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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.10 n.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1994000100001 

EDITORIAL/EDITORIAL

 

 

Adauto José Gonçalves de Araújo

Diretor; Escola Nacional de Saúde Pública

 

 

A Escola Nacional de Saúde Pública orgulha-se de, no ano em que comemora seus 40 anos como instituição voltada para a promoção da saúde em nosso país, comemorar também 10 anos de publicação continuada de Cadernos de Saúde Pública.

Nossos Cadernos, na verdade, começaram um pouco antes, como uma publicação modesta, de circulação restrita, editada por professores da casa, mas com enorme interesse por parte do público especializado.

Um novo formato surgiu por iniciativa dos professores Frederico Simões Barbosa e Luiz Fernando Ferreira, em 1984. De nova roupagem, a revista começou a ampliar seu número de leitores e a circular para fora da Instituição.

Mas ainda faltava cumprir uma etapa fundamental: tornar-se uma publicação para além dos limites de nossa Escola. Para tanto foi preciso ousar, e ousadia nunca faltou entre nós. Na gestão de Paulo Marchiori Buss como Diretor da Ensp, e Carlos E. A. Coimbra Jr. como Editor dos Cadernos de Saúde Pública, criou-se uma nova apresentação, adequada à circulação internacional.

Contudo, isto ainda não atingia a todos os seus objetivos. Foi somente quando começaram a chegar artigos de pesquisadores de todo o Brasil e do exterior que a revista conquistou seu lugar como publicação fundamental no campo da Saúde Pública. A qualidade e importância da produção científica contida nos Cadernos de Saúde Pública refletem o cuidado com que os manuscritos são submetidos ao corpo de consultores, da própria Ensp e fora dela. Nossa revista, hoje, aos 10 anos, é uma das mais importantes para os estudos da Saúde Pública. Os autores que nela divulgam os resultados de suas pesquisas recebem pedidos de separatas de vários países, como comentava recentemente o professor Frederico S. Barbosa, ao mostrar uma solicitação da Hungria. O pequeno broto, que há mais de 10 anos nascia do esforço de um pequeno grupo coordenado por Lisabel Klein, tornou-se um periódico no cenário científico internacional.

Neste ano de 1994, a Ensp sediará o Congresso Pan-Americano de Escolas de Saúde Pública, com a participação de todas as escolas das Américas e algumas da Europa.

Este Congresso tornará a Ensp o foro mundial de debates sobre saúde pública, tal qual aconteceu com a cidade do Rio de Janeiro durante a reunião da ECO-92. As grandes transformações no campo da Saúde, sobretudo os avanços da Biologia Molecular, colocam em evidência novas tendências e questões em relação à bioética, bem como ao diagnóstico e controle de enfermidades. Por outro lado, o modelo econômico mundial traz profundas repercussões sobre a organização social e a distribuição da renda nos países subdesenvolvidos, levando a situações excludentes para uma considerável parcela da sociedade, como a fome de um enorme contingente da população brasileira, totalmente alheio e desassistido pelo Estado. Vivemos no centro deste paradoxo, e para ele traremos colegas de outros estados e de outros países. Discutiremos tendências e perspectivas de saúde pública, circundadas por uma situação de absoluta miséria e extrema violência.

Que esta discussão seja feita, como disse o Dr. Mario Aragão, com trabalho, cultura e inteligência, para que não se perca nunca o compromisso que a Ensp tem para com a sociedade. Aos 40 anos atingimos a maturidade e a serenidade (sem perder a ousadia, é claro).

A nossa Ensp está, como já disse no início, orgulhosa de sua revista. Ao passar a vista sobre os editoriais que aqui já foram publicados, revi as lutas da Escola, sobretudo no campo das Políticas de Saúde, da Reforma Sanitária e a da implantação do Sistema Único de Saúde, além de debates sobre Saúde do Trabalhador, Epidemiologia, Assistência de Referência, Ciências Sociais e Ciências Biológicas. A pesquisa de ponta e os novos rumos da Saúde Pública têm hoje como referencial os Cadernos de Saúde Pública, e será aqui que serão divulgados os resultados de pesquisas que influenciarão grupos emergentes que, futuramente, terão participação crucial nos cenários científico e político, nacional e internacional.

 


 

 

Adauto José Gonçalves de Araújo

Director; National School of Public Health, Brazil

 

 

As we celebrate our fortieth year as an institution devoted to promoting health in Brazil, the National School of Public Health is also proud to be observing ten years of continuous publication of Cadernos de Saúde Pública.

In fact, Cadernos actually began a little earlier as a modest publication with limited circulation, edited by in-house professors, but of extreme interest to a specialized reading public.

A new format emerged in 1984 at the initiative of Professors Frederico Simões Barbosa and Luiz Fernando Ferreira. The journal acquired a new style and began to broaden its reading public, with some initial circulation outside the institution.

Yet a fundamental stage remained to be reached: to become a publication reaching out fully beyond the limits of our School. We needed daring, a quality that has never been in lacking amongst our ranks. Led by Paulo Marchiori Buss as Director of the National School of Public Health and Carlos E. A. Coimbra as Editor of Cadernos de Saúde Pública, a new format was adopted in keeping with international norms.

However, this was still not sufficient to achieve all of the journal's objectives. It was only when articles by researches from all over Brazil and abroad began to be submitted consultants that Cadernos took its place as a vital publication in the field of public health. The quality and stature of the scientific production contained in Cadernos de Saúde Pública reflect the care with which manuscripts are submitted to the board of consultants, reknowned professionals from the National School of Public Health and other scientific institutions. As it completes its tenth year, our journal is one of the most important ones of its kind in the field of public health. Authors publishing the results of their research in Cadernos receive requests for offprints from various countries, as Professor Frederico S. Barbosa commented recently, displaying a request from Hungary. The tiny seed that sprouted over ten years ago from efforts by a small group coordinated by Lisabel Klein has now taken root and become a full-fledged periodical on the international scientific scenario.

This year, 1994, the National School of Public Health will host the Pan-American Congress of Public Health Schools, with participation by all schools of our field in the Americas, in addition to some from Europe.

This Congress will make the National School of Public Health an international forum for debates on public health, just as occurred with the city of Rio de Janeiro during ECO-92, the United Nations Conference on Environment and Development. Major changes now underway in the field of health have brought new trends and issues to the foreground in terms of bioethics, diagnosis, and disease control. In addition, the world economic model is having profound repercussions on social organization and income distribution in underdeveloped countries, leading to the exclusion of a considerable portion of society, with a huge contingent of the Brazilian population left suffering in hunger, totally abandoned by the state. We live in the center of this paradox. We will bring colleagues from other states of Brazil and other countries into this paradox. As we discuss trends and perspectives for public health, we will be surrounded by a situation of absolute misery and extreme violence.

May this debate be carried out as Dr. Mario Aragão said it should, with hard work, culture, and intelligence, for the National School of Public Health to never lose sight of its commitment towards society. At the age of forty, we have reached maturity and serenity (without losing our daring, of course).

As I said at the beginning, the National School of Public Health is proud of its journal. As I reviewed the editorials published in it, I relived the School's struggles, mainly in the areas of health policies, health reform, and the implementation of the Unified Health System, in addition to debates on workers' health, epidemiology, health care reference, and social and life sciences. State-of-the-art research and new trends in public health now consider Cadernos de Saúde Pública an essential reference. This is where the results of research will be published that will influence emerging groups, who in the future will play a crucial role in the scientific and political scenario, both in Brazil and abroad.