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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.23 n.2 Rio de Janeiro Feb. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2007000200014 

ARTIGO ARTICLE

 

Prevalência do risco para fraturas estimado pela ultra-sonometria óssea de calcâneo em uma população de mulheres brasileiras na pós-menopausa

 

Prevalence of fracture risk estimated by quantitative ultrasound of the calcaneus in a population of postmenopausal women

 

 

Patrícia Pereira de OliveiraI; Evandro Mendes KlumbII; Lizanka Paola Figueiredo MarinheiroI

IInstituto Fernandes Figueira, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil
IIFaculdade de Medicina, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

Observa-se uma forte tendência de envelhecimento da população mundial levando a um aumento da prevalência de doenças como a osteoporose e fraturas. O objetivo deste estudo foi determinar a prevalência de risco para fraturas estimado pela ultra-sonometria óssea de calcâneo em uma população de mulheres na pós-menopausa, residentes na Ilha de Paquetá, Rio de Janeiro, Brasil. Realizamos medidas antropométricas e ultra-sonometria óssea de calcâneo com aparelho Sonost 2000 em 385 mulheres pós-menopausadas. Observamos que 59,22% da amostra apresentava T-score < -1, sendo que 16,88% tinham T-score < -2,5. Houve variação em todos os parâmetros do exame conforme o aumento da idade, e diferença estatisticamente significativa (p < 0,05) entre os grupos de risco para fratura por idade, tempo de menopausa, peso, IMC e percentual de gordura corpórea. Houve correlação entre velocidade do som e IMC (r = 0,155; p = 0,002). Concluímos que cerca de 60% da população feminina estudada apresenta algum grau de risco para fraturas. As mulheres do grupo de maior risco (T-score < -2,5) eram mais velhas, com maior tempo de menopausa, maior peso e IMC do que as dos outros grupos.

Calcâneo; Fraturas Ósseas; Osteoporose; Pós-menopausa


ABSTRACT

A strong aging tendency is currently being observed in the world population, leading to an increase n the prevalence of such diseases as osteoporosis and fractures. This study aimed to determine the prevalence of fracture risk, estimated by quantitative ultrasound of the calcaneus in a population of postmenopausal women residing in the Ilha de Paquetá neighborhood of Rio de Janeiro, Brazil. We conducted anthropometric measurements and quantitative ultrasound of the calcaneus using Sonost 2000 in 385 postmenopausal women. Some 59.22% of the sample showed a T-score < -1, while 16.88% had T-score < -2.5. The test parameters varied with increasing age, with a statistically significant difference (p < 0.05) between fracture risk groups according to age, time since menopause, weight, BMI, and body fat. There was a correlation between sound velocity and BMI (r = 0.155; p = 0.002). We concluded that some 60% of the female study population showed some degree of fracture risk. The women at highest risk (T-score < -2.5) were older, with more time since menopause, and had higher weight and BMI as compared to the other groups.

Calcaneus; Bone Fractures; Osteoporosis; Postmenopause


 

 

Introdução

A osteoporose é uma doença osteometabólica caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea, com alterações na sua microestrutura que conduzem a um aumento da fragilidade óssea e uma tendência a fraturas por traumatismos pouco intensos 1. Estas constituem o verdadeiro problema de saúde pública devido à sua alta taxa de morbimortalidade e altos custos. Estima-se que 70% das fraturas de quadril esperadas para 2050 ocorrerão na Ásia, América Latina e África 2. No Brasil, dados epidemiológicos sobre a incidência ou prevalência de fraturas são escassos. A incidência anual de fratura de quadril em mulheres acima de sessenta anos na cidade de Marília, São Paulo, em 1995, foi de 50,03/10 mil habitantes 3; na cidade de Sobral, Ceará, nos anos de 1996/2000, foi de 20,70/10 mil habitantes 4; e na cidade de Fortaleza, Ceará, no ano de 2001/2002 foi de 27,7/10 mil habitantes 5.

A densitometria óssea é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de osteoporose pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1994, porém este exame estima apenas a densidade mineral óssea. A ultra-sonometria óssea busca refletir outros parâmetros além da densidade mineral óssea, avaliando o risco de fratura com eficiência similar à densitometria óssea 6,7,8,9. No Brasil, Pinheiro et al. 10,11 observaram associação semelhante utilizando a mesma curva normativa referida pelo fabricante, já testada para a população brasileira em estudo prévio 12. Recentemente, Pinheiro et al. 13,14 também observaram a associação entre os baixos valores na ultra-sonometria óssea e aumento de rico de mortalidade cardiovascular e geral a longo prazo.

