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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.28 n.8 Rio de Janeiro Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012000800008 

ARTIGO ARTICLE

 

Percepção da fluorose dentária e avaliação da concordância entre pais e filhos: validação de um instrumento

 

Perceptions of dental fluorosis and evaluation of agreement between parents and children: validation of a questionnaire

 

 

Gabriela Eugênio de Sousa FurtadoI; Maria da Luz Rosário de SousaII; Taís de Souza BarbosaII; Ronaldo Seichi WadaII; Esperanza de los Angeles Martínez-MierIII; Maria Eneide Leitão de AlmeidaI

IUniversidade Federal do Ceará, Fortaleza, Brasil
IIFaculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas, Piracicaba, Brasil
IIIIndiana University School of Dentistry, Indianapolis, U.S.A.

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Objetivou-se validar o Child's and Parent's Questionnaire about Teeth Appearance, avaliando as preocupações relacionadas à fluorose em 213 pares de pais/crianças (12 anos) de duas regiões brasileiras. A confiabilidade foi avaliada pelo alfa de Cronbach e pelo coeficiente de correlação intraclasse; e a validade de constructo e de critério, pela correlação de Spearman. Para comparar as duas regiões e avaliar a concordância pais/filhos, foi utilizado o teste t de Student. A consistência interna foi aceitável, e a confiabilidade teste-reteste, moderada a excelente. Houve correlação significativa entre percepção da fluorose moderada e severa e os dados clínicos e entre percepção da fluorose e preocupações dos indivíduos. Embora os pais de Rafael Arruda, Ceará, Brasil, tenham tido maior percepção da fluorose, o incômodo e a preocupação com a aparência foram maiores em Piracicaba, São Paulo. Os pais se mostraram mais incomodados, preocupados e insatisfeitos com a aparência dentária das crianças do que elas mesmas. Essa versão é válida e confiável para avaliar a percepção da estética dentária em crianças e em seus pais.

Fluorose Dentária; Estudos de Validação; Percepção; Questionários


ABSTRACT

This study aimed to validate the Child's and Parent's Questionnaire about Teeth Appearance and to evaluate concerns relative to fluorosis among 213 pairs of parents and 12-year-old children from two regions of Brazil. Reliability was assessed by Cronbach's alpha and intraclass correlation coefficient, and construct and criterion validity by Spearman's correlations. Student t-test was used to compare the two regions and to assess parent/child agreement. Internal consistency was acceptable, and test-retest reliability was moderate to excellent. Perception of moderate to severe fluorosis and clinical data were significantly correlated, as were perception of fluorosis and subjects' concerns. Although parents from Rafael Arruda, Ceará State, showed a higher perception of fluorosis, parental concern was greater in Piracicaba, São Paulo State. Parents were more worried and dissatisfied with their children's dental appearance than the children themselves. This version of the questionnaire proved to be valid and reliable for assessing children's and parents' perceptions of dental fluorosis.

Dental Fluorosis; Validation Studies; Perception; Questionnaires


 

 

Introdução

O uso de fluoretos traz consideráveis benefícios no controle da cárie dentária, porém pode aumentar o risco de fluorose dentária, uma alteração provocada por exposição prolongada do germe dentário ao flúor durante sua formação 1,2.

Os índices epidemiológicos de prevalência e severidade da fluorose são importantes para a avaliação das condições de saúde bucal e necessidades de tratamento, porém suas limitações devem ser consideradas, pois não mensuram a aceitabilidade estética das manchas fluoróticas 3,4.

Como a fluorose afeta a aparência das pessoas, pode haver insatisfação, preocupação, vergonha de sorrir, percepções mais negativas e um potencial impacto sobre a qualidade de vida das pessoas acometidas por essa alteração 1,2. Por tal motivo, a informação da presença ou ausência de fluorose dentária e sua classificação em uma escala de gravidade deveriam ser complementadas com o relato sobre a percepção e as preocupações do indivíduo sobre a aparência dos seus dentes 5. Outro motivo para a recomendação de incluir medidas subjetivas de impacto das condições de saúde bucal é o fato de que a percepção da aparência é um dos principais motivos para a busca por tratamento odontológico 6.

