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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.38 n.2 São Paulo Apr. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102004000200024 

COMUNICAÇÕES BREVES

 

Parasitóides de Chrysomya megacephala (Fabricius) coletados em Itumbiara, Goiás

 

 

Carlos H Marchiori

Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara da Universidade Luterana do Brasil. Itumbiara, GO, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Foram determinadas as espécies de parasitóides associadas com Chrysomya megacephala, coletados com isca de rins de bovino, em Itumbiara, Estado de Goiás. As pupas foram obtidas pelo método de flutuação, individualizadas em cápsulas de gelatina e mantidas até a emergência das moscas e/ou dos parasitóides. A prevalência total de parasitismo foi de 18,6%. Brachymeria podagrica, Nasonia vitripennis e Pachycrepoideus vindemiae apresentaram uma freqüência de 8,6%, 8,6% e 1,4%, respectivamente. Relata-se a primeira ocorrência de Brachymeria podagrica em pupas de Chrysomya megacephala.

Descritores: Dípteros. Ecologia de vetores. Insetos vetores.


 

 

Parasitóides de Chrysomya megacephala

As moscas do gênero Chrysomya (Diptera: Calliphoridae) são de grande importância médica e sanitária por serem produtoras de miíases secundárias e transmissoras de microorganismos patogênicos ao homem e animais domésticos. Chrysomya megacephala (Fabricius) é encontrada freqüentemente associada ao ambiente modificado pelo homem, cujas larvas se desenvolvem em matéria orgânica animal em decomposição.3

Sua ocorrência, distribuição e predominância nas áreas metropolitanas são fatores importantes.3 Já foram observadas em cadáveres humanos e de animais domésticos.1 Os adultos podem ser atraídos por substâncias em processo de fermentação, decomposição, sangue e feridas.3

O objetivo da presente comunicação foi determinar as espécies de parasitóides associados com exemplares de Chrysomya megacephala, coletados em iscas de rins de bovinos, em Itumbiara, Estado de Goiás.

O estudo foi realizado na no município de Itumbiara, GO (18º25'S – 49º13'W). A cidade está situada a uma altitude de 320 a 448 metros. Procedeu-se a coleta de adultos de moscas por meio de armadilhas construídas com lata de coloração preta fosca, medindo cerca de 19 cm de altura por 9 cm de diâmetro, com duas aberturas tipo venezianas, localizadas no terço inferior, para permitir a entrada dos insetos. Na parte superior das latas, foram acoplados funis de "nylon", abertos nas extremidades, com bases voltadas para baixo e envolvidos em sacos plásticos, cuja remoção permitiria a coleta das moscas. Serviram como isca para as moscas rins de bovino depositados no interior das latas, sobre uma camada de terra. Utilizaram-se cinco armadilhas que foram penduradas em árvores de eucalipto (Eucalyptus sp.) a um metro do solo, distanciados dois metros uma das outras e a 50 metros do lixo doméstico. Os indivíduos adultos coletados foram levados para o laboratório, sacrificados com éter etílico e conservados em álcool 70%, para posterior identificação.

Para a obtenção dos parasitóides, o conteúdo das armadilhas foi colocado em recipientes plásticos contendo uma camada de areia para servir de substrato a pupação das larvas. Peneirada essa areia (após 15 dias de sua colocação no campo), dela se extraíram as pupas, posteriormente colocadas individualmente em cápsulas de gelatina (número 00), para obtenção de moscas e/ou parasitóides. A prevalência de parasitismo foi calculada pelo número de pupas parasitadas/ número total de pupas coletadasx100.

Os exemplares de Nasonia vitripennis e Pachycrepoideus vindemiae foram identificados utilizando Legner et al5 (1976) e os de Brachymeria podagrica utilizando Burks2 (1960). O material testemunho foi depositado no Departamento de Biologia do Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara, Goiás.

No período de março a outubro de 2002, foram coletados 122 espécimes de parasitas em 70 pupas Chrysomya megacephala (Tabela). A prevalência total de parasitismo foi de 18,6%. Provavelmente, essa alta prevalência de parasitismo deve-se à presença de parasitóides gregários. Os parasitóides coletados pertencem a três espécies: Brachymeria podagrica (Fabricius) (Hymenoptera: Chalcididae) com 8,6%, Nasonia vitripennis (Walker) (Hymenoptera: Pteromalidae) com 8,6% e Pachycrepoideus vindemiae (Rondani) (Hymenoptera: Pteromalidae) com 1,4% dos indivíduos coletados (Tabela).

 

 

O parasitóide mais coletado foi Nasonia vitripennis, pois, além de comportar-se como parasitóide gregário, foi também a espécie que atacou maior número de pupas de C. megacephala, o que provavelmente deve-se às variações na qualidade e disponibilidade de recursos e na sua capacidade de busca ou densidades dos hospedeiros. Nasonia vitripennis comporta-se como parasitóide gregário. Essa espécie ataca várias espécies de Diptera, particularmente das famílias Calliphoridae, Muscidae, Sarcophagidae e Tachinidae.4

Brachymeria podagrica (Fabricius) ocorre praticamente em todo o mundo associada a dípteros sinantrópicos e outros Diptera.2 Pachycrepoideus vindemiae é considerado um parasitóide solitário de numerosos Diptera das famílias Anthomyiidae, Calliphoridae, Muscidae, Sarcophagidae, Tachinidae, Tephritidae, entre outras. Essa espécie apresenta ampla distribuição geográfica sendo também encontrada na América do Norte e África.4

Como o controle de moscas por inseticidas pode selecionar populações resistentes, há necessidade de novas metodologias visando o controle de moscas.

 

REFERÊNCIAS

1. Amorim JA, Ribeiro OB. Distinction among the puparia of three blowfly species (Diptera: Calliphoridae) frequently found on unburied corpses. Mem Inst Oswaldo Cruz 2001;96:1-4.        [ Links ]

2. Burks BD. A revision of the genus Brachymeria Westwood in America North of Mexico (Hymenoptera; Chalcididae). Trans Am Entomol Soc 1960;86:225-41.        [ Links ]

3. Gauld ID, Bolton B. The Hymenoptera. Oxford: Oxford University Press; 1988.        [ Links ]

4. Greenberg B. Flies and disease: ecology, classification and biotic association. New Jersey: Princeton University Press; 1971.        [ Links ]

5. Legner EF, Moore I, Olton GS. Tabular keys & biological notes to common parasitoids of synanthropic Diptera breeding in accumulated animal wastes. Entomol News 1976;87:113-44.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Carlos H Marchiori
Instituto Luterano de Ensino Superior da ULBRA
Av. Beira Rio, 1001
75500-000 Itumbiara, GO, Brasil
E-mail: pesquisa.itb@ulbra.br

Recebido em 6/1/2003
Reapresentado em 21/8/2003
Aprovado em 14/10/2003