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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.22 n.1 São Paulo Feb. 1988

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101988000100001 

Avaliação de termonebulizações de propoxur contra mosquitos através de testes biológicos

 

Evaluation of thermonebulization of propoxur used against mosquitoes by means of biological tests

 

 

Amir Bertoni GebaraI; Maria do Carmo Ramalho R. de AlmeidaII

IDepartamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP — Caixa Postal 4365 — 05508 — São Paulo, SP — Brasil
IISuperintendência de Controle de Endemias (SUCEN) — Rua Paula Souza, 166 — 01027 — São Paulo, SP — Brasil

 

 


RESUMO

A eficácia de termonebulização do inseticida propoxur no controle de Aedes aegypti foi avaliada através de testes realizados no Município de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo (Brasil). Estudos comparativos monitorados por mosquitos — Culex quinquefasciatus — presos em gaiolas, indicaram que o horário de aplicação do inseticida teve forte influência na mortalidade dos mosquitos, que não ultrapassou 43% quando as aplicações foram feitas entre 17 h e 17:30 h, enquanto que para as aplicações feitas após às 19 h a mortalidade média foi de 73%. Nos testes realizados à noite foi constatada uma mortalidade média não inferior a 95% nas gaiolas posicionadas em dependências com as portas e janelas abertas e naquelas onde as portas e janelas estavam fechadas observou-se uma mortalidade média não superior a 13%. Mudando-se a concentração do inseticida de 1:12 para 1:9, a mortalidade dos mosquitos não diferiu de forma significativa.

Unitermos: Controle de mosquitos, métodos. Aedes aegypti. Culex quinquefasciatus. Aprocarb.


ABSTRACT

The thermonebulization efficcacy of the insecticide propoxur used in Aedes aegypti control was evaluated by means of tests carried out in S. José do Rio Preto, S. Paulo, Brazil. Comparative studies monitored by caged mosquitoes — Culex quinquefasciatus — indicated that the applications of the insecticide influenced mosquito mortality greatly, this did not exceed 43% when application were performed between 5 p.m. and 5.30 p.m., but for applications carried out after 7 p.m. the mortality mean was 73%. In tests performed at night it was observed that mean mortality was not inferior to 95% in the cages situated in presences with doors and windows open and in those in which the doors and windows were closed a mean mortality not higher than 13% was observed. Mosquito mortality did not differ significantly when the concentration of the insecticide was increased from 1:12 to 1:9.

Uniterms: Mosquito control, methods. Aedes aegypti. Culex quinquefasciatus. Aprocarb.


 

 

INTRODUÇÃO

Com a perspectiva do agravamento de casos de febre amarela e de dengue no Estado de São Paulo, vêm sendo efetuados trabalhos voltados para o controle do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de arbovírus que provocam essas doenças.

Em decorrência da necessidade de controle a curto prazo, a fim de reduzir a infestação de mosquitos adultos, evitando, assim, que conseqüências drásticas advenham, a Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN) vem realizando aplicações de inseticidas ambientais, sobretudo de propoxur através de termonebulizações, também conhecida como "fog" e de malathion à ultra baixo volume (UBV). Paralelamente, o larvicida químico Temephos está sendo utilizado no tratamento de águas acumuladas em vasos, latas, pneus, caixas d'água e outros recipientes que servem como criadores de Aedes aegypti.

Para se poder avaliar a eficácia do controle químico em sua fase final, são necessários testes biológicos, medindo-se assim o índice de mortalidade dos mosquitos adultos. Para tanto, 4 testes biológicos foram realizados, com intervalos semanais entre cada um deles, nos meses de junho e julho de 1986, no Município de São José do Rio Preto (21° 49' N; 49° 23'0), situado a aproximadamente 450 km a noroeste do Município de São Paulo.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram realizadas termonebulizações, efetuadas por meio de máquinas "Dyna Fog", utilizando-se o inseticida propoxur do tipo "Swing-fog" (preparação própria para nebulização), com 1% de princípio ativo e uma concentração para os testes 1 e 2 de 1:12, i.e., em tambor de 190 1: 15 1 de inseticida e 175 1 de óleo diesel e posteriormente para os testes 3 e 4 uma concentração de 1:9. A vazão do produto foi de aproximadamente 2,9 1/ha, com o veículo percorrendo em média 1 hectare, i.e., todas as faces de um quarteirão, a cada 2 min.

No bairro de Jardim Alto Rio Preto, onde foram realizados os testes 1 e 2, foi escolhido um quarteirão ocupando uma área de aproximadamente 10.000 m². Os testes 3 e 4 foram efetuados no bairro de Santa Cruz, onde também foi escolhido um quarteirão com 10.000 m² de área aproximada. Em cada um dos dois quarteirões, uma casa foi determinada para os testes.

A espécie de culicídeo utilizada para as provas foi Culex quinquefasciatus em função de sua elevada densidade na região e também por apresentar resistência semelhante ou pouco superior ao Ae. aegypti (OMS5, 1980). Foram capturadas larvas de quarto estádio, 24 e 48 h antes da operação, em valas com acúmulo de água, no Município de Mirassol, distante, aproximadamente, 15 km da região onde foram realizados tratamentos com inseticidas, reduzindo assim a possibilidade de resistência.

Em seguida à captura, as larvas foram encaminhadas ao laboratório, desenvolvendo-se satisfatoriamente, e após puparem foram colocadas em gaiolas de colonização até emergirem os ímagos. Os mosquitos adultos foram transferidos através de tubos de Corrêa (Foratini1, 1962), para gaiolas de exposição duas horas antes do início dos testes.

