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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.27 n.6 São Paulo Dec. 1993

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101993000600004 

Aspectos imunológicos e parasitológicos em Biomphalaria tenagophila infectadas por Schistosoma mansoni e outros Digenea

 

Immunological and parasitological aspects of Biomphalaria tenagophila infected by Schistosoma mansoni and other Digenea

 

 

Doralice de Souza Luro BalanI; Luiz Augusto MagalhãesII; Aquiles Eugênico PiedrabuenaIII

IBolsista da FAPESP (Processo no 84.2132-7) junto ao Departamento de Parasitologia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - Campinas, SP - Brasil
IIDepartamento de Parasitologia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - Campinas, SP - Brasil
IIIDepartamento de Genética do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - Campinas, SP - Brasil

 


RESUMO

Estudou-se o comportamento de amebócitos de Biomphalaria tenagophila infectadas por Schistosoma mansoni, por outros Digenea e a resistência à superinfecção, presente em infecções mistas. Foi verificada a atividade fagocitária dos amebócitos, o número destas células circulantes, a reação amebocitária nos tecidos, o perfil eletroforético da hemolinfa, além da reação de imunodifusão. Concluiu-se que moluscos infectados por outros Digenea apresentam resistência à superinfecção por S. mansoni, sendo que os amebócitos parecem não ter participação direta na destruição dos esporocistos de S. mansoni nesta eventualidade. Nos moluscos infectados observou-se maior número de amebócitos circulantes e aumento de capacidade fagocitária destas células.

Descritores: Biomphalaria, parasitologia. Schistosoma mansoni.


ABSTRACT

The behavior of Biomphalaria tenagophila amoebocytes was studied in infections produced by Schistosoma mansoni and other Digenea, The resistance to superinfection was also verified in mixed infections. Data on amoebocyte phagocytic activity, on the number of amoebocytes in hemolymph, and on amoebocyte tissue ractions were obtained and eletrophoretic and imunodiffusion examinations of the hemolymph were carried out. It was concluded that the snails infected with Digenea show resistance to superinfection with S. mansoni. Apparently sporocysts are not destroyed by the action of amoebocytes. An increase in amoebocyte phagocytic activity was discovered in infected snails. Immunoeletrophoresis shows quantitative and qualitative differences in the hemolymph of the infected snails.

Keywords: Biomphalaria, parasitology. Schistosoma mansoni.


 

 

Introdução

A grande maioria das investigações sobre a esquistossomose mansônica na região Neotropical utiliza a Biomphalaria glabrata como modelo de agente transmissor, provavelmente porque este molusco ajustou-se muito bem à condição de vetor do Schistossoma mansoni na América do Sul e no Caribe. Poucas investigações tem sido realizadas utilizando Biomphalaria tenagophila ou Biomphalaria straminea.

Tanto no campo (Magalhães27) como em laboratório (Magalhães28), B. tenagophila mostrou-se pouco susceptível à infecção esquistossomótica, apresentando, além de baixa taxa de infecção, número médio reduzido de cercárias por molusco, provavelmente devido à eficiência dos mecanismos de defesa do molusco (Guaraldo e col.16,1981).

Além de ter de vencer a resistência natural à infecção oferecida pelo molusco, as larvas de S. mansoni podem enfrentar outros fatores que se interpõem ao seu desenvolvimento no interior do hospedeiro intermediário. Lim & Heyneman21 (1972), referiram a existência de competição entre larvas de diferentes digenéticos no interior de moluscos planorbídeos. Esta competição poderia ocorrer por dois mecanismos: direto - predação por rédias que se alimentariam de esporocistos ou cercárias rivais; e indireto - elaboração de substâncias tóxicas às outras larvas, luta por espaço vital, competição alimentar, mecanismos imunológicos e perturbações no equilíbrio hospedeiro-parasito.

Ratchiffe e col.35 (1985) assinalaram o papel dos mecanismos de defesa celular e humoral presentes nos moluscos. A defesa celular é mediada por amebócitos da hemolinfa e inclui processos de fagocitose, formação de granulomas, coagulação de hemolinfa e cicatrização. A defesa humoral inclui a presença e a ação de usinas, aglutininas, fatores antimicrobianos e substâncias com ação semelhante às linfocinas. Em gastrópodos a resposta celular foi demonstrada por Standen37 (1952), Cheng e col.12 (1970), Tripp43 (1970), Michelson31 (1975) e Abdul-Salam e Michelson1 (1980).

