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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.28 n.8 Rio de Janeiro Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012000800013 

ARTIGO ARTICLE

 

Perfil de utilização de medicamentos por indivíduos com hipertensão arterial e diabetes mellitus em municípios da Rede Farmácia de Minas

 

Use of medicines by individuals with hypertension and diabetes in municipalities covered by the Pharmacy Network in Minas Gerais State, Brazil

 

 

Vinícius Oliveira de Moura PereiraI, II; Francisco de Assis AcurcioII, III; Augusto Afonso Guerra JúniorIII; Grazielle Dias da SilvaI, II; Mariangela Leal CherchigliaII;

ISecretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil
IIPrograma de Pós-graduação em Saúde Pública, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil
IIIFaculdade de Farmácia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este trabalho descreve o perfil de utilização de medicamentos de indivíduos com hipertensão e/ou diabetes, que adquirem esses produtos por meio de uma rede pública de farmácias, com ênfase nas diferenças entre sexos. No primeiro bimestre de 2010 foram entrevistados indivíduos hipertensos e/ou diabéticos, em metade dos 64 municípios então participantes da Rede Farmácia de Minas. Os 4.777 entrevistados tinham em média 60,9 anos, fato que pode ter contribuído para a elevada média de medicamentos utilizados (4,0 entre as mulheres e 3,5 entre os homens). Os medicamentos mais frequentes foram os que atuam no sistema cardiovascular (56,3%), trato alimentar e metabólico (14,9%), sistema nervoso (13,8%) e estão de acordo com o perfil epidemiológico dos entrevistados. As mulheres, juntamente com os mais idosos destacaram-se no que diz respeito à utilização de um maior número de medicamentos. Os resultados deste estudo mostraram elevados gastos com medicamentos pelos entrevistados e sugerem o delineamento de ações educativas voltadas para o uso racional de medicamentos, entre esses indivíduos.

Uso de Medicamentos; Farmacoepidemiologia; Hipertensão; Diabetes Mellitus; Política Nacional de Medicamentos


ABSTRACT

This article analyzes the use of medicines by individuals with hypertension and/or diabetes mellitus who received their medication through a public network of pharmacies, with a particular emphasis on gender differences. During the first two months of 2010, individuals with hypertension and/or diabetes were interviewed in half of the 64 municipalities (counties) participating in the Minas Gerais Pharmacy Network. Mean age of the 4,777 interviewees was 60.9 years, which may have contributed to the high mean number of medicines used (4.0 among women and 3.5 among men). The most frequently used drugs were those acting on the cardiovascular system (56.3%), alimentary tract and metabolism (14.9%), and nervous system (13.8%), consistent with the sample's epidemiological profile. Women and more elderly individuals tended to use more medicines. The findings show high expenditures on medicines by the interviewees and suggest the design of educational activities targeting rational use of medication.

Drug Utilization; Pharmacoepidemiology; Hypertension; Diabetes Mellitus; National Drug Policy


 

 

Introdução

Na sociedade moderna, o medicamento representa um importante instrumento terapêutico para o tratamento de diversas doenças, mas também ocupa, indevidamente, o lugar de símbolo de saúde. Nessa perspectiva inadequada, o medicamento contribui para que as intervenções nas causas sociais (relacionadas à escolaridade, situação sanitária e socioeconômica) e comportamentais das doenças, que quase sempre implicam trabalhosas mudanças de hábitos ou comportamentos, sejam inibidas 1,2.

