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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.10 n.2 Rio de Janeiro Apr./Jun. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1994000200018 

TESES/DISSERTATIONS

 

 

GIAZZI, J. F., 1992. Contribuição para o Estado dos Protozoários Bucais em 700 Indivíduos da População de Araraquara, Estado de São Paulo (Prof. Dr. Rinaldo Niero, orientador). Tese de Doutorado, São Paulo: Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo.

Para se determinar a prevalência dos protozoários bucais Entamoeba gingivalis (Gros, 1849) e Trichomanas tenax (Muller, 1773) procedeu-se o exame bucal de 700 indivíduos através do exame direto e de cultura. Esta amostra foi subdividida em cinco grupos de pessoas. O Grupo I, composto por 100 pacientes de clínicas odontológicas, revelou uma prevalência de 3,0% com relação a presença da Entamoeba gingivalis e de 1,0% com relação ao Trichomanas tenax. O Grupo II, composto por 100 estudantes universitários revelou-se ausente de infestações. O Grupo III, composto por 250 indivíduos da Clínica de Semiologia, revelou um percentual de 16,0% de infestações por Entamoeba gingivalis e de 2,0% de infestações por Trichomanas tenax. O Grupo IV, composto por 200 escolares do 1º grau, demonstrou uma positividade de 11,0% para Entamoeba gingivalis e de 1,9% para o Trichomanas tenax. O Grupo V, composto por 50 mulheres do Serviço de Atendimento da Mulher do Sesa, apresentou uma prevalência de 26,0% para a Entamoeba gingivalis e de ausência para o Trichomanas tenax. O grau de infestação verificado no total dos 700 pacientes examinados foi de 11,0% para a Entamoeba gingivalis e de 2,0% para o Trichomanas tenax. Estes resultados são discutidos e relacionados às variáveis sexo, estado civil, escolaridade, idade, profissão, renda familiar e pH bucal.

 


 

VOLOCHKO, A., 1992. Mortalidade de Mulheres. Mortalidade Materna. SUS-4/1988 (Ana Cristina D'Andretta Tanaka, orientadora). Tese de Mestrado, São Paulo: Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo.

O trabalho apresenta e discute a magnitude e estruturas demográfica, sócio-econômica, reprodutiva e de hábitos pessoais das residentes de 10 a 49 anos do SUS-4 falecidas em 1988, a partir das informações de quatro fontes de dados: atestado de óbito; entrevista com familiares; prontuários médicos e laudos do Serviço de Verificação de Óbitos ou Instituto Médico Legal.

A mortalidade feminina foi de 101,4/100.000 mulheres de 10 a 49 anos, maior na Vila Formosa (141,1) e menor no Alto da Mooca (74,4). As principais causas corrigidas foram neoplasias — 23, 8%; doenças cardiovasculares — 22,1%; causas externas — 11,2; distúrbios mentais — 9,5% e complicações da gravidez, parto e puerpério — 6,7%. O perfil da mortalidade encontrada diverge da oficial e as razões são discutidas.

A mortalidade materna foi de 141,8/100.000nv, três vezes superior à oficial. Discutem-se as razões da diferença. Causas obstétricas diretas foram responsáveis por 48,6% das mortes; as indiretas por 37,1% e a não-relacionadas por 14,3%. Das maternas 23,3% ocorrem na gestação; 40% no puerpério precoce (até 42 dias após o término da gestação, parto ou aborto) e 36,7 no puerpério tardio (mais de 42 dias após o término da gestação, parto ou aborto).

A evitabilidade e responsabilidade dos agentes nas mortes maternas são avaliadas. Casos paradigmáticos são analisados e discutidas intervenções preventivas.

 


 

ROSA, M. L. R., 1993. Obstáculos Percebidos por Pais e Professores no Atendimento das Necessidades de Crianças com Epilepsia. Tese de Mestrado, São Carlos: Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos.

