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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.28 n.8 Rio de Janeiro Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012000800002 

REVISÃO REVIEW

 

Prevalência de síndrome metabólica e seus componentes na transição menopáusica: uma revisão sistemática

 

Prevalence of metabolic syndrome and its components in the menopausal transition: a systematic review

 

 

Karina Giane MendesI, II; Heloísa TheodoroIII; Alice Dalpicolli RodriguesIII; Maria Teresa Anselmo OlintoIII, IV

ICentro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, Brasil
IIPrograma de Pós-graduação em Endocrinologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil
IIIPrograma de Pós-graduação em Saúde Coletiva, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, Brasil
IVDepartamento de Nutrição, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Porto Alegre, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A síndrome metabólica é um transtorno complexo, caracterizado por um agrupamento de fatores de risco cardiovascular. Sugere-se que a fase da transição menopáusica possa ser um determinante importante no aumento da prevalência da síndrome metabólica. O presente estudo teve como objetivo verificar, por meio de uma revisão sistemática, a prevalência de síndrome metabólica e dos seus componentes na transição menopáusica. Três revisores fizeram a busca dos artigos na base de dados do PubMed. A qualidade dos artigos foi avaliada usando-se o Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE). Com base nos estudos analisados, a prevalência de síndrome metabólica aumenta na comparação do período da pré para a pós-menopausa, independentemente da população e do delineamento do estudo. Quanto aos componentes, a alteração foi mais expressiva nas medidas de circunferência da cintura e pressão arterial. Sugere-se que esses componentes sejam os que exercem maior influência na prevalência de síndrome metabólica.

Síndrome X Metabólica; Menopausa; Pós-menopausa; Perimenopausa; Pré-menopausa


ABSTRACT

Metabolic syndrome is a complex disorder involving a combination of cardiovascular risk factors. Menopausal transition can be a key factor in the increased prevalence of metabolic syndrome. The current study aims to evaluate the prevalence of metabolic syndrome and its components in the menopausal transition, using a systematic review. Three reviewers conducted an article search in PubMed. The articles' quality was evaluated according to Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE). Based on the selected studies, prevalence of metabolic syndrome increases in the post-menopausal (as compared to pre-menopausal) period, regardless of the population and study design. The change was more significant for waist circumference and blood pressure, suggesting that these components have the greatest influence on prevalence of metabolic syndrome.

Metabolic Syndrome X; Menopause; Post menopause; Premenopause


 

 

A síndrome metabólica

A síndrome metabólica é um transtorno complexo, caracterizado por um agrupamento de fatores de risco cardiovascular.

De acordo com o National Cholesterol Education Program's Adult Treatment Panel III (NCEP-ATP III) 1, a síndrome metabólica resulta da ocorrência de pelo menos três das cinco desordens, a seguir: obesidade abdominal (> 88cm), hipertensão arterial (> 130mmHg ou > 85mmHg), elevação da glicemia (> 100mg/dL ou com diagnóstico de diabetes mellitus), triglicerídeos elevados (> 150mg/dL ou em tratamento) e redução de colesterol HDL (< 50mg/dL ou em tratamento). Já a Federação Internacional de Diabetes (IDF) enfatiza a presença de obesidade abdominal (> 80cm) acrescida de mais dois dos componentes já citados para o diagnóstico de síndrome metabólica.

Recentemente, a Associação Americana de Diabetes (ADA) e a Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD) publicaram um documento de reflexão sobre a síndrome metabólica, aconselhando uma reorientação sobre os componentes individuais da síndrome, sem considerá-la de forma agregada 2. Levantaram-se várias questões com base em uma crítica aos critérios anteriores da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do NCEP-ATP III: (1) Seria de fato uma síndrome, especialmente porque a causa é desconhecida? (2) Teria um propósito útil? (3) Estaria sendo atribuído um "rótulo" (e consequente medicalização) às pessoas? 2. Tem-se sugerido que o reconhecimento da síndrome metabólica foi em grande parte impulsionado pela indústria para o desenvolvimento de novos medicamentos 3,4. Mas, segundo o IDF, independentemente das incertezas de definição e etiologia, seria aconselhável considerar a síndrome metabólica como um todo 2. Alberti et al. 3 defendem que o conceito da síndrome metabólica existe há cerca de 80 anos e a crescente epidemia de diabetes mellitus do tipo 2 e doenças cardiovasculares em todo o mundo, particularmente nos países em desenvolvimento, parecem razões suficientes para identificar e tratar as pessoas com a síndrome.