Não obstante, é oportuno destacar que a utilização de medicamentos pode ser decisiva para o controle e prevenção de problemas relacionados às doenças crônicas e que o crescimento na sua demanda, observado no Brasil nos últimos anos, ocorre de forma paralela ao aumento da prevalência dessas doenças 3,4,5. Esse aumento, por sua vez, está relacionado ao envelhecimento da população, às mudanças nos estilos de vida e ao aumento do acesso aos serviços de saúde 6. No período de 1997 a 2007, a população brasileira apresentou um crescimento relativo da ordem de 21,6% e, no mesmo período, o incremento relativo do contingente de 60 anos ou mais de idade foi bem mais acelerado: 47,8% 7. Assim, o processo de envelhecimento populacional torna-se relevante, na medida em que se relaciona com o aumento da prevalência das doenças crônicas 8, especialmente a hipertensão arterial, artrite/artrose, diabetes e depressão 3. Os hábitos da cultura moderna, tais como alimentação inadequada e sedentarismo são fatores de risco para várias doenças crônicas, além de contribuírem para o aumento na prevalência da obesidade 9, considerada importante fator de risco para essas doenças 9,10. Ademais, entre 1998 e 2008, ocorreu melhoria em vários indicadores relacionados ao acesso a serviços de saúde, como os percentuais de pessoas que contam com serviço de saúde de uso regular, que consultaram médico e dentista nos últimos 12 meses 6, fato que pode ter contribuído para o diagnóstico de um maior número de doenças.

Nesse contexto, a literatura mostra que a maior utilização de medicamentos geralmente ocorre entre as mulheres, nos indivíduos mais idosos, além daqueles com maior número de doenças 5,11,12.

O medicamento, compreendido como um símbolo de saúde pressupõe que a enfermidade seja considerada um fato essencialmente orgânico, enfrentável por meio da mercadoria remédio, vista como o único modo cientificamente válido de se obter saúde 1. Essa concepção favorece uma medicalização exagerada, o uso inadequado de medicamentos e gera resultados prejudiciais aos pacientes e ao sistema de saúde, em detrimento do emprego de recursos não farmacológicos 2,13,14.

Um outro aspecto a ser considerado é que o aumento observado na demanda por medicamentos não tem sido acompanhado por uma disponibilização adequada de medicamentos essenciais à população. Observa-se, sobretudo em países menos desenvolvidos, dificuldade de acesso a esse tipo de medicamento, ao mesmo tempo em que ocorre um aumento do consumo de medicamentos supérfluos ou injustificados, os quais deveriam ser utilizados apenas em situações muito específicas (como os polivitamínicos e anorexígenos) 14. No Brasil, principalmente a partir da década de 90, os recursos financeiros públicos destinados à aquisição de medicamentos têm se elevado gradativamente 15,16,17,18, entretanto ainda são necessários grandes avanços para se otimizar seu acesso e o uso racional.

Diante do importante impacto social e econômico relacionado às doenças crônicas, do aumento da demanda por medicamentos e da necessidade de promover seu uso racional, gestores de saúde buscam desenvolver estratégias que permitam o estabelecimento de uma assistência contínua à população. É relevante o desenvolvimento de políticas públicas que objetivam disponibilizar serviços de saúde resolutivos e custo-efetivos, merecendo destaque as políticas de medicamentos, parte essencial das políticas nacionais de saúde 19,20.

No ano de 2008 foi implementada uma rede pública de farmácias no Estado de Minas Gerais, denominada Rede Farmácia de Minas. Sua proposta vai ao encontro das diretrizes da Política Nacional de Medicamentos 19 e da Política Nacional de Assistência Farmacêutica 21 e visa, dentre outros objetivos, garantir o abastecimento regular e o uso racional de medicamentos no SUS, possibilitar o reconhecimento das farmácias comunitárias públicas como estabelecimento de saúde, disponibilizar a profissionais de saúde informações sobre medicamentos e acompanhar o cumprimento dos tratamentos prioritariamente de tuberculose, hanseníase, hipertensão, diabetes, saúde mental e saúde do idoso 22.

Com a implantação da Rede Farmácia de Minas, o SUS busca garantir uma estrutura adequada aos serviços de assistência farmacêutica, no Estado de Minas Gerais. As farmácias são bem estruturadas, contam com a presença de um profissional farmacêutico durante o horário de funcionamento, dentre outros benefícios 22. Nesse âmbito, estudos sobre a utilização de medicamentos podem contribuir para se conhecer o perfil de utilização de medicamentos, identificar os fatores que influenciam no seu consumo e, consequentemente, contribuir no planejamento de ações que visem promover seu uso racional e evitar que recursos individuais e públicos sejam gastos com medicamentos inadequados 23.