O presente estudo relata os problemas e dificuldades percebidas por mães e professores de crianças portadoras de epilepsia, na faixa etária de 7 a 14 anos de idade, que foram atendidas no período de fevereiro a março de 1990, na área de Neurologia, no Ambulatório Regional de Especialidades de um Centro de Saúde de uma cidade de porte médio do estado de São Paulo.

Teve como objetivos: 1. caracterizar problemas e necessidades percebidas por pais e professores de crianças epilépticas em situação de crise convulsiva; 2. caracterizar o atendimento que pais e professores vêm dando para atender às necessidades de crianças epilépticas; 3. propor alternativas que possam auxiliar mães e professores, particularmente, na situação de crise convulsiva.

A amostra deste estudo constitui-se de mães e professores de dez crianças portadoras de epilepsia, de ambos os sexos, na faixa etária de 7 a 14 anos de idade, selecionadas aleatoriamente entre aquelas que atendiam aos seguintes critérios: 1. deveriam estar matriculadas e freqüentando escola comum ou especial; 2. deveriam residir no município em estudo; 3. deveriam estar sendo tratadas e com seguimento no referido ambulatório de especialidades.

Como meio para a coleta de dados com mães e professores, utilizamos a entrevista.

Para a obtenção de dados familiares, os contatos foram mantidos no domicílio, através de visitas da pesquisadora. As entrevistas com os professores foram realizadas em visitas às escolas onde as crianças estudavam.

Os dados obtidos possibilitaram encontrar uma freqüência elevada de problemas e necessidades de aprendizagem e sobretudo revelaram a ansiedade e a vontade das mães e professores de querer ultrapassar as limitações e habilitarem-se a desenvolver técnicas corretas em benefícios da criança portadora de epilepsia.

Pode-se concluir que os resultados do presente estudo tendem a fornecer propostas e sugestões para a melhoria da qualidade de assistência que vem sendo dispensada à população epiléptica na idade escolar.

 


 

SHIAANG LO, S., 1993. Epidemiologia e Controle do Dengue no Estado de São Paulo. Avaliação do Processo de Municipalização das Atividades de Controle do Aedes aegypti na Região de Presidente Prudente, 1985 a 1991 (Prof. Dr. Luiz Jacinto da Silva, orientador). Tese de Mestrado, Campinas: Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, 185p., anexos, bibliografia, tabelas, figuras, mapas.

O controle dos vetores Aedes constitui-se no principal método para evitar a transmissão de dengue e de dengue hemorrágico. O desenvolvimento e a implantação do programa de prevenção e controle do dengue e da febre amarela no estado de São Paulo, e o processo de descentralização e municipalização das atividades de controle de vetores na região de Presidente Prudente são analisados.

A inserção deste processo no Sistema Único de Saúde (SUS) e a interferência da crise do financiamento do setor saúde em sua implementação são discutidas.

Os reflexos positivos da diminuição das infestações nos municípios da região devido ao processo de descentralização são demonstrados.

Discute-se a não-ocorrência da transmissão do dengue na região foi devido ao controle de vetores, à organização social e econômica da região no contexto do estado ou a outros fatores determinados pelo acaso.

Na conclusão observa-se que, para o controle do Aedes, são necessárias a definição política quanto ao controle de endemias como um todo e a revisão do financiamento das atividades de vigilância à saúde no contexto do SUS. A implantação de políticas integradas intersetoriais é também importante para o bom desempenho de controle do Aedes.

 


 

CASTRO, I. R. R., 1994. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional na Rede Pública de Assistência à Saúde: Limitações e Interfaces com a Vigilância Epidemiológica e os Programas de Atenção Integral (Luiz Antônio dos Anjos, orientador). Tese de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, 113 p., bibliografia.

São discutidas possibilidades e limitações da proposta de Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) como instrumento de resposta institucional da rede pública de assistência à saúde frente aos agravos nutricionais da população brasileira.

