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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.22 n.5 São Paulo Oct. 1988

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101988000500007 

Profissionais da área da saúde: conhecimento e terminologia de documentação1

 

Professionals of the health area: knowledge of the terminology of documentation

 

 

Dinah Aguiar PoblaciónI; Jurandir Godoy DuarteII

IDepartamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo — Av. Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443 — 05508 — São Paulo, SP — Brasil. Departamento de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade de Campinas — Praça Imaculada, s/n —13100 —Campinas, SP — Brasil
IICentro de Informações de Saúde — Av. Dr. Arnaldo, 351 — 6° andar — 01246 — São Paulo, SP — Brasil

 

 


RESUMO

A interação dos profissionais das áreas da saúde e de informação permitirá não só consolidar o processo de comunicação, mas também agilizar as várias etapas da geração de novos conhecimentos. Para isso, é necessário dominar a terminologia considerada básica para compreender o fluxo de comunicação e os termos essenciais ao acesso à informação, quer pelo processo manual e/ou automatizado. Os resultados alcançados em uma pesquisa realizada com uma comunidade da área de saúde permitiram a adoção de estratégias que iriam facilitar a preparação desses pesquisadores para participar das etapas posteriores de pesquisa mais abrangente, que está sendo efetuada para implantação de um "Centro de Informação e Documentação". Foram comparadas as respostas da comunidade da área da saúde com as de uma elite selecionada de uma comunidade da área tecnológica.

Unitermos: Pesssoal de saúde. Pesquisadores. Comunicação. Nomenclatura. Documentação. Relações inter-profissionais.


ABSTRACT

The interaction between the professionals of the health and information fields will not only open up the possibility of consolidating the communication process, but also will lead to the spreding up of the various stages of the generation of further knowledge. With a view, to understanding the communication flux and the essential terms for access to information (either manual and/or automatized) it is necessary to dominate the basic terminology. The results achieved by a research project undertaken with researchers of the health field led to the adoption of strategies which should facilitate the preparation of these researchers for their participation in later stages of more comprehensive research with a view to the establishment of an Information and Documentation Center. The answers of this group were compared to those of the select elite of a community of the technological field.

Uniterms: Health personnel. Research personnel. Communication. Nomenclature. Documentation. Interprofessional relations.


 

 

INTRODUÇÃO

A ''crise da comunicação em ciência" considerada por Garvey3 (1979) como uma das grandes preocupações da comunidade científica, reflete-se na dinâmica de interação pesquisadores/sistemas de informação. Nos estudos desse autor observou-se que, pelo comportamento dos investigadores e cientistas, fica evidente a esperança em trabalhar em cooperação com profissionais da área de informação e documentação, desde que estes demonstrem esforços em estudar e entender os vários aspectos da comunicação científica. Aquele autor chega a afirmar que "When scientists are convinced that librarians understand why communication is the essence of science, then librarians will find that they will have some enthusiastic, collaborating scientists on their hands".

Sob esse prisma não é difícil entender a ansiedade dos usuários quando estão buscando informação sobre os temas em que estão envolvidos, quer para pesquisa, quer para atualização de conhecimentos ou realização dos trabalhos de rotina. Eis que aí se apresenta a oportunidade para os serviços de informação demonstrarem a relevância dos seus serviços e imprimir a velocidade necessária a cada uma das etapas do fluxo de comunicação1 (o que certamente culminará com a demanda satisfeita, sobretudo na Área da Saúde).

Muitos dos conflitos existentes entre os sistemas de informação e usuários são gerados pela falta de interação decorrente do desconhecimento por ambas as partes, dos valores atribuídos aos canais formais e informais utilizados no fluxo de informação11.

A credibilidade de um serviço de informação passa a ser estabelecida quando os significados de necessidade, carência, demanda e uso de informação — conceitos tão polêmicos e geradores de sérios debates entre Line5 e Roberts16 — passam a ser entendidos como ponto focal das atividades e dos programas que devem ter prioridade no planejamento e avaliação de serviços e sistemas, em função dos diferentes tipos de usuários.

Conhecer a dinâmica de cada grupo, a cadeia de eventos que mobiliza a interação social, isto é, o comportamento de pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento; a experiência de pesquisadores jovens e iniciantess na carreira em contraposição às exigências dos pesquisadores experimentados; as reações geradas nos usuários com demandas insatisfeitas, tudo isto exige a formalização dos elos que se interligam no fluxo da informação e influenciam diretamente os vários componentes do sistema.

Desde que seja reconhecida a fundamental importância dos canais de comunicação utilizados inter-pesquisadores e, consciente das diferenças individuais e grupais das comunidades científicas, com necessidades diversificadas de informação apresentada com suportes físicos diferentes, torna-se possível estabelecer programas que permitam o fortalecimento da rede de comunicação a ser estruturada a partir da análise sociométrica.