O objetivo deste estudo foi descrever as características sociodemográficas, relativas às condições de saúde e o perfil de utilização de medicamentos entre indivíduos com hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus, que adquirem medicamentos nas unidades da Rede Farmácia de Minas, com ênfase nas diferenças entre sexos.

 

Métodos

Delineamento e população-alvo

Este trabalho é parte integrante da pesquisa Estudo de Utilização de Medicamentos pelos Pacientes do Programa de Hipertensão e Diabetes Mellitus da Rede Farmácia de Minas, apoiada pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG).

A estratégia geral de delineamento foi a de um estudo epidemiológico seccional (inquérito) sobre a utilização de medicamentos, realizado em amostra composta por metade dos 64 municípios então participantes do Programa Farmácia de Minas da SES/MG, selecionados aleatoriamente. Todos os municípios participantes possuíam menos de 10 mil habitantes, uma vez que a SES/MG priorizou inicialmente a implantação de unidades em municípios de pequeno porte que apresentam maiores problemas de infraestrutura e dificuldades para a fixação do profissional farmacêutico.

A população-alvo foi constituída por pacientes hipertensos e/ou diabéticos, residentes nos referidos municípios, que adquiriam seus medicamentos por meio das unidades da Rede Farmácia de Minas. É oportuno destacar que tanto os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) quanto os profissionais que trabalham na farmácia (farmacêutico e atendentes de farmácia) integram a rede de cuidado aos usuários na atenção primária.

A rede de farmácias realiza cadastro dos usuários por meio do Sistema Integrado de Gerenciamento da Assistência Farmacêutica (SIGAF). Esse sistema, que é acessado via Internet, permite que seus usuários do nível estadual e municipal possam gerenciar estoques de medicamentos, cadastrar usuários, dispensar e programar medicamentos, dentre outras funcionalidades. No período de realização das entrevistas, o número de pacientes cadastrados no SIGAF ainda era muito reduzido. Devido a isso, a seleção dos participantes foi realizada a partir dos cadastros do Programa Saúde da Família (PSF) em cada município pesquisado, por amostragem de conveniência. Os critérios de inclusão adotados foram: pacientes com diagnóstico de hipertensão e/ou diabetes, acompanhados pelas equipes do PSF local e que aceitaram participar do inquérito. Os pesquisadores, durante seu período de permanência nos municípios, deveriam entrevistar no mínimo 10% dos pacientes elegíveis. O percentual de entrevistados em cada município variou de 11 a 21% dos indivíduos cadastrados.

Coleta dos dados

As informações foram obtidas por meio de questionário semiestruturado, pré-codificado e pré-testado, com perguntas referentes às características sociodemográficas, à saúde em geral, uso de serviços de saúde e ao uso de medicamentos (ver detalhamento no item Variáveis do Estudo).

Para a realização das entrevistas, os entrevistadores acompanharam os agentes comunitários de saúde, no momento da visita domiciliar aos pacientes. Ocorreram recusas à participação das entrevistas, que corresponderam a menos que 2% do total de convidados. Os motivos de recusa não foram investigados. As entrevistas domiciliares foram individuais e realizadas, preferencialmente, com os indivíduos selecionados para o estudo. Entretanto, quando havia impedimento por motivos de saúde, tais como surdez ou déficit cognitivo, elas foram realizadas com parentes ou cuidadores, que também prestaram auxílio nos casos de dificuldades com algumas questões, excetuadas aquelas que exigiam autoavaliação. Para evitar viés de memória, os dados sobre uso de medicamentos foram obtidos com período recordatório de 15 dias. As entrevistas ocorreram no período de 18 de janeiro a 22 de fevereiro de 2010.

Quarenta estudantes do Curso de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram responsáveis pela coleta dos dados. Todos os entrevistadores receberam treinamento para esta atividade, na SES/MG e Faculdade de Farmácia, de acordo com manuais de instrução detalhados. Cada estudante permaneceu no município selecionado por um período de 10 dias úteis, para a realização das entrevistas.

