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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.23 n.3 São Paulo Jun. 1989

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101989000300014 

RESUMOS DE LIVROS/BOOK REVIEWS

 

 

Jorge da Rocha Gomes

Departamento de Saúde Ambiental – FSP/USP

 

 

Clinical obstetrics: a public health perspective, edited by Benjamin P. Sachs and David Acker. Littleton, PSG Publ. 1986. 308p.

Esta publicação integra a coleção da Organização Internacional do Trabalho sobre custos da previdência social.

O presente volume refere-se a 12.a pesquisa realizada neste campo pela OIT e abrange, principalmente, os anos de 1980 e 1983. Os questionários de onde foram compilados os dados para elaborar os quadros comparativos foram respondidos por 117 países-membros.

Os quadros comparativos abrangem vários aspectos da receita e despesa (inclui assistência médica) da previdência social tais como: fontes de custeio, tipos de prestações, regimes previdenciários, distribuição por habitante, etc.

Como anexo, estão incluídos alguns úteis quadros, comparativos sobre PIB, população, índice de preços de consumo.

A publicação (que está redigida em inglês, francês e espanhol) é uma importante fonte de consulta para os interessados nos aspectos econômicos de previdência social e da assistência médica.

 


 

 

Carmen Vieira de Sousa Unglert

Departamento de Saúde Materno-Infantil – FSP/USP

 

The cost of social security: twelfth international inquiry, 1981-1983: comparative tables, by International Labour Office. Geneva, 1988. 163 p. (Multilingue).

Esta publicação aborda alguns dos mais relevantes temas da clínica obstétrica sob um enfoque de saúde pública. Os autores estudam a mortalidade materna e perinatal sob uma perspectiva epidemiológica. A análise dos problemas é feita a partir de conceitos muito bem fundamentados e com apresentação de trabalhos científicos contendo séries históricas bastante ilustrativas. Analisam de forma mais aprofundada a epidemiologia do nascimento pré-termo, propondo estratégias para a prevenção da pre-maturidade e do baixo peso ao nascer. Deve-se ressaltar que a análise de características epidemiológicas se baseia na realidade dos Estados Unidos da América, não havendo, praticamente, referência a outras realidades. É discutido o monitoramento eletrônico fetal e ressaltada a importância do uso dessa tecnologia na gestação de alto risco. A prática da cesárea é também estudada tanto no que se refere a fatores relativos à população de grávidas, quanto aos fatores relativos ao sistema de saúde. A gestante merece, também, uma análise específica onde são abordados os principais problemas desse grupo de risco. Face à relevância que as malformações congênitas apresentam na morbi-mortalidade perinatal, grande ênfase é dada ao estudo de sua epidemiologia, detecção e prevenção, pela apresentação e discussão de técnicas que vão desde a biópsia coriônica até a exames pré-nupciais. É louvável a inclusão de um capítulo dedicado à reprodução e ambiente de trabalho, onde são apresentados problemas da área da saúde ocupacional, o que raramente se encontra nos livros que abordam a clínica obstétrica. O crescimento e desenvolvimento das adolescentes também é destacado, se bem que esse capítulo se restringe à apresentação de bases conceituais e padrões de crescimento e desenvolvimento desse grupo etário. Finalmente, são apresentados alguns instrumentos e técnicas estatísticas sendo demonstrada a importância de sua aplicação na área da obstetrícia. Trata-se de publicação de interesse para estudantes e profissionais da área da obstetrícia, que possibilita o enriquecimento da análise pela abordagem de saúde pública com que é contemplada.

 


 

 

André Francisco Pilon

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Crianças, adolescentes e nós: questionamento e emoções, por E. Christian Gauderer. São Paulo, Almed, 1987. 310 p.

Reunindo artigos, palestras, registros de discussões em grupos, ensaios, o Autor trata de problemas que acompanham o crescimento e o desenvolvimento dos jovens das grandes cidades de hoje, envolvendo o projeto de vida individual e coletivo e suas repercussões sobre a saúde.