Compreender o comportamento de uma comunidade científica9, voltada para a pesquisa e prestação de serviço, é tarefa essencial e imprescindível para garantir o sucesso de um sistema de informação1, quer na sua fase de implantação ou nos intervalos dos períodos de avaliação.

Assim, para implantação de um Centro de Informação e Documentação (CID), para uma comunidade de pesquisadores de um instituto de pesquisa, na área da saúde, deve-se considerar inicialmente a necessidade de diagnosticar as formas de comunicação desses pesquisadores, verificar o ambiente onde eles prestam serviço à comunidade nas várias especialidades médicas e se produzem ou não informação científica. Essa atuação se efetiva por meio de projetos e de programas que são desenvolvidos por equipes multidisciplinares, compostas por profissionais com formação predominante nas áreas de saúde e de ciências humanas. A formação desses usuários potenciais de um CID exige uma maior reflexão na concepção de um sistema de informação que possa garantir melhor comunicação com esses profissionais consumidores/produtores. É necessário conscientizá-los, tanto quanto possível, da existência de serviços adequados aos seus interesses, além de proporcionar-lhes treinamento para garantir a otimização dos métodos de utilização dos recursos disponíveis.

Assim, para iniciar o diálogo haverá necessidade de estabelecer um vocabulário comum entre as duas equipes — usuários e profissionais da informação. Comprometidos entre o desejável e o possível, deve-se procurar compreender o possível comportamento desses usuários potenciais na busca da informação e qual o domínio que possuíam sobre a terminologia da área de informação a fim de esperar o desejável sucesso da comunicação compreendida pelos diversos elos do fluxo documentário14.

O presente trabalho, parte de uma pesquisa mais ampla, realizada no Instituto de Saúde da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, tem por objetivo verificar o grau de conhecimento dos pesquisadores desse Instituto sobre terminologia da documentação.

 

METODOLOGIA

O Instituto de Saúde (IS) possuía em março de 1987 uma população de 154 pesquisadores, tendo participado da pesquisa 130 (84,4%), uma vez que os demais não se encontravam, naquele momento, em atividades no IS.

Foram escolhidos 40 termos relacionados às atividades científicas do pesquisador e aos instrumentos de recuperação da informação. Convém ressaltar que para essa seleção analisou-se a metodologia e os termos escolhidos aleatoriamente por Kairalla4, aplicados para conhecer o grau de familiaridade dos pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) com a terminologia relacionada com a ciência da informação. Elaborou-se no IS um formulário semelhante ao que foi utilizado no IPT (Kairalla4).

A discussão da terminologia propiciou o início de uma efetiva comunicação entre a equipe responsável pela pesquisa e os pesquisadores do IS. A presente etapa representou a primeira fase da metodologia utilizada em uma pesquisa de maior abrangência que tinha por objetivo planejar e implantar um centro de informação e documentação. Para atingir esse objetivo maior foram preparados alguns instrumentos a serem aplicados em uma seqüência lógica que constituíram os vários estágios necessários à adaptação da técnica de Delfos utilizada por Kairalla4. No entanto, enfatizou-se a importância desta primeira fase, pela oportunidade oferecida para a abertura do diálogo com os pesquisadores. Estes deveriam assinalar o grau de familiaridade com os 40 termos selecionados, constantes do formulário n° 12. Para garantir maior participação dos pesquisadores, a correspondência que acompanhava o formulário n° 1 ressaltava a importância dessa avaliação que objetivava identificar até que ponto era dominada uma terminologia que facilitaria o fluxo da comunicação e o ciclo da informação. Com essa conscientização, dava-se condições aos pesquisadores para fazerem um juízo de valor dos atuais serviços de informação que lhes são oferecidos e para estimulá-los a identificar as "necessidades" e as "carências" latentes, transformando-as em expressas. Assim, elas seriam aceleradas através da "demanda" e do "uso" devendo transformar-se em propostas a serem concretizadas na implantação do CID. Mediante as respostas seriam estudadas as estratégias necessárias que permitissem orientar os pesquisadores no sentido de incorporarem essa terminologia ao seu vocabulário. Dessa forma tornar-se-iam transparentes os elementos necessários para identificar e analisar os serviços e/ou produtos que estariam disponíveis no CID. Essa técnica visava colocar o usuário gradativamente em contato com a programação que lhe seria oferecida e conseqüentemente despertar o interesse pelo "desconhecido" resultando no estabelecimento de estratégias que propiciassem a cooperação pesquisador/bibliotecário.

 

RESULTADOS

O grau de familiaridade dos pesquisadores do IS com a terminologia da área da documentação e informação foi respondido por 130 (84,4%) dos 154 profissionais que receberam o formulário n.º 1. Para dar consistência à interpretação dos resultados, foram utilizados os dados de formação acadêmica da comunidade estudada, segundo ano e área de graduação (Tabela 1). Foi identificado um corpo de profissionais graduados no período de 1950 a 1986, em várias áreas do conhecimento (Tabela 1).