 

A síndrome metabólica na transição menopáusica

Estudos realizados em diferentes populações do mundo revelaram altas prevalências de síndrome metabólica, dependendo do critério diagnóstico empregado e das características da população observada, como gênero, idade, etnia e morbidades associadas, variando as taxas de 8% a 24% em homens e de 7% a 46% em mulheres 5. Alguns estudos demonstram que a prevalência de síndrome metabólica aumentou com a idade em ambos os sexos 6,7. No entanto, entre 20 e 50 anos de idade, os homens apresentam uma maior prevalência de síndrome metabólica; a partir dos 50 anos, a prevalência torna-se maior entre as mulheres. Sugere-se que a fase da transição menopáusica possa ser um determinante importante no aumento dessa prevalência 8.

A transição menopáusica é caracterizada por três períodos, sendo eles: a pré-menopausa, que inicia geralmente aos 40 anos, com redução da fertilidade em mulheres com ciclos menstruais regulares; a perimenopausa, que começa dois anos antes do último ciclo menstrual e estende-se até um ano após, caracterizada por ciclos menstruais irregulares e alterações endócrinas; e a pós-menopausa, que inicia um ano após o último ciclo menstrual 9.

Alguns autores consideram que a pós-menopausa é um período de hiperandrogenismo relativo como consequência da maior queda de estrogênios, em comparação com os andrógenos, que pode levar à formação da aterosclerose, com aumento dos níveis de colesterol LDL e uma diminuição nos níveis de HDL 10,11,12. De acordo com Janssen et al. 13, mulheres na pós-menopausa possuem maior acúmulo de gordura visceral do que as que ainda menstruam, sendo independente do processo de envelhecimento. O estrogênio é considerado como fator protetor para doenças cardiovasculares nas mulheres pré-menopáusicas, e devido à redução deste hormônio em mulheres após a menopausa ocorre maior suscetibilidade ao aumento de gordura na região abdominal. Outro hormônio sexual relacionado a esse aumento é a testosterona, sendo um forte preditor de gordura visceral e, como tal, associado a um maior risco cardiovascular em mulheres na transição menopáusica.

A temporalidade entre a ocorrência dos componentes da síndrome metabólica e a menopausa tem sido questionada 14. Não é claro se a ocorrência da menopausa aumenta o risco da síndrome metabólica ou se a idade é que eleva a prevalência. O aumento da idade estaria relacionado com o processo fisiológico do envelhecimento, principalmente pela redução do metabolismo basal, alteração da composição corporal e estilo de vida inadequado 15,16.

Considerando que não é clara na literatura científica a relação entre ocorrência de síndrome metabólica e a distribuição dos componentes segundo as alterações hormonais na transição menopáusica, bem como a idade das mulheres, o presente estudo tem como objetivo verificar, por meio de uma revisão sistemática, a prevalência de síndrome metabólica e dos seus componentes na transição menopáusica, ou seja, nas etapas de pré-menopausa, perimenopausa e pós-menopausa.

 

Materiais e métodos

Revisão - fase 1

Foi realizada uma busca em maio de 2011 nas bases de dados: PubMed, LILACS, Science Direct, Cochrane Library, SciELO e Scopus. Os termos usados para busca foram retirados do MeSH (Medical Subject Heading) e DeCS (Descritores em Ciências da Saúde). Os termos usados foram ["Metabolic syndrome X" and "climacteric"] e ["Metabolic syndrome" and "climacteric"] (Tabela 1). A busca nessas bases totalizou 402 documentos. Lendo os títulos, foi observado que 86 estavam repetidos nas diferentes bases de dados, ficando para análise do resumo 316. Desses 316 documentos, foram excluídos estudos especificamente com homens, revisões sistemáticas, ensaios clínicos com animais, ensaios clínicos em laboratórios, livros, resumos de eventos, relatos de caso e outros (consensos, editoriais, guias, correspondência).

