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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.32 n.3 São Paulo Jun. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101998000300004 

Incidência e duração da amamentação conforme o tipo de parto: estudo longitudinal no Sul do Brasil*

Incidence and duration of breast-feeding by pattern of delivery: a longitudinal study in Southeastern Brazil

 

Elisabete Weiderpass, Fernando C. Barros, Cesar G. Victora, Elaine Tomasi e Ricardo Halpern
Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, RS - Brasil

 

 

Resumo
Objetivo Comparar a incidência de amamentação conforme o tipo de parto.
Material e Método Estudo de coorte prospectivo de base populacional com 655 crianças brasileiras nascidas no ano de 1993 e acompanhadas durante o primeiro trimestre de vida, através de duas visitas domiciliares.
Resultados A duração da amamentação foi similar entre os nascidos por parto vaginal e cesariana emergencial. Os nascidos por cesariana eletiva apresentaram um risco três vezes maior de interromper a lactação no primeiro mês de vida, após controle de fatores de confusão (razão de odds=3,09; 95% IC 1,3-7,2). Este aumento de risco não persitiu até o terceiro mês de vida.
Conclusões Recomenda-se aos serviços de saúde atenção especial a lactantes submetidas a cesarianas eletivas, para que seja promovido o aleitamento desde as primeiras semanas, evitando a interrupção precoce.
Aleitamento materno. Cesárea. Parto normal.
Abstract
Objective To compare the incidence of breastfeeding according to type of delivery.
Methodology Population-based cohort study of 655 children born in 1993 and followed up during the first three months of life through home visits.
Results Breastfeeding duration was similar among babies born either by vaginal delivery or by emergency cesarean section. Babies born by elective cesarean section, however, presented a three times higher risk of stopping brestfeeding in the first month of life, after adjusting for possible confounding factors (odds ratio=3.09; 95% CI 1.3-7.2). The increased risk did not persist into the third month of life.
Conclusions It is recommended that health services pay special attention, in the promotion of breastfeeding, to babies born by elective cesarean section, as a way to avoid early weaning.
Breast feeding. Cesarean section. Natural childbirth.

 

 

INTRODUÇÃO

O reconhecimento dos benefícios do aleitamento materno15 tem levado à busca das causas de seu insucesso freqüente e interrupção precoce. A eficiência de medidas de intervenção para promover o aleitamento depende, principalmente, da identificação de mães com risco aumentado de não iniciar ou interromper precocemente a lactação. Esse risco tem sido associado, dentre outros fatores, com o tipo de parto, particularmente com cesarianas9,28.

A proporção de cesarianas varia marcadamente entre países24, regiões e subpopulações2,14,30. O rápido aumento de partos por cesariana ocorrido na década de 1970, na maioria dos países, deu lugar a uma desaceleração na década de 198025. No Brasil, onde cerca de um terço dos partos ocorre por cesarianas, também verificou-se esta tendência3. Apesar de que proporções aceitáveis ainda não tenham sido definidas, considera-se bastante alto este índice, comparado com outros países10,17.

A comparação dos estudos que relataram um risco aumentado de problemas na lactação entre mães submetidas a cesarianas4,7,11,22,23,26,27,29,31,34,37 com os que não mostraram estes resultados 2,12,15,16,18,21,32,33,39 é dificultada pelas diferentes metodologias empregadas, por vezes inadequadas ou insuficientemente descritas. Os principais problemas detectados foram: falta de controle de fatores de confusão, imprecisão de indicadores utilizados, tamanho de amostra insuficiente para detectar a associação, altas proporções de perdas, populações em estudo submetidas a programas específicos para promoção do aleitamento materno, resultados insuficientemente descritos e limitação de amostras a um único hospital ou clínica. Se a amamentação ótima (exclusiva até 4-6 meses e parcial até o final do primeiro ano de vida) for dificultada pelas cesarianas, este tipo de parto pode ter conseqüências negativas sobre a saúde e sobrevivência infantis13.

O propósito do presente estudo é verificar o impacto do tipo de parto - vaginal, cesariana eletiva ou cesariana emergencial - sobre a incidência e a duração da lactação em uma coorte de crianças no Sul do Brasil, acompanhadas desde o nascimento até o terceiro mês de vida.