Em 1961 e 1970, Tripp41,43 verificou em B. glabrata a capacidade dos amebócitos de distinguirem material "próprio" do "não-próprio". Esses moluscos aceitaram implante de tecido homólogo, porém rejeitaram tecido heterólogo.

Mecanismos humorais estudados por Mackin29 (1961), Feng14 (1962) e Michelson30 (1963), revelaram fatores biologicamente ativos da hemolinfa que funcionalmente simulavam anticorpos. Vários fatores ativos da hemolinfa foram identificados como opsoninas que iniciariam ou facilitariam o processo de fagocitose (Tripp42,1966).

Lie e col.19 (1976) assinalaram resistência adquirida em B. glabrata à infecção por S. mansoni. Bayne e col.7 (1984) verificaram a presença de receptores específicos para esporocistos primários de S. mansoni em amebócitos de B. glabrata.

A verificação de antagonismos entre larvas de Digenea que parasitam um mesmo molusco tem sido assinalada no Brasil (Machado e col.25,26, 1987, 1988). Esse fato tem importância epidemiológica como assinalaram Lim e Heyneman21 (1972), sugerindo que esses fenômenos competitivos fossem utilizados no combate ao S. mansoni no campo. Para isso seriam utilizados larvas de digenéticos rivais que predariam ou destruiriam os esporocistos ou cercárias de S. mansoni.

No presente trabalho avaliou-se a atividade fagocitária dos amebócitos nos moluscos parasitados, a formação de reações amebocitárias em torno das larvas infectantes, além da determinação do número de amebócitos na hemolinfa e a análise da imunodifusão e da imunoeletroforese da hemolinfa dos moluscos.

 

Material e Método

Procedência dos moluscos

Os 2.243 exemplares de B. tenagophila utilizados foram provenientes de Louveira, SP, capturados em tanques de piscicultura. Esse local nunca foi apontado como foco de esquistossomose. Em alguns experimentos, por motivos de planejamento, utilizaram-se 68 exemplares de B. tenagophila, nascidas e criadas em laboratório, descendentes de exemplares coletados no Vale do Rio Paraíba do Sul, SP.

Verificação da taxa de infecção natural

Após a captura os moluscos foram expostos à luz e ao calor para a eliminação de cercárias (Pellegrino e col.34,1955). Tal exposição foi repetida a cada 4 dias por um período de 60 dias. Os exemplares que não eliminaram cercárias durante esse período e não apresentaram sinais visíveis de esporocistos à lupa estereoscópica, foram considerados livres de infecção. Ás cercárias foram identificadas pelo critério adotado por Machado e col.25 (1987), sendo os moluscos infectados separados por grupos, conforme o tipo de cercária eliminada. Os moluscos foram mantidos em frascos com água sem cloro e alimentados com alface.

Constituição dos grupos de moluscos

Grupo A - Moluscos B. tenagophila capturados em Louveira, SP

1A - Moluscos livres de infecção por digenéticos.
2A - Moluscos infectados por furcocercárias longifurcadas sem ocelos.
3A - Moluscos infectados por furcocercárias longifurcadas com ocelos.
4A - Moluscos infectados por equinostomocercárias.
5A - Moluscos infectados por xifidiocercárias.
6A - Moluscos naturalmente infectados por furcocercárias longifurcadas sem ocelos ou por equinostomocercárias ou ainda por xifidiocercárias e superinfectadas por S. mansoni.

Grupo B - B. tenagophila nascidos em laboratório

1B - Moluscos livres de infecção.
2B - Moluscos infectados experimentalmente por S. mansoni.

Infecção experimental de B. tenagophila por S. mansoni

A infecção dos planorbídeos em laboratório foi realizada pela técnica de Standen37 (1952). Os moluscos foram infectados pela linhagem SJ de S. mansoni. Os miracídios foram obtidos de ovos de fezes de camundongos Swiss SPF. Os moluscos destinados à eliminação de cercárias foram expostos, isoladamente, a 10 miracídios, e os destinados à observação histológica, a 100 miracídios.

