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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.28 n.6 Rio de Janeiro Jun. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012000600014 

ARTIGO ARTICLE

 

Prevalência do exame preventivo de câncer do colo do útero em Rio Branco, Acre, Brasil, e fatores associados à não-realização do exame

 

Prevalence of uterine cervical cancer testing in Rio Branco, Acre State, Brazil, and factors associated with non-participation in screening

 

 

Maria Fernanda de Sousa Oliveira BorgesI; Leila Maria Geromel DottoI; Rosalina Jorge KoifmanII; Margarida de Aquino CunhaI; Pascoal Torres MunizI

IUniversidade Federal do Acre, Rio Branco, Brasil
IIEscola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo do estudo foi determinar a prevalência autorreferida do exame preventivo de câncer do colo uterino em Rio Branco, Acre, Brasil, e avaliar fatores associados com a não realização do exame. Trata-se de estudo transversal de base populacional, composto por 772 mulheres de 18 a 69 anos residentes em Rio Branco, no período 2007 a 2008. Os dados foram analisados no programa Stata 10.0 e estimadas razões de prevalências a partir da regressão multivariada de Poisson. O percentual de mulheres na população alvo que relatou pelo menos um exame nos últimos três anos foi de 85,3%, com acentuada utilização do Sistema Único de Saúde (72,8%). Foram encontradas razões de prevalência estatisticamente significativas quanto à ausência do exame em mulheres de 18 a 24 anos, de 60 a 69 anos, solteiras, com menor renda e baixa escolaridade. As magnitudes encontradas nas razões de prevalência foram consistentes com achados de outros estudos, apontando maior necessidade de intervenção no grupo de mulheres mais vulneráveis à incidência e mortalidade por câncer do colo do útero.

Esfregaço Vaginal; Neoplasias do Colo do Útero; Programas de Rastreamento


ABSTRACT

The objective of the study was to determine the self-reported prevalence of uterine cervical cancer testing in Rio Branco, Acre State, Brazil, and to analyze factors associated with non-participation in screening. A population-based cross-sectional study with a sample of 772 women 18 to 69 years of age and living in Rio Branco was conducted in 2007 and 2008. Data were analyzed with Stata 10.0, and prevalence rates were estimated with Poisson multivariate regression (95%CI). 85.3% of women reported at least one cervical cancer screening test in the previous three years. The majority of women (72.8%) were screened in the Brazilian Unified National Health System. After adjusting for selected variables, statistically significant prevalence rates for absence of screening were found in women 18-24 and 60-69 years of age, single, and with low income and low schooling. The prevalence rates were consistent with findings from other studies, highlighting the need for greater intervention in the group of women most vulnerable to cervical cancer incidence and mortality.

Vaginal Smears; Uterine Cervical Neoplasms; Mass Screening


 

 

Introdução

No Brasil, de acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para os anos de 2010 e 2011, excetuando o câncer de pele não melanoma, o câncer do colo do útero foi considerado o segundo tipo de neoplasia mais incidente no sexo feminino, com risco estimado de 18/100 mil mulheres, sendo que na Região Norte este câncer é o mais frequente, apresentando taxas de incidência de 23/100 mil mulheres 1.

Em relação à mortalidade por câncer do colo do útero, dados oficiais do país apresentam taxa de mortalidade ajustada por idade de 4,9/100 mil mulheres, sendo o Norte a região onde se encontra a mais elevada taxa de mortalidade, 6/100 mil mulheres (Departamento de Informática do SUS. Indicadores e dados básicos - Brasil - 2009. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/idb2009/matriz.htm, acessado em Fev/2011).

Considerando que esta neoplasia apresenta lesões precursoras com bom prognóstico se diagnosticadas e tratadas precocemente, a forma de abordagem preconizada para o controle populacional consiste na realização do rastreamento através do exame preventivo para câncer do colo do útero 2. Este também é conhecido como exame de Papanicolaou, um procedimento simples e de baixo custo, capaz de detectar as alterações em fases pré-malignas, quando são curáveis com medidas relativamente simples 3, reduzindo o risco cumulativo de câncer do colo do útero em 84% para mulheres rastreadas a cada cinco anos, e em 91% para mulheres que se submetem ao exame a cada três anos 4.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a cobertura de 80% a 85% de rastreamento da população de risco com o exame Papanicolaou 5. No Brasil, é indicado para mulheres que já tiveram relação sexual, especialmente dos 25 aos 59 anos de idade, com periodicidade anual, sendo trienal quando dois exames anuais seguidos apresentarem resultados negativos para displasia ou neoplasia 6,7,8.

