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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.13 n.2 Rio de Janeiro Apr. 1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1997000200010 

ARTIGO ARTICLE


Miguel Angelo Rosa Martinez1
Luiz Roberto de Oliveira1

Trabalho em turnos nas empresas de Botucatu, São Paulo: estudo descritivo

Work by shifts in Botucatu, São Paulo: a descriptive study


1 Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista. C. P. 549, Botucatu, SP 18618-970, Brasil   Abstract In view of the lack of information on shift-work schedules and working organization in companies located in Botucatu, São Paulo State, we obtained initial information on areas of economic activity, number of workers, and work schedules from companis by using facsimiles and mailgrams afler receiving a list of companies from the directory of the CIESP. To those who confirmed the use of work in shifts, a questionnaire with instructions was sent in order to characterize how work was organized. There were 42 manufacturing industries among 66 companies responding to the study. Fourteen companies reported occurrence of work in shifts, including 6,541 workers out of 9,502 in the 66 companies. There were 2,346 workers with shift schedules on production divisions in the companies reporting the existence of shift systems. Eight companies had been using rotating shift systems, of which 5 reported rotation schemes with 6 or more consecutive night shifts. Two companies notified shift schedules with counter-clockwise direction of rotation including 684 workers in production divisions. There were systems with single and multiple shifts lasting from 5 to 8 hours and many work schedules even with the same length and same number of shifts. This information will allow us to evaluate the relationship between shift work, health, and the social life of shift workers.
Key words Occupational Health; Shift Work; Work; Public Health

Resumo Em face da inexistência de dados sobre esquema de trabalho em turnos em empresas de Botucatu, solicitaram-se delas informações sobre ramo de atividade, número de funcionários e esquema de trabalho. Às que registraram tal ocorrência, enviou-se um questionário visando à caracterização da forma de organização da jornada de trabalho. Das 66 empresas participantes da pesquisa, 14 referiram a existência de trabalho em turnos, englobando 6.541 funcionários, de um total de 9.502, sendo 2.346 de setores da produção. Nesses setores, os sistemas contínuo alternado e descontínuo permanente predominaram. Em oito empresas os sistemas eram alternados, cinco delas com esquemas apresentando freqüência de revezamento de seis ou mais dias. São descritas outras formas de organização encontradas. Conclui-se que, com o quadro descrito, torna-se possível estudar as relações entre trabalho em turnos, saúde e vida social dos trabalhadores.
Palavras-chave Saúde Ocupacional; Trabalho em Turnos; Trabalho; Saúde Pública

 

 

Introdução

 

Registra-se, nos países industrializados, uma tendência para o aumento do percentual de mão-de-obra envolvida com trabalho em turnos, ou seja, com jornada diária de trabalho organizada em diferentes horários ou horário constante, porém incomum (Rutenfranz et al., 1989). Na República Federal da Alemanha, o turno ocorria com freqüência de 18,5% referente à proporção do trabalho em turno em relação à PEA. O percentual de trabalhadores em sistemas de turnos variados na Holanda era de 20,4% em 1969. Existe uma grande diferença nesta incidência segundo o ramo de atividade (Rutenfranz et al., 1989). É inadmissível, por exemplo, a interrupção da assistência hospitalar nos períodos noturnos e nos finais de semana; o mesmo valendo para siderúrgicas, para as quais a interrupção de determinadas operações significa enormes prejuízos; vale também para todos os processos produtivos que envolvem máquinas cuja obsolescência técnica ocorre bem antes de seu desgaste propriamente dito.

Embora o trabalho em turnos seja visto por muitos como uma solução natural para o problema da manutenção de atividades durante 24 horas (Krieger, 1987), essa organização dos horários de trabalho, levando em conta, basicamente, razões técnicas e econômicas, conflita-se com os ritmos biológicos (Minors & Waterhouse, 1985), familiares e com os da comunidade (Aschoff et al., 1971), originando prejuízos para a saúde e a vida social dos trabalhadores (Couto & Fischer, 1987; Ferreira, 1988).

As alterações mais freqüentemente observadas em indivíduos com trabalho em turnos referem-se ao sono e ao aparelho digestivo (Åkerstedt & Torsvall, 1978; Åkerstedt, 1984; Åkerstedt, 1985; Couto & Fischer, 1987; Ferreira, 1985, Fischer, 1981; Fischer et al., 1993; Gordon et al., 1986; Koller, 1983; Moore-Ede & Richardson, 1985; Vener et al., 1989).

As perturbações digestivas são geralmente imputadas à irregularidade nos horários alimentares e aos tipos de comida (Rutenfranz & Knauth, 1976), assim como à falta de sincronização do sistema circadiano individual (Vener et al., 1989).