 

 

Com a retirada desses documentos, restaram 71 (ensaios clínicos com humanos e estudos observacionais: transversal, caso-controle e coorte). Desses, oito foram excluídos por abordarem questões genéticas e disfunções sexuais.

Ao final, 63 artigos foram lidos na íntegra para a revisão sistemática. Nessa etapa da busca observou-se que seria necessária a utilização de outros descritores para atingir os objetivos do estudo. Portanto, iniciamos a Revisão - fase 2.

Revisão - fase 2

Para esta fase da revisão, K.G.M., H.T. e A.D.R. realizaram as buscas, seleção e análise dos artigos e M.T.A.O. fez a revisão final do artigo. O fluxograma da busca está apresentado na Figura 1.

Foi observado na Revisão - fase 1 que a maioria dos artigos elegíveis para serem lidos integralmente estava na base de dados do PubMed. Por esse motivo, os revisores utilizaram somente essa base de dados para a nova pesquisa. Optou-se por analisar somente os artigos encontrados nessa busca.

Os termos usados para descrever a síndrome metabólica foram retirados do MeSH e DeCS. Os termos usados foram metabolic syndrome x or metabolic syndrome and menopause or climacteric or perimenopause or postmenopause or premenopause.

Foram ativados alguns limites na busca: humanos, adultos com mais de 19 anos, feminino; línguas: inglês, espanhol, português; período: últimos 10 anos; exclusão: artigos de revisão e meta-análises.

Utilizando os termos e os limites, 262 artigos foram encontrados.

Seleção dos artigos

Os títulos e resumos dos 262 artigos foram lidos.

Incluiu-se em uma pré-análise todos os artigos que, pelo resumo, apresentassem resultados relacionados a mulheres na transição menopáusica, com a descrição dos componentes da síndrome e com a divisão dos períodos da transição menopáusica (pré, peri e pós-menopausa). Excluiu-se os artigos em que o objetivo do trabalho era estudar a síndrome metabólica em uma população que já possuía alguma doença preexistente (câncer, transplantados, HIV, síndrome dos ovários policísticos, síndrome de Cushing, pacientes com distúrbios do sono, diabéticos, doença arterial coronariana, usuários de TRH).

Depois da utilização desses critérios de inclusão e exclusão, restaram 25 artigos para serem lidos na íntegra.

Entre os 25 artigos, foram excluídos oito por não apresentarem a divisão no estado menopáusico, ou o desfecho da síndrome metabólica era referente a outros fatores (adiponectina, transtornos mentais etc.) e em um artigo faltava um componente da síndrome metabólica (hipertensão arterial sistêmica). Assim, restaram 17 artigos para serem avaliados. Desses 17, os revisores selecionaram os artigos conforme os dois objetivos da revisão: a prevalência de síndrome metabólica no estado menopáusico e a análise dos componentes da síndrome metabólica segundo as fases da transição menopáusica.

Para a análise da prevalência da síndrome metabólica, dos 17, quatro artigos foram excluídos, pois só apresentaram a divisão do estado menopáusico dos componentes da síndrome metabólica, e não da prevalência, ou seja, 13 foram selecionados.

Para a análise dos componentes da síndrome metabólica na transição menopáusica, dentre os 17 artigos, seis foram excluídos por não apresentarem os componentes divididos por estado menopáusico, ou seja, 11 foram selecionados para investigar o segundo objetivo do estudo. Entre o total de artigos, sete estiveram incluídos em ambas as análises (Figura 1).

