à temperatura de 26,5°C (21,2 22,9 dias) do que à temperatura variando de 21,8-24,4°C (29,0-35,9 dias).

As estimativas para a variável TI para o total de insetos, machos e fêmeas, às temperaturas de 25°C e 30°C acham-se nas Tabelas 4 e 5. Observa-se uma regularidade apreciável em todas as estimativas, dentro de cada temperatura, tanto entre as ninfas em geral, como também em ambos os sexos.

Informações referentes à ação da temperatura sobre a duração da fase embrionária podem ser úteis em laboratórios onde são mantidas colônias de triatomíneos para fins diversos e especialmente para xenodiagnóstico. Como se pode observar, o aumento da temperatura em 5°C reduziu o tempo de duração da fase evolutiva em cerca de 50%, tanto para o T. sordida como para o T. infestans. O fato se repete em outros triatomíneos em graus variáveis, mas sempre com o resultado no mesmo sentido.

Convém ainda apontar outro aspecto de interesse, qual seja o da aplicação desses achados de laboratórios nos programas de combate aos vetores da doença de Chagas. Parece pertinente a proposição de que a desinsetização de casas e anexos deva ser feita, preferentemente nos meses mais quentes do ano, propiciando, dessa forma, ação mais favorável dos inseticidas que atingiram maior número de ninfas nos primeiros estádios, recém-eclodidos.

Duração do ciclo evolutivo

Da mesma forma que ocorreu em relação à fase embrionária, a temperatura teve efeito marcante, determinando diferenças significantes entre as durações médias de todos os estádios de evolução. Não ocorreram diferenças significantes entre os grupos de estudo. O efeito do sexo determinou diferenças significantes nos 4.° e 5.° estádios. Ocorreu interação entre temperatura e sexo no 4.° estádio (Tabela 4).

Nos cinco estádios de evolução observou-se o mesmo efeito da temperatura, em cada sexo separadamente. O teste de Scheffé (Tabela 5) permitiu detectar diferenças significantes das médias observadas entre machos e fêmeas, nas duas temperaturas estudadas, no 5.° estádio. Dado que este teste permite a utilização de seu resultado mesmo para constrastes sugeridos após a coleta de dados, depreende-se que os machos têm duração média significantemente maior do que as fêmeas no 5.° estádio, em ambas as temperaturas.

No 4.° estádio, tendo ocorrido interação temperatura-sexo, os contrastes foram julgados por testes de médias. No tocante à temperatura, confirmou-se o observado na análise de variância, que à temperatura de 25°C as médias são maiores do que a 30°C, tanto para os machos como para as fêmeas. No entanto, não se confirmou a hipótese de que as fêmeas teriam duração média maior que a dos machos. A 30°C não ocorreram diferenças significantes, porém, a 25°C o resultado do teste foi bastante indicativo de que os machos têm duração maior que as fêmeas.

Nas Tabelas 6 e 7 observa-se que a 30°C, tanto para as ninfas em geral como para as ninfas machos e fêmeas, a duração média de evolução cresce lenta e progressivamente do 1.° ao 4.° estádio, para atingir valores bem mais elevados no 5.°. O acréscimo percentual da duração média em cada estádio, com relação ao estádio imediatamente anterior, foi de 14,3%, 1,0%, 7,1%, 293,4% para as ninfas em geral; de 17,8%, 1,5%, 6,3%, 354,8% nos machos; de 15,8%, 0,5%, 7,0%, 249,1%, nas fêmeas à temperatura de 30°C.

 

 

 

 

O ocorrido em relação à temperatura de 25°C foi, de certa forma, diferente, pois a partir do 1.° estádio as médias decresceram até o 3.° e, se elevando no 4.°, atingem os maiores valores no 5.° estádio. O acréscimo percentual a essa temperatura foi de - 12,4%, - 1,9%, 32,6%, 163,1% nas ninfas em geral, de - 11,7%, - 2,3%, 43,9%, 184,2% nos machos e de - 125%, - 2,8%, 27,7%, 144,9% nas fêmeas.

Há um paralelismo entre o comportamento das ninfas, em geral, a 25°C e 30°C. A duração média nos três primeiros estádios sofre pequenas oscilações para se elevarem nos 4.° e 5.° estádios.

Em relação ao sexo, chama a atenção a menor velocidade de evolução dos machos que têm duração total média do ciclo evolutivo de 263,9 e 181,3 dias respectivamente a 25°C e 30°C. As fêmeas evoluíram em 238,9 e 163,2 dias, respectivamente, nessas temperaturas.

Destacam-se os valores máximos observados a 25°C e 30°C para os machos e fêmeas. Os insetos machos que tiveram maior duração foram: a 25°C o de número 151 com 382 dias e a 30°C o de número 412 com 278 dias. As fêmeas tiveram os seguintes valores respectivos: inseto 201 com 368 dias e inseto 448 com 237 dias. Os valores mínimos observados foram: a 25°C para os machos, de 184 dias (inseto 231), e a 30°C, de 119 dias (inseto 419), para as fêmeas esses valores foram, respectivamente, de 168 dias (inseto 237) e 106 dias (inseto 505).

Os intervalos de confiança, tanto a 95% como a 99,74% expressam os valores extremos em que as verdadeiras médias se encontram. Para duração do ciclo evolutivo das ninfas em geral, a 25°C, deposita-se 99,74% de confiança de que a verdadeira média se encontra entre 235,3 e 264,3 dias e à temperatura de 30°C, entre 160,7 e 181,9 dias. Os valores observados das medianas, em todos os estádios e em ambas temperaturas, são muito próximos das respectivas médias.

Sabendo-se que o ciclo evolutivo tem sua duração determinada pela presteza com que são realizadas as mudas, estará também na dependência dos fatores que a determinam. O mecanismo fisiológico que permite a ocorrência de mudas foi explicado por Wigglesworth 34 (1960). Mostrou esse autor ser ela desencadeada pela distensão abdominal durante a primeira alimentação do inseto. A partir dessa distensão, a muda se processará por meio de uma série de atividades neuro-hormonais complexas, envolvendo o dorso do cérebro, glândulas pré-torácicas e corpo alado.

Assim, para que a muda ocorra, o repasto sangüíneo é de fundamental importância, por três aspectos diferentes: primeiro pela distensão abdominal; segundo, pela necessidade absoluta que as ninfas têm da hematina presente no sangue, sem o que a muda não se processará, conforme o demonstrado por Lwoff e Nicolle 24 (1945); terceiro pela necessidade do sangue como nutriente que dará as condições para o desenvolvimento físico do inseto.

Nesta pesquisa, os insetos tiveram oportunidade de se alimentar semanalmente, sempre nas mesmas condições e por um período de tempo julgado satisfatório para que ocorresse a repleção abdominal. É possível que, após a eclosão dos ovos ou a realização das mudas, as ninfas ainda não estivessem em condições de se alimentar no momento em que lhes era oferecido o repasto sangüíneo.