Em relação ao sono, tais alterações são atribuídas à dessincronização dos ritmos circadianos provocada pelas mudanças no ciclo atividade-repouso, em face dos esquemas de turnos utilizados (Ferreira, 1988). O ruído ambiental também é um fator importante, podendo determinar redução no número de horas de sono diurno (Folkard et al., 1985).

De acordo com um estudo envolvendo sono e desempenho, o sistema de turno mais adequado deveria apresentar rotação rápida (Tilley et al., 1982). Evidencia-se assim a importância dos fatores organizacionais, quando se avaliam as conseqüências do trabalho em turnos, ao serem estabelecidas as várias características existentes nos sistemas de turnos, durante a elaboração das escalas (Åkerstedt & Torsvall, 1978; Åkerstedt, 1988; Aschoff, 1978; Colligan, 1980; Couto & Fischer, 1987; Ferreira, 1988; Fischer, 1981; Fischer et al., 1993; Folkard, 1990; Frese & Semmer, 1986; Krieger, 1987; Moore-Ede & Richardson, 1985; Orth-Gomér, 1983; Rutenfranz & Knauth, 1976; Rutenfranz et al., 1989; Williamson & Sanderson, 1986).

No campo social, os prejuízos são maiores que as vantagens. Os contatos sociais ficam empobrecidos, tornando a integração social problemática, pela estruturação das atividades familiares, sociais e culturais em torno dos fins de semana (Brown, 1975; Colligan, 1980; Couto & Fischer, 1987; Walker, 1985).

Embora não exista um esquema de trabalho em turnos ideal (Knauth, 1993), é possível fazer modificações nas escalas, levando-se em conta princípios circadianos e a opinião dos trabalhadores, de modo a proporcionar menores repercussões sobre a saúde e a vida social (Baker, 1980;Vollmer, 1987).

Do interesse em estudar as conseqüências do trabalho em turnos em Botucatu, surgiu a necessidade deste estudo, pois, sendo um município em que a industrialização vem ocorrendo de maneira crescente nas duas últimas décadas, supõe-se que esse seja um problema de saúde de seus trabalhadores. Como nada se estudou ainda a esse respeito nesta cidade, julgamos necessário conhecer primeiro a ocorrência ou não dos diversos sistemas de turnos e mensurar a magnitude da força de trabalho envolvida neles, sendo possível, posteriormente, analisar o impacto dos esquemas de trabalho sobre a saúde e a vida social dos trabalhadores.

 

 

Objetivos

 

Geral: Identificação da ocorrência do esquema de trabalho em turnos em empresas de Botucatu, de acordo com ramo de atividade, número e função de funcionários em sistemas de turnos dessas empresas.

Específico: Caracterização dos sistemas de turnos em relação à continuidade da produção e à alternância dos horários de trabalho, procurando-se verificar, nos sistemas alternados, a freqüência e o sentido de revezamento.

 

 

Metodologia

 

Para cumprimento dos objetivos realizou-se um estudo descritivo (Rouquayrol, 1994). Trata-se de um retrato instantâneo das circunstâncias organizacionais do trabalho produtivo em Botucatu-SP, realizado no segundo semestre de 1994 e considerado fundamental para o conhecimento posterior do processo saúde-doença em trabalhadores envolvidos com sistemas de turnos.

Foram investigadas as empresas e o número de trabalhadores, em diversos ramos de atividade, descrevendo-se o esquema de trabalho. Naquelas em que ocorria trabalho em turnos, foram determinados quais os sistemas de turnos existentes e, dentre os funcionários, quantos se dedicavam a funções administrativas e atividades relacionadas à produção, avaliando-se, em última análise, a percentagem da força de trabalho nestas empresas em esquemas de trabalho em turnos.

Para isso, foram enviados aerogramas ou fac-símiles às empresas cadastradas no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – CIESP, solicitando informações referentes a ramo de atividade, número total de funcionários (especificando-se ademais quantos desempenhavam funções administrativas e quantos exerciam atividades relacionadas à produção) e esquema de trabalho.

O Cadastro Industrial CIESP agrega um conjunto representativo do universo de indústrias do Estado de São Paulo, sendo composto por aquelas que estão interessadas em participar de sua base de dados mediante preenchimento de formulário padrão. A atualização dos registros é constante e ocorre através de mala direta e, rotineiramente, a cada ocorrência chegada ao próprio CIESP.

Às empresas que relataram a ocorrência do esquema de trabalho em turnos foi enviado um questionário com instruções para seu preenchimento, visando à obtenção de dados sobre o sistema de turnos vigente, caracterizando-o em relação à continuidade da produção e à modificação dos horários de trabalho, número de trabalhadores em cada sistema de turnos, horários de trabalho nos diversos turnos, duração e, na existência de sistemas alternados, a freqüência e o sentido de revezamento.

