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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.42 n.1 São Paulo Feb. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102008000100023 

REVISÃO SISTEMÁTICA SYSTEMATIC REVIEW

 

Uso de medicinas alternativas e complementares por pacientes com câncer: revisão sistemática

 

 

Cristiane SpadacioI; Nelson Filice de BarrosII

IPrograma de Pós-graduação em Saúde Coletiva. Faculdade de Ciências Médicas (FCM). Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Campinas, SP, Brasil
IIFCM/Unicamp. Campinas, SP, Brasil

Correspondência | Correspondence

 

 


RESUMO

O interesse no tema das medicinas alternativas e complementares tem aumentado, principalmente entre pacientes oncológicos. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura na base de dados PubMed sobre o perfil dos pacientes que optam pelo uso dessas medicinas e suas motivações. As palavras-chaves utilizadas na busca foram "cancer and complementary alternative medicine" e "oncology and complementary alternative medicine", no período 1995-2005. Os critérios de seleção foram: presença dos descritores no título dos artigos, idiomas português, inglês ou espanhol e terem sido realizados em população adulta. A partir de 43 artigos analisados, concluiu-se que a utilização de medicinas alternativas e complementares é parte do escopo social desses pacientes. Seu uso é importante na construção da identidade de pacientes com câncer, ajudando-os nas decisões em relação ao tratamento convencional.

Descritores: Neoplasias, prevenção e controle. Terapias complementares. Terapias alternativas. Conhecimentos, atitudes e prática em saúde. Revisão [Tipo de Publicação].


 

 

INTRODUÇÃO

Apesar dos notáveis avanços realizados pela medicina convencional, tem havido um crescimento exponencial no interesse e no uso das medicinas alternativas e complementares (MAC), principalmente em países ocidentais desenvolvidos. A literatura indica que também em países em desenvolvimento e pobres, as medicinas não convencionais são elemento significativo no tratamento.44

A integração das MAC nos sistemas nacionais de saúde tem sido tema de constantes debates, encontrando importante referência em documentos da Organização Mundial da Saúde (OMS), como "Estrategía de la OMS sobre medicina tradicional 2002-2005",* que preconiza a necessidade de investigações sobre:

  • políticas de integração nacional dessas práticas nos sistemas nacionais de saúde;
  • segurança, eficácia e qualidade dessas práticas;
  • acesso às práticas;
  • uso racional por profissionais e consumidores.

As MAC configuram, dessa forma, opções em potencial para o cuidado à saúde e não podem ser desconsideradas enquanto prática terapêutica.

O crescimento do uso dessas medicinas é evidente no caso específico de pacientes com câncer. Constata-se o crescimento no número de produções científicas que procuram responder:

  • à solicitação por pacientes com câncer e familiares de informações em relação à utilização clínica de uma série de intervenções das MAC;
  • à necessidade de disponibilizar informações nos meios de comunicação, principalmente em relação ao custo dos tratamentos para pacientes com câncer;
  • ao potencial toxicológico das intervenções em dois momentos: quando as MAC são utilizadas sozinhas ou com tratamentos convencionais;
  • à necessidade de avaliar a funcionalidade de algumas intervenções e a possibilidade de incorporá-las na prática médica convencional;
  • à responsabilização de agências governamentais na representação legal desses pacientes.4,6

No entanto, na literatura não foi identificada uma discussão específica sobre o perfil socioeconômico, étnico e de gênero, bem como as motivações dos pacientes para o uso das MAC no tratamento do câncer. O objetivo do presente artigo foi analisar o perfil dos usuários de medicinas alternativas e complementares e suas motivações, a partir da revisão da literatura biomédica sobre o tema.

 

MÉTODOS

Foi realizada uma revisão exaustiva da literatura sobre o tema, no PubMed da National Library of Medicine para o período de dez anos (1995 a 2005), utilizando as palavras-chave: "cancer and complementary alternative medicine" e "oncology and complementary alternative medicine ".

Os critérios para seleção dos artigos foram: conter os descritores completos ou em parte no título do trabalho; estarem escritos nas línguas portuguesa, espanhola ou inglesa; terem sido realizados com população adulta (19 anos ou mais).

Inicialmente foram identificados 378 artigos, dos quais 115 foram retirados por não terem relação com o tema da revisão, ou por serem duplicatas. Os 263 artigos selecionados foram classificados em quatro eixos temáticos conforme sua análise:

  • uso das MAC a partir da perspectiva dos pacientes ou de grupos de pacientes (57%; N=150);
  • terapêuticas das MAC, estudos sobre a comprovação clínica de certas MAC no tratamento do câncer (32%; N=84);
  • perspectiva dos profissionais de saúde em relação ao uso de MAC no tratamento do câncer (9%; N=24);
  • relação médico-paciente (2%; N=5).