Perlowagora-Szumlevics27 (1953) enfatizou a necessidade da realização do repasto no 4.° dia, para as ninfas de primeiro estádio do T. infestans poderem efetivar a muda e terem melhores perspectivas de chegar à fase adulta. Buxton3 (1930), afirmou que a duração da evolução seria encurtada se fosse oferecido o repasto tão logo as ninfas de R. prolixus pudessem se alimentar. Castanho 4 (1972) observou que as ninfas de P. megistus conseguiram se alimentar no 4.° dia após a muda, porém a alimentação foi maior depois desse período, não tendo verificado mudas no 5.° estádio, com apenas um repasto. Goodchild19 (1955) verificou que o T. infestans tem limitações anatômicas que lhe conferem pequena capacidade de alimentação, necessitando de mais de um repasto para efetuar a muda, enquanto o R. prolixus o faz freqüentemente com apenas um. Este fato também foi observado por Danilov 6 (1968) em T. infestans, notando que somente 1,1% das ninfas de 5.° estádio conseguem mudar com um repasto, à temperatura de 26-27°C. Ainda para esta espécie, Juarez22 (1970) observou a ocorrência de mudas em 31,4% das ninfas de 5 estádio alimentadas em camundongos e mantidas a 30°C com apenas 1 repasto; as ninfas alimentadas em galinhas, a essa temperatura, e as alimentadas nas duas fontes de sangue a 25°C, não efetivaram a muda com apenas um repasto, como o fizeram aquelas. Ferreira10 (1972) verificou que a 30°C, 30,43% das ninfas de 5.° estádio, fêmeas, de T. brasiliensis, mudaram com um so repasto, enquanto que as ninfas machos só o fizeram em 8,1%.

Com essas considerações, os resultados obtidos para duração do ciclo evolutivo não representará necessariamente o menor valor possível, em condições naturais.

Souza e col.31 (1978) observaram a evolução do T. sordida na fase de ninfa, em laboratório a 25-28°C de temperatura e 60-80% de umidade relativa do ar. Não fizeram a medida da duração de cada um dos estádios ninfais isoladamente, porém o total do ciclo evolutivo teve médias de 174,5 e 170,6 dias para os machos e fêmeas, respectivamente.

No presente trabalho, os resultados foram muito próximos do desses autores, a 30°C, com valores respectivos para a média dos machos e fêmeas de 181,3 e 163,2 dias. Porém à temperatura de 25°C, os resultados foram apreciavelmente diferentes, com valores respectivos de 263,9 e 238,9 dias. Essa diferença não seria esperada, uma vez que a temperatura em que os autores fizeram suas observações está mais próxima de 25°C do que de 30°C. Poder-se-ia fazer a hipótese de que, pela metodologia empregada, criação dos insetos em conjunto até o 4.° estádio, tivesse ocorrido elevação de temperatura e conseqüente aceleração do ciclo evolutivo. Essa possibilidade foi comprovada por Bodenstein2 (1953) e também verificada por Juarez21 (1970) em T. arthurneivai. Este autor observou que os insetos criados em conjunto evoluem mais rapidamente do que os isolados, notando também que os machos evoluem mais rapidamente do que as fêmeas.

Castanho4 ,(1972), trabalhando com P. megistus a 30°C, não encontrou diferença entre o tempo de evolução dos machos e das fêmeas, que tiveram respectivamente 139,0 e 139,9 dias de duração do ciclo evolutivo. Zeledon e col.35 (1970) verificaram que a evolução das ninfas de 5.° estádio do T. dimidiata se faz mais rapidamente nas fêmeas do que nos machos, se bem que as diferenças sejam muito pequenas. Perlowagora-Szumlevics28 (1969) verificou predominância de adultos machos em temperaturas ambiente altas, e de fêmeas nas temperaturas mais baixas, sugerindo uma diferença de comportamento quanto ao sexo por efeito da temperatura.

Em que pese não haver análise estatística para grande parte dos trabalhos, pode-se perceber que deve haver uma variabilidade muito grande no comportamento dos triatomíneos.

Esses dados levam à suposição de que devam existir muitos fatores atuando interativamente e que não podem ser conhecidos e controlados em experimentos de laboratório, como estes. O fato de se procurar controlar algumas variáveis tais como temperatura, umidade relativa do ar, fonte de alimento, freqüência de oferecimento de repastos, tempo de sucção, não parece suficiente para que seja feita a inferência dos resultados para a população de triatomíneos no seu ambiente natural. Há outros fatores, alguns dos quais já conhecidos, referentes à fisiologia dos insetos, que podem alterar total ou parcialmente resultados de trabalhos, dificultando sobremaneira a sua interpretação.

Decorre desse fato a necessidade de se aliar os resultados obtidos em laboratório com os de observação de campo para o melhor aproveitamento das informações em termos da busca de interpretações.

Duração da fase adulta

Em relação às formas adultas, os efeitos da temperatura e do sexo foram bastante expressivos, o que pode ser observado na Tabela 4.

Os valores médios da duração da fase adulta foram maiores a 25°C em ambos os sexos. Conquanto na análise de variância o efeito do sexo tenha sido muito expressivo, os contrastes obtidos com o teste de Scheffé revelaram que não houve comportamento análogo em ambas as temperaturas. A 25°C houve diferença significante entre as médias dos sexos, as fêmeas com duração maior do que os machos na fase adulta. A 30°C não ocorreu diferença significante entre as médias dos sexos, as fêmeas não tendo média superior à dos machos. Houve pois, um efeito desigual da temperatura em relação ao sexo, lembrando a possibilidade de interação dos efeitos da temperatura e sexo. Entretanto, a análise de variância não detectou a existência de interação, porém o valor de "F" foi muito próximo de ser significante ao nível de 5% (F = 3,87 P = 0,0517).

É interessante ressaltar que a velocidade da fase de ninfas não se mostrou diferente em relação aos sexos nos três primeiros estádios. No 4.° estádio, em que ocorreu interação, a indicação de que os machos evoluem mais lentamente do que as fêmeas ficou evidente. No 5.° estádio, houve comprovação estatística de que a duração dos machos é maior. Na fase adulta, a duração das fêmeas foi maior, isto é, sua longevidade é maior do que a dos machos.

Este fato também foi observado por Souza e col.31 (1978) que verificaram períodos praticamente iguais para a duração do ciclo evolutivo dos machos e fêmeas do T. sordida. Estes autores observaram que na fase adulta as fêmeas têm longevidade média bastante maior que a dos machos, com valores respectivos de 503,0 e 284,0 dias.

Nas Tabelas 6 e 7 verifica-se que a duração média dos adultos machos e fêmeas foram, respectivamente, às temperaturas de 25°C e 30°C de 224,8 - 176,7 dias e 303,8 - 205,7 dias. Como se vê, estes resultados ficaram muito aquém dos obtidos por aqueles autores 31. Também com relação aos valores máximo e mínimo observados, os resultados foram muito diferentes. Enquanto aqueles autores31 obtiveram para o máximo de longevidade dos machos e fêmeas, respectivamente 520 e 782 dias, neste trabalho os valores respectivos a 25°C foram de apenas 368 e 454 dias. Haveria a possibilidade de explicar essas diferenças pela maior adaptabilidade de uma das colônias às condições de laboratório com menor agressão aos adultos, o que poderia ocorrer pela menor resistência que apresentam.