Exame histopatológico dos moluscos

Exemplares de B. tenagophila naturalmente infectados por furcocercárias longifurcadas sem ocelos ou por equinostomocercárias ou ainda por xifidiocercárias foram submetidos, individualmente, a superinfecção com 100 miracídios de S. mansoni SJ e sacrificados por imersão em fixador Bouin alcoólico 24,48 e 72 horas após a superinfecção.

Utilizaram-se 4 moluscos para cada tipo de infecção. As peças foram submetidas a cortes seriados com 7 mm de espessura e coradas pelo Tricrômico de Gomori.

Obtenção e armazenamento da hemolinfa

A hemolinfa foi colhida na região céfalo-podal do molusco, por rompimento do tegumento com estilete, recolhendo-se com pipeta Pasteur, o material extravasado. Foram utilizados moluscos de 9 a 12 mm de diâmetro e o volume obtido foi de 20 a 30 ml de hemolinfa por espécime. Para obtenção de hemolinfa livre de células, foi a mesma submetida à centrifugado a 800g, por 10 min. A hemolinfa colhida dos moluscos dos grupos A e B foi utilizada para a dosagem de proteínas, contagem de amebócitos, ensaios de fagocitose e testes imunológicos.

Teor protéico da hemolinfa

As concentrações protéicas da hemolinfa foram estudadas utilizando-se os métodos de Biureto (Weichselbaum44 (1946) e Lowry e col.24 (1951). modificado. O método de biureto foi utilizado quando a hemolinfa foi proveniente de três "pools" de 30 moluscos constituídos de: 1) B. tenagophila de laboratório livres de infecção (controle) - 2) B. tenagophila do campo livres de infecção (controle) e 3) B. tenagophila de laboratório infectadas por S. mansoni. O método de Lowry e col.24 (1951), foi utilizado para hemolinfa fresca, colhida individualmente de exemplares de: B. tenagophila do campo livres de infecção; B. tenagophila do campo infectadas por furcocercárias; B. tenagophila do campo infectadas por xifidiocercárias e B. tenagophila do campo infectadas experimentalmente com S. mansoni.

Obtenção de soro imune de coelho, anti-B. tenagophila do campo livre de infecção por digenéticos

O esquema de imunização adotado foi o de Oliveira32 (1975) modificado. Foi injetada em coelho, hemolinfa de moluscos de campo livres de infecção por digenéticos, centrifugada a 17.000g, por 2 min. As duas primeiras inoculaçõcs foram feitas nos gânglios poplíteos, com intervalo de 30 dias. A hemolinfa, em concentração protéica de 10mg/ml, foi emulsionada com adjuvante completo de Freund, utilizando-se um volume total de 1ml dessa concentração em cada inoculação. Após 15 dias da segunda inoculação, fez-se uma série de quatro injeções subcutáneas no dorso do animal, em intervalos semanais. Nessas inoculações a hemolinfa não foi emulsionada com adjuvante completo de Freund e a concentração proteica foi de 5mg/ml. Foram realizadas sangrias no coelho nos intervalos das injeções para verificação, por imunodifusão radial, do título de anticorpos produzidos.

Imunodifusão radial dupla

Os experimentos de imunodifusão foram realizados em gel de ágar a 1% em solução salina 0,15M, segundo indicações de Ouchterlony33 (1958). A difusão ocorreu em temperatura ambiente por 30 a 40 h. Por meio da precipitação de agregados antígeno-anticorpo, foi analisado o perfil da hemolinfa (Ag) frente ao soro imune do coelho (Ac) anti-hemolinfa. A coloração das lâminas fez-se pelo Coomassie-Blue. Foram utilizadas nas preparações somente hemolinfa dos grupos de B. tenagophila, capturadas no campo em Louveira, SP.

Eletroforese e imunoeletroforese

Foi utilizada a técnica de eletroforese e imunoeletroforese unidimensionais (Grabar & Burtin15, 1964), utilizando-se lâminas de 10x10cm com agarose a 1% em tampão barbital 0,05M, pH 8,6. A eletroforese foi realizada a 4°C, por 2 h com gradiente de potencial de 6V/cm. Logo após a corrida eletroforética, efetuou-se a imunodifusão dos componentes separados frente a soro imune de coelho, em câmara úmida, a temperatura ambiente, por 30 a 40 h. A coloração fez-se por Coomassie-Blue.