 

MATERIAL E MÉTODO

O estudo perinatal das crianças nascidas em Pelotas, cidade de porte médio e predominantemente urbana no Sul do Brasil, identificou todos os 6.410 nascimentos hospitalares ocorridos no ano de 1993. Os bebês foram examinados para determinação da idade gestacional6 e aferição do peso ao nascer no pós-parto imediato, durante a estadia hospitalar. Nessa ocasião, as mães foram entrevistadas por médicos ou estudantes de medicina, respondendo a questionários padronizados e pré-codificados. As questões referiam-se às características socioeconômicas, demográficas, relativas ao período pré-natal (hospitalizações maternas e freqüência a programas pré-natais), história reprodutiva, morbidade do recém-nascido e tipo de parto. Em caso de parto por cesariana, a mãe respondia qual o motivo que levou à sua realização, e o entrevistador classificava esse motivo de acordo com as opções mais comumente apresentadas e definidas em uma fase-piloto do estudo. Posteriormente, esses motivos foram reclassificados em dois grupos - cesariana eletiva ou emergencial - de acordo com critério arbitrário definido pelo grupo de pesquisa (ver definições a seguir).

Optou-se pela categoria "classe social" como indicador socioeconômico por entender-se que traduz mais adequadamente do que a renda familiar a realidade brasileira contemporânea34. A classe social foi caracterizada segundo a metodologia descrita por Lombardi e col.20.

Amostra representativa dos 5.249 nascidos vivos e moradores da zona urbana foi selecionada ao longo do ano por sorteio sistemático seguindo a ordem de nascimento. O tamanho da amostra estudada deveria permitir detectar um risco relativo de, pelo menos, 1,4, com um poder de 90%, sendo acrescidos 5% para eventuais perdas, resultando em 655 crianças. Essas foram visitadas em seus domicílios quando completavam um e três meses de vida. Questionários padronizados e pré-codificados foram utilizados para coleta de informações sobre incidência, padrões e duração da amamentação, época de introdução de suplementos alimentares na dieta infantil, uso de chupetas36 e separação mãe-filho nos primeiros dias de vida.

Para a análise bivariada utilizou-se o teste de qui-quadrado de Pearson para diferenças entre proporções e teste-F para diferenças entre médias. Para a análise da duração da amamentação, utilizou-se a técnica de "análise de sobrevivência" e teste "logrank", que corresponde a um teste de qui-quadrado19. Para a análise multivariada de proporções utilizou-se a regressão logística8 e, para a análise multivariada da duração da amamentação, a regressão de Cox5. A medida de efeito utilizada foi a razão de odds, expressando o excesso de risco - ou probabilidade - de interrupção da lactação de acordo com as categorias de cada variável.

As seguintes definições foram utilizadas:

• Amamentação - Leite materno acompanhado ou não de quaisquer outros alimentos, sólidos ou líquidos, inclusive leites artificiais38.
• Amamentação predominante - Leite materno como principal fonte nutritiva, acompanhado ou não de água, chás ou suco de frutas38.
• Amamentação exclusiva - Leite materno como única fonte nutritiva38.
• Cesariana eletiva - Realizada para ligadura tubária, porque a mulher já havia sido submetida a uma cesariana ou por conveniência da parturiente ou do médico.
• Cesariana emergencial - Realizada por sofrimento fetal, distócias de apresentação, hemorragia materna, parada de progressão, eclâmpsia, pós-datismo, diabete materna (macrossomia fetal) e outros problemas de saúde materna.

 

RESULTADOS

Foi possível obter informação completa para 649 crianças no primeiro mês e para 644 no terceiro. Nove dos onze casos perdidos mudaram de cidade e duas famílias recusaram-se a participar dos acompanha-mentos. As características socioeconômicas, demo-gráficas e biológicas da amostra foram semelhantes às da população de nascidos vivos na zona urbana na cidade de Pelotas, no ano de 1993 (Tabela 1).

 

Tabela 1 - Características da amostra coorte dos nascidos em Pelotas em 1993 (n=655).

Característica N % (*)
Classe social
Burguesia 5 1 %
Nova pequena burguesia 28 5 %
Pequena burguesia tradicional 104 17 %
Proletariado não típico 283 46 %
Proletariado típico 137 23 %
Subproletariado 49 8 %
Educação materna (anos completos)
9 169 26 %
5-8 314 48 %
0-4 172 26 %
Idade materna (anos completos)
< 20 97 15 %
20-24 194 30 %
25-29 179 27 %
30-34 119 18 %
³ 35 66 10 %
Paridade (nº de filhos)
0 223 34 %
1 186 28 %
2 128 20 %
³ 3 118 18 %
Número de consultas pré-natais
³10 185 28 %
5-9 374 57 %
1-4 64 10 %
0 32 5 %
Experiência materna prévia com lactação (já amamentaram 372 57 %
Baixo peso ao nascer (<2.500 g) 53 8 %
Prematuridade (Dubowitz) 48 7 %

*Proporções válidas para as informações disponíveis em cada variável.

 

Os partos por cesariana representaram 28% dos nascimentos da amostra, e a maioria teve caráter emergencial (Tabela 2).

 

Tabela 2 - Freqüência de nascimentos e incidência de amamentação segundo o tipo de parto. Coorte dos nascidos em Pelotas em 1993.