Foram analisados os 150 trabalhos relacionados à perspectiva dos pacientes, uma vez que neles poderiam ser encontradas informações para responder à questão do estudo. Desses, foram efetivamente incluídos no estudo 43 artigos que tratavam das características e motivações da população que usa as MAC com o tratamento convencional para o câncer (Tabela).

 

RESULTADOS

Na análise dos 263 artigos, observou-se número crescente de publicações sobre a relação de MAC e tratamento do câncer, como pode ser observado na Figura 1.

 

 

Analisando os 43 artigos sobre o perfil dos pacientes e as suas motivações para o uso de MAC e a data de publicação (Figura 2), verifica-se que foi a partir de 1997 que começaram a aparecer os primeiros trabalhos com esse enfoque.

 

 

Em relação à metodologia utilizada, observa-se que 40 artigos são de natureza quantitativa e três, qualitativa. Os Estados Unidos realizaram mais estudos (30%; N=12), seguido pelo Canadá com (11,6%; N=5) e pela Áustria e Havaí (9,3%; N=4). Não se registrou trabalho em países latino-americanos com esse enfoque.

Os 43 artigos foram classificados de acordo com a principal temática desenvolvida: perfil socioeconômico, clínico, étnico-racial e de gênero dos pacientes que usam MAC; percepções dos pacientes sobre a doença, vivências e experiências; e motivações para o uso das MAC.

 

DISCUSSÃO

Na análise do perfil dos pacientes que utilizam as MAC, os estudos mostraram que são adultos, com idade entre 30 a 59 anos,5,7,12,14,19,26,28,29,30,38,43 do sexo feminino,11,20,26,27,30,41,43 com elevado grau de escolaridade,3,6,9,14,17,19,20,28,29 renda familiar alta,7,14,19,26,28,29,41 doença em estágio avançado,6,7,23,26,30,37,39,42 participantes de alguma tradição religiosa20 e influenciados etnicamente1,17,19,37 em relação ao tipo de MAC adotado.

Alguns estudos relatam a influência da rede de social dos pacientes – formada por amigos, vizinhos, familiares e profissionais – no acesso e apoio para o uso de MAC, durante o tratamento convencional do câncer.8,9,24,26,35

Os principais tipos de MAC utilizados são: homeopatia,9,24 medicina ayurvédica,8 medicina tradicional chinesa,6,20,41 medicina de ervas1,5,6,14,18,24 (incluindo chás), terapias psíquicas,25,45 terapias espirituais,1,3,14,24,43 grupos de apoio,6,25,26 relaxamento e meditação,3,14,18,24,35,43 dietas (vitaminas e minerais, cogumelos, cartilagem de tubarão, mistletoe)3,5,6,18,23,27,35,43 e reflexologia.41 Esse conjunto de práticas alternativas e complementares necessita ser diferenciado entre racionalidades e técnicas terapêuticas, pois significa a incorporação de elementos de outra racionalidade médica. A homeopatia e a medicina ayurvédica, por exemplo, possuem outra doutrina médica explicativa do que é a doença ou o adoecimento, origem ou causa, evolução ou cura.24,** As demais práticas são apenas técnicas e, portanto, muito mais facilmente incorporadas como complementares aos tratamentos convencionais.

Quanto à percepção dos pacientes sobre a doença, suas vivências e experiências, os estudos mostram que usuários de MAC percebem maior risco de morte ou retorno da doença. Nesse sentido, há estudos que relacionam o uso de MAC ao grau de ansiedade e depressão, mostrando que quanto maior o stress mental, maior a prevalência do uso de MAC. Ou ainda, pacientes que usam MAC têm maior propensão para desenvolver quadros depressivos.26,29,39 Todavia, essa relação ainda não foi suficientemente investigada, sendo um tema em aberto para possíveis investigações sobre a relação entre o auto-conhecimento promovido pelas MAC e o desenvolvimento de sintomas depressivos.

De maneira geral, os pacientes percebem o uso das MAC de maneira positiva, como úteis e não tóxicas, acreditando que propiciam uma mudança no estilo e na qualidade de vida, influenciando positivamente os rumos da doença.2,32 Outra percepção significativa relaciona-se à sensação de maior controle sobre o corpo e o próprio tratamento após usarem alguma MAC.10,16,21,29,36,41,46 Os estudos mostram que é grande o número de pacientes que usam alguma MAC após o diagnóstico de câncer. 9,15,16,24,26,47

Em relação às motivações para o uso das MAC foram identificados motivos biológicos, psíquicos e técnicos. Os primeiros relacionam-se com o aumento e a habilidade do corpo para "lutar" contra a doença,13,24,45,46 promover o fortalecimento do sistema imunológico,9,24,34,35 aliviar os efeitos colaterais provocados pela quimioterapia, criando uma esperança de "cura"5,8,9,35,41,46 e de prevenção do retorno da doença.1,9,24,40,45 Em relação à motivação psíquica foram descritos a promoção de bem-estar, o controle do estresse e a melhora da qualidade de vida.2,5,6,9,14,23,27,46 Os motivos técnicos para o uso de MAC no tratamento do câncer estão estreitamente ligados à insatisfação com o tratamento convencional,1,8,12,36,37 principalmente os efeitos secundários e a interação que se desenvolve com os profissionais,33 além do processo de autonomia e humanização promovido pelas práticas não convencionais.

