SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.2 issue2Análise da diversidade do Plasmodium falciparum pela caracterização de clones isolados de amostras da região amazônica brasileiraImpressões sobre América Latina author indexsubject indexarticles search
Home Page  

Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.2 n.2 Rio de Janeiro Apr./Jun. 1986

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1986000200011 

RESENHA

 

 

Carlos E. A. Coimbra Jr.

Bolsista Dept. of Anthropology, Indiana University, Bloomington, IN, 47405 — USA

 

 

CULTURE, HEALTH AND ILLNESS: AN INTRODUCTION FOR HEALTH PROFESSIONALS. Cecil Helman (1985). Bristol London, Boston: Wrigtit-PSG. xi + 242 pp., US$ 19.00 (brochura). ISBN 0 7236 0841 5.

O desenvolvimento da antropologia médica no Brasil tem sido lento e, em geral, um grande número dos trabalhos existentes que abordam temáticas referentes à medicina tradicional brasileira o fazem sob o prisma do folclórico e do exótico, sem a preocupação de integrar as variadas crenças e práticas médicas em um sistema cultural mais amplo. Infelizmente, ainda têm sido poucas as tentativas de analisar as implicações epidemiológicas e médico-profiláticas dos sistemas médico-tradicionais, apesar do reconhecimento dos próprios epidemiologistas da necessidade de pesquisas voltadas para essa problemática em nosso país.1

Um dos motivos que, a meu ver, tem contribuído para a lenta expansão da disciplina no Brasil, em especial a nível de pós-graduação em saúde pública e epidemiologia, é a inexistência de um livro-texto que venha servir como eixo básico das discussões em sala de aula. Deve-se observar que esta lacuna também se faz sentir nos EUA e em certos países europeus onde a disciplina já se encontra melhor estabelecida. Devido á forma de apresentação do conteúdo da maioria dos textos existentes, os estudantes que vem das áreas biomédicas sentem dificuldade, já que, quase sempre, não têm a mínima formação teórica em ciências sociais.

O livro de Cecil Helman foi escrito visando a preencher esta lacuna. Direcionado, em primeiro lugar, ao estudante da área de ciências da saúde, o mesmo apresenta os conceitos fundamentais da antropologia médica de maneira a possibilitar ao aluno uma visão ampla do escopo da disciplina, assim como de seus métodos de pesquisa e principais marcos teóricos. Evita, contudo, enveredar-se pelos caminhos nem sempre muito claros da teoria antropológica pura, o que certamente afugentaria o estudante menos familiarizado com a disciplina.

Outra característica marcante do livro é o fato de os capítulos terem sido escritos de maneira independente, o que implica dizer que o mesmo não precisa ser lido a uma só vez. Ainda traz, ao final de cada capítulo, uma lista de leituras complementares, para aqueles que desejarem ir um pouco à frente, e um apêndice. Este apêndice é constituído por uma série de questionários que podem servir como base para pequenos projetos de pesquisa a serem desenvolvidos pelos próprios alunos, durante o curso de um período letivo.

Os dez capítulos que se seguem à introdução abordam os seguintes tópicos: "Cultural Definitions of Anatony and Physiology"; "Diet and Nutrition"; "Caring and Curing"; "Doctor-Patient Interactions"; "Pain and Culture"; "Culture and Pharmacology"; "Ritual and Management of Misfortune"; "Transcultural Psychiatry"; "Cultural Aspects of Stress" e "Cultural Factors in Epidemiology"

É bem verdade que, por tratar-se de obra estrangeira, a mesma não está dimensionada para responder aos problemas mais imediatos e/ou específicos do pesquisador brasileiro (o Brasil só é mencionado duas vezes no texto). Contudo, dada a preocupação do autor em abordar os temas de maneira abrangente, esta deficiência é, em parte, contornada. Desse modo, considero que a aquisição do livro pelas bibliotecas especializadas em saúde pública, e sua divulgação entre alunos e professores, será de valia, principalmente para aqueles que, apesar de nutrirem interesse pela antropologia médica, não sabem onde recorrer para se introduzirem ao tema.2

 

 

1 BARBOSA, F.S. (1981) Technology alone will not beat malaria. World Health Forum, 2:144; BIZERRA, J.F.; GAZZANA.M.R.; COSTA, C.H.; MELLO, D.A. & MARSDEN, P.D. (1981). A surrey of what people know about Chagas' disease. World Health Forum, 2; 394-39 7.
2 Para uma revisão crítica mais detalhada da obra, vide as resenhas de Lang (In: Reviews in Anthropology, 12 (4): 308-313, 1985) e Stoeckle (In: Culture, Medicine and Psychiatry, 9 (2): 93-96).