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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.22 n.5 São Paulo Oct. 1988

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101988000500012 

Cartas ao Editor Letters to the Editor

 

Rio de Janeiro, 17 de junho de 1988.

Senhor Editor:

São poucas as publicações sobre a avaliação do crescimento e indiretamente sobre o estado nutricional de crianças em idade escolar no Brasil, principalmente no Nordeste Brasileiro. Portanto foi com grande agrado que vi a publicação na Rev. Saúde Públ. do artigo de Cariri Benigna e colaboradores3. Entretanto gostaria de fazer alguns comentários sobre o artigo: 1) Nas curvas de crescimento peso para idade e altura para idade parece que os valores apresentados foram as médias. Nessas curvas também foram apresentados os dados do NCHS4,6 e de Santo André5. Em ambos os casos os dados publicados originalmente foram as medianas (50.º centil) e vários percentís. Portanto essas comparações não parecem apropriadas. O ideal seria comparar as medianas dos valores de peso e altura para idade. 2) Os déficits foram mais significativos na altura para idade em comparação com os padrões brasileiros (Santo André) e internacionais (NCHS) o que implicaria a interpretação de maior prevalência de desnutrição crônica como os autores bem referiram. Entretanto seria de grande valia ter comparado os dados de peso em relação a altura o que indicaria possíveis manifestações de desnutrição recente. Como existe déficit de altura para idade a comparação do peso em relação a idade não parece apropriada, sendo importante saber se existe déficit também do peso em relação a altura. 3) Com tamanha amostragem (n = 7990 crianças) seria de grande valia epidemiológica que se apresentasse a prevalência de desnutrição tanto crônica (''stunting") como recente ("wasting") como sugerido por Waterlow et al. (1977)7, artigo este referenciado pelos autores. 4) Os autores comentam que houve correlações altamente significativas (e apresentam P = 0,000) entre o estado nutricional e fatores sociais e econômicos tais como tipo de sanitários e tratamento da água e nível de instrução e tipo de emprego do chefe de família, mas não fazem referências aos valores dos coeficientes de correlação (r) e mais importante o que serviu como índice de avaliação de estado nutricional (certo percentil na relação altura para idade?). Com essa grande amostragem valores baixos de "r" serão altamente significativos, o que pode não ter muito significado biológico e/ou social.

Como exemplo apresento resultados de um grupo homogênio (em termos de condições sociais) de crianças entre 7,0 e 9,9 anos de idade de uma escola pública de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro onde também foram encontradas correlações significativas entre o percentual de altura para idade (em relação ao padrão NCHS) e o número de irmãos e a razão do número de pessoas da casa/número de quartos de dormir (r= — 0,43 e — 0,41, respectivamente; p<0,001)(Anjos, 1988)2. Nessa amostragem (n = 149) esses foram os únicos fatores sociais que se correlacionaram com coeficientes de correlação superiores a 0,40, apesar de vários outros indicadores se correlacionarem significativamente, mas com "r" bem baixos. Nesse grupo, 1,4 e 6% das crianças foram identificadas como desnutridas recentes (peso para altura <80%) e crônicas (altura para idade <90%), respectivamente1.

Seria interessante que os autores apresentassem os dados mais claramente em outro artigo ou como resposta a essa carta. Atenciosamente.

Luiz Antônio dos Anjos
Bolsista da CAPES, Brasília
Department of Kinesiology
University of Illinois

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ANJOS. L.A. Antropometria Nutricional: Uso de dados de peso e altura na avaliação do estado nutricional de crianças com menos de 10 anos de idade. Rev. Bras. Ci. Mov. 2(2):7-16, 1988.

2. ANJOS, L.A. Relação entre índices antropométricos e fatores sociais em escolares da Baixada Fluminense, RJ. Trabalho apresentado na 40ª Reunião das , SBPC, São Paulo, 1988.

3. CARIRI BENIGNA, M.J.; DRICOT, J.; D'ARNS, C.D. Crescimento e estado nutricional de crianças de 0—11 anos, Estado da Paraíba (Nordeste Brasileiro). Rev. Saúde Públ., 21(6):480-489, 1987.

4. HAMILL, P.V.; DRIZD, T.A.; JOHNSON, C.L.; REED, R.B.; ROCHE, A.F.; MOORE, W.M. Physical growth: National Center for Health Statistics percentiles. Am. J. Clin. Nutr. 32:607-629, 1979.

5. MARQUES, R.M.; BERQUO, E.; YUNES, J.Y.; MARCONDES, E. Crescimento de niños Brazilileños: Peso y altura en relación con la edad y el sexo y la influencia de factores socioeconomicos. Organizacion Panamericana de la Saludad, Oficina Sanitaria Panamericana, Publ. n° 309, 1975.

6. NHCS growth curves for children birth-18 years. Washington, D.C: DHEW Pub. N° 78-1650, Vital and Health Statistics Series 11, N° 165, 1977.

7. WATERLOW, J.C.; BUZINA, R.; KELLER, W.; LANE, J.M.; NICHAMAN, N.Z.; TANNER, J.M. The presentation and use of height and weight data for comparing the nutritional status of groups of children under the age of 10 years. Bull. World Health Organ. 55(4):489-498, 1977