Tipo de parto Freqüência de nascimentos Incidência de amamentação
N % N %
Vaginal 468 72 459 98
Cesariana eletiva 52 8 49 94
Cesariana emergencial 135 20 132 98
Total 655 100 640 98

 

Quase todas as crianças - 98% - iniciaram o aleitamento. As nascidas por cesariana eletiva apresentaram uma incidência de amamentação ligeiramente menor, mas esta diferença não foi estatisticamente significativa (Tabela 2).

Crianças recebendo exclusivamente leite materno nesta amostra foram raras: 99 (15%) aos 30 dias de vida e 43 (7%) aos 90 dias, não diferindo entre os tipos de parto.

Observaram-se diminuições importantes nas prevalências de amamentação (de 87% para 59%) e amamentação predominante (de 61% para 28%) entre o primeiro e o terceiro mês de vida, mas essas prevalências não estiveram significativamente associadas ao tipo de parto na análise bivariada.

Testou-se a associação com possíveis fatores de confusão. As variáveis "classe social" e "educação materna" foram consideradas "a priori" como possíveis fatores de confusão sobredeterminantes dos demais fenômenos em estudo, apesar de não se apresentarem significativamente associadas com amamentação no terceiro mês de vida. Na análise de prevalência de amamentação, quando controlados os fatores de confusão, observou-se que os nascidos por cesarianas eletivas apresentaram três vezes mais chance de haverem interrompido completamente a lactação aos 30 dias de vida (Razão de odds=3.1, 95%IC 1.3-7.2) (Tabela 3).

 

Tabela 3 - Razão de "Odds" de Prevalência (ROP e 95% IC) para desmame segundo o tipo de parto. Acompanhamento do primeiro e terceiro meses de vida da coorte dos nascidos em Pelotas em 1993 (n=655).

Tipo de parto ROP para desmame
30º dia de vida 90º dia de vida
Bruto (IC95%) Ajustado*(IC95%) Bruto (IC95%) Ajustado**(IC95%)
Vaginal 1,00 - 1,00 - 1,00 - 1,00 -
Cesariana Eletiva 1,82 (0,89-3,74) 3,09 (1,32-7,23) 0,87 (0,48-1,58) 1,31 (0,68-2,52)
Cesariana Emergencial 0,98 (0,55-1,74) 0,86 (0,46-1,62) 0,93 (0,63-1,38) 0,81 (0,53-1,24)
  TRV (2gl) 2,57 0,86 (0,46-1,62) TRV (2gl) 0,28 TRV (2gl) 1,82
  p=0,28 p=0,03 p=0,87 p=0,40

TRV: teste de razão de verossimilhança.
* Ajuste para: classe social, escolaridade, idade, paridade, experiência prévia com lactação, internações na gestação, peso ao nascer, idade gestacional e morbidade do recém-nascido.
** Ajuste para: classe social, escolaridade, idade, paridade, experiência prévia com lactação, pré-natal, peso ao nascer, idade gestacional, alta hospitalar não simultânea

 

A análise bivariada da duração da amamentação, utilizando técnicas de sobrevivência não mostrou associação com os tipos de parto (Figura 1). Entretanto, quando controlados os fatores de confusão, evidenciaram-se algumas diferenças. A exemplo da análise de proporções, as crianças nascidas por cesariana eletiva tiveram risco cerca de três vezes maior de terem sido desmamadas ao final do primeiro mês do que as nascidas por parto vaginal ou cesariana emergencial (Razão de odds=2,6, 95%IC 1,3-5,3). Observou-se ainda que esta diferença se manteve significativa somente entre o 20º e o 40º dias de vida. Do 40º ao 90º dia de vida a diferença entre os riscos não alcançou significância estatística (Figuras 2 e 3).

 

2458f1.GIF (7058 bytes)

Figura 1- Duração da amamentação conforme o tipo de parto. Pelotas, RS, 1993.

 

2458f2.GIF (4548 bytes)

Figura 2 - Estimativa do risco relativo (razão de "Odds" e 95%IC para interrupção da amamentação em cesarianas eletivas. Pelotas, RS, 1993.

 

2458f3.GIF (4212 bytes)

Figura 3 - Estimativa do risco relativo (razão de "Odds") e 95%IC para interrupção da amamentação em cesarianas emergenciais. Pelotas, RS, 1993.

 

DISCUSSÃO

Os resultados mostraram que não houve diferenças nas incidências de amamentação conforme o tipo de parto, tendo sido consistentes com outros dois estudos já realizados no Brasil4,35. A prevalência de crianças com amamentação predominante aos 30 e 90 dias de vida também não diferiu conforme o tipo de parto, sendo preocupantemente baixa em todos os grupos, se comparada com o recomendado pela Organização Mundial da Saúde3,13.

