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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.2 n.2 Rio de Janeiro Apr./Jun. 1986

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1986000200013 

REGISTRO

 

Alice Tibiriçá (09.01.1886 / 08.06.1950)

 

 

Mário Sayeg

 

 

Feliz a Nação que tem, em seus fastos, personagens que conquistaram notoriedade pela sua dedicação à sociedade, ao saber, à fé, as artes e outros campos nobres de atividade humana.

Alice de Toledo Ribas, pelo casamento Tibiriçá, projetou-se, sobremaneira, na galeria de patrícios notáveis, pela sua vida dedicada às lutas em favor das grandes causas político-sociais e da saúde pública. No campo da hanseníase e da tuberculose, o mérito de sua obra pioneira, esclarecida e determinada mereceu especial realce da Associação Brasileira de Leprologia:

"A obra de Dona Alice Tibiriçá em prol da profilaxia da lepra em nosso país jamais poderá ser olvidada, pois representou o marco inicial da moderna campanha sanitária contra essa enfermidade".

Alice Tibiriçá, "uma santa leiga" segundo Austregésilo de Athayde, encontrou tempo e forças para empenhar-se em outras lutas, como a dos direitos da mulher, em companhia de Bertha Lutz. Até sua morte, Alice Tibiriçá foi Presidente da Federação de Mulheres do Brasil, a qual exerceu plenamente e com toda a dignidade. Organizou movimentos contra a carestia, chegando, em São Paulo, até a ser presa. Indicada para representar a mulher brasileira no Conselho da Federação Democrática Internacional de Mulheres, que se reuniu em Moscou no ano de 1949, não pôde comparecer, pois o passaporte não lhe foi concedido tempestivamente, vindo a obtê-lo, depois, graças à intervenção da justiça.

Mesmo enferma participou, com grande descortino e firmeza, da luta em defesa dos recursos naturais e do petróleo, fazendo conferências e comícios em muitos estados da Federação e bairros do Rio de Janeiro. Ela que assumira a Vice-Presidência do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional e "dessa luta vitoriosa resultou a PETROBRÁS, viria a afirmar: "sinto que perdi mais de 20 anos em lutas parciais. Enquanto nosso País não se emancipar economicamente, não poderá solucionar seus problemas médico-sociais".

A Escola Nacional de Saúde Pública, da FIOCRUZ, solidariza-se com a família de Alice Tibiriçá, participando do Ato público comemorativo ao centenário de seu nascimento, ao qual compareceu seu Diretor, Prof. Frederico Simões Barbosa, representando também o Presidente da FIOCRUZ, o Prof. Sérgio Arouca. A cerimônia realizou-se a 09 de Janeiro no Auditório do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, sob o patrocínio de instituições das mais representativas da sociedade brasileira, tais como ABI, AMERJ, CREMERJ, Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional, CUT, Instituição Alice Tibiriçá de Civismo e Solidariedade (S.P.), Movimento Feminino pela Anistia e Liberdade Democrática, Núcleo de Estudos sobre a Mulher, da PUC-RJ, OAB — Seção do Estado do Rio de Janeiro, Movimento de Reintegração do Hanseniano e outros. Dos Sindicatos, destacam-se o dos Médicos, dos Bancários, dos Jornalistas Profissionais e dos Professores do Rio de Janeiro.

 

NOTA

Os traços biográficos de Alice Tibiriçá foram registrados por sua filha, Doutora Maria Augusta Tibiriçá Miranda, no livro '''Alice Tibiriçá, Lutas e Ideais" — Editora PLG, Rio de Janeiro 1980, do qual cedeu exemplar à Biblioteca da ENSP. Endereço da autora, Largo do Machado, 29 s/624 — Fone: 245-2641, Rio.