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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.23 n.5 São Paulo Oct. 1989

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101989000500011 

RESUMOS DE LIVROS/BOOK REVIEWS

 

 

Sabina Lea Davidson Gotlieb; Chester Luiz Galvão Cesar

Departamento de Epidemiologia – FSP/USP

 

 

A epidemiologia na administração dos serviços de saúde, por G. E. Alan Dever; trad. São Paulo, PROHASA/Pioneira, 1988. 394p.

O livro tem a finalidade de proporcionar aos administradores de saúde a perspectiva e instrumentos básicos de epidemiologia, para que possam participar efetivamente de um sólido processo de elaboração de diretrizes e contribuir para o progresso do nível de saúde da população-alvo.

Para o conceito de saúde e seus determinantes, o autor propõe modelo mais amplo, abrangente e administrável, do ponto de vista estratégico. Tais determinantes seriam o estilo de vida, o ambiente, a organização dos cuidados com a saúde e a biologia humana.

Nota-se, no decorrer do texto, preocupação constante com a importância tanto dos conceitos como da prática e exemplos reais, favorecendo a aplicabilidade destes conhecimentos quer seja na Política, Planos e Programas, quer seja na prestação de serviços a nível local.

A linguagem é de fácil acesso ao leitor pois não há pressuposto de conhecimento prévio de epidemiologia. O livro está apresentado em 13 capítulos onde são detalhadamente discutidos os princípios e métodos específicos da epidemiologia e de disciplinas correlatas (Estatística Vital, Bioestatística, Demografia) que têm extrema aplicação às áreas de política e administração de saúde.

São apresentados os seguintes capítulos: 1. Epidemiologia: enfocando a prevenção; 2. Epidemiologia e política de saúde; 3. A epidemiologia na administração de serviços de saúde; 4. Medidas epidemiológicas; 5. Identificação de problemas, determinação de prioridades; 6. Epidemiologia descritiva: as pessoas; 7. Epidemiologia descritiva: lugar e tempo; 8. A epidemiologia da utilização dos serviços de saúde; 9. Demografia: instrumentos epidemiológicos; 10. Mercadologia, epidemiologia e administração; 11. Marketing e epidemiologia: um estudo de caso; 12. Epidemiologia e saúde ambiental; O futuro da epidemiologia na administração da saúde.

Recomenda-se a obra, entretanto, há necessidade de ressaltar que, nesta primeira edição em português, algumas incorreções são detectadas e não foi fornecida, pela editora, uma errata.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública –FSP/USP

 

 

Estudos do futuro: introdução à antecipação tecnológica e social, por Henrique Rattner. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, 1979. 206 p.

O futuro é a preocupação presente para todos. Em Saúde Pública está presente, agora, ao termos na Constituição Federal o Sistema Único de Saúde e necessitarmos antecipar como será sua organização mais detalhada e a sua operacionalização. Politicamente quase ganha a batalha, a garantia do pleno uso do direito à saúde pelos cidadãos, vai depender da capacidade da antecipação tecnológica e social operativa e organizativa.

O conceito de futuro e a futurologia, não são temas novos. Já vinham sendo tratados de há muito, junto com o tema da modernidade. No presente livro, Rattner aborda o tema, apresentando de maneira não exaustiva, algumas das técnicas de antecipação e sua aplicação às mudanças tecnológicas e sociais, com o objetivo de "introduzir, por meio de análises, discussões e exercícios, a preocupação sistemática com o futuro na teoria e prática da administração pública e de negócios" (prefácio, V a VIII).