Para a caracterização das empresas segundo ramo de atividade, utilizou-se classificação adotada pelo IBGE (FIBGE, 1970).

Para a caracterização das empresas segundo o porte, utilizou-se critério adotado no cadastro do CIESP, a saber:

de zero a nove empregados: Microempresa

dez a 99 empregados: Pequena Empresa

cem a 499 empregados: Média Empresa

quinhentos e mais empregados: Grande Empresa

Para caracterização do trabalho em turnos, foram utilizadas as seguintes definições, contidas em Rutenfranz et al., 1989 e em Folkard et al., 1985:

Esquema de Trabalho Normal: período de atividades entre 6 h e 18 h, semana de cinco ou seis dias, 40 a 44 horas semanais.

Trabalho em Turnos: formas de organização da jornada de trabalho com realização de atividades em diferentes horários ou horário constante, porém incomum.

Turnos Contínuos: não interrupção da produção ou da prestação de serviços durante 24 horas diárias, sete dias por semana.

Turnos Semi-Contínuos: trabalho durante 24 horas diárias, com interrupção nos fins de semana.

Turnos Descontínuos: todas as formas de horário de trabalho com atividade diária inferior a 24 horas.

Sistemas Permanentes de Turnos: aqueles em que alguém trabalha em um determinado horário durante anos ou toda a vida.

Sistemas Alternados: aqueles em que ocorre alternância nos horários de trabalho (escalas com turnos em rodízio).

Freqüência de Revezamento: número de dias consecutivos de trabalho, em um determinado turno, até ocorrer o rodízio.

Sentido de Revezamento: horário (manhã-tarde-noite) e anti-horário (manhã-noite-tarde).

Ciclo: é o tempo decorrido entre pontos idênticos numa sequência de turnos alternados.

Os dados obtidos foram analisados mediante distribuição de freqüências relativas, segundo critérios classificatórios das empresas, dos setores funcionais e tipos de sistemas de trabalho. Por tratar-se de um censo de funcionários da totalidade de empresas cadastradas no CIESP, testes estatísticos não foram realizados, por não serem necessários (Bussab & Morettin, 1987).

 

 

Resultados e discussão

 

Não foi possível distribuir as 285 empresas cadastradas no Ciesp segundo o ramo de atividade em decorrência de critérios inadequados usados, englobando num cadastro denominado industrial empresas dos setores econômicos primário e terciário. No entanto, o mesmo não sucedeu com a classificação segundo o porte, como pode ser visto na Tabela 1. Três quartos das empresas cadastradas no Ciesp eram microempresas. Nenhuma as microempresas participantes deste levantamento mencionou a existência de trabalho em turnos. Embora em menor número, as médias e grandes empresas respondem não só pelo maior volume da força de trabalho, mas também pela maior ocorrência de trabalho em turnos, conforme será visto adiante.

 

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Nem todas as empresas responderam aos aerogramas e fac-símiles e o resultado desse contato encontra-se na Tabela 2. Constata-se que o cadastro do Ciesp, além dos problemas já comentados, mostrou-se desatualizado, dado o número de devoluções decorrentes de endereçamento.

 

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Embora a proporção de não respostas ou perdas tenha sido elevada, ao redor de 76%, ela não impossibilitou a avaliação da ocorrência do trabalho em turnos nas empresas de Botucatu. O detalhamento das características das empresas não participantes, contido na Tabela 3, demonstra que tanto as não respostas, como as devoluções por endereçamento referem-se a micro e pequenas empresas.

 

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Das 285 empresas cadastradas, 68 (@ 24%) responderam ao apelo da pesquisa, fornecendo informações sobre ramo de atividade, conforme pode ser visto na Tabela 4. A distribuição dessas empresas quanto ao porte encontra-se na Tabela 5. Nas empresas participantes do levantamento, nota-se o predomínio das empresas industriais de transformação e das pequenas e microempresas.

 

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O cadastro do Ciesp mostrou-se ainda desatualizado em relação ao porte ali especificado para cada empresa registrada, uma vez que a análise das informações recebidas diretamente das empresas mostrou que seis delas, citadas como microempresas, quando aplicado o critério adotado no citado cadastro, transformaram-se em pequenas empresas, pela expansão do quadro de funcionários. Nas grandes e médias empresas não houve reclassificação de acordo com o porte ao serem comparados os dados cadastras e as informações por correspondência, utilizando-se o critério supra.

Uma leitura conclusiva das Tabelas 1, 2, 3, 4 e 5 mostra que as perdas por "não resposta" e devolução deram-se proporcional e predominantemente no grupo das microempresas (87%), havendo sido nula e irrisória, respectivamente, nos grupos de grandes e médias empresas. Do universo cadastrado no CIESP, participaram deste estudo 100% (quatro em quatro) das grandes empresas e 90% (nove em dez) das médias, estando provavelmente incluída neste estudo a maior parte dos trabalhadores envolvidos em esquemas de turnos nas empresas de Botucatu.