Variáveis do estudo

Os questionários utilizados contavam com três blocos de perguntas. O primeiro bloco abordava as características sociodemográficas do participante: idade, sexo, local de habitação, co-habitação, escolaridade. O segundo bloco estava relacionado às condições de saúde e ao uso de serviços de saúde: autopercepção da saúde, restrição das atividades habituais, ter estado acamado nos últimos 15 dias, número de consultas médicas no último ano, internações no último ano, afiliação a plano de saúde privado, financiamento de medicamentos por plano de saúde privado, presença de comorbidades (artrite/artrose/reumatismo, infarto, asma, depressão, problemas de audição, angina, derrame, ataque do coração, bronquite, problemas de visão). O terceiro bloco referia-se ao uso de medicamentos: medicamentos utilizados nos 15 dias anteriores à entrevista, independência para o uso de medicamentos no dia a dia, origem da prescrição/indicação, duração do uso dos medicamentos, gastos com medicamentos no ultimo mês, local de obtenção, problema para a obtenção de medicamentos.

Análise dos dados

As unidades de análise foram os indivíduos e os medicamentos. Os princípios ativos presentes nos medicamentos usados foram identificados com o auxílio do Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (DEF) 24 e agrupados de acordo com o Anatomical Therapeutic Chemical Classiûcation System (ATC) 25. Os medicamentos não classificáveis de acordo com o ATC foram excluídos.

A média de medicamentos utilizados por entrevistado foi usada como indicador da intensidade de uso de cada grupo. Ela foi calculada dividindo-se o número medicamentos citado nas entrevistas pelo número de entrevistados.

A variável resposta foi o número de medicamentos utilizados nos 15 dias anteriores à entrevista. As variáveis explicativas foram as descritas no primeiro e segundo blocos de perguntas do questionário.

Os gastos mensais individuais com medicamentos, informados no momento da entrevista, foram expressos em unidade monetária corrente brasileira, Real (R$). Os gastos também foram expressos em proporções do salário mínimo vigente no período de realização das entrevistas.

A significância estatística das diferenças entre as proporções foram testadas com o qui-quadrado de Pearson. As diferenças entre as médias foram comparadas por meio do teste de Kruskal Wallis. Para todos os testes, foi utilizado o nível de significância de 5%. As análises estatísticas foram realizadas por meio do programa SPSS, versão 17.0 (SPSS Inc., Chicago, Estados Unidos).

Aspectos éticos

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (002/2010). Consentimentos livres e esclarecidos foram obtidos dos participantes.

 

Resultados

Dentre os 4777 entrevistados, a maior parte era do sexo feminino (68,8%), a média de idade era de 60,9 anos (mediana = 61) e 53,8% tinham sessenta anos ou mais. Cerca de 89% dos participantes residiam em casa ou apartamento próprio, ou de familiares/amigos, 10,9% declararam morar só e 64,3% possuíam curso primário incompleto ou nunca haviam estudado.

Aproximadamente a metade dos entrevistados (48,8%) considerava seu estado de saúde regular, 90,5% referiram a ocorrência de pelo menos uma comorbidade, 27,6% apresentaram alguma restrição das atividades habituais por motivo de saúde e 11,8% estiveram acamados, nos 15 dias anteriores à entrevista. Observou-se que 50,4% consultaram quatro ou mais vezes um médico e 17,4% foram hospitalizados pelo menos uma vez no último ano. Menos de um quarto dos entrevistados possuía plano de saúde privado e, dentre os que o possuíam, menos de 5% recebiam medicamentos por meio dele.

Em relação às características sociodemográficas e relacionadas à saúde, observaram-se diferenças significativas nas proporções entre homens e mulheres. Os homens eram mais idosos e, em maior proporção que as mulheres, viviam sós, haviam sido hospitalizados no último ano e obtinham medicamentos por meio de plano de saúde. Em contrapartida, as mulheres referiram pior estado de saúde, relataram maior número de doenças e haviam realizado maior número de consultas no último ano. Além disso, homens utilizavam mais medicamentos para o controle de hipertensão arterial e diabetes mellitus e as mulheres, medicamentos para outras doenças (Tabela 1).