Pontuação do STROBE

Todos os 17 artigos selecionados foram avaliados pelos critérios do STROBE (Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology) 17, em que cada um dos 22 critérios recebeu uma pontuação de 0 a 1. Depois da avaliação de todos os critérios, cada artigo recebeu uma nota de 0 a 22 de cada revisor. Para a nota final, foi realizada uma média das três notas, sendo que a variação das notas entre os revisores não foi superior a 1. De acordo com a nota final, realizou-se a classificação ordinal apresentada na Tabela 2. A pontuação foi transformada em percentual para melhor avaliar a qualidade dos artigos. Os revisores definiram que os artigos que atingissem um percentual superior a 50% seriam considerados de boa qualidade.

 

 

Discutindo os resultados

Avaliação do STROBE

Avaliando a Tabela 2, todos os artigos selecionados para a revisão atingiram percentuais maiores que 50%. Observa-se que a maioria dos estudos que atingiram porcentuais acima de 80% segundo os critérios do STROBE 17 foi os transversais de base populacional e estudos de coorte. Esses foram os estudos que apresentaram as maiores prevalências de síndrome metabólica das mulheres na transição menopáusica, denunciando a magnitude do problema nas mulheres nesta fase da vida.

Prevalência de síndrome metabólica

Na Tabela 3 encontram-se os artigos nos quais foram apresentadas as prevalências de síndrome metabólica na transição menopáusica. Observa-se que os estudos que compararam os critérios NCEP e IDF apresentam resultados semelhantes. O IDF mostra prevalências maiores do que o NCEP 18,19,20. Essa diferença ocorre devido ao ponto de corte para a obesidade abdominal - enquanto no NCEP é definido em 88cm, no IDF o ponto de corte é 80cm. Logo, devemos interpretar os achados considerando que o critério do NCEP é mais específico, enquanto o IDF torna-se um critério mais sensível.

Entre os estudos longitudinais, em Porto Rico foi encontrada uma prevalência de síndrome metabólica no início do estudo de 23,8% 19. Em pesquisa com mulheres americanas houve diferença em relação à etnia: caucasianas apresentaram 42,3%, seguidas de afro-americanas com 34,6%, sendo as menores incidências em chinesas e japonesas (8,5% cada) e em hispânicas (6,2%) 14. Esse resultado está de acordo com os achados nos estudos transversais, nos quais as mulheres asiáticas apresentaram menores prevalências de síndrome metabólica 21,22.

Analisando estudos transversais, observa-se que as prevalências em trabalhos de base populacional (63% 23; 27,5% 24) são maiores do que aqueles realizados em ambulatórios (6,2% 22; 17,9% 21). As menores prevalências encontradas nos estudos em ambulatórios foram registradas em mulheres asiáticas, o que demonstra uma diferença na prevalência de síndrome metabólica de acordo com a etnia.

Há um aumento na prevalência de síndrome metabólica de acordo com o estado menopáusico, como observado em estudo transversal de base populacional realizado com iranianas (53%, 54% e 69% na pré, peri e pós-menopausa, respectivamente) 23. Porém, pesquisa com imigrantes soviéticas nos Estados Unidos apresentou uma pequena variação entre pré (13%) e peri (11%), enquanto a pós-menopausa teve uma prevalência elevada (68%). Ressalta-se que o número de mulheres na perimenopausa neste trabalho foi reduzido (n = 15), o que pode ter diminuído o efeito da prevalência da síndrome metabólica na perimenopausa 24. Entre os transversais em ambulatório, apenas dois artigos apresentaram as prevalências da perimenopausa, as quais assemelham-se aos da pós-menopausa (12,4% para 16,9% 25; 20,5 para 22% 26).

Quanto às comparações realizadas entre pré e pós-menopausa, notou-se um aumento progressivo na prevalência entre estas duas fases. Heterogeneidade étnica, idade, fatores socioeconômicos, estilo de vida, idade da menarca e número de gestações são possíveis fatores que podem influenciar no aumento da prevalência da síndrome metabólica em mulheres 27. A relação da idade com síndrome metabólica ficou claramente evidenciada. A associação foi diretamente proporcional, sendo que quanto maior a idade, maior a probabilidade da síndrome metabólica, como resultado do processo fisiológico do envelhecimento 28,29,30. Entretanto, em estudo longitudinal realizado nos Estados Unidos, foi encontrado um aumento significativo na prevalência de síndrome metabólica durante a perimenopausa e a pós-menopausa, independentemente da idade e de outros fatores de risco cardiovascular, incluindo ganho de peso e hábito de fumar 14. Essa relação entre idade e síndrome metabólica deve ser objeto de outros estudos longitudinais para maiores esclarecimentos sobre esta questão.