Este estudo teve como objetivo estimar a prevalência de risco aumentado para fraturas estimado pela ultra-sonometria óssea de calcâneo em uma população de mulheres brasileiras na pós-menopausa, e correlacionar os achados com dados clínicos e antropométricos.

 

Material e métodos

Realizamos um estudo transversal com recrutamento por auto-seleção ou demanda espontânea no ano de 2003 na Ilha de Paquetá, Rio de Janeiro, Brasil. Foram estudadas 385 mulheres na pós-menopausa (diagnóstico clínico), residentes no local, após a aplicação dos critérios de exclusão (existência de pino metálico ou edema com cacifo em ambos os pés, ou impossibilitadas de posicionar os pés no aparelho de ultra-sonometria óssea). Todas as mulheres responderam a um questionário previamente estruturado e foram submetidas a medidas antropométricas e à ultra-sonometria óssea de calcâneo. Esse local foi escolhido para a realização do estudo por ser uma ilha, com população fechada de fácil seguimento. A população fixa total é de 3.421 pessoas, sendo que 20,8% deste total são idosos, 10,9% são negros, 25,6% são pardos e 0,1% índios. Quase sua totalidade reside no local desde o nascimento, sendo que somente 5,44% dos homens e 5,84% das mulheres são imigrantes oriundos de outros Estados 15. O transporte urbano é feito basicamente a pé, por bicicletas ou charretes puxadas por ciclistas ou cavalos. Não existem automóveis particulares ou ônibus.

O questionário era composto por dados sócio-demográficos e história reprodutiva pessoal sumária. Os dados antropométricos foram aferidos segundo critérios adotados internacionalmente. O índice de massa corporal (IMC) foi calculado como peso/altura2 (kg/m2) e classificado conforme adaptação do preconizado pela OMS desde 1998 em: baixo se < 18,5kg/m2; normal entre 18,5 e 24,9kg/m2; e acima do normal se > 25kg/m2 16. Para o cálculo de predição de gordura corporal (G%) utilizou-se a metodologia preconizada por Pollock et al. (1980, apud Fontanive & De-Paula 16). As medidas de ultra-sonometria óssea foram realizadas com aparelho Sonost 2000 (Osteosys Co. Ltd., Coréia do Sul) utilizando o pé esquerdo, de acordo com manual de operações fornecido pelo fabricante. A velocidade do som foi fornecida em m/s, a atenuação do som em dB/MHz e o índice de qualidade óssea calculado a partir dos dois primeiros. Os resultados foram elaborados conforme curva de normalidade fornecida pelo programa a partir do T-score calculado em desvios-padrão da média dos resultados em adultos jovens, com interpretações e resultados gráficos destacados em cores. Valores alterados na ultra-sonometria óssea foram definidos como resultados de T-score abaixo de -1. Nós adotamos a mesma estratificação em faixas estabelecidas para osteoporose pela OMS baseadas no T-score porque acreditamos que há similaridade entre os dois métodos para avaliação de risco para fraturas, já que a redução de 1 desvio-padrão nos parâmetros da ultra-sonometria óssea é associado a aumento no risco para fraturas similar ao encontrado com a mesma redução na densitometria óssea. Consideramos T-score > -1 como baixo risco, T-score < -2,5 como alto risco, e os valores intermediários como médio risco.

Os parâmetros da ultra-sonometria óssea foram analisados segundo faixas etárias e tempo de duração da menopausa em grupos de cinco anos a partir de cinqüenta anos. A prevalência do risco para fraturas estratificadas por faixas de T-score foi analisada segundo a idade, o tempo de menopausa, tipo de menopausa (natural ou cirúrgica) e os dados antropométricos para fins de comparação com a literatura. Todos os parâmetros da ultra-sonometria óssea foram correlacionados com a idade, o tempo de menopausa e os dados antropométricos por meio do coeficiente de correlação de Pearson (r). O IMC foi estratificado em faixas (normal, abaixo ou acima do normal) para análise segundo as faixas do T-score.