Foi estudada a hemolinfa de moluscos capturados no campo, parasitados e não parasitados por trematódeos.

Contagem de amebócitos de hemolinfa

A contagem foi realizada utilizando-se câmara de Neubauer. Algumas contagens foram feitas em hemolinfa colhida de um "pool" de cinco moluscos, e em outras ocasiões as determinações foram individuais. Foi utilizada hemolinfa coletada na região céfalo-podal de moluscos com 10 a 12mm de diâmetro. Os exemplares destinados a esse estudo foram B. tenagophila de campo, livres de infecção; B. tenagophila infectadas por furcocercárias sem ocelo; B. tenagophila infectadas por xifidiocercárias; e B. tenagophila infectadas experimentalmente com S. mansoni.

Avaliação quantitativa da fagocitose

A capacidade de fagocitose dos amebócitos de hemolinfa fresca dos moluscos foi avaliada frente a eritrócitos de carneiro formolizados. Para a realização dos ensaios "in vitro", tomou-se como base a técnica de Abdul-Salam & Michelson1 (1980). A formolização de eritrócitos de carneiro, suspensos em Alsever, fez-se após lavagens com PBS pH 7,0, adicionando-se a seguir 10 volumes de formol 3% à papa de eritrócitos. Deixou-se a mistura por 24 h em agitação na geladeira. Novas lavagens em PBS e MEM (meio de Eagle) foram executadas. A suspensão foi ajustada para 7 x 104 cels/mm3. Para o preparo de monocamadas, a hemolinfa de um "pool" de 10 moluscos com 9 a 12mm de diâmetro foi acondicionada em tubo de ensaio e mantida em banho gelo até sua utilização. Colocou-se 25ml de hemolinfa sobre lamínulas de vidro e incubou-se em câmara úmida por 20 min a 22°C. Por inclinação das lamínulas, a hemolinfa foi removida, obtendo-se uma camada de amebócitos firmemente aderida. Para os ensaios de fagocitose de eritrócitos, as monocamadas foram cobertas com 25ml de suspensão de eritrócitos de carneiro formolizados. Fez-se incubação em câmara úmida por uma hora a 22°C. Ao final, os eritrócitos em excesso foram removidos por lavagem em MEM pH 7,5. As lamínulas foram fixadas com álcool metílico por 5 min, coradas com Giemsa 1:5 e montadas em lâminas para microscopia. O grau de fagocitose foi determinado pela contagem ao acaso de um mínimo de 200 amebócitos em cada monocamada, utilizando-se para tanto microscópio óptico. A capacidade de fagocitose dos amebócitos foi avaliada nos grupos B. tenagophila de campo, livres de infecção, infectada por furcocercárias sem ocelo, infectadas por xifidioccrcárias e B. tenagophila de campo infectadas experimentalmente com S. mansoni.

Análise estatística

Utilizaram-se métodos estatísticos para análise dos valores obtidos nas dosagens protéicas de hemolinfa, nas contagens de células "spreedings" da hemolinfa fresca e na avaliação quantitativa da fagocitose. A análise desses fatores foi efetuada pelo teste de Student e pela análise de variância (testes de Bartlet, Cochran e Tukey). Para algumas situações optou-se por testes não paramétricos, como os testes de Kruskal-Wallis e Maun-Withney (IJ test) (Roscoe36,1975). Muitos valores exigiram transformações matemáticas, ou seja, foram normalizados para serem usados no teste de Tukey (Campos13,1979).

 

Resultados

Taxa de infecção natural dos moluscos

A taxa de infecção natural dos moluscos (Tabela 1) foi calculada para os quatro tipos de cercárias encontradas: furcocercárias longifurcadas sem ocelos, furcocercárias longifurcadas com ocelos, equinostomocercárias e xifidiocercárias. Não foram constatadas infecções concomitantes por mais de um tipo de cercaria. Em 2.041 exemplares não foi observada eliminação de cercárias.