Avaliação dos componentes da síndrome metabólica e transição menopáusica

Na Tabela 4 estão descritos os trabalhos nos quais os componentes da síndrome metabólica no período da transição menopáusica foram analisados separadamente, segundo o desenho de estudo e a população alvo.

Obesidade abdominal

Durante a transição menopáusica, a forma de distribuição da gordura corporal das mulheres parece se modificar, apresentando tendência de acumular-se na região abdominal 31,32. Com base nos artigos selecionados, verificaram-se elevadas prevalências de obesidade abdominal, sendo que os maiores percentuais foram encontrados nos estudos realizados em ambulatórios. Entre esses, as prevalências mais elevadas foram registradas no trabalho realizado no Nordeste brasileiro, sendo de 76,6% nas que estavam na pré-menopausa e 85,2% em mulheres na pós-menopausa 20. As menores prevalências foram encontradas entre as mulheres asiáticas, que apresentaram 16,4% na pré-menopausa e 29,1% na pós-menopausa 22, sendo que esses dois estudos utilizaram o ponto de corte de 80cm para obesidade abdominal.

Já nos trabalhos de base populacional, houve discrepância nos resultados encontrados. Em estudo realizado com 2.671 mulheres coreanas, encontrou-se uma prevalência de obesidade abdominal na pós-menopausa de 67,1% 8, enquanto o estudo com 940 iranianas apresentou 11,5%, sendo menor do que a prevalência em mulheres na pré-menopausa (13,2%) 33. Esse achado pode ser devido à amplitude da faixa etária (20 a 76 anos, média de idade de 33,1) das participantes, que reduziu o efeito da transição menopáusica sobre o acúmulo de gordura central. Quando comparadas as médias de circunferência da cintura (CC) desses estudos de base populacional, a diferença na transição menopáusica é pequena, não ultrapassando 4cm entre a pré e a pós-menopausa 23,28,34.

Na transição menopáusica, a pós-menopausa tem apresentado maior prevalência de obesidade abdominal, fato consistente com os estudos analisados. Na Coreia do Sul, o aumento da prevalência de obesidade abdominal na pós-menopausa foi aproximadamente de 40% em relação às mulheres na pré-menopausa 8, semelhantemente ao estudo realizado por Cho et al. 21 também na Coreia do Sul, no qual este aumento foi superior a 30%. Na avaliação da média da circunferência da cintura, o estudo de coorte com 1.276 mulheres na Holanda verificou um aumentou na transição menopáusica. Na pré-menopausa a média da circunferência da cintura foi de 78,4cm (± 11,3), enquanto que na pós-menopausa foi de 86,1cm (± 11,5) 35.

Elevação da pressão arterial

Outro critério importante para o diagnóstico de síndrome metabólica é a elevação da pressão arterial que representa um fator de risco independente, linear e contínuo para doenças cardiovasculares 36. Os valores ótimos para pressão arterial, sistólica e diastólica, são < 120 e < 80mmHg, respectivamente. Valores a partir de 130 e/ou 85mmHg são considerados alterados, e de 140 e/ou 90mmHg permitem classificar os indivíduos adultos, acima de 18 anos, como hipertensos 37.

Analisando as prevalências de pressão arterial alterada de mulheres na transição menopáusica, percebeu-se que estas foram mais elevadas na pós do que na pré-menopausa. Entre todos os estudos, aquele realizado no Brasil 20 foi o que apresentou maior prevalência de pressão arterial elevada, tanto na pré (55,8%) como na pós-menopausa (73,4%). As menores prevalências foram encontradas em ambulatório na Polônia, (7% na pré e 30% na pós-menopausa) 38.