Reconhecendo a necessidade de ampliar o foco da discussão sobre fluorose e de incorporar a opinião das pessoas sobre sua condição de saúde e bem-estar 7, pesquisadores passaram a complementar os diagnósticos normativos com avaliações do impacto funcional, social e psicológico, por meio da percepção estética de crianças e de seus pais 3,4,5,8.

Embora se saiba da existência de preocupações estéticas que a fluorose pode ocasionar, o conhecimento sobre essas percepções está incompleto, sendo, ainda, objeto de estudo a partir de que grau de severidade esse defeito, essencialmente cosmético, passa a ter impacto na qualidade de vida da população e a ser considerado um problema social ou de saúde pública 3,5,9.

Em virtude dos poucos estudos brasileiros sobre o tema e da necessidade de obter um instrumento de mensuração válido e confiável para determinar o impacto da fluorose dentária, o objetivo deste estudo foi validar o Child's and Parent's Questionnaire about Teeth Appearance, avaliando a percepção e as preocupações relacionadas à fluorose dentária em crianças de 12 anos e em seus pais, em duas regiões brasileiras (Rafael Arruda, Ceará, e Piracicaba, São Paulo).

 

Materiais e métodos

Este estudo, do tipo quantitativo e transversal para validação de questionário, obteve aprovação dos Comitês de Ética em Pesquisa da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas (CEP-FOP-UNICAMP), e da Universidade Federal do Ceará (COMEPE-UFC), sob os protocolos de números 048/2008 e 42/2009, respectivamente, e todos os participantes forneceram consentimento após esclarecimento dos propósitos da pesquisa.

Instrumento de medida

O Child's and Parent's Questionnaire about Teeth Appearance foi desenvolvido pela equipe de trabalho de uma das autoras deste artigo (E.A.M.M.) no Oral Health Research Institute, Indiana University School of Dentistry, e inicialmente validado para as populações dos Estados Unidos e do México 5. Esse questionário representa um dos primeiros esforços em desenvolver um instrumento padronizado para estimar o impacto das percepções estéticas (incluindo a fluorose dentária) em culturas diferentes.

Esse instrumento, que conta com uma versão para as crianças e outra para os pais, compreende questões de ordem física, psicológica e social, além das percepções sobre alteração de cor e outras condições estéticas relacionadas aos dentes, e as opções de resposta para os 12 itens e subitens são apresentadas sob a forma de múltipla escolha.

Os três primeiros itens investigam sobre o quanto a criança, nos últimos dois meses, sentiu-se incomodada (domínio físico do conceito de saúde), preocupada (domínio psicológico) e impedida de sorrir (domínio social) devido à aparência dos seus dentes, segundo a opinião de seus pais e dela própria. As respostas a esses itens são registradas e codificadas como: não sei (0), nada (0), muito pouco (1), um pouco (2) e muito (3).

Um item adicional com quatro subitens avalia a percepção das crianças e dos seus pais sobre aparência, posicionamento, cor e saúde de seus dentes (ou de seus filhos), sendo que as cinco opções de resposta estão numa escala com gradações variando da melhor condição (0) à pior condição possível (4). O entrevistado também responde se há preocupação (1) ou não (0) no que tange a essa classificação de seus dentes (ou de seus filhos).

O último item solicita do entrevistado sua opinião sobre a satisfação ou insatisfação com a cor dos dentes, de acordo com a seguinte frase: "A cor dos meus dentes (ou dos dentes do meu filho) é agradável e bonita", e as opções de resposta variam de concordo totalmente (0) a discordo totalmente (4).

Em estudo preliminar 10 e seguindo diretrizes internacionalmente recomendadas para validação de questionários, o referido instrumento passou por processo de tradução para a língua portuguesa, retrotradução para a língua inglesa, adaptação semântica, avaliação por comitê de especialistas e pré-teste com 50 pares de pais/crianças, chegando-se a uma versão final (Figura 1) para validação de mensuração das suas propriedades psicométricas, objeto deste estudo.

Coleta de dados

A amostra de conveniência foi composta por 213 pares de pais/crianças de 12 anos de idade (escolares), sendo 97 pares de Piracicaba, cidade com águas de abastecimento público otimamente fluoretadas, e 116 pares de Rafael Arruda, distrito rural cearense com elevados teores de flúor em seus mananciais de água.