 

 

Reações teciduais e presença de larvas nos tecidos dos moluscos

Nos cortes histológicos foram observados esporocistos, rédias e cercárias. A superinfecção por S. mansoni não determinou a destruição ou a parada do crescimento das larvas de outros trematódeos que anteriormente parasitavam os moluscos, tendo sido encontrados esporocistos íntegros contendo furcocercárias, equinostomocercárias e xifidiocercárias. Nos exemplares superinfectados por S. mansoni, os esporocistos de S. mansoni foram destruídos, apresentando-se como uma massa amorfa, sem células individualizadas. Em torno das larvas destruídas não foram observadas reações amebocitárias.

Observações referentes a hemolinfa

Os resultados referentes a dosagens de proteína (Tabela 2) mostraram uma diferença altamente significativa entre o grupo de moluscos capturados no campo e o grupo nascido e criado no laboratório, infectados e não infectados.

 

 

A infecção por digenéticos não alterou o valor protéico na hemolinfa.

Contagem de amebócitos e avaliação da Teste imunológicos fagocitose

As contagens de amebócitos foram feitas individualmente por molusco (Tabela 3) e em "pool" de 5 moluscos (Tabela 4). Todos os exemplares examinados foram moluscos capturados no campo.

 

 

 

 

Os dados da Tabela 4 mostram que houve aumento significativo do número de amebócitos nos moluscos infectados por digenéticos. Os moluscos infectados por xifidiocercárias foram os que apresentaram maior número de amebócitos circulantes.

A capacidade de fagocitose apresentada pelos amebócitos foi maior nos grupos infectados por trematódeos digenéticos, excluindo-se S. mansoni. O grupo que apresentou maior capacidade de fagocitose foi o infectado por xifídiocercárias (Tabela 5).

 

 

Testes imunológicos

Todos os testes imunológicos foram realizados, pelo menos, em triplicatas.

A hemolinfa de B. tenagophila foi um antígeno adequado para a preparação de soro imune em coelhos. O exame de imunodifusão mostrou título de 1:4, 40 dias após a primeira inoculação nos gânglios poplíteos do animal, sendo logo após iniciadas as inoculações no dorso. No final do esquema de imunização, o título obtido foi de 1:32.

Utilizando-se o teste de precipitação em gel de ágar, verificou-se que houve uma identidade total entre os antígenos de todas as amostras analisadas. Os sistemas antígeno-anticorpo ao reagirem originaram, pelo menos, 3 bandas de precipitação muito nítidas. Como não se observaram diferenças antigênicas entre a hemolinfa do grupo de camundongos do campo infectados e livres de infecção, observou-se identidade total das linhas de precipitação.

O perfil imunoeletroforético foi obtido dos vários grupos experimentais. A migração das proteínas foi em direção ao pólo catódico. Nas preparações a fresco, nas amostras de hemolinfa de B. tenagophila livres de infecção, foi encontrada uma banda tênue, próximo ao poço central que migrou em direção ao pólo anódico. Esta banda, entretanto, foi removida facilmente pela lavagem do gel em salina, antes da secagem e coloração.

Foram encontradas na hemolinfa de B. tenagophila livre de infecção, linhas de precipitação, sendo uma deslocada para o pólo anódico, uma junto ao próprio poço de depósito da amostra, duas próximas ao poço em direção ao pólo catódico e uma última, muito densa, deslocando-se rapidamente, tendo percorrido maior distância em direção ao pólo positivo.

Quando se submeteu a hemolinfa de B. tenagophila infectada por furcocercárias à imunoeletroforese obtiveram-se 4 linhas deslocando-se em direção ao pólo positivo. Entre elas, uma mais forte e densa, deslocou-se mais rapidamente.

Também foram vistas 4 linhas de precipitação quando se utilizou hemolinfa de B. tenagophila infectada por S. mansoni, uma delas apresentando-se muito densa e migrando rapidamente.

Na hemolinfa de B. tenagophila infectada por xifidiocercárias, detectaram-se 3 linhas de precipitação deslocando-se em direção ao pólo positivo, sendo que a de maior densidade migrou mais rapidamente.

Provavelmente, em todos os testes, a banda mais densa abrigava vários agregados antígeno-anticorpo sobrepostos.