Os participantes do estudo informaram utilizar, nos 15 dias anteriores à entrevista, um total de 18.019 medicamentos (média = 3,8; mediana = 3; amplitude = 1 a 18). A média utilizada pelos homens foi de 3,5 e, pelas mulheres, 4. A maior parte dos entrevistados (82,3%) não necessitava da ajuda de outra pessoa para utilizar seus medicamentos. Dentre os medicamentos utilizados, 2% foram excluídos da análise, pois não foi possível classificá-los de acordo com a classificação ATC.

A quase totalidade dos medicamentos utilizados (98,5%) foi recomendada pelo médico, e aproximadamente 84% estavam sendo utilizados pelos entrevistados por um ano ou mais. Em relação ao local de aquisição, 74,3% dos medicamentos foram obtidos por meio de farmácia do SUS e 25%, por farmácia comercial. Ocorreu problema para a obtenção de 22,8% dos medicamentos. O maior problema observado (75,4%) foi a falta do medicamento na farmácia do SUS.

Cerca de 41% dos entrevistados apresentaram algum gasto para a aquisição de medicamentos nos 30 dias anteriores à realização da entrevista. Dentre esses, o gasto médio mensal foi de R$ 104,04 ± 204,17 e o gasto mediano, R$ 60,00. Esses valores equivaliam, respectivamente, a 20% e 12% do valor do salário mínimo vigente à época da realização das entrevistas. Os homens gastaram em média R$ 101,34 e mulheres R$ 105,22 (p = 0,435). Os dez indivíduos com os maiores gastos foram responsáveis por 8,8% dos gastos totais.

Por meio da Tabela 2 observa-se que os medicamentos mais utilizados pela amostra geral e por sexo pertenciam ao sistema cardiovascular, trato alimentar e metabolismo e sistema nervoso. As médias de consumo pertencentes a esses três grupos foram maiores entre as mulheres.

Em relação ao sistema cardiovascular, os subgrupos terapêuticos mais utilizados foram diuréticos, agentes com ação sobre o sistema renina-angiotensina e betabloqueadores. Quando realizada comparação por sexo, as principais diferenças foram observadas para os betabloqueadores (a média de utilização entre as mulheres foi superior à entre os homens) e para os agentes com ação sobre o sistema renina-angiotensina (a média de utilização dos homens foi superior à das mulheres). Os medicamentos com ação no trato alimentar e metabolismo mais frequentes foram os usados no diabetes além dos antiácidos e demais agentes para tratamento de úlcera péptica e flatulência, cuja média de utilização entre as mulheres foi superior. Os subgrupos terapêuticos mais frequentemente utilizados, referentes ao sistema nervoso, foram representados pelos psicolépticos, psicoanalépticos, antiepilépticos e analgésicos, dentre os quais a média de utilização das mulheres foi superior.

Em relação ao conjunto dos entrevistados e em ambos os sexos, observou-se que a média de medicamentos utilizados foi significativamente superior entre indivíduos mais idosos, pior estado de saúde autorreferido, que apresentavam maior número de comorbidades, que deixaram de realizar atividades habituais nos 15 dias anteriores à entrevista, estiveram acamados nos 15 dias anteriores à entrevista, realizaram quatro ou mais consultas médicas no ano anterior, estiveram internados nos últimos 12 meses e apresentavam filiação a plano de saúde privado. Observou-se também que, no conjunto dos entrevistados e entre as mulheres, a menor escolaridade se associou a uma maior utilização de medicamentos (Tabelas 3 e 4).

 

Discussão

As análises sobre o perfil utilização de medicamentos de indivíduos com hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus, que adquirem medicamentos nas unidades da Rede Farmácia de Minas, apresentadas neste estudo, contribuem para ampliar o conhecimento sobre a situação assistencial que vivenciam esses indivíduos e, assim, desenvolver ações que permitam incrementar a qualidade dos serviços a serem disponibilizados à população, ademais de ser o primeiro estudo referente a uma experiência inovadora de assistência farmacêutica: a Rede Farmácia de Minas.

