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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.20 n.5 São Paulo Oct. 1986

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101986000500012 

RESUMOS DE LIVROS/BOOK REVIEWS

 

 

André Francisco Pilon

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Consecuencias para la salud publica de la producion y el comercio de alcohol, por Brendan Walsh y Marcus Grant. Ginebra, Organizacion Mundial de la Salud, 1985. 57 p. [ OMS - Publicacion en offset, n.° 88 ].

A síndrome de dependência alcoólica (terminologia mais adequada do que "alcoolismo") trata da ampla gama de problemas relacionados com a ingestão habitual de álcool, cuja dimensão biopsicossocial se reflete em situações que variam desde a desorganização da família até aos acidentes de trânsito e de trabalho.

No presente estudo sublinha-se a necessidade de incluir a saúde pública como aspecto fundamental de quaisquer políticas e programas referentes à produção, consumo e comercialização de bebidas alcoólicas, tendo em vista que os problemas de saúde física, menatal e social associados refletem a postura dos diferentes países face à questão.

Assim, enquanto na França e Portugal diminui o consumo total de álcool, atualmente assinala-se um aumento em países menos desenvolvidos, onde a população é mais vulnerável à propaganda extravagante e aliciadora. A legislação - quando devidamente cumprida - pode tornar-se uma aliada da saúde pública, regulando a publicidade enganosa, o teor alcoólico das bebidas, as formas de produção, comercialização e consumo (preço, pontos e horários de venda, interdição do acesso a menores, etc.).

Os diferentes problemas observados em vários países guardam relação com o respectivo patrimônio cultural e desenvolvimento político e econômico. Especial atenção deve ser dada às situações em que as pessoas estão sob desgaste físico e emocional, ao enfrentar problemas sociais, econômicos, jurídicos, envolvendo família, emprêgo, tráfego, etc., que ocorrem não apenas em períodos de depressão mas também de aquecimento da economia aumentando, por exemplo, as oportunidades em que beber se torna mais arriscado (trânsito, obras em construção, etc.).

Embora a Organização Mundial da Saúde venha tornando disponível uma assessoria especializada aos países que se disponham a enfrentar o problema, os autores chamam a atenção para a conjugação de esforços de entidades intergovernamentais e não governamentais, pois tanto no plano nacional como internacional seria possível conceber estratégias que permitissem aproveitar as vantagens do desenvolvimento industrial e reduzir ao mesmo tempo a quantidade de álcool disponível para o consumo humano.

 


 

 

Aracy Witt de Pinho Spinola

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Health economics and development, by Stuart Wells and Steven Klees. New York, Praeger, 1980. 165 p.

A obra aborda temática de saúde de países em desenvolvimento, especialmente pontos relacionados à ciência econômica.

É composta por duas partes principais; na primeira são colocadas questões teóricas referentes à problemática da saúde em relação ao contexto socio-político em que as doenças ocorrem; numa seqüência lógica, são levantados elementos da área da economia, da educação, da comunicação e da pesquisa que podem e devem ser consideradas ao ser tratada a relação entre saúde e desenvolvimento econômico.

As descrições destas inter-relações fundamentam-se em análises da estrutura sócio-política, tendo pois, enfoques macrosociológicos; os aspectos específicos da área econômica, por sua vez, tem por base a micro-economia, sendo dada ênfase às técnicas analíticas relacionadas à tomada de decisão em saúde, em especial, a demanda, ao custo, ao custo-eficiência e ao custo benefício.

São apresentadas várias tabelas e figuras que ilustram o descrito e analisado.

Ainda, são feitas referências aos procedimentos metodológicos básicos adotados, com destaque dos problemas gerais e específicos surgidos em estudos experimentais e quando selecionadas técnicas econométricas e outras mensurações.

Digno de nota, é a bilbiografia que fundamenta o trabalho.

A segunda parte do livro é composta de um Estudo de Caso levado a efeito na Tanzânia; contém descrição detalhada de um projeto de educação em saúde, com análise de sua consistência em relação à outras instituições sociais e à políticas diversas; isto, considerando os conteúdos teóricos constantes da primeira parte, ou seja: desenvolvimento, situação educacional, meios de comunicação, estrutura do sistema de saúde e análises econômicas.

Existe detalhamento suficiente para o entendimento da metodologia empregada, que é de duas naturezas: uma eminentemente qualitativa e outra quantitativa; há indícios de uso adequado de ambas, o que pode ser verificado através da referência às mesmas e na descrição da avaliação da experiência como um todo.

No final da obra aparecem resumo e observações complementares, estas últimas relativas à questões de políticas de saúde.