Assuntos que usualmente são colocados nos consultórios de pediatras e psicólogos, por pais, professores e adolescentes e que encontram guarida no dia-a-dia dos meios de comunicação social (da imprensa à televisão), dado o seu impacto na sociedade – conduta sexual, uso de drogas, papel dos pais, mestres e profissionais de saúde na prevenção e tratamento de distúrbios emocionais diversos – constituem o centro de interesse.

Sob o amplo manto de uma abordagem humanista, que busca resgatar valores em declínio, o Autor procura valorizar uma prática médica centrada nas pessoas ( e não nos "problemas"), no seu contexto de vida, em suas aspirações e desejos, que, afinal, conspiram para a maior ou menor problematização de diferentes aspectos importantes à saúde.

Que aspectos são esses? Abrangem desde as relações no seio da família, no trabalho, no lazer até a postura dos agentes educacionais e terapêuticos diante dos problemas de saúde: vamos tratar apenas das "borbulhas" (gravidez precoce, droga-adição, doenças sexualmente transmissíveis), ou vamos mexer no caldo efervescente que as produzem (visões-de-mundo traduzidas por uma cultura baseada no desperdício e no consumismo)?

Enquanto coisas, pessoas e situações forem objeto de manipulação, enquanto nos apegarmos às ilusórias estratégias de poder, enquanto não enfrentarmos o profundo déficit de compreensão e de sentido que caracteriza o mundo atual, assumindo nossos papéis de pais, mestres, profissionais e de pessoas competentes não em tecnologias de mercado mas em orientação de vida (aspectos filosóficos, psicológicos e sociológicos), muito pouco poderemos esperar sob aspectos epidemiológicos.

Isso não significa que assim teremos solucionado os dilemas da existência, os conflitos inerentes ao próprio processo de organização social e pessoal (as antinomias são necessárias para a construção das autonomias), mas refletido sobre o significado do "viver e sofrer", não se refugiando em esquemas fixos de pensamento, sentimento e ação, mas buscando novas maneiras de ser, sentir e agir, na polaridade da dimensão pessoa-sociedade.

O próprio título da obra envolve um coletivo ("Crianças, adolescentes e nós"), seguido de uma elucidação ("questionamentos e emoções"). Ativar essa metodologia significa tornar o próprio grupo (profissionais, usuários, interessados em geral), participante de uma experiência onde se considera a diversidade de papéis menos numa dimensão nomotética e mais numa dimensão ideográfica (prescrição-cumprimento versus compreensão-operacionalização). Não se praticam monólogos, não se manipulam agendas escondidas, mas o próprio ponto-de-vista é desvendado a partir de uma interioridade mais profunda (oculta em cada um e despertada mediante o diálogo).

O outro não é só uma ajuda externa e acidental, mas indispensável à busca da verdade, por que me revela e revela a relatividade da razão que eu supunha só minha. O diálogo não é uma discussão ou debate, um jogo intelectual, uma exibição de competência, mas uma investigação cooperativa. É uma novidade, uma nova perspectiva de sentir, pensar e agir. Nesse sentido poderemos dizer que o Autor dialoga com o leitor, na medida que foge do discurso competente e erudito para ensejar um encontro, onde percepções e significados são compartilhados.

Não pretendendo o discurso acadêmico, nem se esgotando no discurso simplesmente impressionista da realidade, a obra reúne informação com reflexão, teorias e práticas, sem se perder na colcha de retalhos das citações comum aos trabalhos eruditos e, por isso mesmo, torna-se mais próxima à experiência do dia-a-dia no lar, na escola, no trabalho, no lazer, enfim nos nichos sócio-culturais onde são gerados os projetos de vida pessoais e coletivos. Não pretendendo ser um manual ou compêndio, acaba por resgatar, na prática, problemas e inquietações da vida diária de pais, professores, alunos, profissionais de saúde e usuários em geral dos sistemas pedagógico e sanitário.