O conteúdo do livro pode ser dividido, para fins desta resenha, em 3 momentos: conceitual epistemológico, onde se situam o prefácio (pg. V a VIII), os problemas da antecipação tecnológica e social (pg. 1 e seguintes), e as tendências da futurologia contemporânea (pg. 171 e seguintes). Um outro, mais operacional para os que vão precisar antecipar o que deve e pode acontecer, reúne o treinamento de administradores em técnicas de antecipação (pg. 11 e seg.), a extrapolação de tendências (pg. 19 e seg.), a antecipação por detecção e acompanhamento de sinais de mudança (monitoring, pg. 37 e seguintes), indicadores sociais e qualidade de vida (pg. 129 e seguintes), indicadores sociais e planificação do desenvolvimento (pg. 143 e seguintes) e o esgotamento de recursos naturais: catástrofe ou interdependência? (pg. 157 e seguintes). O terceiro é mais analítico e descritivo de técnicas e métodos: DELPHOS (pg. 47 e seguintes) modelos sistêmicos globais (pg. 53 e seguintes), a construção de cenários I e II (pg. 79 e seguintes), análise custo/benefício e avaliação, tecnológica (pg. 111 e seg.), surveys e variáveis psicológicas na antecipação (pg. 121 e seg.) e a bibliografia adicional sobre técnicas de antecipação (pg. 197).

Esse enumerado de temas/assuntos leva o leitor a indagar se o livro se destina especificamente a administradores e planejadores. Também a estes, com profundidade e qualidade, mas, principalmente, aos "decisions makers" em políticas públicas sociais e, dentre elas, as de saúde pública. Isto porque, ainda são tímidos e precários nossos aplicativos da administração e do planejamento para formular e implantar com êxito as políticas.

 


 

 

Tamás Szmrecsányi

Universidade de Campinas

 

 

The fear of population decline, by Michael S. Teitelbaum and Jay M. Winter. Orlando, Academic Press, 1985.201 p.

Um dos autores deste livro havia obtido certa notoriedade dez anos antes da sua publicação com um artigo na revista Science, pondo em questão a relevância da teoria da transição demográfica para os chamados países em desenvolvimento. O referido questionamento não chegava a ser novo, pois já vinha sendo feito na América Latina desde o início da década de 1970, embora a partir de outra perspectiva teórica. De qualquer forma, as colocações de Michael S. Teitelbaum alcançaram grande repercussão na época por causa dos embates internacionais em torno das políticas de controle da natalidade, e pelo fato de se tratar de uma crítica interna – ele era então professor de demografia da Unviersidade de Oxford.

Esta obra, elaborada em colaboração com Jay A. Winter, atualmente professor na Universidade de Cambridge, constitui até certo ponto um desdobramento daquele artigo. A maioria dos seus sete capítulos procura avaliar, de um lado, as várias interpretações correntes sobre a dinâmica populacional no mundo, e, do outro, as implicações políticas da ocorrência ou não de crescimento demográfico. O enfoque é global e comparativo, e a análise se desdobra cronologicamente em três grandes períodos: 1870-1945, 1945-1964 e 1965-1984.

A atenção dos autores está voltada principalmente para o primeiro e para o último desses períodos, a cada um dos quais eles dedicam dois capítulos, enquanto que o período intermediário é tratado apenas em um. Completam o trabalho um capítulo introdutório e conceitual sobre a natureza e as conseqüências do decréscimo da população, e outro conclusivo sobre o enfoque teórico e político das tendências demográficas.

De um modo geral, o tratamento dessas questões consegue ser bastante sóbrio e informativo. Trata-se de uma tentativa (bem sucedida) de síntese de uma ampla literatura. Esta é referida numa valiosa bibliografia que, por si só, ocupa dez páginas em corpo tipográfico reduzido. Outra contribuição valiosa para fins de pesquisa encontra-se nos apêndices estatístico e documentais, que mostram, além da evolução da fecundidade nos países mais desenvolvidos entre 1920 e 1983, o posicionamento de governos e outras entidades perante os problemas populacionais.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública –FSP/USP

 

 

Managing organizational change: human factors and automation, by Fred Fallik. Philadelphia, Taylor & Francis, 1988.157 p.