A obra permite conhecer, em linhas gerais, a influência do desenvolvimento econômico no setor saúde e leva à sugestão da necessidade das ações de saúde considerarem a estrutura sócio-econômica vigente nos países alvos de programações.

 


 

 

Maria Lúcia Lebrão

Departamento de Epidemiologia - FSP/ USP

 

 

Health indicators, edited by A.J.Culyer, New York, St. Martin's Press, 1983. 223 p.

O livro em foco é resultado de uma série de reuniões realizadas de 1979 a 1981 pelo "British Social Science Research Council" com o objetivo de fazer um balanço da pesquisa européia no momento, na área de indicadores de saúde.

A idéia de que "indicador de saúde" pode significar diferentes coisas para diferentes pessoas (produtores e/ou usuários das informações) e, conseqüentemente gerar linhas de pesquisa que refletem essa multiplicidade de interesses, permeia todo o conteúdo do livro, como pode ser visto pelos capítulos: 1 - Introdução; 2 - Conceitos de saúde e doença; 3 - Problemas de mensuração na construção dos indicadores de saúde: uma revisão; 4 - Multidimencionalidade dos indicadores de saúde: a discussão francesa; 5 - Usos e usuários da informação na assistência à saúde; 6 - Que tipo de medida de saúde para que propósito?; 7 - A necessidade de indicadores de saúde; 8 - Uma estrutura de estatísticas de saúde: o sistema de dados norte-americano como modelo para informação de saúde européia?; 9 - Monitorização da saúde na Inglaterra e Gales; 10 - Incapacidade como indicador de saúde; 11 - Questões sócio-políticas no uso de indicadores de saúde; 12 - Valores implícitos nas decisões administrativas; 13 - Conclusões e recomendações.

O livro é bastante abrangente, discutindo tanto as questões "filosóficas" da definição de saúde, e suas medidas, assim como da operacionalização dessas medidas.

Assim, no capítulo 2, o autor, discutindo conceitos de saúde e doença, aborda a pluralidade de enfoques determinada pela dimensão da doença vista pelo doente, contrapondo à doença do ponto de vista do médico ou do ponto de vista da medicina preventiva, e finaliza o capítulo com ampla discussão de conceitos de saúde em diferentes lugares e épocas.

O capítulo 3, o mais instigante talvez de todo o livro, discute o conceito de medidas no desenho dos indicadores de saúde, fazendo desde uma revisão geral e histórica desses indicadores, até o enfoque matemático dos novos indicadores propostos. O autor consegue, de maneira sucinta e clara apresentar o que há de mais atual neste campo.

No capítulo 5 é destacado o papel dos participantes na assistência à saúde como produtores e usuários de informações e as implicações desse duplo papel em diferentes sentidos, como o da geração de políticas, alocação de serviços, provimento de recursos, determinação de linhas de pesquisa, etc.

São preciosas as recomendações encontradas no capítulo 6 para orientação de qualquer pesquisador na escolha do seu instrumento de medida, após uma abordagem geral dos diferentes métodos de descrição do estado de saúde/doença habitualmente utilizados.

No capítulo 10, é interessante a discussão do valor atual das medidas de incapacidade como indicador abrangente do estado de saúde de populações onde as doenças crônicas e degenerativas fazem com que os indicadores de mortalidade sejam de pouca valia. O autor coloca o problema da quantificação em escala dos estados de incapacidade, discutindo as dimensões, às vezes, divergentes de incapacidade e sofrimento.

Nas conclusões e recomendações, o autor (coordenador das reuniões) dirige-as de maneira diferenciada ao ambiente acadêmico e a organizações de pesquisa, apresentando os problemas e necessidades atuais do desenvolvimento dos indicadores, com um enfoque conceitual e operacional respectivamente.

É imprescindível chamar a atenção para a extensa, atualizada e abrangente bibliografia existente ao final do livro.

Assim, o livro é de enorme interesse para aqueles que trabalham na área de saúde.

"O desenvolvimento de um sistema de medidas sociais que transcendam as medidas econômicas tradicionais de bem estar, pela incorporação de índices ou indicadores de outros aspectos da vida" parece se traduzir no "movimento dos indicadores sociais" dos quais os indicadores de saúde são apenas uma parte. Entretanto, parece que a grande dificuldade de se dar aos indicadores de saúde um enfoque maior e mais abrangente do que a simples medida da doença persiste passados mais de 30 anos da reunião do Conselho Econômico e Social da ONU, em 1950.