Apesar das elevadas taxas de morbimortalidade por câncer do colo uterino na Região Norte, observa-se que são escassos os estudos sobre cobertura do exame preventivo nesta região. Sendo assim, o objetivo do presente trabalho consistiu em estimar a cobertura do exame preventivo para câncer do colo do útero no Município de Rio Branco, capital do Acre, Brasil, nos três anos anteriores à pesquisa e avaliar fatores associados à não-realização do exame.

 

Métodos

Os dados analisados neste trabalho fazem parte do Inquérito de Saúde e Nutrição de Crianças e Adultos de Rio Branco-Acre, um estudo transversal, de base populacional, realizado no Município de Rio Branco, no qual a amostragem foi obtida por conglomerados em dois estágios de seleção, sendo o primeiro estágio a seleção de setores censitários e o segundo estágio a seleção de domicílios dentro de cada setor, onde foram entrevistados os residentes acima de 18 anos, configurando-se em uma amostra representativa da população geograficamente distribuída no Município de Rio Branco.

No primeiro estágio de seleção, foi utilizada como unidade primária amostral a divisão do Município de Rio Branco em 250 setores censitários, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE; http://www.ibge.gov.br) para o Censo Demográfico do ano 2000, dos quais foram selecionados os 35 setores censitários utilizados anteriormente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) em 2006.

No segundo estágio de seleção, foram sorteados 25 domicílios de cada setor, totalizando 875 domicílios. A fim de suprir prováveis perdas e recusas, foram selecionados 15% de domicílios a mais, elevando a amostra para 977 domicílios. O cálculo do tamanho amostral esteve dentro dos critérios aceitáveis de precisão com estimativa de 1.500 entrevistas para valores de prevalências para homens e mulheres acima de 18 anos residentes no município, sendo verificadas margens de erro (d) não superiores a 5% e coeficientes de variação inferiores a 10%, obtidos por meio da fórmula:

Todos os homens e mulheres, acima de 18 anos, residentes nos domicílios selecionados foram convidados a participar da pesquisa, resultando em uma amostra de 1.516 indivíduos.

A população fonte do inquérito foi composta de 863 mulheres. Para o presente estudo, foram elegíveis mulheres entre 18 e 69 anos de idade, totalizando 817 participantes, sendo registrada uma perda de 5,5% (45) devido a não resposta do módulo relacionado ao exame preventivo para câncer do colo do útero, o que resultou numa amostra de 772 mulheres.

Para a coleta de dados, foi elaborado um questionário baseado no instrumento utilizado no Inquérito Domiciliar Sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos Não Transmissíveis 9, abordando perguntas distribuídas em quatro seções: (1) sociodemográfica e econômica; (2) avaliação do uso e cobertura de serviços de saúde; (3) avaliação do estado de saúde individual, com dados de morbidade referida, estilo de vida, atividade física, entre outros e; (4) avaliação do estado nutricional. No bloco de avaliação do estado de saúde individual, havia o módulo sobre exame preventivo de câncer do colo do útero. Os dados foram coletados no período de novembro de 2007 a outubro de 2008, através de entrevista realizada por uma equipe de auxiliares de pesquisa treinados para aplicação do instrumento.

A prevalência de realização do exame preventivo para câncer de colo do útero foi definida como ter realizado o exame nos três anos anteriores à data da entrevista. Dentre as mulheres que se submeteram ao exame, foi avaliado o relato de frequência, local da demanda do último exame (rede pública ou privada) e a indicação para sua realização.