 

Discussão

Vários autores verificaram resistência à infecção em moluscos sensibilizados por infecções prévias. Sullivan e col.40 (1982) indicaram indução de resistência adquirida em B. glabrata sensibilizada por miracídios irradiados de Ribeiroia marini, tendo estes moluscos adquirido resistência à reinfecção quando expostos a miracídios não irradiados. Essas larvas foram destruídas por amebócitos, tendo havido aumento do número dessas células. Jourdane & Mounkassa17 (1986) descreveram competição intraespecíflca entre os esporocistos primários de S. mansoni e de Echinostoma caproni, quando coabitavam com B. pfeifferi. Houve degeneração de uma geração significativa de esporocistos primários de S. mansoni, sendo que a fração restante migrou para fora de seus microbiótopos preferidos, provavelmente para locais não imunologicamente ativos.

Nos exames histopatológicos verificou-se nas superinfecções total degeneração dos esporocistos primários de S. mansoni, tendo os esporocistos de todas as outras espécies de digenéticos permanecido íntegros. Houve evidentemente proteção à superinfecção por S. mansoni.

Lie e col.20 (1980) descreveram as reações teciduais induzidas por S. mansoni em B. glabrata susceptíveis, expostas previamente a miracídios mediados de E. paraensei, e notaram esporocistos de S. mansoni degenerados sem reação amebocitária ou com número muito reduzido dessas células presas aos esporocistos. Constatou-se a ausência de reação amebocitária aparente em torno dos esporocistos destruídos de S. mansoni em todas as superinfecções realizadas, o que pode significar a ação de fatores humorais na destruição do parasito. Bayne e col.5,6 (1980) relataram que fatores na hemolinfa (excluindo-se as células) de B. glabrata estariam envolvidos na destruição dos parasitos pelo hospedeiro intermediário. Loker & Bayne22 (1982) demonstraram em estudos "in vitro" com B. glabrata componentes da hemolinfa (fatores humorais ou fatores do plasma) de exemplares resistentes que destruíram esporocistos de S. mansoni quando incubados com o parasito. Bayne e col.8 (1985) postularam que os componentes do plasma que medeiam a defesa celular em B. glabrata são aglutininas com conformação molecular específica e que reconheceriam diferenças entre espécies distintas de caramujos. Bayne e col.9 (1986) demonstraram aglutininas na resposta de defesa dos moluscos com papel opsônico na fagocitose "in vitro".

Loker & Hertel23 (1987) evidenciaram diferenças na quantidade de proteína total na hemolinfa de B. glabrata, parasitado por E. paraensei, sendo que esse valor aumenta muito nos caramujos susceptíveis. Nos exemplares não infectados, o valor protéico foi maior que nos exemplares infectados por S. mansoni. Quando se comparou com moluscos capturados no campo, os moluscos nascidos e mantidos em laboratório, apresentaram valores maiores de proteínas na hemolinfa. Tal situação, talvez deva-se a fatores como alimentação e confinamento. Entre os grupos capturados no campo, verificou-se não haver diferença significativa entre eles, no que se refere ao teor protéico da hemolinfa, quer estejam ou não parasitados por trematódeos digenéticos. Provavelmente em B. tenagophila os valores de proteína na hemolinfa podem variar em razão da linhagem dos caramujos e da época de infecção. Estudos complementares poderão confirmar ou não esta hipótese.

Os presentes resultados na contagem de amebócitos na hemolinfa (amebócitos circulantes) mostraram-se concordantes com os assinalados por Stumpe & Gilbertson39 (1980). Esses autores definiram que granulócitos (células fagociticamente ativas) expressaram aumento em número nos moluscos B. glabrata parasitados por S. mansoni, em relação aos controles sem infecção. Verificou-se "in vitro" a atividade de fagocitose aumentada nos grupos infectados. Hipoteticamente pode-se admitir que o parasitismo ative as células fagocíticas, já que se sabe por Cheng & Schoenberg11 (1980), que essas células são dependentes de fatores quimiotáxicos ou de fatores de reconhecimento, e que o número participante dessas células na ingestão de partículas é de 30 a 100% (Anderson & Good3, 1976). Os trabalhos de Yoshino45 (1982), Abdul-Salam & Michelson45 (1983), Bayne e col.7 (1984) e Knapp e col.18 (1987) assinalaram os seguintes fatos: esporocistos são encapsulados e mortos por células semelhantes a macrófagos, os determinantes da superfície dos amebócitos são modulados por lectinas; antígenos de S. mansoni reagem com amebócitos de B. glabrata e com receptores específicos para S. mansoni nos amebócitos de B. glabrata.

