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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.32 n.3 São Paulo Jun. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101998000300013 

Cartas ao Editor 

Letters to the Editor

    

Recém-nascido prematuro: atualização sobre uso de fortificadores do leite humano

Preterm infants: an updating on human milk fortifiers

 

 

Tendo em vista o recente lançamento, em nosso País, de um fortificador de leite humano à base de leite de vaca, gostaríamos de alertar para possíveis riscos à saúde do recém-nascido prematuro e cuidados na utilização.

A fortificação do leite humano tem sido largamente usada nos Estados Unidos. Entretanto, persiste uma preocupação sobre a biodisponibilidade dos nutrientes nesses fortificadores, particularmente dos minerais. Além disso, considerando que o leite humano tem uma composição que varia durante uma mamada individual, assim como com o período da lactação, a adição de uma quantidade fixa de suplementos pode acarretar o excesso de alguns nutrientes e falta de outros1,3. Estudo recente confirma que a fortificação do leite promove ganho de peso mais rápido dos recém-nascidos de muito baixo peso quando a ingestão de leite humano corresponde a mais de 50% da dieta oferecida. Ou seja, para fazer uso deste tipo de produto, talvez somente os hospitais que disponham de Banco de Leite Humano possam oferecer os requisitos mínimos. Por outro lado, os pesquisadores desse estudo não conseguiram mostrar melhora na mineralização óssea e alertam para um possível aumento no risco de enterocolite necrotisante 5. Segundo os estudiosos do assunto, do ponto de vista prático, dois importantes requisitos são a necessidade de tecnologia sofisticada e cara e a dificuldade de obter fortificadores que sejam realmente efetivos e seguros. A técnica mais avançada de fortificação consiste em empregar leite humano desidratado ou parte dele, considerando-se a suplementação com fortificadores à base de leite de vaca apenas uma uma alternativa aceitável2,6.

A experiência clínica mostra que, no pós-parto precoce, bebês de baixo peso alimentados com fórmula apresentam mais vômitos e estase gástrica do que os alimentados com leite humano. Há relatos também sobre calcificações no intestino, graves constipações e, mais raramente, uma franca obstrução com o uso de fórmulas para prematuros 4. Por isso, recomenda-se que as refeições iniciais dos prematuros sejam feitas com leite da própia mãe e o leite humano pasteurizado pode ser usado como uma alternativa quando disponível. Considerando os riscos apontados por estudos recentes sobre a segurança no uso de fortificadores à base de leite de vaca, recomenda-se que eles sejam introduzidos somente a partir do momento em que a alimentação enteral esteja completamente estabelecida1.

A decisão quanto a melhor forma de alimentar o recém-nascido prematuro deve ser feita com base em pesquisas científicas atualizadas e isentas de conflitos de interesse.

 

Tereza S. Toma
Pesquisadora do Instituto de Saúde Membro da "International Baby
Food Action Network"

 

 

REFERÊNCIAS

1. BISHOP, N.J. Feeding preterm infant. Pediatr. Nephrol., 8: 494-8, 1994.         [ Links ]

2. GUERRINI, P. Human milk fortifiers. Acta Paediatr. Suppl., 402: 37-9, 1994.         [ Links ]

3. ITABASHI, K.; HAYASHI, T.; TSUGOSHI, T.; MASANO, H.; OKUYAMA, K. Fortified preterm humam milk for very low birth weight infants. Early Hum Dev., 29: 339-43, 1992.         [ Links ]

4. LUCAS, A. AIDS and human milk bank closures. Lancet, 1: 1092-3, 1987.         [ Links ]

5. LUCAS, A.; FEWTRELL, M.S.; MORLEY, R.; LUCAS, P.J.; BAKER, B.A.; LISTER, G.; BISHOP, N.J. Randomized outcome trial of human milk fortification and developmental outcome in preterm infants. Am. J. Clin. Nutr. 64:142-51, 1996.         [ Links ]

6. SCHANLER, R.J. Humam fortification for premature infants. Am. J. Clin. Nutr., 64: 249-50,1996.         [ Links ]