As variáveis independentes estudadas nos aspectos sociodemográficos foram idade (em anos) na data da investigação, situação conjugal, escolaridade, renda (em salários mínimos) e trabalho fora de casa. As variáveis relacionadas ao estilo de vida e condições de saúde incluíram o habito do tabagismo (indivíduos que se denominavam fumantes no momento da entrevista), autopercepção de saúde, padrão de alimentação, prática de atividade física, submissão à dosagem de glicose e colesterol sanguíneos (utilizados como aproximações indiretas do uso dos serviços de saúde), presença de alguma morbidade autorreferida, diabetes e hipertensão autorreferidas.

Para avaliar o hábito alimentar, foi criado um "índice de alimentação saudável". No questionário as variáveis referentes à alimentação foram coletadas por meio de escala de frequência de consumo alimentar (1 a 2 dias por semana; 3 a 4 dias por semana; 5 a 6 dias por semana; todos os dias; quase nunca ou nunca). Estas foram transformadas em dicotômicas: consumo usual (todos os dias/de 1 a 6 dias por semana) e consumo não usual (quase nunca/nunca). Os itens contidos no questionário foram classificados como marcadores de consumo alimentar saudável (peixe, feijão, frutas, legume ou vegetal cozido, gordura vegetal, salada crua) e marcadores de consumo alimentar menos saudável (leite integral, carne vermelha com gordura, frango com pele, refrigerante). Estas variáveis foram dicotomizadas em consumo usual sim ou não e codificadas como 0 para sim e 1 para não, nas variáveis marcadoras de consumo alimentar saudável, e 0 para não e 1 para sim nas variáveis marcadoras de consumo alimentar menos saudável. A soma total dessas variáveis é igual a 10. Definiu-se o valor 5 como ponto de corte, onde consideramos a pontuação de 0 a 4 como hábito alimentar mais saudável e de 5 a 10 hábito alimentar menos saudável. Construiu-se, assim, a variável dicotômica alimentação saudável 10.

A variável prática de atividade física foi elaborada tendo como referência a classificação da OMS 11 sobre prática de atividade física ocupacional e de lazer. Considerou-se prática de atividade física ocupacional quando o indivíduo respondeu "sim" para pelo menos uma das questões: "No seu trabalho, anda bastante a pé?"; "No seu trabalho, carrega peso ou faz outra atividade pesada?"; "Costuma ir a pé ou de bicicleta de casa para o trabalho?"; "Fica com a parte mais pesada da faxina?". Já a prática de atividade física de lazer foi classificada segundo afirmação do entrevistado ao responder se faz algum tipo de exercício físico. Portanto, a variável dicotômica atividade física foi criada considerando as respostas das duas variáveis supracitadas.

O banco de dados foi construído utilizando o pacote estatístico Epi Info 6.0 (Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta, Estados Unidos) e para análise dos dados foi utilizado o programa Stata 10.0 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos), por meio do qual as variáveis de interesse do estudo foram submetidas à análise descritiva, sendo determinadas medidas de associação através das razões de prevalências (RP). Foi utilizado o teste de qui-quadrado de Pearson e estimadas as RP a partir da regressão multivariada de Poisson, considerando-se estatisticamente significativos os valores de p < 0,05 (intervalo de 95% de confiança - IC95%) e como desfecho dessa análise a não realização do exame nos últimos três anos, a fim de identificar as características associadas com a ausência de adesão ao exame na população estudada.

O modelo de regressão de Poisson foi construído com a entrada das variáveis com valor de p < 0,20 na analise bivariada, permanecendo no modelo final as variáveis com valor de p < 0,05. As variáveis foram adicionadas passo a passo no modelo, sendo incluídas inicialmente as variáveis sociodemográficas seguidas das variáveis relacionadas ao estilo de vida e condições de saúde.

A análise foi ponderada, utilizando-se comandos do módulo svy (survey comands) do pacote estatístico Stata, o qual toma em consideração os pesos, estratos e unidades primárias de amostragem.

Em cumprimento aos requisitos exigidos pela Resolução nº. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, o projeto foi submetido à apreciação e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Acre. Todos os entrevistados foram informados quanto à participação voluntária na pesquisa, sendo-lhes assegurado o sigilo das informações por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pelos participantes.

