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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.39 n.1 São Paulo Jan. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102005000100018 

INFORMES TÉCNICOS INSTITUCIONAIS TECHNICAL INSTITUTIONAL REPORTS

 

Encontro de Lutzomyia edwardsi infectada na região da Grande de São Paulo

 

Infected Lutzomyia edwardsi found in the Greater Sao Paulo area

 

 

Superintendência de Controle de Endemias (Sucen)

Endereço para correspondência

 

 

As investigações entomológicas de rotina para pesquisa de flebotomíneos na região da Grande de São Paulo (RGSP) datam da década de 80, quando da notificação de casos humanos de leishmaniose tegumentar americana (LTA). Várias espécies de flebotomíneos foram encontradas, destacando-se como as de maior importância epidemiológica as espécies Lutzomyia intermedia s.l., Lutzomyia migonei, Lutzomyia fischeri (Camargo-Neves, 1999). Dessas, apenas L. fischeri ainda não foi encontrada infectada por parasitos da leishmaniose, porém sua forte relação com habitat humano e a alta antropofilia levam a incriminar essa espécie como vetor secundário da LTA.

Nessas investigações, realizadas no período de 1985 a 1995, também foram identificadas mais 15 espécies de flebotomíneo do gênero Lutzomyia sp e espécies do gênero Brumptomyia sp, em 15 localidades de 9 municípios com transmissão, porém em número menor (Tabela). Destaca-se, nesse período, o encontro de Lutzomyia longipalpis, vetor da leishmaniose visceral americana (LVA), tendo sido capturado apenas um macho da espécie, em 1992, no município de Pirapora do Bom Jesus.

Mais recentemente, em 2001, investigações entomológicas foram desencadeadas em decorrência de uma possível suspeita de leishmaniose visceral em um gato no município de Cotia, no Distrito de Saúde de Caucaia do Alto, sendo posteriormente confirmada sua infecção por Leishmania chagasi, por meio de técnicas moleculares. Como resultado das capturas entomológicas realizadas nesta localidade, observou-se a presença das espécies anteriormente descritas nesse município: L. migonei, L. fischeri, L. edwardsi, L. lloydi e L. monticola (Camargo-Neves & Andrade, 2001).

Em 2003, a partir da notificação de um cão com suspeita de leishmaniose visceral, por uma clínica particular do município de Carapicuíba, chegou-se à identificação de Leishmania chagasi (Tolezano et al, 2003). No entanto, não foi confirmada a transmissão autóctone nesse município. Foram desencadeadas investigações, isolando amostras de cães de outros municípios da Região da Grande São Paulo e confirmando a infecção canina por L. chagasi. Posteriormente, a partir de inquéritos caninos realizados pela Secretaria de Estado da Saúde e municípios da região confirmou-se a transmissão da LVA canina em Cotia e Embu das Artes.

As investigações entomológicas implementadas nesses municípios detectaram a presença de L. fischeri, L. migonei e L. edwardsi. Nesta última espécie, foram identificadas formas flageladas de leishmânia em cinco exemplares coletados Cotia, posteriormente identificados, por PCR, como Leishmania (V.) braziliensis. Até então, L. edwardsi havia sido registrada em poucas ocasiões, quando realizadas investigações entomológicas em decorrência de notificação de casos autóctones de leishmaniose tegumentar americana.

Essa espécie de flebotomíneo já havia sido documentada, além da Região Metropolitana de São Paulo, em dois municípios situados no Litoral Norte (Figura), não sendo considerada espécie de importância epidemiológica. Com esse resultado confirma-se um possível papel de L. edwardsi como vetor da LTA, porém faz-se necessária a continuação das investigações entomológicas para definir o papel dessa espécie nos ciclos de transmissão da LTA.

 

 

Porém, faz-se necessário, ainda, identificar o vetor da LVA naqueles municípios, bem como investigar outros possíveis modos de transmissão entre os cães nessa região do Estado. Cabe destacar que o encontro de felino infectado com L. chagasi pela primeira vez em São Paulo merece a realização de novos estudos sobre o papel dos gatos no ciclo de transmissão da LVA e, principalmente, conhecer a prevalência da doença nesses animais em áreas endêmicas de LVA do Estado.

 

 

Endereço para correspondência
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
Av. Dr. Arnaldo, 351 1ºandar sala 103
01246-901 São Paulo, SP, Brasil
E-mail: agencia@saude.sp.gov.br

 

 

* Texto de difusão técnico-científica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.