SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.9 issue2La historia de Julian: memorias de heroína Y delincuenciaMorrendo à toa: causas da mortalidade no Brasil author indexsubject indexarticles search
Home Page  

Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.9 n.2 Rio de Janeiro Apr./Jun. 1993

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1993000200016 

RESENHA REVIEW

 

Mario B. Aragão

Departamento de Ciências Biológicas
Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz

 

 

Ecologia, Epidemiologia e Sociedade. O. P. Forattini. São Paulo: Artes Médicas/EDUSP, 1992. 529 p., ilus., bibliografia.

Este livro pode ser considerado um precursor de Diálogo Sobre Eecologia, Ciência e Política, de César Benjamin, que mostra uma discussão entre um pesquisador de ciências naturais e outro de ciências sociais.

Ecologia, epidemiologia e sociedade são uma escada. A ecologia envolve tudo; a epidemiologia, no caso em apreço, é uma ecologia dos agravos que sofre o homem. Este, por sua vez, vive numa sociedade diferente da dos demais seres vivos, uma vez que ela é regida não só pelos fatores naturais, mas, também, pela cultura, tomada no sentido mais amplo.

Logo no prólogo sente-se a preocupação que sempre norteou a vida do autor: a de servir, através de sua Faculdade, à sociedade em que vive.

Ainda no prólogo, adoramos a crítica feita aos textos que apresentam uma visão "bem-comportada" do conhecimento científico. Em um país subdesenvolvido como o nosso, o pesquisador necessita ter mentalidade de subversivo para estar sempre preocupado em romper as comportas que retêm o nosso desenvolvimento científico. Veja-se a primeira geração de Manguinhos.

A idéia de começar o estudo da ecologia com a origem da vida está perfeita, pois esta foi o primeiro fenômeno ecológico. Além disso, os conceitos fundamentais da ecologia estão apresentados de maneira muito elegante. O mesmo pode-se dizer com respeito aos parâmetros populacionais.

Muito bem colocado um capítulo sobre evolução, pois ecologia e evolução são elementos inseparáveis. Na mesma categoria está a explanação sobre o princípio antrópico.

Estamos de pleno acordo com a defesa que o autor faz da epidemiologia tradicional. O que há, hoje em dia, é muito modismo.

Apesar de não concordarmos com alguns pontos de vista do autor, consideramos muito útil a discussão sobre o problema dos acidentes naturais e artificiais.

Muito louvável o convite a outros professores como Ruy Laurenti e Eduardo Massad, para escreverem capítulos. Este último, em "Modelos matemáticos", dá uma citação de Engels que não resistimos em transcrever: "Do homem que dançava ao redor de uma fogueira, tentando um milagre, ao homem de hoje que circula em volta de um computador, desejando, no seu íntimo, também um milagre, não tem passado muito tempo nem tem-se progredido muito na compreensão do cosmos ou do próprio homem."

Desta forma, o Prof. Forattini, que já havia escrito Epidemiologia Geral com o espírito de que epidemiologia é ecologia médica e tendo sempre em mente que ecologia e evolução são assuntos inseparáveis, nos dá agora um verdadeiro tratado. Ecologia, Epidemiologia e Sociedade é, sem sombra de dúvida, uma obra madura.