 

Resultados

Na amostra elegível para esta pesquisa (772 mulheres), a média de idade foi de 36,6 anos (mediana 34 anos, primeiro quartil 25 anos, e terceiro quartil 46 anos), a maioria era casada ou com união consensual (55,3%), possuía até o Ensino Fundamental completo (65,3%), não trabalhava fora de casa (56,5%), apresentava renda de até um salário mínimo (54,4%), já havia se submetido a exame de colesterol sanguíneo (60,6%) e exame de glicose sanguínea alguma vez na vida (57,1%).

O percentual de mulheres que mencionaram haver realizado o exame de Papanicolaou pelo menos uma vez nos três anos anteriores, foi de 75,3% (586 mulheres). Considerando somente a população-alvo para a realização do exame, constituída por mulheres de 25 a 59 anos, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, o percentual de adesão ao exame se eleva para 85,3% (453 mulheres) (Tabela 1).

 

 

A maioria das mulheres que se submeteu ao exame (75%) utilizou a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) como local para a última coleta, 84,7% afirmaram sua realização como exame de rotina, e 61,7% referiram adotar uma periodicidade anual (Tabela 2).

Apresentaram maiores prevalências para realização do exame mulheres que pertenciam à faixa etária de 25 e 35 anos (86,4%), seguida da faixa etária de 35 a 50 anos (85,9%), casadas ou com união estável (83,6%), que possuíam o Ensino Superior ou mais (80,4%), trabalhavam fora de casa (82,5%) e informavam renda acima de 2 salários mínimos (83,7%). Quanto às características de estilo de vida e condições de saúde, maiores prevalências de adesão ao exame preventivo foram encontradas entre aquelas que praticavam atividade física (82,2%) e haviam realizado exame de colesterol (83,1%) e glicose sanguínea (82,6%), resultados com significância estatística (Tabela 3).

Quanto à análise da regressão multivariada de Poisson, para verificar fatores associados com a não realização do exame entre as mulheres de Rio Branco, as RP brutas mostraram que o estrato de mulheres não pertencentes à faixa etária alvo do programa do Ministério da Saúde, sem união estável, que não trabalhavam fora de casa e com menor renda apresentaram maiores estimativas de risco para não realização do exame.

Após ajuste com as variáveis idade, estado civil, renda e escolaridade, a variável trabalho externo ao domicílio perdeu significância estatística, e a variável escolaridade passou a apresentar associação com a não realização do exame, expressando RP de 1,74 (IC95%: 1,37-2,20) entre mulheres com escolaridade até o ensino fundamental comparativamente com aquelas de maior escolaridade.

Na análise ajustada, a faixa etária de menos de 25 anos apresentou RP de 3,19 (IC95%: 2,23-4,57) para não realização do exame comparativamente com a faixa etária alvo. Na população acima de 59 anos, a magnitude de associação foi de 2,05 (IC95%: 1,45-2,88) (Tabela 4).

 

 

Em relação à análise de associação entre as características de estilo de vida e saúde autorreferida com a não adesão ao Papanicolaou, foi observada associação somente com a variável não realização de dosagem de colesterol (RP = 1,65; IC95%: 1,12-2,42), após ajuste com idade, estado civil, renda e escolaridade (Tabela 5).

 

 

Discussão

O percentual de cobertura do exame preventivo para câncer do colo do útero encontrado neste estudo (85,3% na faixa etária de 25 a 59 anos) revela boa adesão ao exame de Papanicolaou pelas mulheres da capital do Acre, alcançando os padrões recomendados para a população de risco pela OMS e pelo Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero e Mama do Ministério da Saúde do Brasil 5,6. Em relação a essa população alvo, o percentual de adesão ao exame de Papanicolaou de Rio Branco equipara-se aos melhores resultados de inquéritos semelhantes realizados em outras capitais brasileiras 9.

Uma revisão sistemática de literatura apontou que até o ano de 2004 foram realizados no Brasil 13 estudos transversais sobre cobertura do exame de Papanicolaou, sendo quatro com amostragem não aleatória e nove de base populacional. Destes, quatro foram realizados em São Paulo (1987, 1988, 2000 e 2002), quatro no Rio Grande do Sul (1995, 1999, 2000 e 2002) e um no Paraná em 2002, com diferenças metodológicas entre estes estudos 12.

