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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.31 n.5 São Paulo Oct. 1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101997000600012 

Encontro de Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse) em Bromeliaceae na periferia de São Paulo, SP, Brasil*

The Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse) breeding in Bromeliaceae on the outskirts of an urban area of Southeastern Brazil

 

Delsio Natal, Paulo R. Urbinatti, Carmen B. Taipe-Lagos, Walter Cereti-Júnior,
Anita T. B. Diederichsen**, Roberta G. Souza**, Renato P. Souza**
Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP - Brasil

 

 

Resumo
Foram coletadas larvas de Aedes albopictus em uma planta da família Bromeliaceae, na periferia da cidade de São Paulo, SP, Brasil. Esse encontro abre perspectivas de estudo para avaliação do potencial desse vegetal como criadouro desse mosquito no País.
Aedes. Ecologia de vetores.
Abstract
Larvae of Aedes albopictus from a plant of the Bromeliaceae family on the outskirts of S. Paulo, SP, Brazil, were collected. This occurrence sheds new light on the attempt to determine the potential of this plants as a breeding site for this mosquito in Brazil.
Aedes. Ecology, vectors.

 

 

O Aedes albopictus, mosquito exótico, foi registrado em nosso País, pela primeira vez na década passada2. Desde essa época vem ampliando cada vez mais sua distribuição geográfica, infestando os Estados de Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, além do Distrito Federal3.

No Estado de São Paulo, foi registrado pela primeira vez, em 1986, no Município de Areias1. Dispersando-se pelo interior, está distribuído atualmente em mais de 450 municípios3. Na periferia da cidade de São Paulo, no mesmo local da presente investigação, foi coletado, em 1992, em criadouros em sucatas de veículos e em vaso sanitário abandonado no ambiente8.

Em pesquisa em andamento na Faculdade de Saúde Pública e Instituto Adolfo Lutz, sobre a fauna de culicídeos e reservatórios vertebrados, visando ao estudo da possível circulação de arbovírus no Parque Ecológico Tietê (23o 25' S; 46o 28' W), na periferia urbana de São Paulo, escolheu-se uma Bromeliaceae para captura de imaturos de mosquitos. A planta foi seguida em seu estado natural, extraindo-se periodicamente a água com uma bomba de sucção manual. O material coletado era levado ao laboratório, mantido até completar o desenvolvimento e identificado na fase adulta. As datas das coletas positivas e o número de exemplares identificados (machos - m. e fêmeas - f.) de Aedes albopictus foram: 04/12/96 (2 m.); 05/02/97 (3 f. + 3 m.); 12/03/97 (2 f. + 4 m.); 18/06/97 (2 f.).

A utilização de bromélias como criadouros poderá representar mais uma questão de ordem epidemiológica relativa à infestação do País pelo Aedes albopictus. Deve-se alertar que o ecossistema da Serra do Mar, muito rico em Bromeliaceae, abrange áreas de vários Estados atualmente infestados. Nessa região, o mosquito procria-se nos ambientes urbanos, periurbanos e rurais. A possível colonização de bromélias poderá levar a espécie a expandir sua distribuição para as áreas mais protegidas, associadas ao complexo montanhoso. Nesse sistema ecológico circulam arbovírus importantes6 e a maior associação desse vetor com as áreas de bromélias poderá ocasionar a emergência de agravos à saúde.

Há indicação de ocorrência em uma bromélia cultivada em estufa de plantas tropicais em Missouri, EUA7. Até hoje, no Brasil, havia relatos sobre a infestação de ecótopos naturais como ocos de árvores e internódios de bambus4,5. A possibilidade de utilização de bromélias como habitat de imaturos de Aedes albopictus deve ser mais uma prioridade de estudos.

 

AGRADECIMENTOS

Aos pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, SP, Luiz E. Pereira e Akemi Suzuki, pelo apoio durante as coletas de campo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BRITO, A. et al. Primeiro encontro de Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse) no Estado de São Paulo, Brasil. Rev. Saúde Pública, 20: 489, 1986.         [ Links ]

2. FORATTINI, O. P. Identificação de Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse) no Brasil. Rev. Saúde Pública, 20: 244-5, 1986.         [ Links ]

3. GLASSER, C. M. Estudo da infestação do Estado de São Paulo por Aedes aegypti e Aedes albopictus. São Paulo, 1997. [Dissertação de Mestrado - Faculdade de Saúde Pública da USP].         [ Links ]

4. GOMES, A. de C. & MARQUES, G. R. A. M. Encontro de criadouro natural de Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse), Estado de São Paulo, Brasil. Rev. Saúde Pública, 22: 245, 1988.         [ Links ]

5. GOMES, A. de C. et. al. Microhabitats de Aedes albopictus (Skuse) na região do Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, Brasil. Rev. Saúde Pública, 26: 108-18, 1992.         [ Links ]

6. IVERSSON, L. B. Rocio encephalitis. In: Monath, T. P. Arboviruses: epidemiology and ecology. Boca Raton, CRE Press, 1988. v.4; p. 77-92.         [ Links ]

7. KOTTKAMP, B. Interregional reports: Missouri. Vector Ecol. Newslet., 25: 6, 1994.         [ Links ]

8. SOUBIHE, V. et al. Presença de Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse) na cidade de São Paulo - SP, Brasil. Rev. Saúde Pública, 26: 57, 1992.         [ Links ]

* Pesquisa subvencionada pela FAPESP (Processo Nº 95/9087-1).
** Bolsistas de iniciação científica da FAPESP.
Correspondência para/Correspondence to: Delsio Natal - Av. Dr. Arnaldo, 715. 01246-904 São Paulo, SP - Brasil - E-mail: natal@usp.br
Edição subvencionada pela FAPESP (Processo 97/09815-2).
Recebido em 6.6.1997. Aprovado em 29.9.1997.