As crianças foram avaliadas clinicamente por uma única examinadora previamente treinada e calibrada (G.E.S.F.) para o diagnóstico de fluorose dentária, por meio do índice de Dean (cinco graus: normal, questionável, muito leve, leve, moderada ou severa). Os exames foram realizados em ambiente escolar, com luz natural, e os dentes, secos com o auxílio de gaze estéril.

Com a finalidade de verificar se a fluorose dentária representava um problema de saúde pública para os grupos estudados, utilizou-se o Índice de Fluorose Comunitário (IFC) cujo cálculo baseia-se na atribuição de pontos ponderados para cada categoria do índice de Dean e o número de indivíduos examinados, e valores superiores a 0,6 indicam problema de saúde pública que justificaria uma atenção crescente 11.

Para avaliar a percepção e preocupações devido à fluorose dentária, o Child's and Parent's Questionnaire about Teeth Appearance foi utilizado como roteiro de entrevista em ambiente escolar para as crianças de ambas as localidades. Em Piracicaba, os questionários foram enviados aos pais (média de tempo de estudo: 7,3 anos 10), respondidos em suas residências e devolvidos à pesquisadora na escola no dia seguinte. Já os pais de Rafael Arruda, onde o nível de escolaridade era bem menor (média de tempo de estudo: 3,5 anos) 10, optou-se por entrevistas realizadas na própria escola ou em seus domicílios.

Para avaliação da estabilidade temporal, utilizou-se o modelo de teste-reteste, em que 20% da amostra responderam ao mesmo questionário duas semanas depois 12.

Todas as avaliações foram realizadas, em separado, para pais e filhos e para as duas localidades, configurando-se, assim, quatro grupos.

Análises psicométricas

Os dados obtidos foram usados para avaliar as propriedades psicométricas do instrumento, quais sejam: confiabilidade (consistência interna, homogeneidade e estabilidade temporal) e validade (de critério e de constructo).

A consistência interna reflete a dimensão com que os itens de um questionário medem o mesmo fenômeno e foi avaliada pelo coeficiente alfa de Cronbach padronizado, que avalia se o grau de variância total dos resultados do teste se associa ao somatório da variância de item a item, e seu resultado pode variar de -1 a +1, indicando, respectivamente, as máximas correlações negativa e positiva entre os componentes da medida 13. Valores acima de 0,80 representam boa consistência interna, porém, em questionários com número reduzido de itens, como nesse caso, são aceitáveis valores a partir de 0,60 14.

Para avaliação da homogeneidade, são calculadas todas as correlações entre o escore de cada item do instrumento e o escore total dos demais itens. Quanto maior a inter-relação entre os itens e a correlação de cada item com o instrumento como um todo, maior sua homogeneidade. Itens que não estão correlacionados com os demais (coeficientes de correlação item-total e item-total corrigido muito reduzidos, ou seja, inferiores a 0,2) devem ser eliminados para aumentar a homogeneidade 15.

A estabilidade temporal de um instrumento se refere ao grau em que sua repetida aplicação ao mesmo sujeito produz resultados iguais, ou seja, está relacionada à constância dos resultados obtidos. Neste estudo, foi avaliada pelas médias dos coeficientes de correlação intraclasse (CCI) 16 para a escala de preocupação (itens 1 a 3) e para os itens de classificação da aparência dentária (itens 4 e 5). O CCI diferencia o componente de variabilidade que é atribuído ao erro das diferenças entre os dados, e valores entre 0,81 a 1,0 representam confiabilidade teste-reteste quase perfeita; 0,61 a 0,80 substancial e 0,41 a 0,60 moderada 17.

A validade de critério estabelece a validade de um instrumento de medição comparando-o com algum critério externo ou padrão, sendo, neste estudo, avaliada pela associação entre o diagnóstico clínico de fluorose dentária por meio do índice de Dean (padrão ouro) e a percepção das manchas, usando coeficiente de correlação de Spearman.

A validade de constructo se refere ao grau em que um instrumento se relaciona consistentemente com outras medições assemelhadas derivadas da mesma teoria e conceitos que estão sendo medidos. Para a validade de constructo desse instrumento, estabeleceu-se e testou-se, utilizando o coeficiente de correlação de Spearman, a hipótese de que os constructos percepção e preocupação apresentam correlação.

