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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.19 n.2 Rio de Janeiro Mar./Apr. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2003000200001 

EDITORIAL

 

A pesquisa em Saúde Coletiva no Brasil

 

 

Mauricio L. Barreto

Instituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil

 

 

A pesquisa em Saúde Coletiva tem por objetivo produzir conhecimentos que, em última instância, tornem concretas as nossas visões e desejos relacionados à saúde da população e nos ajude a construir novas alternativas no sentido da prevenção das doenças, da promoção da saúde e da organização de um sistema equânime de saúde.

Existem vários indícios da relevância e do crescimento das atividades de pesquisa em Saúde Coletiva no país. O número de grupos de pesquisas nesta área cresce aceleradamente. O diretório de grupos de pesquisa do CNPq registra quase 400 deles, envolvendo aproximadamente 2.500 pesquisadores. Os programas de pós-graduação em Saúde Coletiva chegam a 27, muitos deles com alto grau de consolidação. O número de produtos da atividade científica (artigos, dissertações, teses, mestres e doutores) cresce vertiginosamente. A necessidade do debate científico se amplia; não por acaso, o número de participantes em cada novo encontro científico da área surpreende sempre os organizadores, que não conseguem prever o seu crescimento exponencial. Há também evidências do crescimento da qualidade teórico-metodológica da investigação e da ampliação da participação da produção científica nacional em Saúde Coletiva no cenário internacional. Os produtos da investigação têm tido demanda e credibilidade crescente junto aos responsáveis pela formulação ou implementação das políticas e atividades de saúde no país. Em síntese, temos na Saúde Coletiva uma comunidade científica ativa, competente, produtiva e atenta às questões nacionais de saúde, que nas três últimas décadas, apesar de todas as dificuldades, foi paulatinamente ocupando seu espaço na comunidade científica brasileira e consolidando a sua influência junto aos potenciais usuários dessa investigação.

Esse crescimento gera para nossa comunidade novos problemas e novas responsabilidades. A ABRASCO, em resposta a este novo contexto, há pouco mais de um ano criou a sua comissão de Ciência e Tecnologia (C&T). Recuperando os princípios estabelecidos na 1a Conferência Nacional de C&T em Saúde (CNC&TS), ocorrida em 1994, essa comissão rapidamente elaborou uma proposta de política de C&T na área de saúde (disponível no seguinte endereço eletrônico: http://www.abrasco.org.br/noticias/PNCTISaudeDocAbrasco.doc), que tem sido amplamente discutida em diversos fóruns. Deve-se enfatizar que a 1a CNC&TS deu passos substanciais em reafirmar as necessidades do desenvolvimento científico e tecnológico em saúde com parte ativa do processo de construção do SUS, já prenunciados em nossa Constituição Federal. Como desdobramento, principalmente a partir do governo passado, o Ministério da Saúde vem tratando a pesquisa científica mais seriamente, fazendo esforços de elaborar políticas para o campo. O presente governo está criando a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, sinalizando que a questão de C&T deverá ter um nível ainda mais elevado na agenda de saúde. Par-e-passo a esses esforços, nós da Saúde Coletiva necessitamos aprofundar as nossas reflexões, ampliando a nossa capacidade de responder às questões mais diversas postas como conseqüência da nossa inserção social (prioridades, avaliação do impacto e financiamento, necessidades e formação de recursos humanos para a pesquisa etc.), além, evidentemente, de no front interno termos a obrigação de continuar os profícuos debates teóricos e metodológicos, vitais para a nossa reafirmação como campo científico.

A diversificação das linhas de pesquisa e o envolvimento neste processo de pesquisadores de diferentes disciplinas se, de um lado, define a sua riqueza transdisciplinar e nos capacita a enfrentar os complexos objetos de investigação em saúde, do outro, obriga a que façamos esforços no sentido de que retornem aos profissionais do campo e aos usuários desta investigação conhecimentos sínteses que nós com sabedoria teremos de construir, evitando que a diversificação da investigação leve a uma atomização das práticas, tal como tem acontecido em outros campos quando se transforma conhecimento em ação.

 


 

Research in Collective Health in Brazil

 

 

Mauricio L. Barreto

Instituto of Saúde Coletiva, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brazil

 

 

Research in Collective Health aims to produce knowledge which ultimately helps us to both achieve our visions and dreams for the population's health and to develop new alternatives for preventing diseases, promoting health, and organizing an equitable health system.

There are various indications of the relevance and growth of research activities in Collective Health in Brazil. The number of research groups in the field has grown at a rapid pace. Nearly 400 research groups are now listed in the directory of the National Research Council (CNPq), including approximately 2,500 researchers. There are 27 graduate studies programs in Collective Health in Brazil, many of which are already well-consolidated. Research output (articles, theses, dissertations, and Master's and PhD degrees) has grown at a dizzying rate. The need for scientific debate has increased; it is no coincidence that with each new scientific congress or meeting in Collective Health, the number of participants always surprises the organizers, who are unable to predict such exponential growth. There is also evidence of enhanced technical and methodological quality in the research, as well as Brazil's expanded participation in international scientific output in Collective Health. In addition, the research results have enjoyed growing demand and credibility from the country's health policy-makers and health system managers. In short, the Collective Health field has an active, competent, productive scientific community, focused on the nation's relevant health issues. In the last three decades, despite all the difficulties, Collective Health has steadily occupied its space in the overall Brazilian scientific community and consolidated its influence vis-à-vis potential users of the research results.

Such growth has also raised new problems and responsibilities in our community. In response to this new context, ABRASCO, the Brazilian Association for Graduate Studies in Collective Health, created its Science and Technology Committee shortly over a year ago. Elaborating on the principles laid down in the 1st National Conference on Science and Technology in Health in 1994, the committee drafted a policy proposal for Science and Technology in Health (see http://www.abrasco.org.br/noticias/PNCTISaudeDocAbrasco.doc), which has been discussed extensively in various forums. The 1st National Conference on Science and Technology in Health took substantial steps in reaffirming the need for scientific and technological development in health as an active part of constructing the Unified National Health System (SUS), as provided in the 1988 Federal Constitution. As a result, particularly beginning with the last Federal Administration, the Ministry of Health has taken a more proactive approach to scientific research, making efforts at elaborating policies for the field. The current Administration is creating the Secretariat of Science, Technology, and Strategic Inputs, signaling the Science and Technology issue as a higher priority on the health agenda. In step with these efforts, we from Collective health need a more in-depth analysis, expanding our capacity to respond to a wide range of issues arising from our position in Brazilian society (priorities, impact and financial evaluation, needs, and training of human resources for research, etc.); furthermore, on the internal front we obviously have the obligation to continue our fruitful theoretical and methodological debates, so vital to our reaffirmation as a scientific field.

The diversification of research lines and the involvement of researchers from different disciplines defines the field's interdisciplinary richness and prepares us to tackle the complex objects of investigation in health; meanwhile, it obliges us to provide feedback to professionals from the field and users of this research in the form of key knowledge, thereby preventing the diversification of research from leading to the fragmentation of practices, as has occurred in other fields when knowledge is transformed into action.