 


 

 

Carmen Vieira de Sousa Unglert

Departamento de Saúde Materno-Infantil – FSP/USP

 

 

Maternal-newborn nursing: a family-centered approach, by Sally B. Olds et al. 2nd ed. Menlo Park, Ca., Addison-Wesley Publ., 1984. 1125 p.

Este livro é dirigido à enfermeira obstétrica e tem por principal objetivo estabelecer uma abordagem da assistência de enfermagem à maternidade e ao recém-nascido centrada no núcleo familiar. É estruturado em seis unidades que compreendem, ao todo, 30 capítulos. Inicialmente, apresenta uma análise histórica da assistência de enfermagem à maternidade, abordando questões éticas como o aborto, a eutanásia passiva e a cirurgia fetal intra-uterina. É realçada a importância de uma assistência centrada na família, enfoque sob o qual são abordados os diferentes temas. Para tanto, aborda a dinâmica da vida em família e distintas estruturas familiares. Analisa, também, a expansão do papel da enfermeira na assistência à maternidade e seus instrumentos de trabalho. Toda uma unidade é dedicada ao estudo da reprodução e desenvolvimento humanos, sendo os diversos aspectos abordados com profundida. A gestação é estudada de forma detalhada desde a análise das mudanças físicas e psicológicas ocorridas nesse período até a da anatomia e fisiologia da gestação. O trabalho de parto é apresentado de forma didática sendo enfocados aspectos anatômicos e fisiológicos dos diferentes estágios. É dado destaque à assistência de enfermagem fetal, sendo apresentadas e analisadas diversas técnicas, incluindo a detecção do alto risco. A assistência imediata ao recém-nascido é explicitada, bem como a assistência à mulher no terceiro e quarto estágios do parto. A analgesia obstétrica e anestesia são minuciosamente explicadas, inclusive a nível de dosagem e técnicas de aplicação, sendo ressaltadas suas possíveis complicações. Os procedimentos obstétricos eletivos na assistência ao parto são explicitados e suas técnicas apresentadas com detalhe, desde a episiotomia até a cesárea. Todo um capítulo se destina à análise das opções de nascimento, sendo apresentado, entre outros, o método Leboyer e um interessante estudo de caso, ilustrado por fotos, além de um guia de assistência pós-parto através de visita domiciliar. O estudo do recém-nascido abrange as respostas fisiológicas do recém-nascido ao nascimento, a assistência de enfermagem ao recém-nascido e as necessidades e assistência ao recém-nascido normal e ao de alto risco, sendo abordadas ainda as complicações nesse período e as anomalias congênitas. Finalmente, aborda-se a família pós-parto, em detalhe, apresentando-se os aspectos fisiológicos desse período, bem como a assistência precoce e tardia. As interações mãe-filho são analisadas, incluindo o estudo de famílias em crise e o papel da enfermeira nesses casos. Trata-se de um livro básico para a formação de enfermeira obstétrica, onde o estudo dos procedimentos técnicos é enriquecido através do reconhecimento da importância dos aspectos psicológicos e sociais que envolvem o processo da maternidade.

 


 

 

Maria Helena D'Aquino Benício

Departamento de Nutrição – FSP/USP

 

 

Nutrition and growth in infancy and early childhood: a longitudinal study from birt to 5 years, by Nancy E. Hitchcock et al. Basel, Karger, 1986. 92 p. ilust. (Monographs in Paediatrics, v. 19).

Este livro apresenta a metodologia e resultados de um estudo longitudinal realizado em Perth na Austrália, com o objetivo de descrever os padrões de alimentação e nutrição, o consumo de energia e nutrientes, o crescimento e desenvolvimento, a morbidade e os padrões de dentição de crianças de zero a cinco anos de bom nível sócio-econômico.