Avaliação da percepção e preocupações com a fluorose dentária entre pais e filhos

Calculou-se, para cada item do questionário, a média das respostas dadas pelas crianças e a média das respostas provenientes dos pais. A fim de se avaliar a concordância entre pais e filhos, utilizou-se o teste t de Student para dados pareados. Para a comparação das percepções e preocupações acerca da fluorose dentária entre os dois locais pesquisados, empregou-se o teste t de Student para amostras independentes. O nível de significância foi fixado em 5%, e o processamento estatístico foi realizado utilizando-se o software SPSS 9.0 (SPSS Inc., Chicago, Estados Unidos).

 

Resultados

Em Piracicaba, 14,4% das crianças examinadas apresentavam fluorose dentária em algum grau, predominando o questionável e muito leve; enquanto, em Rafael Arruda, tanto a prevalência (66,4%) como a severidade das lesões se mostraram elevadas (32,5% das crianças com fluorose apresentavam-na nos graus moderado e severo). Os IFC encontrados foram 0,1 em Piracicaba e 1,2 em Rafael Arruda.

O instrumento mostrou aceitável confiabilidade no que diz respeito à consistência interna, com valores de alfa de Cronbach padronizado de 0,65 e 0,71, para as crianças e pais de Piracicaba, e de 0,70 e 0,66, para as crianças e pais de Rafael Arruda, respectivamente.

Na Tabela 1, os coeficientes de correlação item-total e item-total corrigido maiores do que 0,20 mostram a boa homogeneidade do instrumento, e, na Tabela 2, o CCI variando de 0,58 a 0,85 indica estabilidade temporal de moderada a quase perfeita.

 

 

 

 

Houve correlação estatisticamente significativa entre a percepção da fluorose e a insatisfação com a cor dos dentes para todos os quatro grupos. Apenas, em Rafael Arruda, houve correlação significativa entre o diagnóstico clínico de fluorose e a percepção das manchas (validade de critério) e entre o diagnóstico clínico e a insatisfação com a cor dos dentes (Tabela 3).

 

 

Os resultados de validade de constructo apontam para correlação estatisticamente significativa entre percepção das manchas fluoróticas e preocupações advindas da fluorose para os quatro grupos, exceto para os pais de Rafael Arruda. Em Piracicaba, observou-se correlação estatisticamente significativa entre a preocupação com a fluorose e a insatisfação com a cor dos dentes. Em nenhum dos quatro grupos estudados, porém, houve correlação significativa entre índice de Dean e preocupação com a estética dentária (Tabela 3).

Na Tabela 4, observa-se que, para os dois locais da pesquisa, em sete dos 12 itens/subitens do questionário, houve concordância entre os relatos de pais e filhos. Houve significância estatística para a diferença entre os escores dos pais e dos filhos nos itens que interrogam sobre o incômodo e a preocupação com a aparência dos dentes em Piracicaba e nos itens sobre a classificação do posicionamento dentário e acerca da satisfação com a cor dos dentes em Rafael Arruda, com médias maiores (pior impacto) para os pais. Já o item que aborda o domínio social (impedimento de sorrir espontaneamente devido à aparência dos dentes) apresentou diferença estatística significativa para a diferença entre os escores dos pais e dos filhos, com maiores médias para as crianças, em Rafael Arruda.

 

 

Ainda, na Tabela 4, ao se comparar os resultados dos dois locais pesquisados, observa-se que não houve diferença estatística entre os escores das crianças em nenhum item. Para os pais, houve significância estatística para a diferença entre os escores nos itens que abordam sobre incômodo e preocupação com a estética dentária (médias maiores para Piracicaba) e no item sobre a percepção das manchas fluoróticas (médias maiores para Rafael Arruda).

 

Discussão

Mesmo não tendo sido o objetivo deste trabalho, e os resultados não possam ser usados para fazer inferências em nível municipal, foram calculados prevalência, severidade e IFC para os dois grupos. Em Piracicaba, os resultados encontrados neste estudo não diferem de trabalho anterior, em que 19% dos escolares de 7-12 anos apresentavam fluorose, predominando os graus questionável e muito leve, com IFC de 0,2, não sendo caracterizado como um problema de saúde pública, e os autores já relatavam a necessidade de se verificar a percepção dessas alterações em seu contexto social 18. Em Rafael Arruda, a prevalência encontrada no grupo pesquisado foi menor do que as relatadas em estudos anteriores realizados entre 1996 e 2001 19,20,21, porém o quadro de severidade permanece inalterado, predominando os graus moderado e severo, e o IFC (2,3 em 1999; 1,9 em 2001; 1,2 no presente estudo) configurando a fluorose dentária como um problema de saúde pública, com a recomendação de desfluoretação das águas 11.