Apesar de o estudo não ter sido direcionado à população de idosos, os entrevistados eram, em sua maior parte (52,8%), representados por eles. Dessa forma, observou-se que os resultados encontrados foram semelhantes aos de estudos realizados com população idosa. Uma vez que hipertensão e diabetes encontram-se entre as principais causas de internação hospitalar no SUS, entre a população idosa, ressalta-se a relevância desses resultados e a necessidade de os serviços de saúde reforçarem a implementação de estratégias que visem o melhor controle dessas doenças 26.

O número médio de medicamentos utilizados em estudos nacionais, que abordaram diversas faixas etárias ou população adulta, oscilou entre 1,5 a 1,88 12,27,28. A elevada média de utilização observada no presente estudo (3,8) pode estar relacionada ao fato de a população-alvo ser composta por indivíduos com hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus, e, em sua maior parte com idade > 60 anos, ou seja, dois fatores que contribuem para uma maior utilização de medicamentos. Na comparação com estudos realizados com idosos, a média observada neste estudo foi superior à maior parte dos estudos nacionais 11,29,30,31,32,33,34 e internacionais 35,36 pesquisados, porém um inquérito nacional 2 e um estudo internacional 37 encontraram resultados semelhantes, além de um estudo realizado em Belo Horizonte 5, que apresentou uma média superior.

A maior utilização de medicamentos pelas mulheres em comparação aos homens foi consistente com os resultados de outros estudos 5,11,12,28,29,30,33,35,36,37. Merece destaque o fato de que as mulheres possuem maior preocupação com a saúde, procuram mais os serviços de saúde do que os homens e, além disso, vários programas de saúde são voltados para elas 27,38. Esses fatores contribuem para que as mulheres estejam mais sujeitas à medicalização.

Os gastos mensais com medicamentos utilizados pelos participantes do estudo apresentaram-se elevados, considerando que a média e mediana dos valores gastos correspondiam, respectivamente, a 20% e 12% do valor do salário mínimo vigente à época da realização das entrevistas. Futuras análises serão necessárias para se avaliar o que levou os entrevistados a realizarem esses gastos. É possível que os motivos estejam relacionados à prescrição de medicamentos não pertencentes à Relação Nacional de Medicamentos Essenciais e ao desabastecimento dos estoques das farmácias.

Em relação aos grupos terapêuticos mais utilizados, inicialmente é necessário destacar que a população-alvo deste estudo era composta por indivíduos hipertensos e/ou diabéticos e, dessa forma, é bem provável que os percentuais de medicamentos do sistema cardiovascular e trato alimentar e metabolismo sejam superiores aos que seriam observados, caso o estudo não se restringisse apenas a esse perfil de entrevistados. Apesar disso, os resultados foram semelhantes aos de estudos nacionais 5,29,32,33 e internacionais 35,37 realizados com idosos, com predominância dos medicamentos do sistema cardiovascular, trato alimentar e metabolismo e sistema nervoso.

Dentre os cardiovasculares, da mesma forma que outros estudos nacionais 2,5,33,39, o subgrupo terapêutico mais citado foi o dos diuréticos. Os agentes com ação sobre o sistema renina-angiotensina, betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio também estiveram entre os mais utilizados. Esses resultados são coerentes com as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão 40, que descrevem esses anti-hipertensivos como eficazes no tratamento da hipertensão arterial e também como os preferenciais para o controle da doença namonoterapia inicial.

Em relação aos fármacos do trato alimentar e metabolismo, os subgrupos terapêuticos mais citados (medicamentos usados no diabetes; antiácidos e demais agentes para tratamento de úlcera péptica e flatulência) foram semelhantes aos de estudos realizados com população idosa no Brasil 2,5,33, com exceção às vitaminas.

É possível que a menor utilização de vitaminas, bem como medicamentos do sistema nervoso, descrita no presente trabalho, quando comparada aos referidos estudos nacionais e internacionais esteja relacionada ao local de prescrição/indicação dos medicamentos. Estudos que avaliam a prevalência do consumo de medicamentos prescritos e não prescritos 39,41,42 mostram que, dentre os não prescritos, os que atuam sobre o sistema nervoso central (principalmente os analgésicos), bem como as vitaminas são os mais consumidos, ao passo que a quase totalidade dos medicamentos utilizados neste estudo foram prescritos por médico.

