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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.42  suppl.2 São Paulo Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102008000900002 

APRESENTAÇÃO FOREWORD

 

Apresentação

 

 

Fernando C BarrosI; Cesar G VictoraII

IPrograma de Pós-Graduação em Saúde e Comportamento. Universidade Católica de Pelotas. Pelotas, RS, Brasil
IIPrograma de Pós-Graduação em Epidemiologia. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, RS, Brasil

 

 

Este suplemento apresenta uma série de artigos que analisam diversos aspectos da vida de mais de quatro mil adultos jovens que constituem a coorte de nascimentos da cidade de Pelotas, RS, de 1982. As diferenças entre diversos grupos socioeconômicos desta população, com relação a indicadores de saúde dos primeiros quatro anos de vida, foram publicadas há exatos 20 anos, no livro "Epidemiologia da Desigualdade". Nesse livro,ª analisamos os desfechos mais importantes da infância, como baixo peso ao nascer, situação nutricional e mortalidade infantil, para todas as crianças nascidas no ano de 1982, salientando o enorme impacto das desigualdades sociais sobre cada aspecto da vida desta população.

Na atual série, mantivemos um formato de análise semelhante ao da Epidemiologia da Desigualdade, pois pretendemos que esta seja uma atualização do acompanhamento desta coorte, examinada com a mesma finalidade: analisar como se comportam os indicadores de saúde de pessoas que têm um início distinto em função da posição social de suas famílias e suas características biológicas precoces. A natureza longitudinal dos dados permitiu não apenas explorar os efeitos duradouros da pobreza na infância, mas também como as diferentes trajetórias familiares de ascensão ou descenso social afetam a saúde do adulto. Os mais de 75% de nossa coorte original que foram localizados aos 23 anos com a utilização de diversas estratégias de busca foram entrevistados e tiveram sua saúde avaliada também por meio de exames físicos e de laboratório.

Um dos avanços das análises apresentadas foi o uso associado dos métodos epidemiológicos com a pesquisa etnográfica, que resultou em uma visão mais rica e profunda da vida das pessoas dessa coorte, tanto no que se refere às exposições como aos desfechos. Um dos artigos deste suplemento, dedicado à colaboração dessas áreas, produziu novas hipóteses e permitiu explorar como essas pessoas vivenciam situações diárias de desigualdades sociais e violência.

Os desfechos estudados procuram fazer um balanço dos aspectos mais importantes da vida nesse grupo etário, incluindo situação educacional, inserção no mercado de trabalho, fatores relacionados à saúde mental, iniciação sexual, experiências de maternidade ou paternidade, tabagismo, atividade física e sedentarismo. Sintomas respiratórios, situação nutricional e mortalidade são também analisados, assim como a utilização de serviços de saúde. Do ponto de vista de exames físicos e de laboratório, procuramos identificar precocemente situações que produzem uma carga importante das doenças crônico-degenerativas da idade adulta, como hipertensão arterial e hiperglicemia.

Os artigos deste suplemento deixam claro que estudos de coorte de longa duração podem ser realizados no Brasil, e reforçam a importância dos estudos de ciclo vital para um entendimento abrangente dos determinantes biológicos, ambientais e sociais do processo saúde-doença.

 

 

a Victora CG, Barros FC, Vaughan JP. Epidemiologia da desigualdade. São Paulo: Hucitec; 1988.        [ Links ]