SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.9 issue4The control of schistosomiasisO sábio e a floresta author indexsubject indexarticles search
Home Page  

Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.9 n.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 1993

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1993000400015 

RESENHA REVIEW

 

Milena Piraccini Duchiade

Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde
Escola Nacional de Saúde Pública

 

 

Saúde, Ciência e Sociedade, volume 1, nº 1. Juraci César (editor). Publicação do Departamento de Medicina Social, Universidade Federal de Pelotas: Pelotas, Brasil, 1992.

Vinda de Pelotas, Rio Grande do Sul, nasce mais uma revista de saúde pública: Saúde, Ciência e Sociedade, uma publicação semestral do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal de Pelotas. A revista surge como fruto do trabalho de uma equipe pequena, porém muito produtiva e respeitada não apenas no Brasil, mas também no exterior, sobretudo na área de epidemiologia e de saúde da criança.

O primeiro número (janeiro a julho de 1992) abre com a seção Ponto de Vista, reunindo uma série de depoimentos colhidos durante um ciclo de debates realizados no ano anterior. Temos inicialmente um resumo dos 25 anos de criação da Faculdade de Medicina de Pelotas ("Faculdade de Medicina da UFPel: A história de um quarto de século", de Naum Keiserman), mostrando como alguns poucos idealistas dedicados conseguiram transformar um sonho em realidade.

Seguem-se, na mesma seção, os depoimentos emocionados (e emocionantes) de Amilcar Gigante, Reitor da UFPel ("Universidade: Formação ou deformação?"), e Kurt Kloetzel ("Procurou sarna para se coçar e..."), figuras admiráveis que, mesmo com o passar dos anos, continuam achando que vale a pena "espernear contra o que parece inevitável". Na mesma seção, reflexões sobre o ensino da pediatria (de Ricardo Halpern) e sobre a questão da cidadania (de Maria Amélia S. D. da Costa). Em seguida, um relato de Fernando C. Barros sobre a criação do Centro de Pesquisas Epidemiológicas, que constitui hoje um dos grupos latino-americanos de pesquisa de maior renome internacional na área de epidemiologia. Fechando esta parte, uma interessante reflexão de César G. Victora sobre as distinções entre a pesquisa acadêmica clássica, a pesquisa de denúncia social e a pesquisa operacional.

Na segunda seção temos três artigos originais. O primeiro ("Prevalência e fatores de risco para bronquite crônica em Pelotas: Metodologia", de Ana Maria R. Menezes e César G. Victora) apresenta a metodologia de um inquérito sobre doença pulmonar obstrutiva crônica em andamento. O segundo artigo ("Distúrbios psiquiátricos em estudantes de Medicina da UFPel, RS", de Fábio A. Braga et al.) apresenta os resultados da aplicação de um questionário (SRQ — Self Report Questionnaire) para se detectar sintomas de sofrimento psíquico em universitários, revelando uma prevalência de cerca de 20% de possível doença mental, o que sem dúvida constitui um achado instigante. O terceiro artigo ("Epidemiologia do consumo crônico de medicamentos em crianças", de J. U. Béria) traz os resultados de um inquérito transversal sobre padrões de consumo de medicamentos, realizado durante o terceiro seguimento da coorte de recém-natos de Pelotasa companhada desde 1982 (vide "Epidemiologia da desigualdade", de César G. Victora et al.). O estudo revela que cerca de 40% dos medicamentos utilizados não se apoiavam em qualquer sustentação terapêutica racional, o que nos leva, mais uma vez, a pensar nas raízes socioculturais deste importante problema.

Finalmente, a última parte da revista é dedicada a três artigos de revisão: o primeiro intitula-se "Como elaborar um projeto de pesquisa" (de E. Tomasi); o segundo, "Supervisão de saúde em portadores da síndrome de Down" (de G. L. Garcias et al.); e o último artigo (de L. A. Facchini & A. G. Possa) traz aspectos metodológicos de um estudo internacional multicêntrico sobre o risco de câncer em uma indústria de celulose e papel.

Como é proposta da revista, todos os artigos são breves e/ou de caráter prático, porém de qualidade. Cabe-nos dar as boas-vindas a mais esta publicação, que vem se juntar à cinqüentenária Revista de Saúde Pública de São Paulo, à Revista Baiana de Saúde Pública, à Physis, do Instituto de Medicina Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro e aos próprios Cadernos de Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública. Num país de dimensões continentais como o nosso, publicações regionais da qualidade vêm preencher uma grande lacuna, na medida em que dispomos de escassos meios de divulgação. Que a nossa jovem co-irmã consiga manter a regularidade, nesta época tão conturbada, e que tenha longos anos de vida, são os nossos melhores votos. Parabéns!