Nessa etapa em que se objetiva obter a equivalência de mensuração, o principal não é a magnitude dos valores das estimativas psicométricas em si, mas a comparação sistemática com os valores obtidos em estudos anteriores utilizando o mesmo instrumento 22. Como o questionário deste estudo não foi validado para nenhuma outra língua que não as línguas em que foi originalmente desenvolvido (inglês e espanhol), as comparações foram eminentemente realizadas com as medidas psicométricas obtidas por ocasião do desenvolvimento do questionário original 5.

A consistência interna do instrumento e a homogeneidade obtiveram bons resultados, com valores de alfa de Cronbach maiores do que 0,6 e coeficientes de correlação item-total e item-total corrigido maiores do que 0,20 para os quatro grupos. Resultados semelhantes foram encontrados quando do desenvolvimento do questionário original, exceto pelo fato de que a confiabilidade para os pais mexicanos foi razoável (alfa de Cronbach 0,29). A versão em português do questionário mostrou-se homogênea e foi então confirmada com os mesmos domínios e igual quantidade de itens e subitens do instrumento original.

Em relação à estabilidade temporal, os valores obtidos aproximaram-se dos valores da validação do questionário original (CCI = 0,79). Para todos os grupos, a estabilidade foi substancial ou quase perfeita, exceto para os pais de Rafael Arruda cuja estabilidade foi moderada.

Os resultados encontrados mostraram que crianças e pais em Piracicaba e em Rafael Arruda tiveram diferentes interpretações em termos de incômodo e preocupação devido à aparência dos dentes, e o impacto que isso teve nos seus sorrisos. Isso sugere que aspectos dos domínios físico, psicológico e social da vida das pessoas dessas populações social e culturalmente distintas são afetados de forma diferente pela fluorose dentária.

Em Piracicaba, onde os graus predominantes de fluorose foram o questionável e o muito leve, não houve correlação estatisticamente significativa entre diagnóstico clínico e percepção das manchas fluoróticas nem pelas crianças nem pelos pais. Já em Rafael Arruda, onde predominaram os graus de fluorose de maior comprometimento estético, essa correlação foi significativa tanto para os pais como para as crianças. O fato de a avaliação profissional ter estado associada à percepção dos casos moderados e severos de fluorose sustenta a validade de critério do questionário. Esses resultados confirmam estudos nacionais e internacionais que mostraram que manchas fluoróticas mais leves não têm significado estético e que, quanto maior a severidade das lesões, maior será a percepção pela população 9,23.

Entre diagnóstico clínico e preocupação com as manchas fluoróticas, não houve correlação significativa para nenhum dos quatro grupos, e o mesmo ocorreu quando da validação do questionário original com populações norte-americanas e mexicanas, sugerindo que o mero diagnóstico de fluorose não necessariamente significa preocupação de crianças e pais com a aparência dos dentes. Esses achados estão em concordância com estudos anteriores em que pessoas com fluorose manifestaram pouca preocupação com sua condição normativamente diagnosticada pelos cirurgiões-dentistas 7,24. Peres et al. 6 alertam sobre a possibilidade de superestimação das reais necessidades de tratamento das populações quando se utiliza apenas o diagnóstico normativo de fluorose dentária, não associando essa informação à investigação sobre efeitos negativos autopercebidos.

De um modo geral, a preocupação estava associada à percepção das manchas, e não à avaliação profissional, e esses resultados de validade mantêm o constructo hipotético no qual o questionário está baseado, uma vez que apontam correlação entre percepção das manchas e preocupação com a estética em três dos quatro grupos estudados. Tal correlação é consistente com achados de estudo anterior 25 que afirma que os sujeitos, quando percebem suas manchas fluoróticas, têm mais preocupações e vergonha de sorrir, mesmo nos casos de fluorose leve.