O inquérito de base populacional realizado em São Paulo, no ano de 2000, composto por uma amostra de 1.172 mulheres com idade entre 15 e 49 anos com atividade sexual, revelou que 77,3% se submeteram ao exame nos três anos anteriores à pesquisa 13. Já no inquérito de Pelotas (Rio Grande do Sul), realizado em 2002, foi encontrado o percentual de 68,8% em uma amostra de 1.198 mulheres de 25 a 59 anos 14.

Outras pesquisas de base populacional realizadas, como o estudo transversal em São Leopoldo (Rio Grande do Sul) no ano de 2003 revelou uma cobertura de 85,5% nos últimos três anos 7, um inquérito em Londrina (Paraná), no ano de 2004, encontrou cobertura de 80,7% 15 e em São Luís (Maranhão) 82,4% das mulheres informaram ter se submetido ao exame pelo menos uma vez 16.

Em 2003, foram realizados três inquéritos de base populacional de abrangência nacional. Um deles foi a Pesquisa Mundial de Saúde conduzida pela OMS em 188 municípios, que identificou uma cobertura de 66% de realização do exame nos três anos anteriores à entrevista entre mulheres de 18 a 69 anos, porém a pesquisa não contemplou o estado do Acre 17. Outro estudo foi a PNAD, na qual 68,7% das mulheres acima de 25 anos informaram ter realizado o Papanicolaou nos três anos anteriores 18. Já pelo Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos Não-transmissíveis, realizado entre mulheres de 25 a 59 anos em 15 capitais brasileiras e no Distrito Federal, não incluindo a capital do Acre, a cobertura dos exames de Papanicolaou variou de 73,4% em João Pessoa (Paraíba) a 92,9% em Vitória (Espírito Santo) 9.

Comparando nossos achados com os resultados apresentados neste último inquérito 9, o qual possui aspectos metodológicos similares ao presente estudo, a capital acreana ocupou o sexto lugar de maior adesão ao exame em relação às demais capitais brasileiras, e a primeira posição em relação às capitais selecionadas da Região Norte que participaram da referida pesquisa.

O percentual elevado encontrado em Rio Branco pode estar relacionado à natureza do estabelecimento onde ocorreu o exame, que constatou ser a rede do SUS o principal local de coleta (75%), revelando a importância do acesso ao exame de Papanicolaou pelos serviços públicos de saúde nesta capital. Em outras capitais da Região Norte, como Manaus (Amazonas - 63,4%) e Belém (Pará - 53,7%), também foram encontrados maiores percentuais de realização do exame no SUS, padrão distinto daquele observado nas regiões Sul e Sudeste, onde a rede privada apresentou maior demanda 9.

A cobertura do exame preventivo para câncer do colo do útero aumentou entre 2003 e 2008 no país, de acordo com os resultados obtidos pela PNAD, variando de 82,6% em 2003 para 87,1% em 2008, no percentual de mulheres na faixa de 25 a 59 anos que haviam realizado alguma vez o exame 18,19. A PNAD no Estado do Acre, cuja amostragem foi composta por municípios selecionados, também apresentou acréscimo percentual, variando de 70,2% em 2003 para 77,7% em 2008 na faixa etária mencionada, sendo esses valores relacionados à submissão ao exame nos três anos anteriores à pesquisa (Departamento de Informatica do SUS. Indicadores de cobertura. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabnet.exe?idb2009/f22.def, acessado em Fev/2011 / IBGE. Estados@. Acre. http://www.ibge.gov.br/estadosat/temas.php?sigla=ac&tema=pnad_saude_2008, acessado em Fev/2011).

Quanto à periodicidade do exame, a OMS recomenda a realização anual a partir dos 25 aos 59 anos de idade e, caso os resultados sejam negativos para displasia ou neoplasia por dois anos consecutivos, o intervalo poderá ser estendido para três anos 20. No presente estudo, em torno de 60% das mulheres relataram uma frequência anual de realização do exame, sugerindo facilidade de acesso aos serviços públicos em Rio Branco. Contudo, neste inquérito, não foi possível estabelecer o vínculo entre o último exame e os resultados de exames anteriores que possibilitassem avaliar a adesão à mencionada recomendação.