A significância estatística entre as variáveis categóricas foi avaliada por meio de testes c2 ou testes exatos de Fisher. Para as variáveis contínuas foram calculadas as medidas de tendência central (média, mediana) e de dispersão (variância, amplitude). A significância estatística para a diferença de médias foi avaliada utilizando-se testes paramétricos (teste t) ou análise de variância (ANOVA) de um fator, quando indicado. O coeficiente de correlação de Pearson foi utilizado para avaliar a correlação entre variáveis contínuas. O nível de significância adotado foi de 5%, sendo os valores entre 5% e 10% considerados limítrofes. A análise estatística dos dados foi realizada com programa SPSS versão 8.0 (SPSS Inc., Chicago, Estados Unidos).

Este estudo obedeceu aos critérios de ética preconizados pela Resolução n. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, Ministério da Saúde, tendo sido previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Fernandes Figueira, Fundação Oswaldo Cruz.

 

Resultados

A idade da população estudada variou entre 42 e 95 anos, com média de 64,63 ± 9,93 anos. A média da renda familiar e da renda per capita foi de 4,51 ± 3,67 e de 2,21 ± 2,23 salários mínimos, respectivamente. Na Tabela 1 estão listadas as características gerais da população de estudo, e na Tabela 2 as suas características antropométricas e reprodutivas. As médias e desvios-padrão (DP) dos parâmetros da ultra-sonometria óssea foram de: 1.628,57 ± 36,17 para velocidade do som (m/s), 56,52 ± 25,08 para atenuação do som (dB/MHz), 81,604 ± 23,82 para índice de qualidade óssea, e -1,282 ± 1,32 para o T-score.

 

 

 

 

Quando analisados os valores do T-score, observamos que 59,22% (n = 228) da amostra apresentavam algum tipo de alteração (T-score < -1). Esse grupo era composto por mulheres mais idosas (66,58 vs. 61,80 anos), com menor peso (63,92 vs. 67,37kg), menor altura (1,55 vs. 1,56m) e menor G% (29,81 vs. 32,13%) quando comparado com o grupo com T-score > -1 (p < 0,05). A divisão do T-score nas categorias propostas evidenciou que 40,77% (n = 157) da amostra possuíam valores considerados como de baixo risco para fraturas, 42,33% (n = 163) como risco moderado, e 16,88% (n = 65) como alto risco.

Idade e tempo de duração da menopausa

Em nosso estudo, a redução global dos parâmetros da ultra-sonometria óssea relacionada à idade (da 6ª para a 8ª década de vida) foi de 19,8% para o índice de qualidade óssea, 21,5% para atenuação do som e 1,9% para a velocidade do som. Quando analisamos os resultados segundo as faixas etárias, observamos que a partir de 55 anos há uma redução de todos os resultados dos parâmetros do exame conforme aumenta a idade (p < 0,05). A correlação inversa apresentou significância estatística (p < 0,001) para todos os parâmetros da ultra-sonometria óssea (atenuação do som, r = -0,192; velocidade do som, r = -0,318; índice de qualidade óssea, r = -0,275), refletindo-se no T-score (Figura 1). A agregação desses achados em faixas de dez anos mostrou um aumento gradativo na prevalência da faixa com alto risco para fraturas (T-score < -2,5): 50-60 anos, 8,62%; 60-70 anos, 14,29%; acima 70 anos, 27,83%. Não houve associação linear ou correlação entre os parâmetros da ultra-sonometria óssea e o tempo de menopausa (p > 0,05).

A divisão da população nas categorias propostas para risco de fraturas mostrou que os grupos são significativamente diferentes quanto à idade atual e o tempo de menopausa (p < 0,05), sendo que as mulheres do grupo de maior risco (T-score < -2,5) eram mais velhas e com maior tempo de menopausa do que as dos outros grupos (Figura 2). A comparação entre os valores de T-score não apresentou diferença estatística com relação ao tipo de menopausa (natural ou cirúrgica), nem quanto à presença ou não dos ovários.

Dados antropométricos

Estratificamos a população nas três categorias propostas para risco de fratura e verificamos que os grupos são significativamente diferentes para o peso, IMC e G% (p < 0,001). As mulheres do grupo de alto risco (T-score < -2,5) tinham maior peso e IMC do que as do grupo de menor risco (p < 0,001). Ao analisarmos a correlação com cada parâmetro da ultra-sonometria óssea, notamos que existe significância entre velocidade do som e IMC (r = 0,155; p < 0,001). Ao dividirmos as mulheres em grupos de peso (normal, abaixo e acima do normal), observamos que existe uma diferença estatisticamente significativa da média do T-score entre os grupos (média = -1,17, -2,11, -1,16, respectivamente; p = 0,043).

