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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.42  suppl.1 São Paulo Jun. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102008000800001 

EDITORIAL

 

Comportamento sexual e percepções sobre HIV/Aids no Brasil

 

 

Francisco Inácio Bastos; Rita de C Barradas Barata; Estela Maria Aquino; Maria do R D O Latorre

 

 

Tão raros como essenciais, os inquéritos de âmbito nacional constituem ferramentas indispensáveis à formulação e monitoramento de políticas públicas. Em parceria entre o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e o Programa Nacional de DST e Aids, Ministério da Saúde, foi conduzido, em 2005, um amplo inquérito denominado "Comportamento Sexual e Percepções da População Brasileira sobre HIV/Aids", a partir de uma amostra de 5.040 entrevistados, representativa da população urbana brasileira. Este inquérito, assim como o anterior, homônimo, realizado em 1998 fornecem informações relevantes para o balizamento das ações preventivas.

Sob a liderança firme e inspiradora da demógrafa Elza Berquó, este segundo inquérito renovou e ampliou a proposta do estudo anterior de abordar um vasto conjunto de questões essenciais em saúde sexual e reprodutiva, incluindo ainda temas como a violência doméstica e o abuso de álcool e outras substâncias psicoativas, explorados em detalhe pela primeira vez no âmbito do presente inquérito. O estudo contou com um comitê assessor de especialistas nas áreas de estatística, epidemiologia, saúde sexual e reprodutiva, envolvendo professores e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e da Fundação Getúlio Vargas São Paulo (FGV-SP).

O inquérito foi precedido por um longo período de debate e formulação de seus propósitos, estratégias metodológicas e instrumentos, a partir de 2003, por meio de reuniões regulares e do estabelecimento de uma lista eletrônica de debate, e foi sucedido por nova rodada de reuniões e troca de mensagens eletrônicas por ocasião da revisão do seu banco de dados e da análise integrada dos seus resultados, ao longo de 2006-7.

O resultado deste trabalho árduo, mas rico e abrangente, pode ser constatado pelos leitores do presente suplemento da Revista de Saúde Pública, idealizado pela Professora Elza Berquó, o qual reúne um conjunto expressivo de artigos referentes a aspectos centrais do inquérito nacional.

Além da apresentação do suplemento pelo Dr. Pedro Chequer, então coordenador do Programa Nacional de DST e Aids, e de uma Introdução, redigida por Regina Barbosa e Elza Berquó, o suplemento conta com 12 artigos originais submetidos aos mesmos procedimentos de revisão adotados para a elaboração dos números regulares da Revista.

Inicialmente, é descrito em detalhe o plano amostral da pesquisa. A seguir, o suplemento apresenta artigos que analisam as tendências mais amplas dos inquéritos realizados em 1998 e 2005 referentes ao comportamento sexual de homens e mulheres, com ênfase, em artigos subseqüentes, na utilização de preservativos por parte da população urbana brasileira e na iniciação sexual dos jovens brasileiros (e o uso, nesta ocasião, de preservativos). Fecha este primeiro bloco de temas mais abrangentes, um artigo sobre as opiniões e atitudes da população brasileira em relação à sexualidade.

Questões essenciais à formulação de políticas públicas em HIV/Aids, abordam-se no segundo bloco os temas inter-relacionados do nível de conhecimento e da percepção de risco frente ao HIV/Aids, estigma e discriminação e à testagem para a infecção pelo HIV.

Um terceiro bloco de artigos aborda tópicos específicos, referentes aos sinais e sintomas associados às doenças sexualmente transmissíveis, co-fatores essenciais à disseminação do vírus da Aids e problema relevante de saúde pública em si mesmas; bem como aos padrões de consumo de álcool e drogas ilícitas e suas inter-relações com a saúde sexual e reprodutiva, e a questão da violência sexual perpetrada por parceiros íntimos.

Como perceberão os leitores, trata-se da mais abrangente publicação nesse campo temático já empreendida no País, divulgando os achados de um inquérito de âmbito nacional, que certamente embasará políticas mais adequadas às necessidades de saúde da população brasileira. Representa igualmente a resposta bem-sucedida ao desafio científico e operacional de conduzir pesquisas sobre questões sensíveis em um país de dimensões continentais, marcado por pronunciadas desigualdades regionais e sociais.