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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.18 n.3 São Paulo Jun. 1984

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101984000300008 

RESUMOS DE LIVROS/BOOK REVIEWS

 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Administración de sistemas de salud; por Armando Cordera y Manuel Bobenrieth. México, D.F., 1983. 2 v., 782 p.

A – Objetivos

Em 2 tomos e 782 páginas, o trabalho de Cordera e Bobenrieth, que são ambos médicos com formação posterior e prática profissional orientada para a Administração de Saúde e Saúde Pública, é uma exposição bem documentada dos campos citados. Está dividido em seis partes: Contexto, Planejamento, Administração, Processo, Avaliação e Educação e Pesquisa e entre e dentre elas são transcritas citações de autores e pensadores que servem como entradas aos assuntos que vão ser tratados. O Prefácio e a Introdução mostram os objetivos dos autores, que consideram a administração de sistemas de saúde um processo amplo e complexo, que abrange muitas disciplinas e é baseado, sobretudo, na administração pública, na saúde pública e nos serviços de assistência médica, num enfoque globalizador. Pretendem, assim, apresentar uma obra, mais ou menos resumida, que trate dos temas de maior relevância atual, na busca de maior rentabilidade de recursos nesta época de redução generalizada desses recursos. Pretendem, ainda, continuidade ao trabalho de alguns especialistas que produziram obras de grande utilidade, citando, dentre outros latino-americanos, os brasileiros Chaves, Bichar Rodrigues e Lourdes de Freitas Carvalho, dentre os que abordam temas de grande proveito para a saúde dos povos, reconhecendo-lhe o talento e o esforço e não pretendendo substituí-los e, sim, complementá-los. Consideram, porém, que apesar da existência daquelas obras o novo livro tem um ponto de vista diferente, mais voltado para a necessidade de o executivo na área da saúde, em qualquer hierarquia, ter que responder a algumas perguntas básicas mas de respostas complexas, tais como: Qual o contexto onde atua, quais as necessidades sociais da população dos que prestam serviços e das autoridades? Quais os valores sociais dominantes? A legislação e os recursos são suficientes? Que se espera que se faça para satisfazer ou neutralizar as necessidades? Como agir? Qual é o resultado da intervenção?

O executivo da área da saúde necessitaria para tanto apoiar-se em disciplinas básicas (Sociologia, Investigação Científica, Métodos Quantitativos, Psicologia Geral (e a Social, particularmente), Economia, Teoria Geral de Sistemas, Legislação e Política).

O livro põe ênfase nos princípios de interação trabalho-pessoa-grupo-burocracia-ambiente em saúde e na ligação entre esses princípios fundamentais e os problemas de administração, do ponto de vista dos executivos de vários níveis. Desta forma, para os autores, a administração deve basear-se em estudos interdisciplinares, a partir das referências tradicionais, abarcando os mais recentes conhecimentos daquelas ciências.

O desejo dos autores é que o livro seja de utilidade para os seguintes grupos de executivos ou potencialmente executivos:

– profissionais de ciência da saúde, em posição permanente ou temporária de executivos em instituições;

– médicos, enfermeiros, odontólogos, dentistas, nutricionistas, veterinários, engenheiros sanitaristas, terapeutas físicos e ocupacionais que ocupem comandos de departamentos, seções ou outras unidades em hospitais ou outras instituições;

– profissionais das ciências da administração em posição de diretores, vice-diretor, administradores, chefes de departamento e seções e unidades da área administrativa em hospitais e outras instituições;

– alunos dos cursos regulares de administração de sistemas de saúde, administração hospitalar, administração de assistência médica, administração de saúde pública, etc., na América Latina;

– professores e monitores de cursos e programas.

B – Conteúdo

Pela diversidade e utilidade dos temas tratados, fica mais claro listar os assuntos dos capítulos dentro das partes, para que se tenha idéia do conteúdo do livro:

Parte I – Contexto: Necessidades sociais; espaço social; valores sociais e sua importância na atenção médica; ética; sistemas de saúde; sistemas de assistência médica.

Parte II – Planejamento: conceitos atuais; marcos de referência; sistemas de informação; mudança social; poder; tomada de decisão.

Parte III – Administração: conceitos básicos; administração pública.