A amostra inicial foi de 205 recém-nascidos identificados a partir dos dez principais hospitais-maternidade de Perth. As crianças incluídas na amostra eram provenientes de nascimentos não gemelares e de gestações a termo, com peso ao nascer superior a 2.500 g. Durante o se-guimento, que se estendeu até o quinto ano de vida das crianças, ocorreu uma perda de 24% da amostra original, perda esta devido, na maioria das vezes, a mudança da cidade.

Os autores optaram pelo delineamento do tipo coorte para apreender, com melhor precisão, a evolução simultânea dos padrões de nutrição, crescimento, desenvolvimento e morbidade ao longo dos primeiros cinco anos de vida.

A aferição das variáveis incluídas no estudo foi cuidadosamente realizada segundo técnicas aceitas internacionalmente.

O livro contém informações importantes com relação às práticas de alimentação infantil. Entre outros achados destacam-se um retardo na introdução dos alimentos sólidos e um retorno à prática de aleitamento materno. Este retorno traduziu-se na presença de 64% das crianças aleitadas ao seio aos 6 meses de idade.

O crescimento físico das crianças amostradas foi semelhante ao padrão internacional do NCHS, sendo expresso em termos da distribuição em percentis do peso, relação peso/altura e perímetro cefálico. Ao comparar esses resultados com os obtidos em dois inquéritos australianos realizados em 1933 e 1964, os autores consideraram que os ganhos ponderais identificados neste estudo foram inferiores aos descritos em 1964 – época em que predominava a prática do aleitamento artificial – e semelhante aos de 1933, quando o aleitamento natural era a prática mais comum.

Entre os resultados apresentados destacam-se também os dados referentes ao consumo de energia, proteína e outros nutrientes, os quais fornecem subsídios para uma avaliação crítica das recomendações nutricionais vigentes.

Outras informações de interesse dizem respeito à morbidade, verificando-se incidências relativamente altas de episódios mórbidos de pequena gravidade. Entre estes, os respiratórios ocupam o primeiro posto e as diarréias o segundo.

A leitura deste livro é indispensável para todos aqueles interessados em saúde infantil, por apresentar, de forma simultânea, informações relativas ao crescimento, padrões de alimentação e morbidade de crianças de bom nível sócio-econômico.

 


 

 

Aracy Witt de Pinho Spinola

Departamento de Prática de Saúde Pública – FSP/USP

 

 

Sociology in medicine, by Mervyn Susser et al. 3rd ed. New York, Oxford University Press, 1985. 603 p.

O livro procura demonstrar a utilidade das Ciências Sociais na interpretação de manifestações de saúde e doença.

Divide-se ele em duas partes: a primeira, compreende os oito capítulos iniciais que têm, como tema, diversos aspectos da sociedade: a economia, a cultura, a classe social, a mobilidade social e os relaciona com a saúde das populações. Os quatro capítulos finais abordam o ciclo de vida da família e o desenvolvimento do indivíduo, mostrando, inicialmente, a família como uma instituição, continuando com a formação da família e as sucessivas etapas da vida.

O primeiro capítulo procura relacionar a economia, a ecologia e a doença. Do ponto de vista da economia, a doença representa um custo para a sociedade como um todo, na medida em que prejudica a produção e os meios técnicos e profissionais. Por outro lado, a doença representa um benefício para os indivíduos e as indústrias que dela tratam, como os médicos, os hospitais, os laboratórios, entre outros. O ambiente natural também influi na doença, que constituindo um de seus fatores, quer limitando-a fatores sociais devem ser considerados, já que têm grande influência na ambientação natural.

O capítulo seguinte procura oferecer idéias que sirvam como orientação na análise de problemas decorrentes da avaliação da saúde nas diferentes populações. Medidas de freqüência, como incidência e prevalência de certos eventos na população, assim como ciclos de vida e mortalidade são examinados.