Fred Fallik, PhD pela Universidade de Michigan, vem trabalhando em consultoria de gerência e análise de recursos humanos. No presente livro ele e outros autores descrevem um estudo de caso, multidisciplinar, em automação, realizado no U.S. Internal Revenue Service, com base em questionários, observações e entrevistas. O programa de automação, embora bem sucedido, é visto retrospectivamente, para fornecer sugestões para outros projetos.

O presente livro é o 3o da série "Case Studies in Ergonomics Practice", tornando-se a seqüência toda de interesse para os técnicos e pesquisadores na área de Ergonometria.

O presente livro traz em anexos, o modelo de survey de atividades e instrumentos outros de interesse para os pesquisadores de ciências sociais e afins.

São 13 capítulos, grupados em 3 grandes títulos, e mais 3 apêndices, referências bibliográficas e fontes adicionais. No primeiro há 4 capítulos: Automação, crenças e valores, bases para automação, a política de automação e o "staff" em tecnologia de recursos humanos. O segundo trata da implementação da automação, reunindo 6 capítulos; é mais descritivo, abordando o sistema automatizado de coleta, recrutamento e permanência de pessoal, fatores humanos, treinamento, formação de equipes e organização e gerência.

O terceiro e último título trata, em 3 capítulos, de temas sobre liderança e automação, motivação e produtividade e retrospectiva, com sumário e recomendações.

O anexo 1 denomina-se "Recursos humanos em automação: recomendações do staff em tecnologia de recursos humanos". O anexo 2, conforme já disse, é o modelo do survey de atitudes denominado "qual é a sua opinião?". O anexo 3 trata dos instrumentos de recrutamento e manutenção de pessoal.

O presente livro é mais do que um manual sobre automação, fornecendo lições sobre organização e gerência de recursos humanos, operando um dado instrumento, no caso, a automação. São incluídos trabalhos sobre supervisão, liderança, cultura organizacional, etc.

É recomendado, assim, para docentes e pesquisadores das áreas mencionadas.

 


 

 

Diogo Pupo Nogueira

Departamento de Saúde Ambiental – FSP/USP

 

 

Measurement of radionuclides in food and the environment: a Guidebook. Vienna, International Atomic Energy Agency, 1989.169 p. (Technical reports series, n. 295).

Esta publicação é fruto de uma Reunião de Consultores da Agência Internacional de Energia Atômica, realizada em Viena (Áustria) no período de 15 a 19 de dezembro de 1986 e de outra reunião do mesmo tipo realizada em Cadarache (França) no período de 15 a 17 de julho de 1987.

Trata-se de livreto escrito em linguagem simples e objetiva, destinado a instruir como deve ser feita a medida de radionuclídeos em alimentos e no ambiente. É dividido em duas partes: na primeira, de apenas 46 páginas, estabelece as bases para que se instale laboratórios para a detecção de radionuclídeos: um laboratório central, com os equipamentos básicos necessários às medidas, e laboratórios regionais, com equipamentos mais simples, que recorrerá ao central para exames mais detalhados. São estabelecidas normas para a coleta e preparação de amostras, descrição sumária dos métodos analíticos e programas para o estabelecimento de uma política de controle de qualidade de alimentos, água, ar, solo, etc.

Na segunda parte, em 108 páginas são apresentados os métodos para a determinação de emissores de radiação gama, para a análise radioquímica do estrôncio, do tritio, do plutônio, do amerício e do curio. Seguem-se-lhes capítulo sobre unidades, prefixos e símbolos, sobre descrição de acidentes nucleares, sobre dados de radionuclídeos, sobre como coletar amostras de grama, sobre sistemas de gama-espectrometria e, finalmente, sobre possíveis fornecedores de material de calibração.

As referências bibliográficas, em número não muito grande, são bastante satisfatórias.

A publicação é de grande interesse prático para a área de nutrição e de saúde pública para alimentos.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública –FSP/USP

 

 

NHS management: beyond the griffiths report to current issues, edited by David Thompson. J. Hlth Adm. Educ., 6(3), 1988.