Mães submetidas a cesarianas eletivas, quando comparadas àquelas que tiveram partos vaginais ou cesarianas emergenciais, apresentaram um risco aumentado de interrupção completa da lactação no primeiro mês de vida. Este achado evidenciou-se apenas na análise multivariada, quando controlados os fatores de confusão.

Estes resultados podem ter sido afetados pelos métodos utilizados, principalmente pela classificação das cesarianas em eletivas ou emergenciais. Tal classificação, apesar de baseada em um critério arbitrário e na informação fornecida pelas mães, identificou grupos com padrões diferentes de amamentação. Prováveis erros de classificação teriam levado cesarianas eletivas a serem classificadas como emergenciais, implicando numa subestimativa das diferenças (aproximação da razão de odds de prevalência da unidade no grupo nascido por cesarianas eletivas)35.

Os dados contrastam com os de estudos que descreveram as cesarianas como fator de risco para não iniciar a lactação ou interrompê-la nos primeiros dias de vida. É possível que variações das práticas hospitalares expliquem estas diferenças. Assim, hospitais cujo padrão de atendimento pós-operatório dificulte o alojamento conjunto e o aleitamento à livre-demanda, ou ainda permitam a introdução precoce de outros alimentos na dieta infantil, poderiam levar a um maior insucesso do aleitamento.

Os dados contrastam também com os de estudos que descrevem não haver associação entre tipo de parto e duração da amamentação. Esses estudos podem ter seus resultados devidos a problemas metodológicos já abordados, principalmente à presença de fatores de confusão com efeitos independentes sobre a amamentação, bem como a diferenças nos padrões de risco para interrupção da lactação entre as populações estudadas.

O único estudo identificado na literatura que diferencia cesarianas eletivas e emergenciais foi realizado na mesma área geográfica deste, com mulheres que tiveram seus filhos em 1982. Naquela amostra não houve diferenças na incidência de amamentação conforme o tipo de parto, mas um aumento de risco de interrupção da lactação aos seis meses para os nascidos por cesarianas emergenciais35. A distribuição de nascimentos conforme o tipo de parto não diferiu nesses dois estudos, o que sugere que os padrões de realização de cesarianas na região não se modificaram na última década, mas sim o padrão de aleitamento.

Apesar de não ter sido evidenciada uma associação estatisticamente significativa entre tipo de parto e incidência e duração da amamentação, parece possível que mães que se submetem a cesarianas eletivas possam ser diferentes das demais em aspectos comportamentais também associados à amamentação. Tais características são de difícil captação pelo método epidemiológico e configurariam um viés de auto-seleção. Provavelmente o tempo de hospitalização diferenciado altere práticas hospitalares relacionadas à amamentação, fazendo com que mães cesariadas recebam menos estímulo ao aleitamento durante o pós-operatório.

O fato da incidência e duração da lactação terem sido similares entre os nascidos por partos vaginais e cesarianas emergenciais não deve ser razão de aceitação das elevadas taxas de cesarianas no Brasil35.

Sugere-se que outros estudos englobem um componente etnográfico, a fim de avaliar qualitativamente os efeitos de um possível viés de auto-seleção entre as parturientes submetidas a cesarianas eletivas. O estudo da diversidade de padrões de crescimento e níveis atuais de cesarianas, bem como os motivos para sua realização em subgrupos populacionais, oferecerá oportunidade para uma maior compreensão dos fatores que determinam as diferenças nesta prática obstétrica, ainda a ser explorado no Brasil. Juntamente com a investigação cuidadosa de tendências internacionais para motivos de realização de cesa-rianas, poder-se-á identificar padrões passíveis de in-tervenções que diminuíssem sua elevada ocorrência.

Recomenda-se aos serviços de saúde que destinem especial atenção à lactantes submetidas a cesarianas eletivas, com o objetivo de promover o aleitamento desde as primeiras semanas de vida, evitando assim sua interrupção precoce.

Além disso, é necessário que a promoção do aleitamento materno seja feita de forma mais efetiva, para que se eleve a proporção de crianças exclusivamente amamentadas no primeiro trimestre de vida, independente do tipo de parto. Medidas como a capacitação de trabalhadores em serviços de saúde para o manejo clínico da lactação em centros de referência1, além da utilização da mídia para campanhas de massa poderiam ser adotadas em favor da promoção da amamentação.

 

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* Subvencionado pelo Centro de Controle de Doenças Diarréicas da Organização Mundial de Saúde, pela Comunidade Econômica Européia e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS).

Correspondência para/Correspondence to: Elisabete Weiderpass - Caixa Postal 464 - 96001-970 Pelotas, RS - Brasil.
E-mail: fbarros@zaz.com.br
Recebido em 30.7.1997. Reapresentado em 27.11.1997. Aprovado em 26.1.1998.