Ao analisar os dados desta investigação, é necessário considerar algumas limitações que podem interferir nos resultados de estudos transversais, como vieses de memória e de informação, já que se trata de informações baseadas em autorrelato. Nesse sentido, pode ocorrer o efeito de superestimação da frequência dos exames e subestimação do tempo decorrido em relação ao exame mais recente. Contudo, os estudos transversais são importantes por fornecerem estimativas que auxiliam no planejamento de saúde, e têm sido utilizados para a avaliação da cobertura do exame de Papanicolaou como um procedimento válido em diversas pesquisas 12,13,17.

A faixa etária prioritária estabelecida pelo Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero e Mama do Ministério da Saúde (25 a 59 anos) foi a que mais realizou o exame, reforçando a importância da acessibilidade a este. Ainda que mulheres pertencentes a outras faixas etárias com vida sexual ativa possam ser atendidas pelo programa de prevenção, observa-se menor adesão ao exame tanto entre as mais jovens como entre aquelas de maior idade que a faixa etária estabelecida como alvo 12. No presente estudo, a menor prevalência de realização do exame foi encontrada dentro do grupo de mulheres com idade inferior a 25 anos.

Pesquisa avaliando a faixa etária de rastreamento em mulheres atendidas nas unidades de saúde de São Paulo identificou que 24,3% dos casos de lesão intraepitelial escamosa de alto grau, diagnosticados em 2006, ocorreram em mulheres com idade inferior ou igual a 25 anos, com destaque para as adolescentes, sugerindo a necessidade de avaliação das alterações cervicais entre mulheres mais jovens, com ações educativas e preventivas voltadas para esse grupo populacional 21.

No Estado do Acre, um estudo transversal realizado em 2001 apontou que entre as mulheres na faixa etária de 15 a 19 anos a frequência de lesões precursoras do câncer do colo do útero foi de 6,4%, evidenciando exposição precoce aos fatores de risco para o desenvolvimento de câncer do colo do útero 22. A associação entre exposição precoce e ausência de rastreamento oportuno pode ocasionar lesões cervicais graves até a idade sugerida para o rastreamento 21, ressaltando a importância de ações educativas quanto à prevenção e aos fatores de risco para o desenvolvimento das neoplasias do útero.

O principal fator de risco associado com a ocorrência de lesões precursoras e câncer do colo do útero é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), sendo também considerados fatores de risco associados o início precoce de atividades sexuais e a multiplicidade de parceiros sexuais masculinos. Outros fatores de risco incluem condições de imunossupressão, fatores nutricionais, história familiar, infecções genitais e uso prolongado de contraceptivos orais embora estejam pouco esclarecidos 23,24,25.

Em relação às mulheres entrevistadas acima de 59 anos, também foi identificada menor adesão ao exame que a observada na faixa etária de 25 a 59 anos. O término da idade fértil parece resultar numa diminuição na realização de consultas ginecológicas, levando ao afastamento das práticas de prevenção em um período do ciclo de vida quando a incidência e gravidade das neoplasias são mais elevadas. No entanto, essa população demanda outros serviços de saúde que poderiam ser aproveitados para a condução da realização do Papanicolaou sob uma visão de integralidade da assistência 26.

Entre os fatores que se associaram à não-realização do exame em Rio Branco, além da variável idade, observou-se que o estado civil, a renda e a escolaridade foram variáveis associadas a este desfecho. Os estratos de mulheres solteiras, com escolaridade até Ensino Fundamental incompleto, e renda inferior a um salário mínimo, apresentaram magnitudes de associação positivas com a não adesão ao exame de Papanicolaou, resultados consistentes com os achados de estudos em outras localidades 7,27,28.

A situação conjugal já foi relatada na literatura como fator associado. Pesquisa realizada entre mulheres hispânicas identificou que o risco para não realizar o exame entre mulheres não casadas ou sem união estável era cerca de quatro vezes maior em relação às casadas 29. De modo semelhante, no estudo em Pelotas, foi observado que ser viúva ou solteira consistia em fator de risco para não realização do exame 14. Uma possível explicação para esse aspecto indica que mulheres casadas ou em união estável podem estar mais propensas a procurar serviços de planejamento familiar ou obstétricos, oportunizando a realização do exame 30.