Das 66 empresas participantes, em 14 registrou-se a ocorrência do esquema de trabalho em turnos, como pode ser visto na Tabela 6. Entretanto, essas 14 empresas empregavam 6.553 funcionários, ou seja, 69% do total de trabalhadores das empresas participantes do presente levantamento, conforme mostra a Tabela 7.

 

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Constatou-se que a indústria de transformação foi a principal utilizadora de trabalho em turnos, seguida, no setor terciário, pelas empresas de transportes e de serviços pessoais. Quanto ao porte, observou-se esse esquema de trabalho em 100% das grandes empresas, em 44% das médias (quatro em nove), em 15% das pequenas (seis em 39) e em nenhuma das microempresas.

Constatou-se que 2.375 funcionários, empregados nas empresas utilizando turnos, encontravam-se nesse e squema de trabalho, equivalendo a 36% da mão-de-obra dessas empresas. A quase totalidade desses funcionários pertencia ao setor de produção, dentro do qual representavam 45%, o que se vê na Tabela 8.

 

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Focalizando-se a análise sobre os funcionários em esquema de trabalho em turnos e pertencentes ao setor de produção (Tabela 9), observa-se que o sistema que mais engloba funcionários é o contínuo e que, em relação à mudança nos horários, o sistema alternado é o dominante, reunindo três quartos dos funcionários; observa-se também que no sistema de turno contínuo alternado encontram-se, aproximadamente, 59% dos funcionários e no descontínuo permanente, 20% deles.

 

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Os sistemas de rotação rápida, presentes em três empresas, englobam 46,4% dos funcionários da produção (Tabelas 10 e 11). Os sistemas com freqüência de revezamento de seis ou mais dias, nas cinco demais empresas, reúnem os 53,6% restantes.

 

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A análise das Tabelas 12 e 13 revela que, em duas empresas, o revezamento era no sentido anti-horário, englobando 70,4% dos funcionários da produção.

 

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Havia sistemas com até 4 turnos, ocorrendo com freqüência decrescente os sistemas com três, um, dois e quatro turnos.

Havia sistemas com um e dois turnos nas empresas do setor secundário e, com três e quatro turnos, nas dos setores secundário e terciário.

No tocante à sua duração, havia turnos de cinco, seis e oito horas nos sistemas com turno único, de oito horas no sistemas com dois turnos, de oito e seis horas ( descontínuos ) nos sistemas com três turnos e de seis horas nos sistemas com quatro turnos.

Em relação aos horários de trabalho, sua ocorrência era extremamente variável, com início às 13h, 15h, 17h, 21h e 23h nos sistemas com turno único; início por volta das 7h e 15h, nos sistemas com dois turnos; ao redor de 6h, 14h e 22h ou 8h, 16h e 24h ou 6h, 12 e 18h(descontínuos) nos sistemas com três turnos e, finalmente, início às 6h, 12h, 18h e 24h, nos sistemas com quatro turnos.

A variabilidade existente na duração, número e horários dos turnos é provavelmente muito mais um reflexo das diversas necessidades e características das empresas do setor terciário e do secundário, considerando-se ademais seu produto final, do que do atendimento de propostas e conveniências dos trabalhadores.

 

 

Conclusões

 

O estudo envolveu 66 empresas, com predominância das indústrias de transformação e 9.502 funcionários, pertencentes, na sua grande maioria, a grandes e médias empresas. Das 66, 14 delas referiram a existência do trabalho em turnos.

O trabalho em turnos ocorreu predominantemente em grandes e médias empresas, nos setores de produção, nas indústrias de transformação.

Observou-se o predomínio dos esquemas de turnos em sistemas contínuos alternados e sistemas descontínuos permanentes.

Das 14 empresas com trabalho em turnos, em oito delas havia sistemas de turnos alternados, com predominância dos esquemas com freqüência de revezamento de seis ou mais dias e sentido anti-horário.

Com essa descrição da ocorrência do trabalho em turnos nas empresas de Botucatu, será possível realizar estudo para avaliar as conseqüências do trabalho em turnos sobre a saúde e a vida social dos trabalhadores e sugerir modificações na elaboração das escalas de trabalho.

 

 

Agradecimentos

 

Aos professores Maria Cecília Pereira Binder, Mitsue Hironaka Bicudo e Ildeberto Muniz de Ahneida; ao Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Unesp, Botucatu-SP e ao Centro de Indústrias do Estado de São Paulo-D.R. de Botucatu (CIESP), pelas respectivas contribuições para a concretização desse trabalho.

 

 

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