 


 

 

Ignez Salas Martins

Departamento de Nutrição - FSP/USP

 

 

Nutritional requirements of man: a conspectus of research, by M. Isabel Irwin. New York, Nutrition Foundation, 1980. 592 p.

O livro é uma coletânea de sinopses sobre necessidades humanas de proteínas, aminoácidos, vitamina A, cálcio, zinco, vitamina C, ferro, ac. fólico e cobre. Essas sinopses, publicadas pela revista "Journal of Nutrition", entre 1971 e 1979, foram, agora, reunidas em um só volume, composto de nove capítulos, cada um deles tratando de um nutriente específico. De um modo geral, cada capítulo traz um apanhado dos trabalhos publicados abrangendo desde as primeiras pesquisas que levaram à descoberta do nutriente até aquelas que se desenvolveram no tempo voltadas, de um modo geral, ao estudo dos "requerimentos mínimos" e "requerimentos ótimos" do nutriente e dos fatores que influenciam sua absorção e utilização pelo organismo. Aborda os estudos sobre o nutriente como componente de dietas e sua inter-relação com outros nutrientes, tanto a nível orgânico quanto a nível da própria dieta. Faz um apanhado dos trabalhos realizados tendo em vista a determinação das necessidades do nutriente nas diferentes fases da vida (infância, adolescência, maturidade e velhice), na gravidez e na lactação. Sumaria os estudos realizados sobre fatores do meio físico e do próprio homem que influem nos requerimentos, efeitos nocivos frente a ingestão excessiva e à possível inter-relação entre o nutriente e drogas de uso terapêutico. Faz uma síntese dos trabalhos voltados à descoberta de alimentos que constituem fontes dos nutrientes.

O capítulo "A Conspectus of Research on Protein Requirements of Man" além dos aspectos supracitados, traz um apanhado sobre trabalhos realizados tendo em vista a determinação da qualidade protéica, através da análise do perfil aminoacídico da proteína e da relação aminoácidos essenciais/aminoácidos não essenciais.

Os capítulos referentes à vitamina A e ao ferro abordam, também pesquisas realizadas tendo em vista a determinação do nutriente em dietas bem como, a análise da pertinência da suplementação alimentar em determinados estados fisiológicos.

Os capítulos sobre o zinco e o cobre, por serem estes minerais ainda pouco conhecidos em suas funções de nutrientes essenciais, abordam, fundamentalmente, as funções fisiológicas e metabólicas desses minerais. Sumariam os estudos realizados sobre a distribuição, mecanismos de absorção e excreção desses nutrientes na vida pré e pós natal. Faz um apanhado sobre as inter-relações desses minerais com outras substâncias a nível do organismo e, também, sobre os aspectos clínicos e metabólicos nas deficiências desses nutrientes. Apresenta uma síntese dos trabahos realizados tendo em vista a estimativa das necessidades humanas desses minerais nas diferentes fases da vida na gravidez e na lactação e dos efeitos frente a ingestão excessiva.

A importância das sinopses reunidas no presente volume está no fato de terem sido feitas após exaustivas revisões bibliográficas, remontando trabalhos realizados pelos pioneiros dos estudos metabólicos, o que as tornam fontes importantes de consulta, até mesmo, para se traçar a história da nutrição.

 


 

 

André Francisco Pilon

Departamento de Prática de Saúde Pública -FSP/USP

 

 

Politicas sobre el alcohol en la planificación nacional de la salud y el desarrolo: . . ., edicion preparada por Joy Moser. Ginebra, Organizacion Mundial de la Salud, 1985. 107 p. [OMS-Publicacion en offset, n.° 89 ]

Por ocasião da 35ª Assembléia Mundial da Saúde, mais de uma centena de países e representantes de organizações internacionais reuniram-se para examinar os problemas relacionados com o álcool e seu consumo. O documento final produzido, ora publicado, reúne informações coletadas por 57 Estados membros da OMS, devidamente analisadas e enriquecidas com as discussões havidas no encontro.

Questões-chave são focalizadas em relação à disponibilidade do álcool, taxas de consumo e suas conseqüências, grupos de alto risco envolvidos e fatores de risco, prevenção e tratamento de problemas derivados do alcoolismo e à necessidade do estabelecimento de políticas nacionais pelos diferentes países no contexto da saúde e do desenvolvimento, culminando com a formulação de uma estratégia com a finalidade de alcançar a saúde para todos no ano 2000.

A ênfase na participação comunitária, de maneira a que as atividades propostas possam ser desenvolvidas adequadamente, implicaria a participação no planejamento e aplicação das medidas necessárias. Para a elaboração de uma política nacional, os dados devem ser reunidos em relação a ambientes sócio-culturais bem definidos. Quase todos os países acreditam necessário complementar as informações disponível para a elaboração de políticas eficazes, embora muitos deles afirmem que já existem dados suficientes para propostas iniciais de uma política de ação.

A publicação apresenta, em anexo, um guia para exame do consumo de álcool, dos problemas relacionados e dos programas e políticas pertinentes, distribuído aos participantes por ocasião das discussões técnicas, para a definição do problema em relação aos diferentes países representados. O governo do Brasil, apoiado em documento do Ministério da Saúde* considerou como áreas onde se requer ação mais urgente, as seguintes: a) a reestruturação da atenção terciária; b) a reformulação de disposições legais e c) a aplicação de disposições nos campos da educação, da informação e das ações de saúde pública.

 

 

* Freitas, J. & Pereira, C.A. Subsídios para o programa nacional de prevenção e tratamento do alcoolismo. Brasília, Ministério da Saúde, 1981.

 


 

 

Nelly Martins Ferreira Candeias

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Society, stress and disease; v. 4: Working life, edited by Lennart Levi. Oxford, Oxford University Press, 1981. 370 p.

O atual interesse em discutir os efeitos do "stress" na saúde teve início com o brilhante estudo bioquímico de Hans Seyle a respeito do fenômeno por ele assim denominado e, mais tarde, com a publicação de um livro, com observações igualmente brilhantes, sobre a natureza e os efeitos do "stress da vida". Utilizado inicialmente apenas na área da física, o termo "stress" passou a descrever, desde então, as reações do organismo a estímulos desagradáveis, como dor, tristeza, frustração, abuso de atividade física, variações de temperatura, entre outros. A expressão "stress da vida" refere-se não ao "stress" físico, mas às pressões sentidas pelos indivíduos ao enfrentar dificuldades decorrentes do relacionamento interpessoal em situações de trabalho, lazer, contato profissional, familiar ou amoroso, transformando-se aquele em dor psíquica.

Ainda aluno de medicina, Seyle notou que certos sintomas e sinais pareciam ser comuns às fases iniciais da doença. Observou então que uma variedade de influências nefastas produziam um tipo comum de resposta nos organismos a elas submetidos. Posteriormente, graças a seu amplo conhecimento em patologia, fisiologia e endocrinologia, passou a fazer interessantes estudos em animais. Submetendo ratos a uma variedade de fatores causadores de "stress" pôde constatar, ao autopsiá-los, graves alterações patológicas como hemorragias no estômago, aumento das glândulas adrenais e redução do timo e de outros tecidos linfáticos. Apesar das diferenças na natureza do estímulo, concluiu que a resposta em termos de "stress" se mostrava, não obstante, inespecífica.

Desde então vários especialistas têm estudado as conseqüências multidimencionais do "stress" sobre o organismo humano, classificando-o, entre outros, em três grandes grupos: o "stress" fisiológico, o "stress" psicológico e o "stress" social. Alguns estudam-no em termos das patologias que provocam (hipertensão, úlcera, câncer); outros abordam-no em termos da capacidade inata ou adquirida de autocontrole, contribuindo nesse caso para a longevidade do ser humano. A propósito, parece-nos oportuno divulgar a obra de Kenneth R. Pelletier, da Faculdade de Medicina de São Francisco, na Califórnia, criativo autor dos livros "Mind as a healer, mind as slayer", "Holistic Medicine, from stress to optimum health" e "Longevity".

É pois benvindo o livro intitulado "Society, stress and disease"; v. 4: Working life, analisando o "stress" a partir de uma perspectiva de interesse para a Saúde Ocupacional. Divide-se em cinco partes: definições de problemas e objetivos; "stressors" físico-sociais potencialmente patogênicos no trabalho da vida moderna; incapacidades físicas, mentais e sociais possivelmente associadas a "stressors" psicossociais no trabalho; proteção e promoção da saúde mediante fatores psicossociais e, finalmente, objetivos e metodologia para pesquisa futura.

Este livro, volume de uma série de cinco, resulta de simpósios interdisciplinares e internacionais, realizados com o patrocínio da Organização Mundial da Saúde e da Universidade de Uppsala e organizados pelo Laboratório de Pesquisa Clínica em "Stress" (OMS, Centro Psicossocial) do Karaolinska Institute" em Stockholm.

Leitura fascinante e útil, particularmente nesta era de megatendências sociais, onde indivíduos psicologicamente abandonados, perecem em conseqüência de uma doença que já se poderia denominar de dor da vida.