 

 

Como era esperado, os resultados do formulário n.º 1 mostraram que alguns termos relacionados com a ciência da informação (Tabela 2), como é o caso dos índices ou Leis de Bradford e Zipf, não apresentaram familiaridade por parte de 96,0% dos pesquisadores, embora o termo bibliometria apresentasse um índice menor de 92,1%. Da mesma forma, um alto índice de desconhecimento foi acusado para algumas técnicas como as de Delfos (94,1%), cientometria (94,1%), incidente crítico (87,1%), "browsing" (87, 1 %), RENPAC (89,1 %) e de redes de recuperação através do acesso " on line" (73,3%). Não causou surpresa esse nível de desconhecimento por parte de pesquisadores não entrosados com a terminolôgia da ciência da informação. No entanto, seria interessante testar e comparar os resultados desses níveis de familiaridade dos técnicos do IS com as respostas que poderiam ser dadas por bibliotecários, que deveriam entrosar-se com projetos de pesquisa, além de utilizar as metodologias adequadas para recuperação de informações e fazer análises aplicando a cientometria7,9.

 

 

Tratando-se de uma abordagem junto a técnicos que têm capacidade de articulação com a comunidade para a produção do saber novo (pesquisa criadora)15, esperava-se índices mais altos de familiaridade para termos como: linha de pesquisa (7,9%), programa de pesquisa (11 ,9%) e projeto de pesquisa (17,8%). Para esses termos a maior surpresa foi causada pelo nível de resposta — nenhuma familiaridade — respectivamente para linha de pesquisa (35,6%); programa de pesquisa (25,7%) e projeto de pesquisa (21,8%). Esses extremos nos conduziram a uma tática imediata — distribuir aos chefes das áreas cópia do artigo "Conceituação e Hierarquização de Atividades de Pesquisas"2. Essa providência era necessária para podermos obter os resultados esperados na terceira fase da pesquisa global que estávamos realizando. Nessa fase deveriam ser respondidas pelos técnicos do IS quais as pesquisas em andamento que estavam sendo realizadas enquadrando-as nas linhas de pesquisas definidas pelas áreas.

Para responder a uma nossa inquietação — se essas pesquisas em andamento estavam fundamentadas em um embasamento teórico comprovado por uma literatura que tenha sido identificada através de um apoio informacional dinâmico e por um fluxo de atividades que pressupõe a interação entre vários canais formais e informais, procurou-se conhecer o grau de familiaridade com:

a) alerta bibliográfico, cujo resultado mostrou um certo equilíbrio entre nenhuma familiaridade (37,6%) e regular (33,7%).

b) disseminação seletiva da informação, surpreendentemente desconhecido de 73,3%, enquanto foi nula a grande familiaridade.

c) fontes de referência, os meios tradicionais são desconhecidos de apenas 28,7%, enquanto que já são animadores os resultados de regular (39,6%) e de grande (14,9%). No entanto as maiores surpresas surgiram quando foram especificadas algumas fontes básicas da Área de Saúde obtendo-se os seguintes resultados:

d) IMLA, nenhuma familiaridade acusada por 81,2%, pequena 5,9%, regular e grande — 4% cada uma e deixaram de responder 5%.

e) LILACS-SP, embora seja publicação recente, esta obra é específica para a Área de Saúde Pública, área que constitui o enfoque principal das atividades do IS. Destaca-se o desconhecimento de 87,1%, acusando pequena familiaridade 4,0%, regular 1,0%, grande 3,0% e deixaram de responder 5,0%.

f) Science Citation Index (SCI), esta obra de alto nível de recuperação de literatura internacional e que está estruturada com todos os recursos de encadeamento de assuntos e de autores, foi a revelação da pesquisa. É necessário ressaltar que na cidade de São Paulo não existe coleção completa dessa obra. Entretanto, as respostas mostraram índices de familiaridade mais compatíveis com o comportamento dos pesquisadores de literatura internacional do que as duas anteriores publicadas pela BIREME para divulgar a literatura latino-americana. Embora tenha sido nula a grande familiaridade com esta obra, além de 5,9% com respostas em branco, o grau de familiaridade regular foi de 15,8% e o pequeno 14,9%, sendo desconhecida de 63,4%. Se comparados o grau de nenhuma familiaridade do SCI com IMLA3 e LILACS-SP3 observa-se que cerca de 20% dos técnicos do IS conhecem mais esta obra internacional e de mais difícil acesso do que as outras duas que existem, não só na Biblioteca do IS, mas também em todas as Bibliotecas da Área da Saúde daquela região geográfica.