As gaiolas de exposição foram confeccionadas com ligas de alumínio galvanizado, soldadas, formando cubos de 7 cm de alt. X 7 cm de larg. X 13 cm de prof.. Estes cubos foram cobertos por tubos de filó, com malha de 1 mm de diâmetro.

Foram utilizadas 17 gaiolas de exposição por teste, dentre elas duas testemunhas dispostas em locais distantes da área de operação. Cada gaiola recebeu 20 mosquitos, aleatoriamente quanto ao sexo, pois o controle pura e simplesmente da fêmea se aplicaria somente às espécies autógenas (Hocking e col.2, 1950).

As gaiolas foram acondicionadas em caixas de isopor, com a umidade relativa do ar mantida por alguns chumaços de algodão umedecidos em água (Roberts6, 1983), estando os ímagos assim prontos para o transporte, do laboratório para a área de testes.

Chegando-se ao local das provas, as 15 gaiolas, numeradas de 2 a 16 (gaiolas 1 e 17 ficaram como testemunhas), foram posicionadas estrategicamente na área de testes, em dependências com portas e janelas fechadas, com portas e janelas abertas e, com pouca ou nenhuma barreira física (Figs. 1 e 2).

No momento da aplicação foram medidas as seguintes variáveis abióticas: horário, velocidade do vento, temperatura ambiental, velovidade do veículo, umidade relativa do ar, ponta de orvalho e altitude.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados dos testes 1 e 2, realizados a uma concentração de 1:12 e dos testes 3 e 4 a uma concentração de 1:9 são apresentados na Tabela 1.

Em todas as provas, no máximo 5% dos mosquitos morreram nas gaiolas testemunhas, não havendo assim necessidade de correção da média da mortalidade observada, mediante a fórmula de Abbott (OMS3, 1976).

Através do teste t foi possível constatar que a média da mortalidade de mosquitos, presentes em gaiolas localizadas nas dependências onde as portas e janelas estavam abertas, foi significativamente superior (p < 0,05) àquela encontrada em dependências com portas e janelas fechadas, que dificultaram sensivelmente a penetração do inseticida (Tabela 2).

 

 

Comparando-se a média de mosquitos mortos, após 24 h da aplicação do inseticida, constatou-se uma diferença significativa (p < 0,05) entre o teste 1 (T1) e o teste 2 (T2), bem como entre o teste 3 (T3) e o teste 4 (T4), sendo que T2 apresentou mortalidade significativamente superior a T1 e T3 significativamente superior a T4 (Tabela 3).

 

 

A análise de correlação de Pearson para a percentagem de mosquitos mortos em função das diversas variáveis abióticas (Tabela 4), medidas durante os testes, demonstrou não haver correlação significativa (p > 0,05). Porém existe a possibilidade de que as diferenças de mortalidades entre os testes 1 e 2, e também entre os testes 3 e 4, sejam explicadas pelos horários das aplicações em função do possível efeito da corrente de convecção (OMS4, 1977) que poderia facilitar a dispersão do inseticida durante o dia.

 

 

No que diz respeito às diferentes concentrações de inseticidas empregadas, foram realizados cálculos de comparação das médias de mortalidade entre os testes 1 e 4 e entre os testes 2 e 3, por apresentarem condições similares de horário e efetivamente não diferiram significativamente (p > 0,05).

 

CONCLUSÕES

Com base nos dados apresentados no presente trabalho, é muito provável que a existência de barreiras físicas e o horário de aplicação do inseticida tenham interferido nos resultados. Entretanto outras variáveis medidas durante os testes e comparadas, inclusive a concentração do inseticida empregado, não alteraram a taxa de mortalidade.

Testes biológicos são fundamentais para o bom desenvolvimento de programas voltados para o controle de mosquitos, pois oferecem condições para otimizar os tratamentos feitos com inseticidas, aumentando a mortalidade de mosquitos, reduzindo os custos das operações e minimizando os efeitos tóxicos e poluentes aos organismos não alvo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. FORATTINI, O. P. Entomologia médica. São Paulo, Faculdade de Higiene e Saúde Pública da USP, 1962. v. 1.         [ Links ]

2. HOCKING, B.; RICHARDS, W. R.; TWINN, C. R. Observations on the bionomics of some northern mosquito species (Culicidae: Diptera). Can. J. Res., 28: 58-80, 1950.         [ Links ]

3. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Comite de Expertos en Insecticidas, Ginebra, 1975. Resistencia de vectores y reservorios de enfermedades a los plaguicidas; 22.° informe. Ginebra, 1976. (Ser. Inf. técn., 585).         [ Links ]

4. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Comite de Expertos en Biologia de los Vectores y Lucha Antivectorial, Ginebra, 1976. Problemas técnicos de las operaciones de lucha antivectorial; 1.° informe. Ginebra 1977. (Ser. Inf. técn., 603).         [ Links ]

5. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Comite de Expertos en Biologia de los Vectores y Lucha Antivectorial, Ginebra, 1980. Resistencia de los vectores de enfermedades a los plaguicidas; 5.° informe. Ginebra, 1980. (Ser. Inf. técn., 655).         [ Links ]

6. ROBERTS, R. H. Evaluation of cypermethrin as an ULV cold aerosol against caged mosquitoes. Mosq. News, 43:156-8, 1983.         [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em: 6/4/1987
Reapresentado em: 18/11/1987
Aprovado para publicação em: 19/11/1987