Ambos os trabalhos, no entanto, mostram que as fêmeas têm maior longevidade do que os machos, mesmo considerados os resultados numéricos bastante diversos. Haveria pois por um determinismo biológico de perpetuação da espécie, um comportamento favorável à fecundação das fêmeas. Os machos, de pequena importância na perpetuação da espécie, uma vez que teriam somente a função de fecundação, poderiam ter vida menos longa. Por sua vez, as fêmeas que têm o encargo de realizar a postura de ovos férteis e, ainda mais, de promover a dispersão da espécie deslocando-se para outros ecótopos, deveria ter vida mais longa.

Quanto à velocidade de evolução da fase de ninfas, na mesma linha de pensamento, as fêmeas deveriam atingir a fase adulta mais precocemente do que os machos para, tão logo estivessem em condições, dar prosseguimento ao ciclo vital com o objetivo de manter a espécie. Assim pensando, os machos poderiam ser mais lentos na evolução. Dessa forma, torna-se difícil encontrar explicação que satisfaça inteiramente, uma vez que o fenômeno terá a interpretação que os escassos conhecimentos da biologia desses insetos pode oferecer.

Outro aspecto de difícil explicação, e que talvez ajudasse no entendimento do fato acima exposto, é o fenômeno da interação entre temperatura e sexo. Nos dois trabalhos em que se observou o comportamento do T. sordida, há diferenças razoáveis entre os resultados, no que diz respeito a duração do ciclo evolutivo. Em um, praticamente não se observou diferença entre as médias do ciclo evolutivo dos machos e das fêmeas. No outro, nas duas temperaturas em estudo, ficou patente a diferença das médias de duração do ciclo evolutivo para machos e fêmeas, lembrando-se que ocorreu interação entre os efeitos do sexo e temperatura no 4.° estádio.

Na fase adulta não ocorreu diferença significante entre as médias de longevidade dos machos e fêmeas mantidos a 30°C. Já a 25°C, ocorreu diferença entre as médias respectivas, a das fêmeas maior do que a dos machos. É evidente, então, o fenômeno da interação, não detectado pela estatística, porém facilmente verificado pela observação dos números.

Os fatores que regulam a biologia dos insetos no ambiente natural certamente interagem, determinando as melhores possibilidades para a permanência da espécie. Devem pois, ocorrer interações entre esses fatores, no sentido de que a presença de insetos em todas as fases de evolução seja uma constante, mesmo que, em certas épocas, provavelmente as mais favoráveis, determinadas formas predominem sobre as outras.

Se as condições de trabalho em laboratório pudessem ao menos permitir a inferência para o ambiente natural, o T. sordida deveria ter, em algumas épocas do ano, maior quantidade de exemplares adultos do que em outras em que esse número seria reduzido. Essa hipótese se baseia nos dados obtidos neste trabalho em que a duração das fêmeas é de 7 a 10 meses e a dos machos de 6 a 7 meses. Considerando, também, os valores extremos observados, seria possível a presença de adultos durante todo o período de um ano, mais numerosos em apenas uma época.

Sangue ingerido

A constituição dos grupos não teve o sucesso esperado, pois as médias dos grupos na variável S4 não foram homogêneas entre si.

O efeito da temperatura em relação ao sangue ingerido pelos insetos foi bastante intenso do 1.° ao 4.° estádios. Nesses estádios, as quantidades médias de sangue ingerido a 25°C foram significantemente maiores do que a 30°C. O efeito do sexo nos dois primeiros estádios não foi evidente. Nos demais, o efeito do sexo se fez presente. (Tabela 8).

 

 

O teste de Scheffé, na Tabela 8, confirmou o efeito da temperatura em todos os estádios, isto é, ocorreram diferenças significantes em todos os estádios exceto no 5.°. O mesmo teste confirmou as diferenças observadas entre as médias de sangue ingerido nos 4.° e 5.° estádios, mostrando que as fêmeas ingeriram maior quantidade de sangue do que os machos em ambas as temperaturas. No terceiro estádio, entretanto, a diferença observada na análise de variância não se confirmou.

Houve, pois, na análise de variância (Tabela 8) uma somação numérica das diferenças entre as médias dos sexos em ambas as temperaturas, que resultou na significância observada.

Nas Tabelas 9 e 10, nota-se que a média de sangue ingerido cresce do 1.° ao 5.° estádios, nas duas temperaturas, e em ambos os sexos.

 

 

 

 

Em relação às ninfas em geral, em todos os estádios o consumo de sangue foi maior a 25°C, exceto no 5.° estádio.

À temperatura de 30°C, as fêmeas, em todos os estádios, consumiram maior quantidade de sangue do que os machos. A 25°C houve o mesmo comportamento, à exceção do 1.° estádio, em que os machos ingeriram igual quantidade.

Como se pode constatar, há uma regularidade apreciável no que concerne ao sangue ingerido pelo T. sordida nas duas temperaturas e em ambos os sexos.

Os valores médios, mínimos e máximos de sangue ingerido que propiciou a ocorrência da muda no 5.° estádio, foram para os machos a 25°C e 30°C de, respectivamente, 484,8, 215,1, 781,6 e 503,9, 290,4, 730,6 mg; para as fêmeas os valores correspondentes foram de 565,8, 353,1, 956,8 e 559,0, 311,6, 833,4 mg.

A razão entre sangue ingerido e duração num determinado estádio, dá a medida da necessidade média diária, para que o inseto evolua entre duas mudas consecutivas. A necessidade média diária das ninfas em geral, a 25°C foi, do 1.° ao 5.° estádio, de 0,1, 0,4, 1,2, 3,1, 4,9, e a 30°C de 0,2, 0,5, 1,5, 4,4, 4,9. Nota-se uma maior necessidade de sangue à temperatura de 30° C, nos diferentes estádios, exceto no 5.°. Neste, não houve diferença significante das médias por efeito da temperatura, nem foi observada maior duração das fêmeas, conforme já apresentado. No entanto, o efeito do sexo sobre as médias de sangue ingerido e médias de duração se fez sentir a partir do 4.° estádio o que refletiu no consumo médio diário. Para esses estádios, o consumo médio diário a 25°C, foi de 2,8 e 3,9 para machos e de 3,3 e 5,8 para fêmeas; a 30°C os valores correspondentes foram de 4,2 e 5,0 para os machos e de 4,4 e 7,0 para as fêmeas. Há uma predominância das necessidades médias diárias das fêmeas como também para ambos os sexos a 30° C.

Juarez22 (1970), observou no T. infestans, uma quantidade média de sangue ingerido menor à temperatura de 30°C para as ninfas de 1.°, 4.° e 5.° estádios, ocorrendo o inverso nos demais estádios. É interessante notar que os resultados observados nesta espécie e no T. sordida foram diferentes, apesar de ter sido utilizada a mesma técnica o que mostra as diferenças entre as espécies de triatomíneos do mesmo gênero.