A literatura analisada no presente trabalho reconhece o perceptível aumento no uso de MAC por pacientes com câncer, embora as aceite apenas como prática complementar a um tratamento já estabelecido ou como alternativa para tratar os efeitos colaterais da cirurgia, da radioterapia e da quimioterapia. Nesse sentido, os autores desses trabalhos ressaltam que os pacientes devem ser investigados em relação ao uso das MAC, adotando sempre o discurso da pouca evidência científica. Esse tema perpassa grande parte dos trabalhos e acaba se tornando uma justificativa bastante recorrente para a negação do uso das MAC no tratamento do câncer, embora haja elevado nível de satisfação com sua utilização.2,6,9,11,22,31,36

Além das motivações para o uso das MAC estarem pautadas na "insatisfação" com as técnicas convencionais, nota-se um movimento de busca dos pacientes por uma outra lógica de se relacionar com o corpo, com a sua doença e até mesmo com o serviço de saúde freqüentado. Se, por um lado, a biomedicina tem seu paradigma pautado no modelo biomecânico, positivista e representacionista, as MAC surgem como oposição a esse modelo, trazendo nova perspectiva para a doença e para o indivíduo. Dessa maneira, as terapêuticas alternativas e complementares têm contribuído para: repor o sujeito doente como centro do cuidado; recolocar a relação médico-paciente como fundamental para a terapêutica; buscar meios terapêuticos simples; e construir a autonomia do paciente. 5,42,47

 

CONCLUSÕES

A temática do uso de MAC por pacientes com câncer vem atraindo investigadores e transpondo interesses exclusivos de disciplinas especificas. Contudo, a maioria dos estudos identificados na literatura é resultado de trabalhos quantitativos, realizados no hemisfério norte, com a perspectiva de discutir como acontece o uso. Poucos trabalhos qualificam porquê são usadas as MAC, permitindo elaborar estratégias alternativas e complementares no tratamento do câncer.

A utilização de MAC é parte do escopo social dos pacientes oncológicos. O uso dessas práticas tem um sentido sociocultural importante na construção da identidade de paciente com câncer, ajudando-os, inclusive, nas tomadas de decisão em relação ao próprio tratamento convencional. Essa evidência não deve ser desconsiderada pelos serviços de saúde, para que sejam desenvolvidas estratégias que estimulem o diálogo entre profissionais e pacientes sobre as MAC, melhorando a qualidade dos serviços.

Tendo em vista a complexidade de fatores que levam pacientes com câncer a utilizar as MAC, ressalta-se ainda a urgência de mais investigações. Essas teriam como objetivo analisar a perspectiva dos profissionais de saúde sobre o uso de MAC, a possibilidade de introdução destas práticas nos serviços convencionais de saúde e a posicão dos gestores e produtores de políticas públicas de saúde sobre a sua incorporação no Sistema Único de Saúde brasileiro.

 

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Correspondência | Correspondence:
Cristiane Spadacio
Departamento de Medicina Preventiva e Social
R. Tessália Vieira de Camargo, 126
Cidade Universitária "Zeferino Vaz"
Caixa Postal 6111
13083-887 Campinas, SP, Brasil
E-mail: cris.spadacio@gmail.com

Recebido: 4/10/2006
Revisado: 6/6/2007
Aprovado: 10/11/2007

 

 

C Spadacio e NF Barros são integrantes do Grupo de Estudo de Metodologia Qualitativa e Sociologia das Medicinas Alternativas, Complementares e Integrativas do Departamento de Medicina Preventiva e Social, Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
* Organización Mundial de la Salud. Estrategía de la OMS sobre medicina tradicional 2002-2005. Ginebra, 2002. [acesso em 4/11/07]. Disponível em: http://www.opas.org.br/medicamentos/site/UploadArq/trm-strat-span.pdf
** Luz MT. Racionalidades médicas e terapêuticas alternativas. Rio de Janeiro: Instituto de Medicina Social, Universidade Estadual do Rio de Janeiro; 1996. (Série Estudos em Saúde Coletiva, 62)