Naqueles trabalhos que apresentaram seus resultados por médias, também se percebeu elevação nos valores da pressão arterial sistólica e diastólica. No estudo de coorte realizado na Holanda 25 e em um transversal de base populacional na Índia 34 as variações mostraram-se semelhantes. A sistólica e a diastólica aumentaram na transição menopáusica, sendo que na pós-menopausa a sistólica apresentou níveis acima de 140mmHg, enquanto a diastólica aumentou na transição, atingindo 87,6mmHg 34. As menores médias de pressão arterial foram encontradas na China 28 e na Argentina 35.

Alteração da glicemia em jejum

A presença de resistência à ação da insulina tem sido considerada um fator fisiopatogênico importante para a síndrome metabólica 39. O diabetes mellitus do tipo 2, que apresenta como principal característica a hiperglicemia, é resultado de defeitos na ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambos. O diabetes mellitus do tipo 2 pode ocorrer em qualquer idade, mas é geralmente diagnosticado após os 40 anos, sendo que a maioria dos pacientes apresenta sobrepeso ou obesidade 40. Assim como os outros componentes já avaliados, o aumento da glicemia na transição menopáusica foi observado em todos os estudos.

Os trabalhos que demonstraram maiores prevalências de glicemia em jejum alterada na transição menopáusica foram o de base populacional no Irã 33, passando de 25,5% para 60,3% da pré para a pós-menopausa, e o de ambulatório na Polônia 38, aumentando de 13% para 55% após a ocorrência da menopausa. Entre os estudos ambulatoriais, na Coreia do Sul 21 foi encontrada a menor prevalência de glicemia em jejum na pré-menopausa (1,9%), enquanto em Taiwan 22 verificou-se a menor prevalência na pós-menopausa (5,6%).

Avaliando os resultados por meio das médias da glicemia em jejum, menores valores foram verificados em estudo de coorte com holandesas 35, passando de 75,6 para 84,6mg/dL da pré para a pós-menopausa. Resultados mais elevados foram observados por estudos de base populacional no Irã 23 e na Índia 34, passando de 103 a 114 23 , e de 102 a 123mg/dL 34, respectivamente, da pré para a pós-menopausa. Entre os estudos transversais realizados em ambulatório, aqueles na Argenti-na 26 e na Coreia do Sul 21 mostraram as médias de glicemia em jejum, apresentando aumento no período da transição menopáusica, com pequena variação e não ultrapassando o ponto de corte de 100mg/dL.

Dislipidemias

Quanto às dislipidemias na transição menopáusica, de acordo com Ferin et al. 41, o hipoestrogenismo associa-se à dislipidemia, pois pode aumentar o colesterol total e o LDL-colesterol, que é aterogênico, por diminuir os receptores hepáticos.

Nos artigos selecionados para esta revisão, foi possível observar o aumento dos triglicerídeos na transição menopáusica. Assim como encontrado na análise da prevalência geral de síndrome metabólica, os estudos transversais de base populacional apresentaram maiores prevalências de triglicerídeos aumentados quando comparados aos transversais realizados em ambulatório. Entre os trabalhos que apresentaram as prevalências de triglicerídeos aumentados, o maior porcentual encontrado, tanto na pré quanto na pós-menopausa, foi em um estudo transversal de base populacional realizado com 940 mulheres iranianas de 20 a 76 anos (79,4% na pré, 95,4% na pós-menopausa) 33. As menores prevalências de triglicerídeos aumentados foram registradas em estudo realizado no Brasil (9,1% na pré; 15,4% na pós) 20. Quando os trabalhos apresentaram seus dados por meio de médias, também foi possível notar o aumento no valor dos TG na transição menopáusica. Em estudo no Irã 23, já na pré-menopausa, as mulheres apresentavam um valor médio acima do recomendado (182mg/dL), sendo que este valor foi aumentando no período (195 e 211mg/dL, na peri e na pós, respectivamente). As menores médias foram registradas em estudo transversal de base populacional realizado com chinesas (103mg/dL na pré, 118mg/dL na pós) 28.