 

 

Diferentes autores têm estudado diversas espécies de triatomíneos, observando a quantidade de sangue ingerido, segundo as várias fontes de alimento e em temperaturas fixas ou ambientais. Com relação ao T. sordida não foi encontrada bibliografia correspondente.

Zeledon e col.35 (1970), em T. dimidiata, observou que nos vários estádios ninfais, a quantidade de sangue ingerido foi maior nos estádios 1.°, 2.° e 4.° a 26,5°C enquanto nos 3.° e 5.° foi maior à temperatura de 21,8-23,9°C.

Castanho4 (1972), em P. megistus mantidos a 30°C e alimentados em galinha, observou que as ninfas de 4.° e 5.° estádios ingerem maior quantidade de sangue do que os machos, fato também observado com o T. sordida.

Os fatos observados com essas várias espécies de triatomíneos, em relação ao sangue ingerido, em especial o T. sordida, sugerem que ainda existem muitas indagações a serem respondidas no que diz respeito ao seu metabolismo. Apenas existem conjecturas sobre o comportamento alimentar aos triatomíneos, salvo o fato de seu ecletismo alimentar bem acentuado. Sobre sua capacidade de ingerir em um só repasto, a quantidade de sangue necessária para efetuar a muda, no ambiente natural ou se existem alimentos que facilitam a evolução, existem conjecturas baseadas apenas em trabalhos de laboratório, sujeitos a sérias restrições pela sua condição totalmente artificial.

Número de repastos

Observou-se que ocorreram diferenças significantes na constituição dos grupos de estudo para a variável R1, e que o efeito da temperatura determinou diferenças signicantes entre as médias do número de repastos a 30°C e 25°C sendo esta a maior nos estádios 1.° ao 4.°. No 5.° estádio não ocorreu diferença por efeito da temperatura.

Na Tabela 12, verifica-se que o efeito da temperatura teve o mesmo comportamento descrito acima. Em relação ao sexo, ocorreu diferença significante apenas no 5.° estádio. Houve interação temperatura-sexo no 4.° estádio.

 

 

Na Tabela 13, nota-se que o teste de Scheffé confirmou as diferenças significantes determinadas por efeito da temperatura nos três primeiros estádios, bem como a não ocorrência desse efeito no 5.° estádio. O teste de médias também mostrou as diferenças significantes ocorridas no 4.° estádio, por efeito da temperatura. Do 1.° ao 4.° estádio, a ação da temperatura determinou número médio de repastos maiores para os machos e fêmeas mantidos a 25°C.

 

 

Em relação ao efeito determinado pelo sexo, verifica-se neste mesmo quadro que no 5.° estádio os machos tiveram média maior que as fêmeas a 25°C, e a 30°C não houve diferença entre eles. No quarto estádio, as fêmeas não tiveram número médio de repastos maior do que os machos.

Nas Tabelas 14 e 15 observa-se que o T. sordida tem os menores valores de número médio de repastos no 3.° estádio para as ninfas em geral, macho e fêmea, em ambas as temperaturas. No 5.° estádio encontra-se o maior número médio de repastos nas duas temperaturas e também maior nos machos. Os demais estádios comportam-se de forma muito semelhante.

 

 

 

 

A razão entre sangue ingerido e número de repastos representa a média de sangue ingerido para cada repasto efetivamente realizado. Essa razão aumenta do 1.° ao 5.° estádios para ambos os sexos e temperaturas.

No 5.° estádio foram observadas as maiores razões, sendo estas maiores para as fêmeas (67,4 e 61,6 mg/repasto) do que para os machos (45,9 e 47,8 mg/ /repasto), a 25°C e a 30°C. O que chama a atenção é a maior eficiência do repasto das ninfas de 5.° estádio em relação às do 4.°. A quantidade média de sangue ingerido no 5.° estádio é maior do que a do 4.° estádio nas seguintes razões, nas temperaturas de 25°C e 30°C: ninfas em geral 4,2 e 5,3, machos 3,9 e 4,3 e fêmeas 5,4 e 5,6. No entanto, apresentada nessa mesma ordem, as razões entre o número médio de repastos, do 5.° e do 4.° estádios, foram de 2,7 e 4,6 - 2,8 e 2,4 - 5,6 e 4,4. Observa-se nestas últimas que, em apenas uma condição, foi um pouco maior e nas demais foi menor. Ainda na mesma ordem de apresentação, as razões obtidas entre as durações do 5.° e 4.° estádios foram: 2,6 - 3,9 - 2,8 - 2,4 - 4,6 - 3,5. Estas razões se aproximam bastante das referentes aos repastos e ficam distantes das de sangue ingerido.

Esses fatos levam à indicação de que a duração maior leva a um maior número de repastos. Também poderia ser considerado que o número de repastos é que condiciona a duração do estádio. Ora, se a proporção da quantidade de sangue ingerido por repasto é maior do que a proporção de número de repastos, há indicação de que o tempo de exposição dos insetos à fonte de alimento foi satisfatória. Supõe-se, então, que o T. sordida é lento na sua evolução, por incapacidade de ingerir a quantidade de sangue necessária para a muda em um número reduzido de repastos. Dado que a freqüência de exposição à fonte foi semanal, os insetos teriam a oportunidade de atingir em poucas semanas a quantidade de sangue necessária, se o tempo de sucção fosse insuficiente. Mas isso não aconteceu, pois, a freqüência média de repastos efetivamente realizados no 5.° estádio foi, na mesma ordem, de 11,2 e 9,5 - 11,7 e 11,7 - 9,5 e 8,8 dias. Como se nota, esses insetos não aproveitam todas as oportunidades que lhe são oferecidas para se alimentar, mesmo se fôr levada em conta a incapacidade de sugar logo após a muda. Por outro lado, a observação individual mostrou que os insetos permanecem sem realizar o repasto muitas semanas consecutivas.

Parece, pois, que a hipótese de que a freqüência e a duração do repasto interferem na duração não tem muito suporte. Prefere-se, pois, a hipótese de que a duração do inseto é que determina o número de repastos, pelas sucessivas necessidades do seu metabolismo.

Outro ponto a considerar é o valor máximo, mínimo e amplitude de variação do número de repastos observado. A 25°C as fêmeas tiveram, respectivamente; 19 - 3 - 16 e os machos 20 - 4 - 16; e a 30°C as fêmeas tiveram 18 - 3 - 15 e os machos 22 - 4 - 18, para o número de repastos no 5.° estádio.

Comparando esses resultados com os obtidos no 5.° estádio em T. infestans, em idênticas condições de trabalho (Juarez22, 1970), observa-se que existe uma grande diferença devido ao comportamento das duas espécies de triatomíneos. Nas ninfas dessa espécie, os respectivos valores, para fins de comparação, foram: a 25°C, 7 - 2 - 5 e a 30°C, 3 - 1 - 2.