Os fármacos dos sistemas cardiovascular, nervoso e músculo-esquelético foram mais utilizados entre as mulheres, enquanto os agentes antitrombóticos, mais utilizados entre os homens. Esses resultados estão de acordo com os encontrados em estudos internacionais 36,38,43,44 e nacional 5 e parecem estar relacionados ao perfil diferenciado de doenças e do cuidado à saúde. Mulheres apresentam maior prevalência de doenças ósteo-articulares e depressão. Além disso, a maior utilização de medicamentos cardiovasculares por mulheres pode estar relacionada ao fato de estas apresentarem maior adesão ao tratamento anti-hipertensivo, como o observado em estudo internacional 45. O maior uso de agentes antitrombóticospelos homens parece estar relacionado à maior prevalência de infarto agudo do miocárdio entre eles 5. Ademais, a história clínica de infarto entre as mulheres é muitas vezes atípica, fato que gera erros mais frequentes no diagnóstico 46 e pode contribuir para uma menor utilização dos agentes antitrombóticos.

Merece destaque o fato de que, na população geral e entre os homens, os fármacos do trato alimentar e metabolismo foram o segundo grupo mais utilizado, seguidos pelos medicamentos do sistema nervoso. Entre as mulheres, ocorreu uma inversão dessa ordem e a segunda posição foi ocupada pelos medicamentos do sistema nervoso, representados principalmente pelos psicoanalépticos e psicolépticos. Esse resultado vai ao encontro de um estudo realizado em Minas Gerais, que descreve que a carga das doenças psiquiátricas no estado concentra-se, predominantemente, entre as mulheres (61%) 47.

Nesse contexto, é importante se disponibilizar suporte terapêutico adequado aos usuários que apresentam essas doenças, em especial as mulheres. Apesar dos inegáveis avanços provenientes da utilização dos psicofármacos é pertinente a utilização de terapias não medicamentosas. Além dos efeitos adversos provenientes da utilização dos psicofármacos, nem todos os pacientes respondem bem ao tratamento medicamentoso 48,49. Como ressalta Lefèvre, ir às causas comportamentais das doenças implica, quase sempre, dolorosas ou trabalhosas mudanças de hábitos, comportamentos ou processos terapêuticos longos e custosos como as psicoterapias ou psicanálises 1. Na sociedade moderna, que visa a obtenção de resultados rápidos e, muitas vezes, por meio da mercadoria medicamento, essa abordagem se configura em um grande desafio para os prescritores, os sistemas de saúde e a sociedade.

Os resultados deste trabalho mostram que o número médio de medicamentos utilizados aumentou com a idade. Essa tendência corrobora achados de outros estudos 5,11,12,27,29,34 e parece estar relacionada ao fato de que a presença de um maior número de morbidades nas faixas etárias mais avançadas leva a uma maior utilização de medicamentos.

Diferentemente de estudos nacionais 5,28,34, a menor escolaridade se associou a um maior número médio de medicamentos utilizados, na população geral e entre as mulheres. É possível que esse resultado divergente esteja relacionado ao local de aquisição dos medicamentos. Particularmente neste estudo, conduzido em municípios de pequeno porte, a maior parte dos medicamentos (74,3%) foi obtida por meio da farmácia do SUS e, dessa forma, a dificuldade de acesso a medicamentos devido a questões econômicas, mais presente em indivíduos com menor escolaridade, pode ter sido minimizada.

A maior parte das variáveis relacionadas à saúde e ao uso de serviços de saúde se associou ao número de medicamentos utilizados. Observou-se que, independentemente do sexo, quanto pior o indicador de saúde, maior o número de medicamentos utilizados. Esse resultado vai ao encontro dos descritos em estudos nacionais 5,11,34 e internacionais 36 realizados com idosos, é coerente do ponto de vista clínico e pode estar relacionado ao fato de que uma pior condição de saúde leva a maior utilização de serviços de saúde e medicamentos.