A seguir, é feito um estudo da saúdue, considerando a economia mundial, em termos de desenvolvimento e subdesenvolvimento. São analisadas as origens da moderna economia mundial, sua expansão por diferentes países, seu desenvolvimento e suas conseqüências para a saúde. Essa análise é feita comparando as diferenças entre sociedades em diferentes estágios de desenvolvimento e mostrando diferenças dentro das sociedades.

O capítulo quatro trata da influência da cultura sobre o comportamento em geral e, mais especificamente, sobre o comportamento do doente. Também é abordada a comunicação entre médicos e pacientes e entre os profissionais de saúde e as comunidades. É examinada, ainda, a influência da cultura sobre a saúde e a doença, sobre as maneiras de adaptação e sobre os estados mentais.

A seguir, os autores examinam as diversas teorias sobre classes sociais e os índices usados para analisá-las. É mostrada a relação entre saúde e os diversos índices de classe social.

Continuando nessa abordagem, a classe social é colocada como ponto de partida para uma análise epidemiológica. É dada uma visão histórica sobre o impacto das diferenças de classe na saúde. Algumas doenças como problemas coronários, poliomelite, leucemia e úlcera péptica são examinados sob o ponto de vista da classe social considerdada como uma variável determinante; especialmente nas adiantadas sociedades industrializadas. A raça e etnia, por outro lado, definem certos grupos sociais que, em graus variados, quebram a estrutura da classe e colocam outros problemas para a interpretação dos dados de saúde. Desordens mentais são, também, abordadas sob o ponto de vista da variável classe social.

O sétimo capítulo trata, especialmente, da comunidade, dos status e papéis da população, da divisão e relações de trabalho e da mobilidade social. É mostrada a importância da estrutura social, dos tipos de interação existentes na comunidade e dos motivos e valores a elas subjacentes e como tudo isso deve ser levado em consideração, se se programar um atendimento efetivo à saúde da comunidade.

A mobilidade social é enfocada, mostrando que ela caracteriza as doenças, os métodos de tratamento e os pacientes. Dentro de uma visão mais ampla, ela proporciona os meios para a difusão de traços genéticos e culturais, enriquecendo, assim, a diversidade dos seres humanos e suas maneiras de viver. Estimula, também, novas formas de adaptação social e psicológica.

Os quatro capítulos finais concentram-se no estudo da família, considerada como núcleo reprodutivo da sociedade e instituição social fundamental, cuja principal tarefa é a socialização do individuo. Através da família, os seres humanos mantêm a continuidade física pela reprodução e a continuidade social e cultural pelo treino e educação. A família tem um significado grande em questões de saúde e na ocorrência e tratamentoo da doença, como fica demonstrado através da análise das diferentes fases do ciclo de vida do ser humano.

Destacamos o fato do livro aparecer em sua 3.a edição, tendo sido a primeira, apresentada há mais de duas décadas; na segunda edição, em 1971, modificações foram introduzidas, o mesmo acontecendo com a presente edição, embora a estrutura e as catacterísticas principais do mesmo tenham sido mantidas, notadamente no que se refere ao seu conteúdo, relacionado com a indicação da utilização das ciências sociais na interpretação das manifestações de estados de saúde e doença.

Somos de parecer que pelo simples fato da obra continuar a ter aceitação internacional é de leitura recomendável aos interessados em assuntos de ciências sociais relacionados à questão de saúde; em particular, para a saúde pública, evidenciamos os capítulos que se referem à saúde e doença nos seus aspectos econômicos e a idade dos indivíduos, vista como um atributo de status, com seus correspondentes direitosa e de status, com seus correspondentes direitos e pela cultura das diferentes sociedades.

 


 

Resumos de Publicações da OPAS/PAHO Publications Reviews

 

 

Oswaldo Paulo Forattini

Departamento de Epidemiologia-FSP/USP

 

 

El control de las enfermedades transmisibles en el hombre: informe oficial de la Asociasión Americana de la Salud Pública, edited by Abram S. Benensen; trad. 14 ed. Washington, D.C., Organización Panamericana de la Salud, 1987. 536 p. (OPAS Publicación Cientifica, n.o 507).

