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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.20  suppl.2 Rio de Janeiro Jan. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2004000800008 

DEBATE DEBATE

 

Formas de expressão da pesquisa em serviços de saúde no Brasil

 

 

Moisés Goldbaum

Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil. Presidente da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva. mgoldbau@usp.br

 

 

À acurada exposição deste artigo de Novaes pouco se tem a acrescentar. Sua análise sobre a pesquisa em saúde, bem como sobre e para os serviços de saúde, mostra o cuidado com que a autora debruça-se sobre os temas que investiga e estuda, proporcionando-nos uma importante e sintética revisão sobre o assunto. Apresenta todos os pontos que cercam o tema. Entretanto, duas questões são suscitadas a partir da leitura do texto.

Uma questão não trabalhada por Novaes merece atenção da autora em face de um aparente paradoxo existente. Sua afirmação de que "é possível considerar que a produção bibliográfica de artigos relativos à pesquisa em serviços de saúde, com o recorte adotado, nas revistas brasileiras é pequena ..." contrasta com as centenas de comunicações que são apresentadas nos Congressos promovidos pela Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO), seja naqueles de Epidemiologia 1, seja naqueles de Saúde Coletiva, especialmente no caso deste último realizado em 2003, na cidade de Brasília. O número de trabalhos registrados, nesses congressos, abordando os sistemas e serviços de saúde e neles produzidos, excede às mais otimistas das expectativas. No VII Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, mais da metade de cerca de sete mil comunicações foi produzida em serviços de saúde, trabalhando questões referentes a essas instâncias de trabalho, e, certamente, uma proporção razoável daquelas oferecidas pelos centros universitários e de pesquisa investigou, igualmente, objetos semelhantes e de interesse do campo dos serviços de saúde. A questão ganha maior relevância na medida em que a própria autora reconhece, valendo-se da literatura existente, que se detecta "um investimento nos últimos anos em 'epidemiologia em serviços de saúde', por parte dos gestores e profissionais envolvidos na organização e prestação da atenção à saúde ...". Em virtude da correção de sua afirmação da pequena probabilidade de que esse material esteja escoando pelas revistas internacionais, fica a indagação do que isso vem a representar para a produção de conhecimentos e para os avanços percebidos no SUS, notadamente quando se observa o crescente interesse com o recém-implementado Programa Saúde da Família em praticamente todos os estados brasileiros. Pergunta-se se essa produção não é desdobrada em artigos técnico-científicos pelos próprios autores, revelando uma característica de nossa comunidade? Ou, como propõem alguns, é possível supor alguma barreira editorial que impede a visibilidade dessa produção.

De outro lado, vale destacar, a partir das considerações finais, quando explicita a "necessidade urgente de articular de forma efetiva aqueles que financiam, utilizam e produzem as pesquisas em serviços de saúde", os esforços feitos pelo Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde (BIREME/ OPAS) para o estabelecimento de "fontes de informação de apoio aos processos de tomada de decisão nos diferentes níveis dos sistemas nacionais de saúde" (http://www.bireme.br/bvs/mural/mural04.htm, acessado em 17/Jul/2004). Esta iniciativa da BIREME, mobilizando pesquisadores, gerentes/administradores e gestores, articulando-os na produção, difusão e utilização de conhecimentos e tecnologias, responde às dificuldades identificadas no Reino Unido, como aponta a autora, citando o British Medical Journal. Merece, portanto, a sua efetivação e aprimoramento para que não só se viabilize o processo de informação para a tomada de decisão em todos os níveis de atuação, como também sirva de estímulo para que o desenvolvimento da ciência e tecnologia e a inovação em saúde possam, como bem postula a autora, ocupar seu devido papel nas sociedades contemporâneas e ser compreendidos dentro deste.

 

 

1. Teixeira CFS. Epidemiologia e planejamento de saúde. Ciênc Saúde Coletiva 1999; 4:287-303.