Através da imunodifusão e da imunoeletroforese, vários trabalhos contribuíram para a diferenciação taxonômica de caramujos de importância médica (Bailey e col.4, 1986); demonstraram glicoproteínas aglutinantes em B. glabrata para o sistema ABO humano (Stanislawsky e col.38, 1976) e revelaram variedades de peptídeos em exemplares susceptíveis e resitentes da espécie B. glabrata (Bayne e col.9, 1986). Bayne e col.10 (1987) verificaram em B. glabrata que muitas macromoléculas componentes da hemolinfa são glicoproteínas e a ampla maioria dos determinantes antigênicos são carboidratos. Loker & Hertel23 (1987) verificaram que componentes da hemolinfa de B. glabrata exibiam alterações moleculares quantitativas e qualitativas reveladas por SDS-PAGE*. Pelo perfil eletroforético obtido da hemolinfa dos moluscos infectados pelos diferentes trematódeos, foram encontradas alterações que mostraram características específicas de cada diferente tipo de infecção. A coloração efetuada indicou a natureza protéica das bandas encontradas no gel. As imunodifusões e imunoeletroforeses permitiram afirmar que há diferenças qualitativas e quantitativas na hemolinfa de B. tenagophila do campo, parasitadas quando comparadas com a hemolinfa de moluscos do grupo controle, livres de infecção.

Como ocorre com qualquer animal capturado no campo, não se pode descartar a eventualidade de infecções prévias, já curadas, por outras espécies ou mesmo infecções abortadas. Esta é uma limitação do experimento que se acredita não ser muito relevante nos moluscos, pelo fato destes animais não apresentarem mecanismos imunes tão aperfeiçoados como o dos vertebrados.

 

Conclusões

Biomphalaria tenagophila capturadas no campo, em tanques de piscicultura, foram encontradas parasitadas, sempre em infecção única, por furcocercárias longifurcadas sem ocelo, furcocercárias longifurcadas com ocelo, equinostomocercárias ou xifidiocercárias.

Exemplares de B. tenagophila naturalmente parasitados por trematódeos e superinfectados experimentalmente por S. mansoni mostraram-se resistentes ao desenvolvimento de esporocistos de S. mansoni.

Nos moluscos superinfectados com S. mansoni não foram encontradas reações amebocitárias em torno dos esporocistos degenerados de S. mansoni. Essas observações sugerem que não houve participação direta dos amebócitos na destruição da larva de S. mansoni e que possivelmente fatores da hemolinfa (excluindo-se as células), estariam envolvidos na destruição do parasita.

Os valores de proteínas totais de hemolinfa mostraram-se maiores nos moluscos B. tenagophila sem infecção mantidos em laboratório, quando comparados com os capturados no campo livres de infecção por trematódeos. Esses valores não estão aumentados nos caramujos de campo naturalmente parasitados, ou mesmo nos caramujos experimentalmente infectados com S. mansoni.

O número de amebócitos da hemolinfa estava elevado em todos os grupos de moluscos infectados.

Foi observada maior atividade fagocitária dos amebócitos recolhidos dos caramujos parasitados, principalmente dos parasitados por xifidiocercárias.

Na hemolinfa dos vários grupos estudados houve identidade antigênica total. As imunodifusões mostraram ao menos 3 linhas de precipitação, formando 3 sistemas diferentes.

Os resultados obtidos na imunoeletroforese permitem afirmar que existem diferenças qualitativas e quantitativas na hemolinfa dos moluscos parasitados com relação aos não parasitados. As diferenças parecem ter características específicas dependentes do tipo de infecção apresentada.

 

Referências Bibliográficas

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Recebido para publicação em 25.3.1993
Reapresentado em 8.9.1993
Aprovado para publicação em 20.9.1993
Trabalho realizado com auxílio financeiro da Fundação (FAPESP) - Processo no 88.2336.2.

 

 

Separatas/Reprints: D. de S.L. Balan - Caixa Postal 6109 -UNICAMP - 13083-970 - Campinas, SP -Brasil
Edição subvencionada pela FAPESP. Processo Medicina 93/ 0208-5.
* "Sodium dodecyl sulphate - polyacrylamide gel electrophoresis".