 

Discussão

Nosso estudo mostrou resultados que foram ligeiramente superiores aos encontrados por Kim et al. 17 numa população feminina rural coreana, e inferiores aos do estudo chinês de Lin et al. 18 realizado em um grande centro urbano. Kim et al. 17 encontraram uma prevalência de exames alterados de 46%, sendo que 11,8% apresentavam T-score < -2,5 em uma população com idade média de 62,5 ± 8,2 anos e tempo de menopausa de 14,6 ± 9,9 anos, similares à do nosso estudo. Já Lin et al. 18 optaram por analisar uma população heterogênea de homens e mulheres, cujo pico de prevalência de valores de T-score < -2,5 na população feminina ocorreu acima dos oitenta anos (68,57%).

Embora a incidência de osteoporose seja maior em na raça asiática 19 e diferenças étnicas e genéticas possam explicar diferenças de prevalência em populações distintas, as mulheres coreanas estudadas representaram um grupo heterogêneo quanto ao período de vida (de pré a pós-menopausa) e como atividade laboral pesada (92% eram fazendeiras), se comparadas à população de nosso estudo, fatores esses com influências não desprezíveis sobre a densidade e a qualidade ósseas, o que poderia afetar o resultado final da análise. Em contraponto, a população estudada por Lin et al. 18 talvez tenha hábitos mais sedentários por residir em um grande centro urbano, já que apresentou maior prevalência em mulheres com idade média menor (51,5 ± 11,7 anos). Essas diferenças na densidade mineral óssea entre populações rurais e urbanas já vêm sendo discutidas na literatura. Sanders et al. 20 e Cevalley et al. 21 também observaram uma incidência menor de fraturas de quadril na população rural quando comparada à urbana com semelhante magnitude (32% e 31%, respectivamente), talvez devido à maior atividade física requerida e/ou ao menor risco para quedas por manutenção do equilíbrio. Dessa forma, a população feminina da Ilha de Paquetá representaria um meio termo entre as duas populações asiáticas, porque embora não exerçam trabalho extenuante também não são sedentárias extremas, já que a maioria é responsável pelo trabalho doméstico e utiliza bicicleta ou caminhada para o deslocamento.

Na Venezuela, Franco et al. 22 utilizaram os pontos de corte estabelecidos pela OMS para diagnóstico de osteopenia e osteoporose para rastreamento populacional por utra-sonometria óssea, e encontraram 49,7% das 12.752 mulheres (idade média de 55 anos) com valores T-score entre -1,0 e -2,5, e 11,6% abaixo de -2,5. Embora tenham empregado esse método para diagnóstico da doença e a média de idade da população tenha sido mais jovem do que a nossa, podemos observar cifras de exames alterados similares (61,30% vs. 59,22%), o que talvez expresse a comparabilidade das populações latinas.

Hupio et al. 23 realizaram estudo prospectivo com 422 mulheres finlandesas climatéricas (idade média de 59,6 anos), das quais 90,6% estavam na menopausa ao início do acompanhamento, e mostraram menores valores de atenuação do som, velocidade do som e Stiffness Index entre o grupo de mulheres fraturadas. Todos esses fatores foram preditores independentes da densidade mineral óssea. A média do T-score para o grupo com fratura foi de -1,5 (IC95%: 1,7; -1,2) e para o sem fratura foi de -1,0 (IC95%: -1,1; -0,9). A maioria das fraturas estava agrupada no menor tercil da velocidade do som e do Stiffness Index. Os autores estabeleceram T-score -1,2 como ponto de corte a partir do qual haveria risco aumentado para fraturas. Ponderando o fato de que consideramos alterados exames com T-score < -1, poderíamos sugerir que 59,22% de nossa população encontram-se com risco aumentado para a ocorrência de fraturas por fragilidade, mesmo sabendo que provavelmente exista uma sobreposição de mulheres com e sem risco neste grupo.

Na faixa etária acima dos setenta anos observamos uma prevalência de 27,83%, alertando para a importância de se realizar uma avaliação mais cuidadosa das mulheres mais idosas e/ou com baixos valores ao exame, que constituem um grupo de maior risco para ocorrência de fraturas. Hamanaka et al. 24 avaliaram 260 mulheres japonesas com idade média de 67,1 ± 6,1 anos, demonstrando que mulheres com fraturas eram mais velhas e possuíam menores valores nos parâmetros da ultra-sonometria óssea do que as sem fraturas. Bauer et al. 6, também demonstraram que mulheres com fraturas eram mais idosas e tinham menores valores de atenuação do som do que as sem fraturas. Kung et al. 25 demonstraram que mulheres com osteoporose (com ou sem fraturas) possuíam menores valores em todos os parâmetros da ultra-sonometria óssea, menor IMC e maior idade quando comparadas aos controles. Cepollaro et al. 7 evidenciaram associação entre baixos valores dos parâmetros da ultra-sonometria óssea, maior idade e tempo de menopausa e fraturas vertebrais em mulheres.