Outro aspecto interessante a ser apresentado é a quase total incapacidade mostrada pelo T. soridda de realizar a muda com apenas um repasto, a 25°C, mesmo entre as ninfas mais jovens, como ocorre em outras espécies. Enquanto a 30°C esse fato não foi incomum, nos quatro estádios iniciais, a 25°C, somente ocorreu com uma ninfa no 1.° estádio, 2 ninfas no 2.°, 4 ninfas no 3.° e 17 no 4.°. Essa é outra diferença encontrada com o T. infestans, no trabalho citado 22, em que a freqüência com que os insetos realizaram a muda com apenas um repasto foi muito alta, inclusive no 5.° estádio.

Não se encontrou, porém, qualquer trabalho com T. sordida que fizesse menção de resultados acerca do número de repastos na fase de ninfas.

O número médio total de repastos efetivamente realizados no decorrer do ciclo evolutivo para as ninfas em geral, a 25°C, foi de 20,5, a mediana do número total de repastos, 20 com máximo de 31 e minimo de 11. A 30° C, para o total de repastos, a média foi 17,3, a mediana 17, o máximo 29 e o mínimo 10.

Essas estimativas são muito importantes em epidemiologia, pois indicam a possibilidade de haver transmissão do T. cruzi. A simples comparação desses resultados, com os correspondentes do T. infestans, obtidos em idênticas condições de laboratório, por Juarez22 (1970), indicam a possível capacidade de transmissão do T. sordida. Neste trabalho, a 25°C, a média total de repastos foi 9,8 com máximo de 15 e mínimo de 7, e a 30°C a média foi 6,2, o máximo 9 e o mínimo 5.

Outro aspecto interessante se refere ao número de repastos com relação ao sexo. As ninfas fêmeas de 5.° estádio, que em ambas as temperaturas ingerem maior quantidade de sangue do que os machos, também realizam menor número de repastos. O número total médio de repastos decresce da temperatura de 25°C, para a de 30°C e, em ambas, do macho para a fêmea com os seguintes valores respectivos: 22,0, 19,3, 17,8 e 16,9.

As possibilidades de transmissão decrescem, pois, a medida que a temperatura se eleva e são menores para as fêmeas. Entre as ninfas, as que mostram possuir as maiores possibilidades de transmissão são as do 5.° estádio, qne realizam grandes percentuais dos repastos no ciclo evolutivo. Essas proporções, na ordem apresentada acima, são 48,0%, 43,6%, 54,7% e 54,0%.

Considerada a longevidade dos adultos, e a impressão de que raramente deixam de se alimentar quando se lhes oferece a fonte de sangue semanalmente, são esses, possivelmente, os que têm maiores probabilidades de agir como transmissores.

Peso inicial dos insetos

Com relação a essa variável, não foi observado efeito da temperatura, apenas no 1.° estádio. Nos demais, os pesos médios iniciais dos insetos foram maiores a 25°C do que 30°C. Os grupos de estudo, em todos os estádios, não se mostraram diferentes quanto à sua constituição (Tabela 16).

 

 

Nos três primeiros estádios não ocorreram diferenças significantes das médias de machos e fêmeas. A partir do 4.° estádio até adultos, foram observadas diferenças significantes, das médias dos sexos, sendo menores as dos machos. Na Tabela 17, o teste de Scheffé mostrou diferenças significantes devidas à temperatura, somente a partir do 3.° estádio.

 

 

O efeito do sexo foi evidente no 5.° estádio e nas formas adultas, as fêmeas tiveram médias de peso inicial maiores do que as dos machos. No 4.° estádio, somente foi detectada diferença entre as médias dos sexos à temperatura de 30°C; a 25°C não ocorreu diferença.

Nas Tabelas 18 e 19 nota-se que os pesos médios iniciais das ninfas crescem do 1.° estádio até a fase adulta, de forma semelhante ao que ocorreu com as médias de sangue ingerido.

 

 

 

 

O aproveitamento do sangue pelos insetos pode ser medido pela razão entre o ganho de peso no intervalo de duas mudas consecutivas e o sangue ingerido nesse período. Dada a metodologia proposta para a execução deste trabalho, alguns erros poderiam ser apontados como possíveis de falsearem os resultados, tais como erros de pesagem, que devem ser muito pequenos pela precisão oferecida pela balança. O outro possível defeito na apreciação do peso inicial dos insetos se refere ao período após a muda em que foi tomado. Como os insetos eram pesados somente no dia predeterminado, o registro dessa variável pode se referir ao peso inicial no dia da eclosão ou da muda, ou até sete dias após.

No seu trabalho, Castanho4 (1972) estimou a perda de peso ocorrida após as mudas do P. megistus, com o intuito de corrigir o peso inicial dos insetos medidos após diferentes períodos. Ferreira10 (1972) e Costa5 (1972) estimaram para as ninfas de T. brasiliensis no 5.° estádio a perda de peso em cerca de 17% de seu peso inicial, após oito dias da muda.

No presente trabalho não se utilizou a mesma técnica, nem outro tipo de tentativa de correção por estimativa prévia, na espectativa de que as possíveis diferenças seriam determinadas por erros sistemáticos em todos os estádios e, em decorrência, a análise dos resultados não deveria ser sensivelmente prejudicada.

Outro fato importante é o já demonstrado por Goodchild19 (1955) e Friend18 (1965), de que o inseto ao fazer a muda ainda é portador de apreciável quantidade de sangue no tubo digestivo. Assim, pressupõe-se que os insetos ao realizar a muda conservam um percentual constante em relação ao sangue ingerido.

Feitas essas considerações, os resultados, a seguir apresentados, sobre o aproveitamento alimentar do T. sordida, poderão ser melhor apreciados, acreditando-se que não devam se colocar muito longe de valores corrigidos.

De um modo geral, as razões decrescem do 1.° estádio até o 5.°, quando observados os machos e fêmeas a 25°C e os machos a 30°C. As fêmeas a 30°C, apresentaram razões sensivelmente iguais nos 2.°, 3.° e 4.° estádios. Para melhor apreciação, os resultados obtidos estão apresentados em seguida, na ordem de sucessão natural dos estádios: a 25°C, machos 0,35, 0,32, 0,29, 0,24, 0,13 e fêmeas 0,36, 0,32, 0,29, 0,26, 0,17; a 30°C machos 0,44, 0,29, 0,26, 0,25, 0,13 e fêmeas 0,47, 0,27, 0,27, 0,27, 0,17 Há pois, um aproveitamento maior do sangue ingerido nos estádios iniciais. O decréscimo observado nos diferentes estádios a 25°C é mais lento e gradual do que a 30°C. Nesta temperatura, observam-se duas quedas dignas de nota, do 1.° para o 2.° estádios e do 4.° para o 5.° estádios.

Os menores valores observados para essas razões referem-se ao aproveitamento no 5.° estádio. Neste, em ordem decrescente, as razões médias foram: 0,174 (fêmeas a 25°C), 0,166 (fêmeas a 30°C), 0,133 (machos a 25°C) e 0,129 (machos a 30°C). Há um aproveitamento maior das fêmeas e também à temperatura de 25°C.