Trata-se da décima quarta edição de manual cuja utilidade, para os que militam na vasta área das doenças infecciosas, já adquiriu aspecto de tradição. É tradução de documento elaborado pela Associação Americana de Saúde Pública e corresponde ao ano de 1985. A publicação objetiva fornecer informações particularizadas, embora naturalmente sucintas, sobre os aspectos diagnósticos, epidemiológicos e de controle dessas afecções. E, dessa maneira, constitui-se fonte de dados básicos para orientar o reconhecimento e a adoção das medidas adequadas, atualmente disponíveis, para prevenir a disseminação dessas infecções.

O manual aborda a temática em escala mundial, e sua elaboração é o resultado de projeto no qual se contou com a colaboração de vários especialistas de reconhecida capacidade. A matéria é apresentada por ordem alfabética em capítulos, com distribuição uniforme do conteúdo, ou seja, dividido sempre em nove tópicos, a saber, descrição, agente infeccioso, distribuição, reservatório, meio de transmissão, período de incubação, período de transmissibilidade, suscetibilidade e resistência, e meios de controle. Estes últimos mereceram maior detalhamento, no sentido de serem divididos em: medidas preventivas, controle do paciente, do contato e do ambiente imediato, medidas em caso de epidemia, repercussões em caso de desastre, medidas internacionais. Conclui o livro, anexo subordinado ao título "Definições" onde, como o nome o diz, estão expostos conceitos essenciais sobre doenças transmissíveis, incluindo as normas de notificação, descritas no Prólogo do manual.

Além da atualização oportuna, outros capítulos foram acrescentados, dentre os quais assinale-se o referente à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), e o da síndrome de Kawasaki. Dessa maneira, é de se considerar que o objetivo colimado foi plenamente atingido e este manual continuará a ser de consulta corrente e obrigatória para todos aqueles que se dedicam às atividades relacionadas com a saúde.

 


 

 

Oswaldo Paulo Forattini

Departamento de Epidemiologia – FSP/USP

 

 

SIDA: perfil de uma epidemia, por la Organización Panamericana de la Salud. Washington, D.C., 1989. 383 p. (OPAS – Publicación Cientifica, n.o 514)

Muito oportuna a elaboração desta atualização sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida que, no nosso meio é conhecida pela sigla original de AIDS. Vários especialistas colaboraram na feitura do texto, valorizando sobremodo esse conteúdo e tornando-o de atualidade indiscutível.

O livro é dividido em três partes essenciais. A primeira inclui artigos vários sobre aspectos atuais da doença em diversas regiões, relatando valiosas experiências locais. A segunda parte relata mesa redonda sobre prognósticos, perspectivas e modificações da transmissão. A terceira trata de informações e resumos sobre a epidemia, vários aspectos particulares relativos aos quadros clínicos, programas de controle e modelos animais.

Os conhecimentos atuais sobre a AIDS são consideráveis. Todavia, à medida que aumentam, cresce, na mesma proporção, a complexidade da luta contra essa infecção. Existem grandes diferenças entre as várias regiões no que concerne ao número de notificações. Até setembro de 1988, a síndrome tinha sido notificada em 142 países, caracterizando, assim, o que se poderia considerar como situação de pandemia. O Prognóstico é o de que a situação tenderá a piorar nos próximos anos. Como uma das conseqüências, serão afetados princípios jurídicos, morais e religiosos da atual sociedade, além das repercussões acentuadas para os serviços de saúde. Estes deverão sofrer sensível sobrecarga representada pela assistência primária aos doentes.

Tais motivos, ao lado de muitos outros decorrentes da disseminação aidética, são mais do que suficientes para recomendar a consulta a este livro. Sua leitura, além de fornecer dados valiosos, permite meditar profundamente sobre tão grave problema de saúde pública. É de se esperar que a esta se sigam em breve tempo outras edições, pois o assunto requer constante atualização.