Após essas abordagens das possíveis recuperações manuais da informação,procurou-se também conhecer as técnicas de recuperação além do grau de familiaridade com a moderna tecnologia computacional. Assim, os níveis de conhecimento sobre os termos seguintes foram:

g) palavras-chave: nenhuma familiaridade por apenas 36,6%, enquanto que não foram respondidos por 2,0% e considerou-se razoáveis os outros três níveis: regular (26,7%), pequena (19,8%) e grande (14,9%).

h) unitermos: os resultados mostraram algumas diferenças com o termo acima: nenhuma familiaridade (44,6%), regular (18,8%), pequena (20,8%) e grande (11 ,9%), enquanto que 4,0% deixaram de responder.

i) indexação coordenada: os pesquisadores revelaram nenhuma familiaridade (72,3%), pequena (12,9%), regular (7,9%) e grande (3,0%), tendo deixado de ser respondido por 4,0%.

j) Índice de citações: mostrou-se com níveis bem coerentes com os apresentados no conhecimento da obra SCI; portanto, a grande familiaridade foi de 6,9% e com respostas em branco 2,0%. No entanto, o nível regular foi de 20,8%, o pequeno 23,8%, e mostrou-se desconhecida de 46,5%.

k) co-citações: da mesma forma, nesse processo identificou-se nenhuma familiaridade em 62,4%, pequena (18,2%), regular (13,9%) e grande (1,0%), não respondido (4,0%).

l) busca retrospectiva: freqüentemente utilizada pelo processo manual e sem grandes preocupações com as técnicas de recuperação, mostrou-se com um índice de 3,0%, de grande familiaridade, e de desconhecimento por 44,6%.

m) Base de dados: o acesso às buscas em bancos de dados é um processo que está no estágio inicial de utilização pelos pesquisadores. Isso se depreende pelo baixo índice de familiaridade de 18,8% e regular de 13,9%, embora 64,4% ainda não tenha nenhuma familiaridade. Consequentemente, termos como os que se seguem também apresentaram baixos índices de grande familiaridade.

n) Revocação-Recuperação (Recall): nenhuma 74,3%, grande 2,0%.

o) Estratégia de busca: nenhuma 65,3% e grande 0,0%.

p) Retroalimentação (Feedback): nenhuma 41,6% e grande 9,9%.

Procurando-se apreciar o processo de comunicação dos pesquisadores e a utilização dos canais informais, foram incorporados os seguintes termos:

q) fluxo de informação: nenhuma familiaridade apresentada por 42,6% e grande por 5,0%.

r) canal informal de informação: nenhuma (49,5%) e grande (3,0%).

s) colégio invisível: desconhecido por 91,1% e a grande familiaridade foi nula. Embora desconhecessem esse termo, posteriormente verificou-se que eles participam desses grupos não só a nível nacional como têm contatos internacionais7.

t) "gatekeepers": desconhecido por 89,1% e nula a familiaridade regular e grande.

u) filtros de informação: nessa seqüência das etapas do processo informal de comunicação depreende-se que os pesquisadores do IS estão pouco informados sobre esta estrutura de comunicação científica e dos crivos de qualidade, pois ela é desconhecida por 75,2%, não foi respondida por 3,0%, e apenas 1,0% tem grande familiaridade.

v) "Pre-print": no domínio da comunicação informal e na linha divisória do processo formal está a relevância da pré-publicação. A subutilização desse material foi demonstrada pelo desconhecimento de 79,2% e não respondida por 5,9%, enquanto apenas 2,0% acusaram grande familiaridade.

Abordando-se a comunicação formal e procurando-se detectar não apenas o acesso à informação mas também o acesso aos documentos, foram incluídos:

w) COMUT: esse processo de comutação mostrou-se não familiar a 69,3%, não respondido por 4,0% e de grande familiaridade por apenas 2%.

x) Documentos primários, secundários e não-convencionais:terminologia sem nenhuma familiaridade respectivamente por 51,5%, .53,5% e 52,5% e com grande familiaridade por 5%, 4% e 4%.

y) Obsolescência da literatura: é desconhecida por 59,4% e nenhum pesquisador da área da saúde tem grande familiaridade.

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

A pequena familiaridade com a terminologia de acesso à informação demonstrada pelos pesquisadores do IS por meio do formulário, pode ser caracterizada pelas limitações dos centros de informações disponíveis, que só provêm serviços tradicionais de domínio formal. Não é surpreendente este fato, pois eles trabalham com documentos (livros, periódicos, citações de vários tipos) de domínio público. Normalmente os profissionais da informação não entram na área privada e restrita dos pesquisadores, que é a comunicação informal, sendo esta caracterizada como uma genuína atividade de permuta e disseminação de resultados por eles produzidos.

No entanto, a colaboração dos profissionais da área de informação pode ir além dos domínios formais e auxiliar os pesquisadores a identificar as redundâncias nas comunicações informais e alertá-los sobre a natureza dos diversos meios e as estratégias do processo de intercâmbio.

Com estas preocupações pode-se comparar o comportamento de pesquisadores de duas áreas: saúde e tecnologia. Os resultados alcançados por Kairalla4, mediante pesquisa junto a 48 pessoas de "maior prestígio" do IPT, enviando lista de 20 termos escolhidos aleatoriamente, dos quais 13(65%) foram selecionados para integrar a lista dos 40 ítens que fazem parte desta pesquisa, demonstram resultados semelhantes (Tabela 3).

