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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.37 n.5 São Paulo Oct. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102003000500019 

COMUNICAÇÕES BREVES BRIEF COMMUNICATIONS

 

Atualização da distribuição de Aedes albopictus no Brasil (1997-2002)

 

 

Roseli La Corte dos Santos

Centro Nacional de Epidemiologia/ Fundação Nacional de Saúde. Brasília, DF, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Apresenta-se a atualização da distribuição de Aedes albopictus no Brasil, de 1997 até o ano de 2002, segundo dados do Sistema de informação de Febre Amarela e Dengue da Fundação Nacional de Saúde. Verifica-se a ocorrência da espécie em 20 dos 27 Estados brasileiros.

Descritores: Aedes. Ecologia de vetores. Insetos vetores. Dengue. Febre amarela. Distribuição geográfica. Aedes albopictus.


 

 

O primeiro registro de Aedes albopictus no Brasil deu-se em 1986 no Estado do Rio de Janeiro.2 Naquele mesmo ano, a espécie já era encontrada em Minas Gerais e São Paulo e, no ano seguinte, no Espírito Santo.1 Assim, em apenas um ano, Ae. albopictus já se encontrava instalado em todos os Estados da região Sudeste.

A Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) recebe de todos Estados brasileiros, por intermédio do Sistema de Informação de Febre Amarela e Dengue (FAD), dados sobre a infestação de Aedes aegypti e Ae. albopictus. As informações são oriundas de amostras coletadas com vistas à determinação dos índices de infestação em áreas com a presença de Ae. aegypti. Além disso, também são geradas informações da vigilância entomológica, com uso de larvitrampas ou ovitrampas, para municípios inicialmente sem infestação.

Segundo recomendação da FUNASA, o levantamento dos índices de infestação predial e de Breteau, que geram informações para o FAD, deveria ser bimestral em municípios infestados e quadrimestral nos não infestados.3

A Figura contém mapa construído a partir das informações do FAD, corrigidas, com apresentação dos municípios que registraram a presença de Ae. albopictus no período de 1997 a 2002.

 

 

Observa-se crescente e acelerada expansão de Ae.albopictus, desde sua introdução no país, sendo que apenas sete Estados brasileiros ainda não relataram infestação por essa espécie: Amapá, Roraima, Acre, Tocantins, Piauí, Ceará e Sergipe, quatro deles da região Norte e três da Nordeste. Os Estados do Pará e Alagoas registraram sua ocorrência em apenas um município, Medicilândia e Maceió, respectivamente. É importante ter claro, ao analisar a Figura, que a base cartográfica utilizada tem como unidade geográfica o município, cuja área pode ser muito extensa na região Norte do país. Assim, embora a espécie possa ter sido encontrada em poucas localidades, o município aparecerá inteiramente assinalado no mapa. É bastante provável também que municípios da região Sudeste que apareçam sem infestação, circulados por outros infestados, reflitam antes a falta de informação que a ausência da espécie.

Embora Ae. albopictus esteja sujeito às pressões de controle em áreas infestadas por Ae. aegytpti, não é espécie-alvo nos programas de controle da dengue, fato que pode interferir quanto à sua notificação pelos Estados brasileiros. Por tratar-se de espécie exótica, nunca antes vista por boa parte dos técnicos responsáveis pela identificação, além do pequeno conhecimento em entomologia e a alta demanda de trabalho à qual eles estão sujeitos, pode-se supor que a área de ocupação da espécie possa estar subestimada nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Além disso, o registro em localidades sem casos de dengue dependerá das ações rotineiras em vigilância entomológica, atividade ainda não implantada em todos os municípios brasileiros.

Essa espécie tem demonstrado potencial para ocupar áreas rurais e silvestres brasileiras.4,6 Larvas podem ser encontradas em buracos de árvores e imbricações de folhas de plantas. Essa penetração no ambiente natural poderá incluir Ae. albopictus em ciclos de transmissão ora mantidos por espécies silvestres brasileiras. A demonstração da competência vetora de Ae. albopictus para transmissão do vírus amarílico5 e a expansão de sua área de ocupação no território nacional registrada no presente trabalho apontam para o aumento das áreas de risco de febre amarela, uma vez que a espécie transita tanto nos ambientes silvestre e antrópico. Podem assim, tanto carrear o vírus daquele ambiente para este, quanto propiciar a manutenção no ambiente urbano.

A amplitude ecológica de Ae. albopictus torna obscura a perspectiva de seu controle na região Amazônica, nos moldes do efetuado para Ae. aegypti. Como essa região representa ambiente rico em populações de vírus, muitos deles ainda desconhecidos,7 a presença de Ae. albopictus poderá torná-la mais receptiva à emergência de arboviroses, principalmente em áreas de constantes alterações ambientais.

 

AGRADECIMENTOS

À Cátia Parreira e David H S Azevedo, da Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde, pelo processamento dos dados do Sistema de Informação de Febre Amarela e Dengue; à MB Arduino da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN/SP); à AS Fayal da Secretaria de Estado da Saúde do Pará; à AKR Gallardo da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA/RJ); à FEM Sousa da Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul; à NA Santos da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba; e à LB Costa da Secretaria de Estado da Saúde do Mato Grosso pelas informações complementares.

 

REFERÊNCIAS

1. Consoli RAGB, Lourenço-de-Oliveira R. Principais mosquitos de importância sanitária no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz; 1994.        [ Links ]

2. Forattini OP. Identificação de Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse) no Brasil. Rev Saúde Pública 1986;20:244-5.        [ Links ]

3. Fundação Nacional de Saúde. Dengue: instruções para pessoal de combate ao vetor – manual de normas técnicas. Brasília (DF); 2001.        [ Links ]

4. Gomes AC, Bitencourt MD, Natal D, Pinto PLS, Mucci LF, Paula MB et al. Aedes albopictus em área rural do Brasil e implicações na transmissão de febre amarela silvestre. Rev Saúde Pública 1999;33:95-7.        [ Links ]

5. Johnson BW, Chambers TV, Crabtree MB, Filippis AMB, Vilarinhos PTR, Resende MC et al. Vector competence of Brasilian Aedes aegypti and Ae. albopictus for a Brasilian yellow fever virus isolate. Trans Royal Soc Trop Med Hyg 2002;96:611-3.        [ Links ]

6. Marques GRAM, Santos R La C, Forattini OP. Aedes albopictus em bromélias em ambiente antrópico no Estado de São Paulo, Brasil. Rev Saúde Pública 2001;35:243-8.        [ Links ]

7. Vasconcelos PFC, Travassos-da-Rosa APAT, Rodrigues SG, Travassos-da-Rosa EST, Degallier N, Travassos-da-Rosa JFT. Inadequate management of natural ecosystem in the Brazilian Amazon region results in the emergence and reemergence of arboviroses. Cad Saúde Pública 2001;17 Supl:155-64.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Roseli La Corte dos Santos
Fundação Nacional de Saúde
Setor de Autarquias Sul
Quadra 4 Bloco N Sala 726
70070-040 Brasília, DF, Brasil
E-mail: rlacorte@usp.br

Recebido em 8/10/2002
Reapresentado em 28/4/2003
Aprovado em 6/6/2003