A observação de que a prevalência dos baixos valores de T-score aumenta com a idade também foi feita por Kim et al. 17 e por Lin et al. 18. Segundo os valores do T-score de maior risco (< -2,5), nossa população apresentou em média maior prevalência de exames alterados quando comparada com a população de Kim et al. 17 (50-60 anos, 5,9%; 60-70 anos, 9,4%; acima de 70 anos, 31,37%), porém menor se comparada ao estudo chinês de Lin et al. 18 (9,54% na faixa de 50-60 anos; 28,92% de 60-70 anos; 51,1% de 70-80 anos; e 68,59% acima dos 80 anos).

Quando observamos o comportamento dos parâmetros da ultra-sonometria óssea (atenuação do som, velocidade do som, índice de qualidade óssea) segundo a faixa etária das mulheres estudadas, observamos uma variação em todos os parâmetros do exame com o aumento da idade, conforme demonstrado em outros estudos 17,18,26. Mautalen et al. 27, em um estudo com mulheres argentinas, observaram quase o dobro de redução (28%, 13% e 4%, respectivamente), enquanto Kim et al. 17 quantificaram esta redução em 24,7%, 15,2% e 2,1%, valores mais próximos dos encontrados por nós. Na França 28, na Itália 29 e no Japão 30 os estudos demonstraram variações na ordem de 24 a 32% para Stiffness Index, 9 a 17% para atenuação do som, e 3 a 5% para velocidade do som. Castro et al. 31 observaram reduções em até 41% para Stiffness Index em mulheres brasileiras entre a 2ª e 8ª décadas de vida. As amplas variações podem estar relacionadas ao fator étnico ou genético de cada população, porém devemos também questionar o modo de realização do exame e a curva normativa utilizada para obtenção do resultado final. Não foi possível estabelecer comparação direta entre índice de qualidade óssea e Stiffness Index porque embora ambos sejam calculados a partir da velocidade do som e atenuação do som para reduzir os coeficientes de variação, não podem ser equiparados por derivarem de diferentes fórmulas.

A velocidade do som parece ser o parâmetro com maior tendência a sofrer decréscimo linear em nosso estudo, assim como o índice de qualidade óssea. Segundo Cepollaro et al. 7, a velocidade do som e o Stiffness Index são fatores independentes para risco de fraturas. Pinheiro et al. 10 também encontraram associação entre ocorrência de fraturas e menores valores na velocidade do som, porém esta associação não persistiu após ajuste para idade.

Não observamos redução linear nos parâmetros da ultra-sonometria óssea com o aumento do tempo de menopausa como sugerido por outros estudos. Kim et al. 17 demonstraram que a idade, duração da menopausa e IMC permaneceram independentemente associados com baixos valores nos parâmetros da ultra-sonometria óssea. Pluskiewicz & Drozdzowska 26 demonstraram associação entre diminuição dos valores da atenuação do som e velocidade do som com aumento do tempo da menopausa em mulheres com fraturas. Pinheiro et al. 32 demonstraram correlação inversa estatisticamente significativa (p < 0,001) entre tempo de menopausa e todos os parâmetros da ultra-sonometria óssea (r = -0,48 para atenuação do som; r = -0,57 para velocidade do som; r = -0,62 para Stiffness Index).

Nós observamos que o grupo com maiores alterações ao exame (T-score < -2,5) era basicamente composto por mulheres com maiores valores de peso, IMC e G%, parâmetros classicamente estabelecidos como protetores. Embora esse dado demonstre contrariedade com a literatura, que estabelece relação inversa entre obesidade e osteoporose/fraturas, em nosso estudo ter maior peso, IMC e/ou G% não seriam fatores de risco para um exame alterado, e sim, características das mulheres mais idosas em um contexto social de baixa escolaridade e renda. Esse fato é confirmado pelos resultados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição 33 e pelo estudo populacional de Gigante et al. 8, que demonstraram caráter ascendente da obesidade nos estratos de mulheres com baixa renda residentes na região Sudeste. Ao mesmo tempo em que observamos que 72,9% do grupo com T-score < -2,5 era formado por mulheres com peso acima do normal, verificamos que 45,5% de todas as mulheres de baixo peso estavam inseridas neste grupo.