 

 

Observa-se os altos índices (96% e 98%) de desconhecimento de ambas as comunidades — (elite do IPT e população global do IS) — dos índices ou Leis de Bradford e Zipf; de Colégio Invisível (86,0% — IPT e 91,1% — IS) e de "Browsing" (83,04% — IPT e 87,1% — IS). No entanto causou surpresa, em uma instituição de área tecnológica, a falta de familiaridade (90%) com o termo revocação (Recall) o que superou a expectativa do IS (74,3%). Os demais termos que foram avaliados pelas duas comunidades apresentaram índices menores de desconhecimento pela elite do IPT em contraposição ao desconhecimento da população global dos pesquisadores da saúde do IS. Destacamos alguns exemplos da grande familiaridade do IPT em compração ao índice nulo do IS:

a) Bibliometria: IS 0,0% — IPT 2,0%
b) Colégio invisível: IS 0,0% — IPT 8,00%
c) Estratégia de busca: IS 0,0% — IPT 1.6,0%
d) Obsolescência de literatura: IS 0,0% — IPT 15,0%

Os resultados obtidos nesta fase preliminar da pesquisa, após a breve análise esboçada, permitiram estabelecer as estratégias necessárias para incorporar ao vocabulário dos pesquisadores do IS, a terminologia que foi considerada básica para compreender o fluxo da comunicação e os termos essenciais ao acesso à informação, tanto pelo processo manual como automatizado.

Considerando-se que o progresso das pesquisas deve ser visto como conseqüência do processo de comunicação — concebido de acordo com a natureza específica de cada estágio do trabalho científico — isto deveria significar maior vinculação dos pesquisadores com a terminologia que expressa as ações ou utilização de instrumentos adequados à cada um dos segmentos dos fluxos de comunicação e de informação.

No entanto, isso não passou despercebido, pois, o alto nível de desconhecimento (64,1%) da série de 40 termos inquietou os próprios técnicos do IS, que anexaram às respostas, várias sugestões. Entre elas foram selecionadas duas para serem executadas imediatamente (glossário e conferência), pois, ambos foram considerados pela ótica dos efeitos benéficos no sentido de reforçar a consolidar os conceitos sobre a terminologia proposta. A elaboração e distribuição do glossário (Anexo) e, mais que isso, a conferência, mostrar-se-iam extremamente positivas não só para o desenvolvimento das posteriores etapas da pesquisa que estava sendo realizada, mas daria dimensão necessária para a afirmação da importância do CID em seu caráter multifuncional. Entre as várias formas de comunicação sugeridas (curso, reuniões gerais ou por áreas, workshops, seminários, etc.) optou-se, pela premência de tempo, por apenas uma conferência. Nessa oportunidade foi exposta a diferenciação existente entre a comunicação informal e formal e destacados os componentes do fluxo de informação. Associou-se também a participação do profissional da informação em todas as etapas da produção do saber, desde a concepção do tema até a disseminação do produto final. Objetivou-se enfatizar a importância do desenvolvimento de pesquisas vinculadas com o contexto social e com as necessidades dos diferentes segmentos que compõem a comunidade de pesquisadores do IS ressaltando-se a carência de literatura sobre temas vinculados à realidade nacional.

Aliás, é necessário que fique evidenciada a necessidade de alertar os planejadores de centros de informação para os comportamentos diferenciados e as variáveis de interação que se processam nos diferentes níveis de pesquisadores das diversas áreas: ciência da saúde, ciências humanas exatas; entre pesquisadores experimentados e inexperientes; entre indivíduos do mesmo grupo trabalhando em linhas de pesquisa comum ou em projetos e programas multidisciplinares.

Tudo isto nos leva a repensar a concepção de uma estrutura racional, dinâmica e eficiente de um centro de informação e documentação em uma instituição de pesquisa com equipes multiprofissionais. É necessário considerar que o quadro da produção científica é complexo13 e está relacionado com o uso ou não uso que o pesquisador faz da informação8. Uma conseqüência desse enfoque pode ser o distanciamento dos pesquisadores, se eles não encontrarem a eficiência e a eficácia desejáveis nesses serviços de documentação e a disponibilidade de informação e de documentação12. Mesmo assim eles devem ser orientados, educados para o uso dos recursos existentes e devem estar familiarizados com uma terminologia que certamente lhes abrirá as portas para adentrar no dinâmico fluxo da informação.

Isto implica a implementação de uma política que saiba adequar a diferenciação existente no sistema científico vigente, e que proporcione oportunidade para que os profissionais da informação efetivem a interação com os consumidores e produtores da informação, passando a trabalhar em cooperação e integrar as equipes multiprofissionais.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 10/12/1987
Reapresentado em 26/4/1988
Aprovado para publicação em 3/5/1988

 

 

1 Apresentado no 14.º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, Recife, 1987.
2 Este formulário é o primeiro de uma série programada para pesquisa mais ampla.
3 Ver glossário no Anexo.