Assim, como no desenvolvimento do questionário original, para todos os grupos estudados, as questões relacionadas à percepção das manchas estavam claramente associadas à insatisfação com a cor dos dentes. Esses resultados estão de acordo com os encontrados em estudos anteriores, em que a aceitabilidade e satisfação com a aparência diminuíram quando a fluorose, principalmente nos níveis mais severos, foi percebida 1,26.

Comparando os resultados entre os dois locais pesquisados, observamos que, embora os pais de Rafael Arruda tenham percebido mais a fluorose dentária, eles estão menos incomodados e preocupados do que os pais de Piracicaba. A percepção do que é esteticamente aceitável é subjetiva, pode mudar com o tempo e as circunstâncias, e depende de aspectos culturais, valores, satisfação das necessidades básicas, fatores socioeconômicos, psíquicos e físicos 4. Sugere-se que os resultados encontrados expliquem-se pelos diferentes fatores culturais e padrões de qualidade de vida das populações estudadas.

Essas diferenças nos graus de preocupação podem ser atribuídas ao fato de que, em uma população com melhor nível socioeconômico, os indivíduos tenham maiores exigências estéticas do que os de uma população pobre da zona rural do Nordeste. Outra explicação é o fato de os pais em Rafael Arruda possivelmente estarem mais preocupados com outros problemas de saúde, inclusive de saúde bucal, pois, em um contexto de dores e infecções de origem dental, as desvantagens estéticas advindas da fluorose passam a ter menos importância 21.

A importância de se aplicar questionários também aos pais decorre do fato de que eles estão intimamente envolvidos com a saúde das suas crianças e deles parte, em geral, a decisão de buscar tratamento. Como são os responsáveis pelos cuidados de saúde dos seus filhos, suas percepções e preocupações podem ter maior influência nas escolhas de tratamento 27.

Como crianças e adolescentes têm uma visão bastante peculiar de si mesmos em decorrência da fase de desenvolvimento físico e emocional que estão vivenciando 28, pais e filhos respondem aos questionários sob diferentes perspectivas e não necessariamente demonstram as mesmas percepções acerca do impacto dos problemas de saúde bucal sobre a qualidade de vida de suas crianças.

A comparação entre informações obtidas diretamente do indivíduo e de um informante secundário tem mostrado resultados controversos. Há estudos que indicam boa concordância para alguns domínios de saúde 29,30, e outros que apontam baixa concordância entre relatos de pais e crianças 27,31.

O grau de concordância entre as informações relatadas por crianças e por seus pais é influenciado por fatores como a natureza da pergunta. Os relatos são menos coincidentes para itens dos domínios emocional e social e, mais coincidentes para domínios relacionados a aspectos mais facilmente observáveis, como sintomas orais e limitações funcionais 32,33.

Dos 12 itens/subitens do questionário, oito (4A a 4D) abordavam aspectos de mais fácil observação, solicitando das crianças e dos seus pais uma classificação quanto a aparência, posicionamento, cor e saúde dos seus dentes (ou de seus filhos). Nas duas localidades pesquisadas, pais e crianças concordaram em sete desses oito itens/subitens, havendo discordância apenas em Rafael Arruda, onde os pais acharam os dentes dos seus filhos mais desalinhados do que as próprias crianças. Corroborando esses achados, outros estudos também mostraram pais mais críticos do que as crianças em relação à estética do posicionamento dentário de seus filhos e quanto à necessidade percebida de tratamento ortodôntico 8,31.

Houve discordância entre pais e filhos nas questões que abordavam aspectos mais abstratos, como incômodo (item 1), preocupação (item 2) e satisfação (item 5) com a estética dentária, além de impedimento de sorrir (item 3). Tais achados estão de acordo com estudos anteriores, que relatam limitação do conhecimento dos pais em questões que abordam funções emocionais e sociais, especialmente as que dizem respeito a atividades e relacionamentos fora de casa e a sentimentos como dor e emoções 34,35.