A filiação a algum plano de saúde privado se associou de maneira significativa a um maior número de medicamentos utilizados, da mesma forma que estudos realizados com idosos, nos municípios de Bambuí 50 e Belo Horizonte 5. No primeiro estudo foi relatado que problemas financeiros eram a principal dificuldade para adquirir medicamentos e que eram menos frequentes entre indivíduos que possuíam plano de saúde privado. Além disso, esses indivíduos haviam realizado maior número de consultas médicas no último ano. Dessa forma, é possível que indivíduos que possuem plano de saúde privado utilizem maior número de medicamentos por terem acesso a mais prescritores 5 e por apresentarem melhor condição econômica.

Uma das limitações deste trabalho é que, por ser um estudo transversal, não permite a identificação da relação causa e efeito. Além disso, foi utilizado um período recordatório de 15 dias para se avaliar a utilização de medicamentos, com o objetivo de manter o critério de comparação empregado pela maioria dos estudos sobre a utilização de medicamentos. Esse critério pode ter resultado em algum viés de memória, que se torna mais acentuado quanto maior o período a ser lembrado, a idade e o número de medicamentos utilizados no período 12,25,51.

Em resumo, por meio do presente estudo observou-se que o perfil de utilização de medicamentos por indivíduos com hipertensão e diabetes mellitus, em municípios da Rede Farmácia de Minas, foi semelhante ao observado em estudos de utilização de medicamentos realizados com idosos, no Brasil e em outros países. As mulheres, juntamente com os indivíduos mais idosos e com pior estado de saúde destacaram-se no que diz respeito à utilização de um maior número de medicamentos. Dessa forma, deverão ser os grupos de preferência para o delineamento de ações educativas voltadas para o uso racional de medicamentos. Além disso, futuros estudos deverão identificar fatores que possam favorecer ou comprometer o uso adequado de medicamentos por homens. Os elevados gastos com medicamentos observados neste trabalho reforçam a necessidade de investigações subsequentes, para se avaliar se os medicamentos adquiridos por meio de farmácias privadas eram pertencentes à Relação Nacional de Medicamentos Essenciais. É oportuno, no processo de organização da assistência farmacêutica, se conhecer quais foram os medicamentos adquiridos naqueles estabelecimentos e avaliar se haviam alternativas terapêuticas disponíveis na rede pública.

Por fim, espera-se com este estudo, reforçar a noção de que as alternativas não medicamentosas, como mudanças no padrão alimentar, controle do peso e realização de exercícios físicos regulares devem estar na pauta das políticas de saúde que visam o controle da hipertensão arterial, do diabetes, dentre outras doenças. Na sociedade moderna em que o fenômeno da medicalização adquire importância crescente e o medicamento muitas vezes é visto como o meio mais eficaz de se obter saúde, a adesão a essas abordagens constitui um grande desafio aos gestores do SUS, às equipes de saúde e aos usuários do sistema.

 

Colaboradores

V. O. M. Pereira participou do planejamento do estudo, organização e análise dos dados e redação do artigo.

F. A. Acurcio e M. L. Cherchiglia orientaram o trabalho, supervisionaram a análise dos dados e redação do artigo e realizaram a revisão crítica final do texto. A. A. Guerra Júnior e G. D. Silva participaram da fase de planejamento do estudo e realizaram a revisão crítica final do texto.

 

Agradecimentos

Este estudo foi financiado pelo Ministério da Saúde e Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais. Os autores agradecem a colaboração de Anderson Lourenço da Silva, pela orientação na fase de classificação dos medicamentos, Isabel Cristina Gomes, pelo suporte para a realização das análises estatísticas e a todos os entrevistadores e entrevistados deste estudo.

 

Referências

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Endereço para correspondência:
V. O. M. Pereira
Programa de Pós-graduação em Saúde Pública
Universidade Federal de Minas Gerais
Av. Professor Milton Lage 366
Belo Horizonte, MG 31230-470, Brasil
viniciusomp@yahoo.com.br

Recebido em 03/Out/2011
Versão final reapresentada em 05/Abr/2012
Aprovado em 17/Abr/2012