Quanto ao colesterol HDL, a maioria dos trabalhos apresenta uma redução no valor na transição menopáusica, o que não é adequado, pois quanto maiores os valores de HDL, melhor a saúde cardiovascular. As maiores prevalências de HDL abaixo de 50mg/dL foram encontradas no Brasil (76% na pré, 82,8% na pós) 20 e na Coreia do Sul (54,2% na pré, 69,8% na pós) 8. As menores prevalências de HDL abaixo de 50mg/dL foram registradas em estudo com mulheres iranianas (11,2% na pré, 13,4% na pós) 33. Quando os resultados foram apresentados por meio das médias de HDL, o estudo de coorte que avaliou 1.276 mulheres holandesas mostrou os menores valores, sem diferenças no período da transição menopáusica (40.21mg/dL na pré e na pós-menopausa) 35. As maiores médias de HDL (60.71 na pré, 54,14 na pós) foram encontradas no estudo com polonesas 38.

 

Conclusão

Com base nos estudos analisados, a prevalência de síndrome metabólica aumenta na comparação do período da pré para a pós-menopausa, independentemente da população. Essa tendência foi observada na maioria dos estudos, sem considerarmos o delineamento. As menores prevalências foram encontradas nos estudos realizados com populações asiáticas.

Quanto aos componentes, a maioria dos trabalhos apresentou na transição menopáusica aumento na medida da circunferência da cintura, da pressão arterial, da glicemia em jejum, dos triglicerídeos e redução do HDL. Essa alteração foi mais expressiva nas medidas de circunferência da cintura e pressão arterial. Os estudos com maiores prevalências de síndrome metabólica foram os mesmos que apresentaram as maiores prevalências ou médias de circunferência da cintura e pressão arterial. Sugere-se que esses componentes sejam os que exercem maior influência na prevalência de síndrome metabólica.

Quanto à relação entre síndrome metabólica, estado menopáusico e idade, as conclusões dos estudos apontam para uma maior influência da menopausa na presença da síndrome metabólica. Entre os trabalhos que fizeram a análise dessa relação, a maioria demonstrou que o estado menopáusico foi preditor independente para a síndrome metabólica 8,14,21,24,33. Outros encontraram que o principal fator de risco para o aumento da prevalência de síndrome metabólica foi a idade 20,26.

Para a análise da prevalência da síndrome metabólica e de seus componentes, foram utilizados apenas os artigos encontrados usando-se a busca no PubMed, sem utilizar outras bases de dados ou busca nas referências dos artigos selecionados. Essas podem ser consideradas as limitações deste estudo. É importante destacar que se torna difícil verificar o efeito da menopausa sobre a síndrome metabólica e seus componentes em estudos transversais, visto que ambas as situações sofrem influências de muitos fatores, tais como índice de massa corporal, etnia, classe socioeconômica, atividade física, alimentação e tabagismo.

Destacamos a importância da realização de estudos longitudinais com mulheres desde o início da vida reprodutiva, para maiores esclarecimentos sobre a relação entre a idade, a menopausa, a síndrome metabólica e seus componentes. Trabalhos que considerem as características sociodemográficas e de estilo de vida das mulheres poderão oferecer subsídios para a melhor compreensão dessa relação e contribuir para a proposição de medidas de prevenção.

 

Colaboradores

K. G. Mendes participou da concepção e projeto, análise e interpretação dos dados, redação do artigo e aprovação final da versão a ser publicada. A. D. Rodrigues participou da análise e interpretação dos dados, redação do artigo e aprovação final da versão a ser publicada. H. Theodoro contribuiu com o projeto, análise e interpretação dos dados, redação do artigo e aprovação final da versão a ser publicada. M. T. A. Olinto participou da concepção e projeto, revisão crítica relevante do conteúdo intelectual e aprovação final da versão a ser publicada.

 

Referências

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Endereço para correspondência:
M. T. A. Olinto
Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva
Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Av. Unisinos 950
São Leopoldo RS 93022-000, Brasil
mtolinto@gmail.com

Recebido em 04/Jan/2012
Versão final reapresentada em 11/Abr/2012
Aprovado em 19/Abr/2012