Para subsidiar esta discussão, revisa-se bibliografia sobre: (1) a proposta de Sisvan, suas bases conceituais e evolução e a história de sua implantação no Brasil; (2) o atual perfil de saúde e nutrição da população brasileira e (3) as práticas de vigilância epidemiológica e de atenção primária implementadas na rede de saúde.

São comentados três pilares historicamente presentes na resposta do setor saúde aos agravos nutricionais da população: o planejamento multisetorial como marco teórico para a formação de ações; a compreensão da subnutrição infantil como sendo o principal (na prática, exclusivo) agravo nutricional a ser enfrentado por este setor e a valorização da vertente de consumo alimentar no norteamento das ações no campo da alimentação e nutrição. São também cotejadas as práticas de atenção integral e de vigilância epidemiológica com a de vigilância nutricional, apontando-se possíveis interfaces.

Como desdobramento desta análise, apresenta-se uma pauta contendo temas e experiências a serem aprofundadas, num empreendimento conjunto de instituições acadêmicas e unidades do Sistema Único de Saúde.

 


 

MOHR, A., 1994. A Saúde na Escola: Análise de Livros Didáticos de 1ª a 4ª Séries (Dra. Esther Maria de Magalhães Arantes, orientadora). Tese de Mestrado, Rio de Janeiro: Instituto de Estudos Avançados em Educação (IESAE), Fundação Getúlio Vargas, 94 p., bibliografias, anexos, tabelas, ilustrações.

O estudo desenvolveu-se a partir de três referenciais:

1. Os programas de Saúde escolares objetivam instrumentalizar o aluno com conhecimentos, informações, comportamentos e conceitos relacionados à saúde, para permitir escolhas e ações críticas e conscientes relacionadas à saúde pessoal e coletiva.

2. Importância das séries escolares iniciais: o número médio de séries concluídas pelos alunos evadidos da escola no período de 1978 a 1988 foi de 4,2 no Sudeste.

3. Em 1985, a Fundação de Assistência ao Estudante (FAE-MEC) criou o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que atende os estudantes de escolas públicas e se baseia na indicação, pelo professor, do livro que será distribuído pelo MEC. Em 1991foram distribuídos 67,2 milhões de livros (3,2 milhões no Estado do Rio de Janeiro). Números divulgados pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros mostram que, em 1991, os "didáticos de 1º grau" representavam 19,44% e 44,94% do total de títulos e exemplares publicados, respectivamente.

A dissertação teve como objetivo analisar como a saúde é abordada nos livros didáticos de 1ª a 4ª séries mais distribuídos pelo PNLD no Estado do Rio de Janeiro no ano de 1991. As três coleções analisadas respondiam, naquele ano, por cerca de 63% dos títulos com conteúdo de Programas de Saúde.

A análise das coleções foi realizada, segundo 15 critérios.

Das conclusões destacam-se: (1) Não há elementos para uma adequada conceituação de saúde ou de seus condicionantes. (2) Os textos reduzem-se a regras e preceitos para evitar doenças transmissíveis ou acidentes. Seu caráter receituário e dogmático não permite a compreensão dos princípios subjacentes aos assuntos abordados e impede o desenvolvimento da capacidade de análise crítica de atitudes e informações. (3) Distanciamento entre os conteúdos e o cotidiano dos alunos, tanto em relação aos problemas de saúde, quanto à realidade econômica. (4) Definições, conceitos e ilustrações incorretos. (5) Incongruências entre objetivos estabelecidos e conteúdos desenvolvidos.

Dada a importância do PNLD, sua abrangência e custos, são sugeridas diretrizes para seu aperfeiçoamento: (1) A FAE deve proceder à coordenação de processo multidisciplinar de análise dos livros didáticos. (2) Deve utilizar especialistas independentes indicados por associações científicas e conselhos profissionais das áreas de educação, editoração e áreas temáticas. (3) Esta avaliação não pode exercer censura ideológica e política ou alijar o professor do direito de escolha do livro didático.