Parte IV – Processo: Organização: funções: diagnóstica, preventiva, de tratamento, auto-medicação; tecnologia; estruturas; pessoal; direção; sistemas; liderança (atualização permanente, grupos); comunicação, objetivos, motivação, papéis, conflito, falar em público, controle; custo da assistência médica.

Parte V – Avaliação: conceitos atuais; avaliação da assistência médica.

Parte VI – Educação e pesquisa: Educação: conceitos básicos; desenvolvimento do pensamento em Educação; Filosofia da Educação; Psicologia da Educação; Sociologia da Educação; Educação e Aprendizagem do Adulto; fase instrumental da Educação. Pesquisa: Conceitos básicos (valores na ciência, processo de investigação, comunicação na investigação). Investigação de Serviços de Saúde: Glossário; Índice Analítico; Índice de Autores.

O glossário é extenso (66 pág.) dos termos referidos no livro, abrangendo administração geral e de serviços de Saúde. E útil como compilação, para referências, e para os que não podem ou não necessitam ler todo o livro.

C – Comentários e Recomendações

A obra é por demais abrangente, documentada, referenciada. O que é um mérito. A grande utilidade do livro reside na atualização que faz dos assuntos tratados, já que já dispomos de obras dessa amplitude. No que posso analisar melhor, que é Administração Geral e Pública, fornece uma boa atualização dos conceitos das escolas e apresenta e analisa os mais modernos modelos: o da eleição pública e o da ação social.

A extensão do livro traz algumas dificuldades: a) é de difícil uso, como um todo, em termos didáticos. Poderá servir de referência para temas especificados, para leitura orientada e debates, porém com a intervenção do professor; b) não inclui a experiência e vivência locais.

Mas, como os próprios autores dizem, espera-se que o professor adapte o conteúdo do livro aos interesses e capacidade próprios e dos seus alunos.

 


 

 

Lygia Busch Iversson

Departamento de Epidemiologia-FSP/USP

 

 

O professor universitário em aula: prática e princípios teóricos; por Maria Célia Teixeira Azevedo de Abreu e Marcos T. Mansueto. São Paulo, Cortez Ed., 1980. 130 p.

Livro despretencioso, 130 páginas de fácil leitura pela linguagem direta, clara e pelo estilo quase coloquial com que os autores, dois professores universitários de Psicologia Educacional, expõem ao leitor os diversos temas. O texto começa a cativar logo na Introdução quando menciona que a prática concreta do professor do ensino superior assenta-se não só sobre o conteúdo da área na qual ele é um especialista, mas também na sua visão de educação, de homem e de mundo e na habilidade e nos conhecimentos que lhe permitem uma efetiva ação pedagógica.

Essa macrovisão da educação se mantém no primeiro capítulo, quando são analisadas as duas opções que se impõem logo de início ao professor quando entra em sala de aula. A opção do ensino que ministra, em que as atividades estão centradas na sua figura e a opção da aprendizagem, em que as atividades as concentram no aprendiz, o aluno. Nos sete capítulos que se seguem: Plano, Objetivos, Conteúdo da disciplina, Estratégias para aprendizagem, Descrição de estratégias para aprendizagem, Processo de avaliação e Relação professor-aluno, os assuntos são apresentados da mesma forma – linguagem simples, soluções práticas sem perda de profundidade.

No capítulo referente à relação professor-aluno, os autores analisam a necessidade da criação de um clima que facilite a aprendizagem, para cuja existência é imprescindível a autenticidade de quem ensina, o apreço ao aprendiz, a seus sentimentos e opiniões e a compreensão profunda das suas reações. Se o leitor já tiver participado da extraordinária experiência em que se cria esse clima de tal empatia e doação entre professor-alunos que o conhecimento flui e se transmite envolto em uma auréola de sentimentos e pensamentos positivos, vai se deliciar com a leitura do capítulo.

Evidentemente, a preocupação dos autores em trazer a tona problemas cotidianos na prática de ensino, sugerindo alternativas de solução, é dirigida ao professor universitário que não é um especialista da área de Educação e Psicologia Educacional. Aquele profissional nem sempre tem disponibilidade para se aprofundar no tema e esse pequeno mas valioso livro dá oportunidade a uma reflexão profícua sobre sua atuação pedagógica.