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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.22 n.3 Rio de Janeiro Mar. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2006000300025 

RESENHAS BOOK REVIEWS

 

 

Virginia Alonso Hortale; Maria do Carmo Leal

Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil

 

 

USING KNOWLEDGE AND EVIDENCE IN HEALTH CARE: MULTIDISCIPLINARY PERSPECTIVES. Limieux-Charles L, Champagne F, editors. Toronto: University of Toronto Press; 2004. 290 pp.
ISBN: 0802089321

Como resultado do trabalho de pesquisadores que buscaram melhor compreender a relação entre conhecimento e evidência e seu uso em diversos contextos, nos processos de decisão no campo da atenção à saúde, a Universidade de Toronto lançou em 2004 a coletânea Using Knowledge and Evidence in Health Care: Multidisciplinary Perspectives (ainda não traduzido para o português). Seus autores realizaram uma ampla discussão sobre uma das principais vertentes contemporâneas tanto da pesquisa na atenção à saúde, da formulação de políticas, quanto da prestação de serviços, que é a "decisão baseada em evidências" (em inglês "evidence based decision making" ­ EBDM).

Para quem não conhece, a "decisão baseada em evidências" parte do pressuposto que a evidência é produzida por pesquisadores em laboratórios (ou outros ambientes controlados) e oferecidos aos clínicos que a avaliam com critérios rigorosos para utilizá-la de forma apropriada na prática clínica. O modelo utilizado é racional, dirigido ao conhecimento e orientado para a solução de problemas instrumentais.

Nessa coletânea são descritos as matrizes conceituais e os modelos de utilização do conhecimento e as evidências na atenção à saúde e em outros âmbitos. São também discutidos os pressupostos em que se baseiam as teorias do conhecimento e as concepções multidisciplinares na sua utilização para a obtenção de evidências na atenção à saúde, explorando alguns dos desafios e limites do seu uso em diferentes contextos de atenção à saúde.

Seus autores discutem de forma clara sobre as singularidades da transferência de conhecimento, e defendem a necessidade de que a decisão baseada em evidências não se comporte como uma extensão lógica e linear da ciência, mas sim de previsão de resultados e que, enquanto processo social, a evidência deve caminhar lado a lado das preferências pessoais, do poder profissional e das características da organização. É importante destacar que não há, por parte dos autores, o pressuposto de que quanto mais as evidências de pesquisas forem utilizadas serão necessariamente produzidas melhores decisões, já que elas são um resultado para ser provado e não presumido.

De um lado, a coletânea nos lembra sobre a importância das abordagens disciplinares e da ciência básica para entender as questões sociais, em que cada disciplina ou campo tem o que oferecer para a melhor compreensão do domínio da decisão baseada em evidência. De outro, sobre a importância de uma epistemologia compartilhada entre aqueles que produzem evidência e aqueles para os quais a evidência é produzida e que decisões institucionais não são obtidas pela simples soma de decisões individuais. Além disso, os autores chamam a atenção de que o tema deve ser compreendido em toda sua complexidade e que, além de incorporar a racionalidade do conhecimento, deve considerar o papel das organizações e da interação entre os indivíduos e elas.

Em resumo, as decisões sobre a melhor evidência científica são o reflexo da competição entre interesses, de negociações e de diálogo, na maioria das vezes determinantes e implicando questões de natureza ética. Daí a necessidade de uma ampla participação de gestores, profissionais e usuários.