 


 

PETERSON, C., 1994. Risk at Risk: Prostitution and AIDS. Tese de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz.

This study examines the two categories prostitution and AIDS. The author first reviews the literature beginning in 1985, focusing on attempts by epidemiologists to establish an association between the two. Next, the analyzes how — in spite of thelack of consensus concerning the existence or nature of such an association — the field of prostitution and AIDS was constructed and reproduced. Here, the case study is the Health Project in Prostitution, at the Institute for Religious Studies, Rio de Janeiro. Finally, the author presents and discusses the results of a field study interviewing 125 prostitutes in five commercial sex areas in Rio de Janeiro on factors associated with lack of possession and infrequent use of condoms with clients, suggesting an internal differentiation among prostitutes as to risk-versus-preventive behaviors in relation to HIV infection.

 


 

SILVA, C. V. C., 1994. Vigilância Nutricional da Gestante: Análise de um Modelo em Serviço de Atenção Primária à Saúde (Prof. Dr. Ricardo Ventura Santos, orientador; Prof. Marília Sá Carvalho, co-orientadora). Tese de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz. 120 p.

Implantado em 1988, o Sistema de Vigilância Nutricional (Sisvan) do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF),unidade ligada à Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz, propõe-se a ser um modelo para outros serviços. Para tanto, tem fornecido assessoria para Secretarias de Saúde de diversas localidades do país. Ao longo do tempo, o Sisvan do CSEGSF apresentou problemas operacionais que inviabilizaram sua reprodução e acarretaram sua interrupção em 1992. Tendo em vista esta situação, buscou-se nesta dissertação avaliar o Sisvan do CSEGSF tomando o Sisvan-Gestante como unidade de análise. Foi utilizada a metodologia preconizadapelo CDC (Center for Disease Control) para avaliação dos Sistemas de Vigilância Epidemiológica, que se baseia em indicadores de simplicidade, representatividade e oportunidade. Utilizou-se um banco de dados com todas as primeiras consultas (n= 1.130) de gestantes entre janeiro de 1990 e julho de 1992. O perfil nutricional das gestantes na primeira consulta foi também avaliado neste trabalho.

Observou-se que o Sisvan-gestante apresentava problemas de retroalimentação, pequena capacidade de análise dos dados coletados, fluxo de informações paralelo ao pré-natal e grande perda de informação sobre idade gestacional. Além disso, não dispunha de dados para cálculo de cobertura do pré-natal, o instrumento de avaliação do estado nutricional não era efetivamente utilizado em todas as consultas e os mecanismos de divulgação das informações apresentava problemas e seu funcionamento. A análise da confiabilidade dos diagnósticos apontou largo espectro de variação, segundo estado nutricional: 4% de discordância nos casos de sobrepeso até 16% nos casos de normalidade, com 13% para a totalidade das consultas. Os dados indicam que 50% das mulheres iniciaram o pré-natal somente no segundo trimestre de gestação. As prevalências de baixo-peso (43%) e sobrepeso (24%) para as mulheres atendidas no Sisvan são relativamente elevadas. O baixo-peso e o sobrepeso são agravos nutricionais que acometem, respectivamente, as adolescentes e mulheres acima de 35 anos em particular. A prevalência de anemia na clientela foi moderada (14,7%). A análise estatística apontou para associações significantes entre estado nutricional (avaliado antropometricamente) e faixa etária, trimestre gestacional e anemia.

Em suma, os dados apontam para as precárias condições nutricionais daclientela de gestantes atendidas no pré-natal do CSEGSF. Quanto à avaliação do Sisvan propriamente dito, faz-se necessário que o serviço reveja seu sistema de informação, treine sistematicamente os profissionais envolvidos na coleta de dados e estabeleça rotinas mais efetivas de divulgação das informações coletadas. Como alternativa, deve reiniciar seu processo de implantação tomando como referência a expansão do Sisvan em andamento na rede municipal do Rio de Janeiro.