A ninfa de 5.° estádio tem, pois, um menor aproveitamento de sangue em termos de aumento ponderal do que o observado nos outros estádios. As profundas modificações a que está sujeita essa ninfa, quais sejam as de originar as formas adultas, morfologicamente diferente de todas as ninfas, é uma justificativa bastante ampla para o fato observado, uma vez que o metabolismo deve ser bem mais intenso. Os mecanismos bioquímicos e fisiológicos devem ser de tal complexidade e demandam tal quantidade de energia que ocorre um desgaste mais acentuado do inseto no que concerne ao sangue ingerido.

Ainda em relação ao peso do inseto, deve-se considerar também a razão de sangue ingerido pelo peso inicial em cada estádio, indicando a necessidade de sangue relativa ao peso.

Essas razões médias foram as seguintes, do 1.° ao 5.° estádios: machos a 25°C 6,6, 5,6, 6,1, 7,5, 10,4; fêmeas a 25°C 6,4, 5,7, 6,3, 7,7, 11,1; machos a 30°C 4,7, 4,7, 6,5, 7,5, 14,4; fêmeas a 30°C 4,8, 4,6, 7,1, 7,6, 14,0. As diferenças observadas nas razões, entre os sexos, são de pequena monta. Porém, o que chama a atenção são as diferenças notadas no 5° estádio em que, a 30°C, as razões são sensivelmente maiores. Por outro lado, as razões nos dois primeiros estádios foram maiores a 25°C.

Os resultados obtidos para essas duas razões, aproveitamento alimentar e necessidade de sangue em relação ao peso, de certa forma concordam com o verificado por outros autores. Castanho4 (1972) em P. megistus observou uma tendência ao decréscimo da razão média de aproveitamento alimentar, do 1.° ao 5.° estádio, o inverso acontecendo com a necessidade de sangue em relação ao peso. Vieira33 (1971), para esta razão encontrou tendência semelhante para o T. infestans. Friend18 (1965) e Pippin29 (1970) observaram que o R. prolixus tem tendência um pouco diversa, inclusive caindo no 4.° e 4.°-5.° estádios, respectivamente.

É ainda digno de nota o observado com as razões médias de sangue ingerido em relação ao peso do inseto no T. sordida, no 5.° estádio, com valores de 10,4 e 14,4 que, comparadas às observadas no P. megistus de 7,62 e 8,43 para machos e fêmeas a 30°C, mostram a maior voracidade proporcional daquele triatomíneo.

Resistência ao Jejum

O efeito da temperatura sobre a resistência ao jejum, medida em dias após a muda, foi marcante em todos os estádios da evolução do T. sordida. Os valores de "t", obtido nos testes de médias, mostraram-se significantes ao nível de 5%, mostrando que a resistência média ao jejum em todos os estádios ninfais foi maior a 25°C do que a 30°C (Tabela 20).

Em relação ao comportamento dos adultos frente ao jejum, a análise de variância mostrou que os efeitos da temperatura e sexo foram significantes ao nível de 5%, indicando que a resistência média ao jejum a 25°C foi maior do que a 30°C (F = 158,6) e, também, maior nas fêmeas do que nos machos (F = 12,1). Dado que a análise de variância detectou também a ocorrência de interação entre temperatura e sexo (F = 4,1), significante ao nível de 5%, o que impede de se afirmar o efeito isolado de cada uma das condições, temperatura e sexo, foi aplicado o teste de médias (Tabela 20). Como resultado desse teste obtiveram-se valores de "t" significantes ao nível de 1,25% indicativos de que o efeito da temperatura foi eficiente tanto para machos como para as fêmeas, isto é, ambos resistem ao jejum em período médio maior a 25°C do que a 30°C. No entanto, os valores de "t" indicaram que a 25C° as fêmeas resistiram mais ao jejum do que os machos, enquanto a 30°C não ocorreu diferença significante entre os sexos.

Observadas as Tabelas 21 e 22, verifica-se que a redução da sobrevida, em jejum, das fêmeas , quando comparadas às médias obtidas a 25°C e 30°C, foi de 36,3% (63,9 e 40,7 dias) enquanto entre os machos foi de 30,2% (54,9 e 38,3 dias).

 

 

 

 

Houve, pois, uma interação entre temperatura e sexo resultando em aumento maior da resistência ao jejum do adulto fêmea ou aumento menor da resistência ao jejum do macho quando, submetidos a 30° C, passam à condição de 25°C. O inverso pode ser considerado quando os insetos passam da temperatura de 25°C para a de 30C°.

A observação das Tabelas 1, 2 e 20 mostra que o último peso (UPi) no estádio imediatamente anterior àquele em que se vai observar o comportamento frente ao jejum tem resultados estatísticos semelhantes ao da resistência ao jejum (RJi), com duas diferenças importantes. No primeiro estádio, a 25°C o teste de médias revela que o último peso médio do primeiro estádio a 25°C não é maior do que a 30°C, enquanto que no 2.°, 3.° e 4.° estádios os últimos pesos médios a 25°C são maiores.

O último peso médio no 5° estádio, medida feita para os insetos que foram submetidos ao jejum no estádio adulto, permite também a análise da influência do sexo. A análise de variância mostra efeitos da temperatura e do sexo significantes, não revelando a ocorrência de interação ao nível de 5%. Aplicando o teste de Scheffé, os valores de "n" indicam que o efeito do sexo é significante tanto à temperatura de 25°C como à de 30° C, isto é, nas fêmeas, o último peso médio nas duas temperaturas é maior do que a dos machos. O mesmo teste revela que entre as fêmeas o peso médio é maior a 25°C do que a 30°C e que entre os machos não foi detectada diferença significante.

A análise da Tabela 20 permite fazer considerações a respeito da ação da temperatura e sexo interagindo. A temperatura de 25°C deve determinar menor velocidade no consumo de reservas que o triatomíneo possui ao mudar do 5.° estádio para o estádio adulto. É o que sugere o observado com as médias de último peso no 5.° estádio e a resistência ao jejum à temperatura de 25°C, em que se nota uma concordância nos resultados dos testes estatísticos aplicados. Ambos mostram que os valores médios das fêmeas, nas duas variáveis, são significantemente maiores que as dos machos. Essa mesma comparação à temperatura de 30°C mostra uma discordância nos resultados dos testes, mostrando que o último peso médio é maior para as fêmeas, enquanto não foi detectada diferença significante entre as médias de resistência ao jejum dos dois sexos. Entre as fêmeas existe concordância nos resultados dos testes aplicados, isto é, o último peso médio e a resistência média ao jejum são significantemente maiores a 25°C. O mesmo não ocorreu em relação aos machos, em que houve discordância entre os resultados dos testes, isto é, a resistência média ao jejum a 25°C foi maior, a despeito de não haver ocorrido diferença significante entre os últimos pesos médios a 25°C e 30°C.

Os fatos apresentados permitem a hipótese de que a temperatura, ao se elevar, determina um efeito acelerador no consumo de reservas nutritivas do Triatoma sordida, mais acentuado nas fêmeas do que nos machos.

