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Cadernos de Saúde Pública

On-line version ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.11 n.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 1995

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1995000400014 

Missão na Selva. Emil Odebrecht (1835-1912), um prussiano no Brasil. Moacir Werneck de Castro. Rio de Janeiro: AC&M, 1994.

 

Já havia resenhado o livro de Moacir Werneck de Castro sobre Fritz Müller, mas neste ele se superou.

Logo no início, uma frase do Doutor Blumenau sobre o vale do Itajaí, naquela época: "Aqui parece que tudo parou no primeiro dia da Criação" assemelha-se à definição de Euclides da Cunha para a Amazônia: "Terra ainda quente do Gênesis".

Muito interessante a descrição da área em que se ergueria a cidade de Blumenau.

Foi muito agradável encontrar a formação da Colônia Itajaí, atual cidade de Brusque, onde iniciei a minha carreira de pesquisador.

Com respeito às amizades de Odebrecht, é destacada a importância da Sociedade dos Atiradores, como a que conheci em Brusque, no papel de núcleo de onde nasceram outras associações importantes para o desenvolvimento da colônia.

O grande parteiro de Blumenau, Friedenreich, que se registrara na colônia como veterinário, por ser foragido da justiça, aqui aparece como médico diplomado e com prática na Alemanha.

Um debate sobre a construção da ferrovia para o planalto, entre os três grandes pioneiros de Blumenau, Odebrecht, Fritz Müller e Friedenreich, realizado numa clareira da floresta, é do maior interesse para o entendimento da mentalidade desses grandes homens.

Com base na correspondência trocada entre os membros daqui e da Alemanha, o autor reconstitui a vida da famflia Odebrecht.

Deixa a melhor impressão o respeito que Odebrecht tinha pelos índios e a sua revolta contra as matanças, às vezes patrocinadas por autoridades governamentais.

Ao comentar a atuação de Odebrecht na Repartição dos Telégrafos, o autor aproveita para incluir uma pequena biografia do Barão de Capanema,figura ilustre de brasileiro pouco conhecido.

Em boa hora, o autor anexou ao livro o diário da expedição de Odebrecht às cabeceiras dos formadores do rio Itajaí-Açú. Ali pode ser visto a dureza que é o trabalho de um engenheiro explorador.

 

Mario B. Aragão
Departamento de Ciências Biológicas
Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz