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vol.24 suppl.3Methods used in the 1982, 1993, and 2004 birth cohort studies from Pelotas, Rio Grande do Sul State, Brazil, and a description of the socioeconomic conditions of participants' families author indexsubject indexarticles search
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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.24  suppl.3 Rio de Janeiro Jan. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2008001500001 

EDITORIAL

 

Da gestação aos 12 meses de idade: mudanças no perfil de saúde materno-infantil nas três coortes de nascimentos de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 1982-2004

 

 

Este suplemento dos Cadernos de Saúde Pública apresenta os resultados comparativos de três coortes de nascimento acompanhadas em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Brasil, em relação aos primeiros 12 meses de vida das crianças. As análises envolveram mais de 15 mil nascimentos ocorridos em 1982, 1993 e 2004, período em que nosso país vivenciou profundas transformações políticas, sociais e econômicas. Acompanhando esse processo, tivemos nesses 22 anos importantes mudanças no perfil epidemiológico dos agravos e das exposições de risco, assim como uma total reordenação no sistema nacional de saúde, com a criação do Sistema Único de Saúde em 1988. O conjunto de resultados apresentados neste suplemento constitui um retrato fiel dessas mudanças, na perspectiva de uma cidade de médio porte no interior do sul do país. A singularidade da fonte dos dados não representa, no entanto, limitação à sua validade como representante de uma realidade muito mais geral - a comparação de alguns resultados das coortes de Pelotas com dados médios nacionais mostra grandes semelhanças. De outro lado, a qualidade das informações por meio de estudos de coorte, resguardando a temporalidade dos eventos, dá ao panorama aqui apresentado importância especial. A realização de não apenas uma, mas três coortes de nascimento em uma mesma base geográfica, com intervalos de 11 anos entre si, colocam o Brasil em posição de destaque no cenário epidemiológico mundial. Essa é uma situação única entre países em desenvolvimento. Algumas nações ricas, como os Estados Unidos e a França, embora experientes na condução de coortes de adultos, estão iniciando agora suas coortes de nascimento. As vantagens desse tipo de estudo incluem a possibilidade de testar hipóteses de efeitos em longo prazo de exposições ocorridas durante a gestação (por meio da programação fetal) e nos primeiros anos de vida sobre a morbidade e as causas de mortalidade na vida adulta. No momento em que as doenças crônicas complexas dominam o quadro de morbidade tanto nos países ricos como nos pobres em transição demográfica e nutricional, a identificação precoce dos indivíduos em risco de adoecer assume papel primordial. Além disso, as coortes possibilitam acompanhar com detalhe o ciclo vital e o efeito das trajetórias de vida (por exemplo, engordar/emagrecer; enriquecer/empobrecer; e vice-versa) sobre esse ciclo.

As coortes de Pelotas têm sido visitadas com regularidade, sendo que a mais antiga, iniciada em 1982, já tem mais de uma dezena de acompanhamentos (de coorte inteira ou de amostras). A coorte mais jovem, de 2004, já está em seu quinto acompanhamento, aos quatro anos. Os acompanhamentos das três coortes realizados quando os participantes do estudo atingem uma mesma idade cronológica têm permitido documentar a "transição epidemiológica" de vários aspectos da saúde. Como fica claro nos artigos que se seguem, nesses 22 anos importantes mudanças relacionadas à situação econômica, peso ao nascer, prematuridade, mortalidade, estado nutricional etc. foram observadas. Convidamos os leitores a apreciar essas informações nos artigos. Esperamos que elas possam subsidiar ações, programas e políticas. Localmente, com base nos resultados sobre mortalidade infantil, a secretaria municipal de saúde solicitou apoio para planejamento e execução de intervenções que pudessem reverter o quadro de saúde infantil. Uma série de ações foram implementadas, resultando na redução da mortalidade infantil de 20 para 12,3 por mil nascidos vivos entre 2004 e 2007, atingindo o valor médio do Estado do Rio Grande do Sul.

 

 

Iná S. Santos
Programa de Pós-graduação em Epidemiologia, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, Brasil.
inasantos@uol.com.br

Aluísio J. D. Barros
Programa de Pós-graduação em Epidemiologia, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, Brasil.
abarros.epi@gmail.com