Ainda nas Tabelas 21 e 22, verifica-se que os valores obtidos para a mediana são praticamente iguais aos da média para a resistência ao jejum em ambas as temperaturas. Ocorreram discordâncias entre esses valores, superiores a dois dias, à temperatura de 25°C, nos estádios 2.° (2,8 dias), 3.° (8,0 dias) e 5.° (2,2 dias), em todos, a favor da mediana; à temperatura de 30°C não ocorreram discordância maiores de dois dias. Esse fato permite supor que o efeito do jejum está na dependência do consumo das reservas existentes no momento da muda, consumo esse que se faz segundo uma distribuição normal.

Ainda no que diz respeito às Tabelas 21 e 22, a comparação dos valores médios de resistência ao jejum oferece uma visão prática da influência da temperatura. Os valores médios à temperatura de 30°C em relação aos de 25°C representaram, percentualmente, uma redução de 52,2%, 53,5%, 53,6%, 56,6%, 50,4%, 30,2% e 36,3%, do 1.° estádio até o estádio adulto (macho e fêmea), respectivamente. O aumento de 5°C, nas condições deste trabalho, determinou um acentuado decréscimo na capacidade de sobreviver ao jejum absoluto do T. sordida, mais evidente nos estádios ninfais. Entre os adultos, ocorreu decréscimo menos acentuado, denotando que, nesse estádio, tanto os machos como as fêmeas têm possibilidades mais limitadas de resistência ao jejum.

A resistência ao jejum cresce do 1.° até 5.° estádio e em seguida decresce para os adultos fêmeas e machos, em ambas as temperaturas.

Em que pese as médias de resistência ao jejum nas temperaturas estudadas serem apreciavelmente diferentes, os valores máximos a 30°C e os valores mínimos a 25°C aproximam-se o bastante para se superporem no 2.° estádio e no estádio adulto macho e fêmea. Novamente, pois, sugere-se a hipótese de que o fenômeno de desgaste no jejum se processa segundo uma distribuição normal.

As médias de resistência ao jejum crescem do 1.° ao 5.° estádio de forma bastante regular, com inclinação maior a 25°C do que a 30°C. Os adultos a 25°C tiveram médias intermediárias entre as dos 1.° e 2.° estádios. A 30° C as médias dos adultos tiveram valores intermediários às do 2.° e 3.° estádios, seja por esta temperatura ser mais atuante nas ninfas de 1.° estádio, seja por uma resistência maior dos adultos.

Convém ressaltar os valores máximos e mínimos observados, especialmente no 5.° estádio. À temperatura de 25°C esses valores foram 271 e 164 dias e a 30°C foram 163 e 71 dias, lembrando que essa sobrevida se deu em jejum absoluto. Ainda nesse estádio o valor da mediana mostra que 50% dos insetos nessas condições de jejum, podem sobreviver 220 e 106 dias, respectivamente a 25°C e 30°C.

Ressalta-se ainda o comportamento das ninfas de 4.° estádio, em que os valores da média e mediana praticamente se confundem, a 25°C e 30°C, mostrando a apreciável capacidade de viverem sem qualquer tipo de alimento.

Os resultados apresentados neste trabalho, em relação ao T. sordida, permitem fazer algumas considerações, tendo em vista a bibliografia consultada. É de se supor que, o observado para a resistência ao jejum, nesta espécie, deva ser o menor possível, tendo em vista que os insetos foram submetidos ao jejum absoluto. É lícito supor que a ingestão de qualquer quantidade de água, sangue ou o resultado da predação deva prolongar a sobrevida em jejum. Ryckman 30 (1962) afirmou que, teoricamente, se os triatomíneos fossem postos em jejum, em cada estádio sucessivo, até próximo à morte e então alimentados, poderiam passar mais de três anos como ninfas.

Desde que o objetivo deste trabalho se prende à observação do T. sordida em jejum absoluto, torna-se difícil a comparação dos resultados obtidos com o de outros autores que observaram o jejum de triatomíneos já alimentados ou sem conhecer a sua condição prévia em relação à alimentação.

Na Tabela 23 verifica-se que o T. sordida a 25°C, para os cinco estádios de evolução, resiste mais ao jejum do que o T. dimidiata e T. infestans à temperatura ambiente, exceto no primeiro estádio em que a última espécie resistiu mais. A 30°C o T. sordida resistiu menos ao jejum do que o P. megistus em todos os estádios de evolução, inclusive nos adultos machos e fêmeas. A esta temperatura, o T. sordida resistiu mais ao jejum do que o T. brasiliensis nos 3.°, 4.° e 5.° estádios, tendo mostrado sobrevida menor nos demais estádios.

Em relação aos adultos, as fêmeas de T. sordida resistiram mais do que os machos nas duas temperaturas, da mesma forma que o P. megistus. No T. dinudiata, praticamente não ocorreu diferença, enquanto no T. brasiliensis a fêmea resistiu menos do que o macho.

Na tentativa de se conhecer quais as variáveis que estariam interferindo na duração do jejum, foram aplicados testes de correlação entre a resistência ao jejum em determinado estádio (RJi) e as variáveis em estudo no estádio imediatamente anterior. Para o 1.° estádio, a única variável possível foi a duração da fase embrionária TI. Nos demais estádios, as correlações foram feitas com Di-1, Si-1, Ri-1, Pi-1 e UPi-1.

A Tabela 24 contém o resultado das correlações efetuadas e sua significância estatística. No primeiro estádio, a única correlação possível mostrou que a 25°C a resistência ao jejum aumenta na medida em que decresce o período de duração da fase embrionária. É possível que a maior duração dessa fase de evolução dos triatomíneos acarrete um desgaste maior das reservas nutritivas do ovo, restando, proporcionalmente, menor quantidade para a ninfa de 1.° estádio, após a eclosão. A 30°C, o resultado dessa correlação sugere que, apesar do metabolismo ser mais acelerado, provocando mais rapidamente a eclosão do ovo, não chega a haver maior consumo proporcional de reservas do ovo, como decorrência da menor amplitude de variação de TI.

A resistência ao jejum no 2.° estádio mostrou, em ambas as temperaturas, correlações significantes e positivas com a quantidade de sangue ingerido e com o último peso no 1.° estádio. Considerado o pequeno peso da ninfa de 1.° estádio e a grande quantidade proporcional de sangue que é capaz de ingerir, pode-se supor que, no momento da muda para o 2.° estádio, exista uma reserva de sangue no tubo digestivo do inseto que determinará a maior ou menor resistência ao jejum, uma vez que sua estrutura física não permite prever reservas apreciáveis.

No 3.° estádio, observa-se o mesmo comportamento em relação ao UP2, nas duas temperaturas. Houve correlação positiva e significante entre RJ3 e UP2. No entanto, não se observou o mesmo com a variável S2, que apresentou correlação positiva e não significante. A resistência ao jejum foi tanto maior quanto maior a soma de energia existente na ninfa por ocasião da muda, em sangue no tubo disgestivo ou em estrutura física do inseto.