 

ANEXO

GLOSSÁRIO DE TERMOS DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO*

ACESSO ''ON-LINE" ("on-line" search, sistema en-linea, sistema directo)

Pesquisa realizada em um terminal com acesso direto ao arquivo armazenado no computador. Dados transmitidos diretamente em linha para o usuário do sistema de processamento eletrônico. WERSIG, G. & NEVELING, U. Terminology of documentation. Paris, UNESCO, 1976, p. 152.

ALERTA BIBLIOGRÁFICO

Serviço oferecido aos usuários visando informá-los de forma sistemática os documentos recentemente recebidos sobre os assuntos de área específica.

BANCO DE DADOS

Agregação de bases de dados. Podem ser acessíveis em linha através de sistemas de informação. CARVALHO, M.B.P. Banco de dados estatísticos para planejamento e desenvolvimento. Rev. Bibliotecon. Brasília, 13(1):126, jan./jun. 1985.

BASE DE DADOS (Bibliográficos)

Entende-se como o conjunto de referências bibliográficas agrupadas em discos, disquetes ou fitas magnéticas, que são legíveis por computador. Rev. Bibliotecon. Brasília, 13(1):54; 125-34 1985.

BIBLIOMETRIA

Análise estatística dos processos de comunicação escrita, tratamento quantitativo (matemático e estatístico) das propriedades e do comportamento da informação registrada.FIGUEIREDO, N.M. apud LIMA, R.C.M. Bibliometria: análise quantitativa da literatura como instrumento de administração em sistemas de informação. Ci. Inf., Brasília, 15(2):127-33, jul./dez. 1986.

"BROWSING"

Ato de folhear um documento para tomar conhecimento do conteúdo global e identificar possíveis temas ou aspectos de informações que se relacionem aos interesses do pesquisador.

BUSCA RETROSPECTIVA

Tem por objetivo efetuar uma busca exaustiva num acervo de informações bibliográficas de modo a atender a um problema, a um projeto ou a uma necessidade específica, complementando o serviço DSI no que diz respeito a recuperação de informações anteriores. KURKUDJIAN, I.E.A. Disseminação seletiva de informações: o serviço IPT/DSI e a base de dados Compendex. Rev. Bibliotecon. Brasília, 13(1):96, jan./jun. 1985.

CANAIS INFORMAIS

Principais fontes de informação são as pessoas, permitindo a interação direta entre a fonte e o usuário. Envolvem basicamente a comunicação oral (conversas, telefonemas, discursos, conferências, discussões, técnicas científicas) e também a comunicação escrita (cartas, pré-impressos). As principais fontes de comunicação informal são: Colégios Invisíveis, Redes de gatekeepers, Redes de Comunicação Inter-Laboratorial, Congressos, Conferências, Convenções, Seminários, Encontros e outros eventos.

ARAÚJO, V.M.R.H. Estudo dos canais informais de comunicação técnica. Seu papel em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento na transferência de tecnologia e na inovação tecnológica. Rio de Janeiro, 1978. p. 10-11. Dissertação de mestrado IBICT/UERJ. Ci. Inf., Rio de Janeiro, 8(2):79-100, 1979.

CIENTOMETRIA

Métodos quantitativos que se relacionam com a investigação da ciência sob o ponto de vista do processo de informação.

LYON, W.S. Scientometrics with some enphasis on communication at scientific meetings and through the ''invisible college". J. Chem. Inf. Comput. Sci., 26(2):47-52, 1986.

CO-CITAÇÃO

Citação de co-autores de um determinado documento.

COLÉGIO INVISÍVEL

Grupo de indivíduos com freqüência muito distanciados geograficamente, com um interesse específico comum, que trocam correspondência e notícias sobre novas publicações e citam-se mutuamente. Constituem-se numa congregação flexível, mas da qual não é fácil fazer parte, enquanto que o castigo por permanecer fora é não estar ao corrente das últimas novidades do assunto (LINE, M.J., 1978, p.28). Grupo de cientistas que confere a cada membro um "status científico", através da aceitação do indivíduo pelo grupo, e além disso soluciona a crise de comunicação, reduzindo o universo científico a um pequeno e seletivo grupo, possibilitando a inter-relação pessoal. Os contatos com os membros dos grupos são feitos em escala nacional e internacional, sendo rotina a troca de notas prévias, separatas, etc. Freqüentemente são detentores do poder, dos conhecimentos da área e até dos recursos financeiros, determinando as estratégias de ataque da área. (BRAGA, 1976).

BRAGA, G.M. apud POBLACIÓN, D. A. Análise quantitativa da produção científica do corpo docente da área da saúde da USP campus de São paulo, 1980-1983. São Paulo, 1986. v.1, p. xxiii (Tese-Doutorado ECA/USP). LINE, M.B6., 1978.

COMUT

Comutação bibliográfica (Programa de âmbito nacional patrocinado pela CAPES/IBICT, para fornecimento de cópia de documentos existentes em outras bibliotecas ou serviços de informação).

DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA INFORMAÇÃO (SDI ou DSI)

Técnica de tratamento de informação, cuja finalidade é selecionar e enviar de maneira rotineira e periódica, as mais recentes informações de acordo com a área de interesse de cada um. KURKUDJIAN, I.E.A. Disseminação seletiva de informações: o serviço IPT/DSI e a base de dados Compendex. Rev. Bibliotecon. Brasília, 13(l):96, jan./jun. 1985.

DOCUMENTO PRIMÁRIO

Considerado como literatura primária — documento que é produzido pelo autor, registrando a informação primária.

UNISIST II. Inter-governamental conference on scientific and technological information for development. Paris, 28 May 1 June, 1979. Main Working Document. Paris, UNESCO, 1979.

Glossary, Annex I. p. 4.

DOCUMENTO SECUNDÁRIO

Documento que dá informação sobre, ou a descrição de um documento primário ou um conjunto de tais documentos. Ex.: registros bibliográficos, catálogos, bibliografias. Esse tipo de documento traz informação sobre a informação primária; ele não traz novo conhecimento, mas descreve a fonte onde está esse conhecimento.

UNISIST II. Inter-governamental conference on scientific and technological information for development. Paris, 28 May 1 June, 1979. Main Working Document. Paris, UNESCO, 1979.

Glossary Annex I. p. 4.

ESTRATÉGIA DE BUSCA (Search strategy, estratégia de busqueda)

Conjunto de expressões lógicas utilizadas para buscar informações selecionadas e/ou combinadas na base de dados, com o objetivo de conseguir maíor grau de relevância e rapidez na recuperação das informações.

Análise e formulação de métodos pela qual a pesquisa de uma questão particular pode ser respondida pelo sistema de recuperação.

WERSIG, G. & NEVELING, U. Terminology of documentation. Paris, UNESCO, 1976. p. 142.

FILTROS DE INFORMAÇÃO

Formas de revisão pelos pares e que refletem a opinião da comunidade científica, sendo uma das técnicas mais confiáveis para avaliação do desempenho cientifico.

Mecanismos utilizados nos processos de comunicação científica para tentar gradativamente acionar os mecanismos que extrairiam da quantidade de informação o "nível de qualidade" que representa a frente de pesquisa.

FLUXO DE INFORMAÇÃO

Processo de comunicação de conhecimentos enfocando todas as fases desde a geração da informação, o registro em alguma forma de documento, a reprodução e a divulgação, completando o ciclo de transferência de informação.

FONTES DE REFERÊNCIA (Obras de referência)

Materiais auxiliares que permitem obter informação rápida, breve e exata, que conduza à fonte do assunto que interessa indagar.

ROZO RIOS, D.S. & GARZÓN HERRAN, M.E. Tesauro en documentación e información. Bogotá, FID/CLA, 1980. p. 195.

"GATEKEEPERS"

Comunicação informal entre os pesquisadores, através dos "guardiães tecnológicos", em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento; geralmente, os guardiães da informação são indivíduos mais velhos e experientes, "que sabem tudo" e que assim reunem em torno de si uma plêiade de pesquisadores jovens que os consultam para discutir problemas técnicos. FIGUEIREDO, N. Avaliação de coleções e estudo de usuários. Brasília, ABDF, 1979. p. 91.

IMLA Index Medicus Latino-Americano. Obra de referência editada pela BIREME.

INCIDENTE CRÍTICO

É uma técnica incorporada a um estudo fazendo uso de questionários ou entrevista. Consiste em indagar-se do indivíduo que é questionado uma lembrança de alguma experiência ou acontecimento recente relevante (por ex., a última busca realizada na literatura) e fazê-lo relatá-la em detalhes.

INDEXAÇÃO COORDENADA

(Co-ordinate indexing, indizado coordinado) É um processo que inter-relaciona dois ou mais termos que representam as idéias contidas em um documento, partes dele ou itens de informação. Esse método de indexação permite que o conteúdo descrito pelos termos-índice possam ser coordenados na recuperação do assunto. COLLISON, R.L. Índices e indexação. São Paulo, Polígono, 1972. p. 68. WERSIG, G. & NEVELING, U. Terminology of documentation. Paris, UNESCO, 1976. p. 110.

INDICADORES ESTATÍSTICOS

índices obtidos a partir de um sistema estatístico de coleta, organização e análise de dados relevantes em determinada área ou assunto.

ÍNDICE DE CITAÇÕES

Fonte de dados para desenvolvimento de indicadores da atividade científica a partir dos autores citados nas referências bibliográficas de documentos publicados.

ÍNDICES DE BRADFORD E DE ZIPF

São índices obtidos a partir da aplicação de métodos matemáticos e estatísticos à literatura e à produtividade de autores. Fazem parte das leis bibliométricas.

LILACS-SP LITERATURA LATINOAMERICANA EN CIENCIAS DE LA SALUD-SALUD PUBLICA.