A associação entre baixo IMC e baixos valores na ultra-sonometria óssea é descrita em estudos prévios 10,17,18. Glüer et al. 34 e Hamanaka et al. 24 demonstraram que mulheres com fraturas possuíam menores valores nos parâmetros ultra-sonográficos e menor altura e peso do que o grupo de mulheres sem fraturas. Já Stewart et al. 35 encontraram significância apenas em relação ao peso menor entre pacientes com fraturas, e Louis et al. 36 não estabeleceram relações significativas entre peso ou altura e os parâmetros da ultra-sonometria óssea.

Um possível viés seria a curva normativa utilizada para fornecimento dos valores da ultra-sonometria óssea. Utilizamos as referências do aparelho fornecidas pelo fabricante baseado em estudo brasileiro que demonstrou a similaridade entre as duas curvas de referência 12, conferindo para o mesmo um bom grau de confiabilidade. A existência de estudos equiparando múltiplas máquinas de ultra-sonometria óssea utilizando gel ou água 37,38,39,40, e do estudo de Rodrigues et al. 41 demonstrando a boa correlação entre Sonost 2000 e a resistência óssea em humanos, nos permitem ter uma relativa segurança com o seu uso.

Apesar do uso da ultra-sonometria óssea não estar ratificado para o diagnóstico ou acompanhamento da terapêutica para osteoporose, existem evidências de que o mesmo é relativamente seguro para avaliar o risco de fraturas em mulheres idosas 42. O Consenso Brasileiro de Osteoporose 19 esclarece que a ultra-sonometria óssea fornece parâmetros que se correlacionam ao risco de fratura do colo femoral em pacientes acima dos 65 anos, mas que não se correlacionam com outras aplicações da densitometria óssea. Alguns autores sugerem que a ultra-sonometria óssea possa ser utilizada como rastreamento para a realização da densitometria óssea 6,43,44,45 ou como uma alternativa para seleção de pacientes de risco para intervenção/prevenção 9,10.

Este é um estudo de prevalência no qual avaliamos valores de um exame de baixo custo para rastreamento de uma população em risco para fraturas em um momento único, e não o risco real para fraturas. Para essa comprovação, faz-se necessário o acompanhamento dessa população por meio de um estudo prospectivo com a mesma.

 

Conclusão

Nosso estudo estimou a prevalência de baixos valores na ultra-sonometria óssea em uma população feminina brasileira na pós-menopausa, o que poderia nos sugerir a prevalência aproximada da população em risco para fraturas. Também demonstrou um aumento do risco de fratura com o aumento da idade, e que o grupo alterado (T-score < -1,0) foi constituído por mulheres mais idosas, com maior peso, e menores altura e percentual de gordura corpórea. Nossos resultados foram semelhantes aos encontrados em outros estudos, podendo traduzir a homogeneidade relativa na prevalência de risco para fraturas dentre a população feminina mundial idosa.

A descrição da distribuição de um agravo de saúde em uma população é uma das fontes imprescindíveis para o planejamento e a administração de ações voltadas para a prevenção e tratamento da mesma, tanto em nível coletivo quanto individual. A adoção de um método mais barato e prático para o rastreamento da população de risco para fraturas em países em desenvolvimento, propiciaria a quantificação do problema e o planejamento de intervenções precoces que impedissem ou retardassem sua ocorrência. Nós sugerimos a utilização desse novo método para rastreamento da população em risco aumentado para fraturas, visando a uma intervenção mais precoce com objetivo de reduzir a incidência desse agravo.

 

Colaboradores

P. P. Oliveira participou da elaboração do projeto, coleta de dados, análise e interpretação dos dados, elaboração dos resultados, revisão bibliográfica crítica, produção do texto. E. M. Klumb e L. P. F. Marinheiro contribuíram na elaboração do projeto e dos resultados, interpretação dos dados e produção do texto.

 

Referências

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Correspondência
P. P. Oliveira
Instituto Fernandes Figueira
Fundação Oswaldo Cruz.
Rua Barata Ribeiro 86, apto. 403, Rio de Janeiro, RJ
22011-002, Brasil.
ppoliveira75@globo.com

Recebido em 11/Mai/2005
Versão final reapresentada em 27/Set/2005
Aprovado em 03/Jul/2006