Quanto aos fatores socioeconômicos, estes têm sido apontados como um dos elementos mais importantes relacionados ao comportamento preventivo entre as mulheres, onde baixos níveis de escolaridade e renda estão associados à ausência de rastreamento do câncer do colo do útero, como indicaram diversas pesquisas realizadas no país 14,15,31,32,33. Na presente investigação, a associação estatisticamente significativa destes fatores com a não realização do preventivo aponta falta de equidade social no acesso ao exame de citologia oncótica. Nesse sentido, baixos níveis socioeconômicos também têm sido associados ao desenvolvimento do câncer do colo do útero, uma vez que populações mais vulneráveis são as que apresentam maiores barreiras de acesso à detecção e tratamento precoces, gerando a necessidade de maior intervenção direcionada a estes segmentos, que são os que mais dependem dos serviços públicos de saúde 33.

Sendo assim, faz-se necessário incentivar o rastreamento do câncer de colo do útero no grupo específico de mulheres, cujas estimativas de risco estiveram positivamente associadas à não-realização do exame, composto, sobretudo, pelos estratos de mulheres não pertencentes à faixa etária prioritária do programa, solteiras, com menor renda e baixa escolaridade.

Quanto às variáveis relacionadas ao autocuidado e à percepção autorreferida de saúde, foi encontrada associação para não realização do exame de Papanicolaou somente naquelas mulheres que não haviam realizado dosagens dos níveis séricos de colesterol, como também relatado em estudo realizado no Rio de Janeiro e Fortaleza (Ceará) 31.

Entre as limitações desta investigação, pode-se mencionar a ausência de exploração de alguns fatores de risco para câncer do colo uterino, não obtidos na realização do inquérito, como o início precoce da atividade sexual, a multiplicidade de parceiros sexuais, entre outros, impossibilitando essa análise.

Entre os pontos fortes, destaca-se a obtenção pioneira de estimativas de base populacional da prevalência e fatores associados à não-realização do exame no Município de Rio Branco, podendo contribuir para o planejamento das atividades oferecidas pelo setor público à saúde da mulher. Inquéritos de base populacional constituem-se em importantes instrumentos para gerar informações que possibilitem o conhecimento das condições de vida e saúde das populações, sendo realizado de forma crescente e utilizado como elemento essencial dos sistemas de informação para o planejamento e a avaliação dos serviços de saúde. Além disso, os inquéritos possibilitam a aquisição de dados de indivíduos que não utilizam os serviços, permitindo a superação de uma grande limitação oriunda de dados obtidos a partir da demanda ou de registros de atendimentos das instituições de saúde, o que favorece a avaliação de grupos com diferentes características socioeconômicas e demográficas 34.

Considerando os elevados índices de morbimortalidade por câncer do colo do útero na região, faz-se necessário em futuras investigações analisar a qualidade dos exames citopatológicos realizados pelos serviços públicos de saúde e o seguimento das mulheres submetidas ao teste, a fim de garantir a eficiência da cobertura populacional do exame preventivo.

 

Colaboradores

M. F. S. O. Borges, L. M. G. Dotto, R. J. Koifman e M. A. Cunha participaram da análise e interpretação dos dados, redação do artigo e aprovação da versão final. P. T. Muniz colaborou na coordenação da pesquisa de campo, análise e interpretação dos dados e revisão crítica de conteúdo.

 

Agradecimentos

A realização desta investigação foi viabilizada por meio da colaboração acadêmica entre o Programa de Mestrado em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Acre e o Programa de Pós-graduação Saúde Pública e Meio Ambiente da Fundação Oswaldo Cruz, a qual vem sendo apoiada com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq; Edital Casadinho UFAC-FIOCRUZ, processo nº. 620024/2008-9), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES; programas PROCAD-NF 1442/2007 e PROCAD-NF 2557/2008) e Ministério da Saúde.

 

Referências

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Correspondência:
M. F. S. O. Borges
Universidade Federal do Acre
Conjunto Tucumã 1, Quadra W 04, casa 13
Rio Branco, AC 69917-400, Brasil
fernandacomjesus@hotmail.com

Recebido em 04/Out/2011
Versão final reapresentada em 02/Fev/2012
Aprovado em 08/Fev/2012