Quando há discordância entre os relatos, em geral, os pais tendem a considerar que os problemas de saúde têm mais impacto negativo sobre a vida da criança do que a própria criança o considera 36. Tal fato foi observado em ambas as localidades pesquisadas, onde, dos cinco itens em que houve discordâncias, em quatro, os pais consideraram maiores impactos do que as próprias crianças. Em Piracicaba, os pais estavam mais incomodados e preocupados com a aparência dos dentes do que seus filhos, e, em Rafael Arruda, os pais estavam mais insatisfeitos com a cor dos dentes do que os próprios filhos. Outros estudos também encontraram pais mais críticos, preocupados ou insatisfeitos com a cor dos dentes dos seus filhos ou de pacientes fotografados 3,5,8. Outros estudos, entretanto, relataram exatamente o contrário: crianças mais críticas e insatisfeitas ao avaliar fotos de pacientes com fluorose ou ao classificar os próprios dentes em comparação com a avaliação feita por seus pais 2,4.

Para apenas um dos cinco itens discordantes, os pais subestimaram a opinião das suas crianças: o item que interroga sobre o impedimento de sorrir livremente, em Rafael Arruda. Nessa localidade, os pais não achavam que a fluorose, mesmo em graus mais severos, impedisse os seus filhos de sorrir livremente. Achados semelhantes foram relatados em estudo realizado em região endêmica na África, comparando-se adolescentes de 13-15 anos e parentes adultos com o mesmo grau de comprometimento (fluorose severa). Os autores justificaram que os adolescentes se sentiam mais envergonhados de sorrir em razão da fase crítica de socialização, em que se acentua a preocupação estética, e que, com o avançar da idade, aumenta a aceitação de uma aparência insatisfatória 37.

Mesmo quando percebem de diferentes maneiras o mesmo problema, os relatos dos pais podem fornecer informações relevantes, úteis e complementares 33,38, e, sempre que possível, deve-se obter a opinião de ambos os grupos 32,39. É importante avaliar a autopercepção e o impacto da fluorose dentária na vida das crianças acometidas por essas manchas e complementar essas informações com a percepção e opinião dos pais, já que esses são os maiores participantes nos cuidados de saúde de seus filhos.

 

Conclusão

O diagnóstico clínico de fluorose dentária não necessariamente significou preocupação e insatisfação com a estética dentária, porém, quando crianças ou pais de ambas as localidades perceberam as manchas fluoróticas, o presente trabalho mostrou resultados de impacto negativo.

Pais e filhos tenderam a concordar em seus relatos, porém, quando discordaram, os pais geralmente se mostraram mais incomodados, insatisfeitos e preocupados com a aparência dos dentes do que as próprias crianças.

O Child's and Parent's Questionnaire about Teeth Appearance mostrou-se um instrumento válido e confiável para avaliar a percepção da fluorose dentária em crianças e em seus pais. Buscou-se examinar a possibilidade de usar o questionário em indivíduos de diferentes níveis culturais e educacionais, obtendo-se, para o Brasil, um instrumento com validade, confiabilidade, simplicidade e rapidez na aplicação, com vantagens no uso em estudos populacionais.

 

Colaboradores

G. E. S. Furtado coletou, analisou e interpretou os dados e foi responsável pela discussão teórica e pela redação final do artigo. M. L. R. Sousa foi responsável pela análise e interpretação dos dados, pela discussão teórica e pela redação final do artigo. T. S. Barbosa e R. S. Wada realizaram as análises estatísticas e participaram da redação final do artigo. E. A. L. Martínez-Mier acompanhou a etapa de adaptação transcultural e colaborou na elaboração do artigo. M. E. L. Almeida analisou e interpretou os dados e participou da discussão teórica e da redação final do artigo.

 

Agradecimentos

Os autores são gratos aos diretores, pais e alunos da EMEF Profª. Maria de Lourdes Consentino e da Escola Vicente Antenor Ferreira Gomes pela participação nos exames clínicos e entrevistas. G. E. S. Furtado foi apoiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior com Bolsa de Mestrado Sanduíche (processo nº. PROCAD 251/2007), e M. L. R. Sousa, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico com Bolsa de Produtividade em Pesquisa - Nível 2 (processo nº. 308002/2006-7).

 

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Endereço para correspondência:
G. E. S. Furtado
Universidade Federal do Ceará
Rua Padre Roma 1055, apto 204, bloco A
Fortaleza, CE 60040-360, Brasil
gabieugenio@gmail.com

Recebido em 29/Ago/2011
Versão final reapresentada em 04/Mai/2012
Aprovado em 09/Mai/2012