O 4.° estádio teve comportamento semelhante ao do 2.° em relação às correlações com sangue ingerido e último peso. Essas duas variáveis forneceram correlações positivas e significantes com a resistência ao jejum. Ocorreu também correlação positiva e significante com o número de repastos efetivamente realizados no 3.° estádio, a 30°C. Este resultado leva à suposição de que os insetos que ingerem mais sangue o fazem em um número maior de vezes.

O 5.° estádio ofereceu resultados contraditórios em relação às temperaturas. A 30°C, como nos estádios anteriores, ocorreram interações entre a resistência ao jejum e o último peso no 4.° estádio, bem como, com a quantidade de sangue ingerido nesse estádio. A 25°C não ocorreram correlações significantes, porém, o último peso no 4.° estádio e a resistênciaa ao jejum no 5.° mostraram uma correlação positiva e muito próxima de ser significante (P = 0,05145). O que chama a atenção é o fato da correlação com o sangue ingerido no 4.° estádio ter resultado negativo e não significante, nessa temperatura, indicando que há uma relação inversa entre essas variáveis, o que não parece ter nexo.

Em relação aos adultos machos, ocorreram correlações significantes e negativas, nas duas temperaturas, com o número de repastos do 5.° estádio. Quanto às fêmeas, a 25°C ocorreram correlações significantes e negativas com a duração, sangue ingerido e número de repastos no 5.° estádio. A 30°C as fêmeas apresentaram apenas uma correlação significante e positiva, com o último peso no 5.° estádio.

A única correlação sistematicamente positiva foi a que ocoreru entre resistência ao jejum e o último peso do estádio imediatamente anterior, porém, apenas oito foram significantes, das doze possíveis. As demais correlações tiveram resultados ora positivos, ora negativos, não permitindo qualquer tipo de suposição para sua explicação.

A série de trabalhos de Forattini e col.11-17 (1971, 1973, 1974, 1975, 1977, 1979) enfatiza a importância que esta espécie tem no momento atual, bem como a expectativa que se poderá ter no futuro. Utilizando-se de ecótopos artificiais, galinheiros experimentais localizados nas áreas onde o T. sordida habita naturalmente, esses autores mostraram a valência ecológica apreciável que tem esta espécie, o que lhe permite a colonização em diferentes tipos de ecótopos, sejam naturais, sejam artificiais, mesmo quando as condições para a alimentação não sejam as mais adequadas. Exemplares dessa espécie foram encontrados em árvores secas, em ambientes muito alterados por desmatamentos e queimadas em que as possibilidades de obter alimento são muito remotas. Ficou patente a atração que os ecótopos artificiais podem exercer sobre esses triatomíneos. Outro aspecto mostrado é o desenvolvimento numérico da população quando desaparecem os inimigos naturais.

Esses fatos permitem supor que, como resultado de sua valência ecológica alta ou como determinante desta, a capacidade ampla de resistir ao jejum seja um fato muito importante e que poderá servir para especulações em outros trabalhos de campo. Essa resistência ao jejum lhe confere uma capacidade de "espera" de alimento, o que permite a suposição de que têm pequena mobilidade, especialmente as ninfas. Possivelmente são insetos muito pouco agressivos, quando em busca de alimento, sendo de certa forma cerceados pelos inimigos naturais. A associação dos resultados obtidos em laboratório aos observados nos trabalhos de campo permitem fazer algumas considerações como as que foram apresentadas, com base em alguns fatos. A temperatura não teve efeito significantemente diferente quando se observou a quantidade de sangue ingerido no 5.° estádio. Pode-se supor uma capacidade de resistência às variações de temperatura, manifestada pela não aceleração ou não aumento de necessidades do seu metabolismo, o que lhe conferiria a "espera" da época oportuna para continuar o desenvolvimento, uma vez que os adultos não apresentaram a elevada resistência ao jejum observada nesse estádio.

Restou apenas a explicação, de certa forma óbvia, de que a duração do inseto em jejum depende do último peso que apresentava antes da muda no estádio anterior.

Novamente se enfatiza a necessidade de maiores conhecimentos sobre fisiologia, bioquímica, genética e ecologia para a formulação de hipóteses convincentes. Quaisquer que sejam as explicações possíveis, é inegável o valor da informação referente à capacidade dos triatomíneos resistirem ao jejum por períodos tão prolongados, para estudos ecológicos.

A perspectiva de ser mantida a infestação de casas e anexos por T. sordida, mesmo quando abandonados pelo homem e animais é digna de ser considerada em termos epidemiológicos.

 

CONCLUSÕES

1. A duração da fase embrionária foi maior à temperatura de 25°C que à de 30°C, não tendo ocorrido interação temperatura-sexo.

2. A duração do ciclo evolutivo foi maior à temperatura de 25°C que à de 30°C nos estádios 1.°, 2.°, 3.° e 5./. No 4.° estádio ocorreu interação temperatura-sexo.

3. A duração do 5.° estádio do ciclo evolutivo foi maior nos machos do que nas fêmeas.

4. A duração do adulto macho foi menor do que a das fêmeas, à temperatura de 25°C. À temperatura de 30°C não ocorreu diferença significante entre as médias dos machos e das fêmeas.

5. A quantidade média de sangue ingerida nos 1.° a 4.° estádios do ciclo evolutivo, foi maior à temperatura de 25°C do que à de 30°C. No 5.° estádio não ocorreu diferença significante por efeito da temperatura.

6. As quantidades médias de sangue ingerido foram significantemente diferentes nos 3.°, 4.° e 5.° estádios do ciclo evolutivo. Nos 4.° e 5.° estádios as médias das fêmeas foram maiores.

7. O número médio de repastos, nos 1.°, 2.° e 3.° estádios do ciclo evolutivo, foi maior à temperatura de 25°C que à de 30°C. No 4.° estádio ocorreu interação temperatura-sexo. No 5.° estádio não ocorreu diferença significante por efeito da temperatura.

8. O número médio de repastos dos machos no 5.° estádio do ciclo evolutivo foi maior que o das fêmeas, à temperatura de 25°C. Nos demais estádios não ocorreram diferenças significantes por efeito do sexo.

9. O peso médio inicial, exceto no primeiro estádio, foi maior, em todos os estádios do ciclo evolutivo e no estádio adulto, à temperatura de 25°C do que à de 30°C.

10. O peso médio inicial foi maior entre as fêmeas nos 4.° e 5.° estádios do ciclo evolutivo e fase adulta, à temperatura de 30°C. À temperatura de 25°C, o peso médio inicial das fêmeas foi maior no 5.° estádio e na fase adulta.

11. A resistência média ao jejum foi maior à temperatura de 25°C do que à de 30°C, em todos os estádios do ciclo evolutivo. Na fase adulta ocorreu interação temperatura-sexo.

12. As correlações entre resistência ao jejum e último peso no estádio imediatamente anterior foi a única que se mostrou sistematicamente positiva, sendo significante em oito das doze possíveis, considerados os estádios de evolução e temperaturas.

 

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Recebido para publicação em 03/11/1981
Aprovado para publicação em 03/05/1982
Síntese da tese de livre-docência apresentada à Faculdade de Saúde Pública da USP em 1979.