Obra de referência editada pela BIREME.

LINHAS DE PESQUISA

Representam temas aglutinadores de estudos científicos, que se fundamentam em tradição investigativa, de onde se originam programas e projetos, cujos resultados se complementam. CONCEITUAÇÃO e hierarquização de atividades de pesquisa. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 17:233-5, 1983.

LITERATURA NÃO-CONVENCIONAL

É aquela publicada por processos não-convencionais de impressão, de tiragem limitada e que apresenta dificuldade para ser adquirida em decorrência de sua forma não comercial de distribuição.

ANDRADE, M.T.D. Literatura citada em dissertações e teses no campo da epidemiologia, apresentados à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, no período de 1972-1982. São Paulo, 1984. (Dissertação — Mestrado — FSP/USP) p. 26.

OBSOLESCÊNCIA DA LITERATURA

Envelhecimento da literatura.

PALAVRA-CHAVE (Keyword, keyterm, palabra-clave, Stichwort ou Schlagwort)

Palavras ou termos significativos selecionados que permitem a indexação quer do título ou do conteúdo do documento ou itens de informação, facilitando sobretudo a recuperação pelos sistemas mecanizados e/ou automatizados.

COLLISON, R.L. Índices e indexação. São Paulo, Polígono, 1972. p. 150-6. WERSIG, G. & NEVELING, U. Terminology of documentation. Paris, UNESCO, 1976. p. 114.

PRÉ-PRINT (publicación preliminar)

Parte de um trabalho impresso antes da publicação do trabalho final. Documento submetido a um evento e distribuído antes dos anais do evento. HARROD, L.M. The librarian's glossary. 3th ed. London, Groftar, 1977. p. 657.

PROGRAMA DE PESQUISA

É uma proposta de investigação que deriva de linhas de pesquisa, comportando projetos afins, desenvolvidos concomitantemente ou sequencialmente. Visa a acumulação de dados que possam ser adequadamente interpretados em termos de consecução de um objetivo geral comum. CONCEITUAÇÃO e hierarquização de atividades de pesquisa. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 17:233-5, 1983.

PROJETO DE PESQUISA

Investigação, com início e final previstos, fundamentada em objetivos específicos visando a obter resultados de causa e efeito ou evidenciar fato novo, podendo ser parte ou não de programas. CONCEITUAÇÃO e hierarquização de atividades de pesquisa. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 17: 233-5, 1983.

RENPAC

REDE NACIONAL DE PACOTES, da EMBRATEL.

RETROALIMENTAÇÃO (feedback, retroalimentación)

Uso de avaliações ou o efeito das avaliações que são consideradas como retorno para influenciar o "estado do sistema". WERSIG, G. & NEVELING, U. Terminology of documentation. Paris, UNESCO, 1976. p. 73.

REVOCAÇÃO-RECUPERAÇÃO (Relative recall ratio, taxa de acierto relativo)

À proporção do número de itens relevantes obtidos por um sistema de recuperação em relação ao número de itens relevantes que o usuário considera ser necessário para satisfazer suas necessidades de informação. WERSIG, G. & NEVELING, U. Terminology of documentation. Paris. UNESCO, 1976, p. 169.

SCIENCE CITATION INDEX

Obra publicada pelo Institute of Scientific Information (ISI), elaborada a partir de uma base de dados bibliográficos que inclue cerca de 3.100 publicações científicas. Analisa produção e citação de autores possibilitando o estudo comparativo de produtividade e estabelecer uma rede de artigos publicados e as respectivas citações recebidas.

TÉCNICA DELPHI

"Processo de análise de opiniões de especialistas e procura obter um consenso sobre determinado assunto".

A definição clássica de Olaf Helmer & Nicholas Rescher, da Rand Corporation, inclui no instrumento "perguntas individuais e sequenciais, planejadas e ordenadas cuidadosamente, melhor conduzidas através de questionários, intercaladas, com a retroalimentação dos próprios respondentes".

KAIRALLA, A.S.S. Técnica Delphi para análise de sistema de informação: estudo de viabilidade. São Paulo, 1982. p. 8. (Tese-Mestrado),

UNITERMO (Uniterm, unitérmino)

Vocábulo, comumente único, extraído do título, do conteúdo relevante e de outras partes do documento para denotar um conceito simples na indexação. Pelo sistema unitermo cada documento ou item de informação recebe um número à medida que vai sendo incorporado ao acervo o qual será recuperado pela indexação de unitermos.

COLLISON, R.L. Índices e indexação. São Paulo, Polígono, 1972. p. 143. WERSIG, G. & NEVELING, U. Terminology of documentation. Paris, UNESCO, 1976. p. 115.

 

 

Nota: as definições e explicações dos termos, que não são acompanhados de fonte bibliográfica, são de responsabilidade dos autores deste trabalho.

* Termos submetidos à avaliação dos pesquisadores do IS, em março de 1987, para identificar o grau de familiaridade com essa terminologia.