O presente número do verão de 1988 do "The Journal of Health Administration" é dedicado quase que inteiramente aos aspectos gerenciais do Sistema Nacional de Saúde da Inglaterra, referenciado, no relatório Griffiths, de 1983, o qual por sua vez é considerado como tendo estabelecido as bases das reformas era em curso no "National Health Service" britânico (NHS). O estudo trás, em retrospectiva histórica, a análise dos vários documentos que foram sendo produzidos desde a criação do NHS em 1948, bem como de análises das necessidades de reforma.

A presente edição do "Journal" consta de Editorial; Parte I: Investigação Gerencial do SNS: Griffiths, 1983, compreendendo 4 artigos; Parte II: eventos atuais, com 5 artigos; Parte 3: implicações educacionais e de pesquisa, com 3 artigos e IV: uma perspectiva transatlântica, com 2 artigos. Esta última parte faz, como o nome indica, a análise do NHS do outro lado e um dos artigos, assinado por Kissick, tem a denominação provocativa de "O Serviço Nacional de Saúde Britânico: nulo como protótipo" (pág. 579 e seg.).

Sempre é útil conhecer, com pormenores, a evolução, críticas e reformas em andamento do NHS, para nós o sistema pioneiro em universalidade. Porém, as recentes decisões políticas do Governo Britânico quanto à reforma do NHS, têm, como sempre tiveram na Inglaterra, uma globabilidade sistêmica, não só na saúde, mas no sistema de governo e da administração pública britânicos.

Creio, por isso, que estudos como estes do "Journal" necessitam ser complementados com o exame dos "green-papers" do Parlamento. Estes, são, na verdade, a expressão das decisões políticas.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

 

 

Sociologia: uma introdução crítica, por Pedro Demo, 2a ed. São Paulo, Atlas, 1985.159 p.

Esta "Sociologia - uma introdução crítica" -, de Pedro Demo, seria, conforme a editora, destinado ao ciclo básico de Graduação em Administração/Economia e outras áreas de "Humanas". Sua utilização para já graduados que cursem pós-graduação ou especialização em Saúde Pública será, porém, a meu ver, maior e melhor à medida em que os docentes das áreas de Ciências Sociais e de Administração Pública puderem fazer conexões entre os temas e tópicos de Demo e as políticas públicas, a mecânica do poder e os problemas estruturais e emergentes, em Saúde Pública, no binômio Saúde/Sociedade.

O livro é dividido em 5 capítulos: posições básicas, posição institucionalista, posição do conflito, temas relevantes e algumas conclusões. Busca identificar que "o objeto fundamental de estudo para a Sociologia feita no Brasil será o Brasil e, em última instância, a comunidade na qual se fez o estudo, levando a ilustrar e considerar preocupações reais, atuais e sobretudo brasileiras", (pág. 159).

É livro denso, sério, de leitura não fácil, conforme já falamos para não sociólogos. Sua análise é desafiante, encorajadora, principalmente se puder ser traduzida em indicações tópicas de temas específicos como referência. Os temas relevantes tratados no capítulo 4, por exemplo, incluem política social, ideologia e as utopias. Nesta, analisa as que nos são mais caras e polêmicas, como desenvolvimento e qualidade de vida enquanto ato político.

Isto porque, não é fácil fazer ou ver a ligação possível entre o conteúdo do livro e a sua aplicação em Saúde Pública para a formulação e análise de políticas públicas em saúde, tendo como pano de fundo a caracterização das desigualdades sociais, diferentemente, da coletânea organizada por Marcelino (Introdução às Ciências Sociais). Não é um livro para iniciantes em Ciências Sociais. Para alunos de pós-graduação com áreas de concentração em que se necessite de Ciências Sociais, bem como para docentes, o valor do livro é inquestionável.